Jornal do Commercio Editoria: Economia Página: A-2
Com a divulgação, nesta quinta-feira, da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), analistas aumentaram as apostas de redução da taxa básica de juros, a Selic, em 0,5 ponto percentual em junho.
Jornal do Commercio Editoria: Economia Página: A-2
Com a divulgação, nesta quinta-feira, da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), analistas aumentaram as apostas de redução da taxa básica de juros, a Selic, em 0,5 ponto percentual em junho. A ata indicou que alguns diretores do Banco Central vêem fatores mais fortes que o esperado inicialmente para o controle da inflação, como as importações.
De dez instituições financeiras ouvidas nesta quinta-feira pela Agência Reuters, sete prevêem corte de 0,5 ponto da Selic na reunião do início do próximo mês; duas esperam mais uma redução de 0,25 ponto e uma ainda está revendo sua estimativa.
“O texto da ata é mais suave que os anteriores e não traz impedimentos para um corte de 0,5 ponto (em junho)… O BC flexibilizou a ata para um corte de 0,5 ponto”, avaliou Sandra Utsumi, economista-chefe do BES Investimentos.
Metade dos analistas revisou as projeções – que anteriormente eram de corte de 0,25 ponto percentual – após a reunião da semana passada, mas alguns esperaram a ata para fazer a mudança. No último encontro, o Copom baixou a Selic em 0,25 ponto, para 12,5%, por quatro votos a três.
A expectativa de um BC mais ousado, no entanto, não foi incorporada ao contrato de depósito interfinanceiro (DI) julho de 2007, que embute o próximo juro básico. Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), esse DI fechou em leve alta e indicando corte de 0,3 ponto percentual do juro.
Até o fim do ano
Metade das sete instituições que projetam corte de 0,5 ponto em junho também prevê essa redução na reunião de julho. E uma vê novamente em setembro.
“Mantemos nossa estimativa de que o BC vai iniciar um ciclo de afrouxamento de 0,5 ponto, mantendo o ritmo em junho, julho e setembro”, afirmou Alexandre Lintz, estrategista-chefe do BNP Paribas Brasil. “A esperada aceleração da inflação no segundo semestre deve fazer o BC a voltar ao ritmo de 0,25 ponto em outubro.”
Para Vladimir Caramaschi, economista-chefe da Fator Corretora, a inflação sob controle é o principal fator que possibilita maior flexibilização da política monetária. “A inflação está se distanciando bastante das metas.”
Na ata, o BC elevou ligeiramente a previsão para a inflação deste ano, pelo cenário de referência, mas ela segue abaixo da meta central de 4,5%.
A decisão por um corte de 0,25 ponto em abril deveu-se à visão da maioria dos diretores de que o cenário macroeconômico segue com crescimento “robusto” da demanda e da atividade. Além disso, mencionou a ata, há incertezas sobre o impacto das recentes reduções da Selic sobre a economia.
Para a LCA Consultores, essa incerteza deve se enfraquecer acompanhando “a persistência do quadro inflacionário muito begnino”. A consultoria indicou, em relatório, que prevê cortes de 0,5 ponto percentual nas duas próximas reuniões do Copom.
Analistas que continuam apostando em redução menor em junho consideram a possibilidade de um movimento menos conservador. “Com a explicação dada para o dissenso, existe a possibilidade de vir corte de 0,5 ponto (em junho), mas é mais provável que se mantenha em 0,25 ponto, em razão da recuperação da atividade econômica”, afirmou Jankiel Santos, economista-chefe do ABN Amro.