Com renda e emprego em alta, serviços e alimentos já pressionam taxa de 2007

Valor Econômico  Editoria: Brasil   Página: A-4


A elevação dos preços de alimentos e serviços tem pressionado a inflação ao consumidor. Os cenários de curto e médio prazo ainda são benignos, mas a recomposição da renda, o aumento do emprego e a continuidade do aquecimento da demanda internacional por algumas commodities, especialmente as agrícolas, ampliam a necessidade de um monitoramento mais atento dos preços no país. 


Nos 12 meses até maio deste ano, a inflação, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), acumula alta de 3,2%.

Valor Econômico  Editoria: Brasil   Página: A-4


A elevação dos preços de alimentos e serviços tem pressionado a inflação ao consumidor. Os cenários de curto e médio prazo ainda são benignos, mas a recomposição da renda, o aumento do emprego e a continuidade do aquecimento da demanda internacional por algumas commodities, especialmente as agrícolas, ampliam a necessidade de um monitoramento mais atento dos preços no país. 


Nos 12 meses até maio deste ano, a inflação, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), acumula alta de 3,2%. O índice, que mede o preços dos serviços, na mesma comparação, já avança 5% neste ano, enquanto o que reúne alimentos e bebidas, registra elevação de 4,8%. Os dados são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 


Enquanto o aumento dos alimentos reflete períodos de entressafra e problemas pontuais de oferta, como o caso recente do reajuste dos preços do leite, o ramo dos serviços é impulsionado especialmente pela elevação do custo de serviços pessoais, sancionada pela maior renda disponível da economia brasileira. 


“Não são apenas choques de oferta, nem pelo lado dos alimentos, nem pelo dos serviços”, afirma Carlos Thadeu Gomes Filho, economista do Grupo de Conjuntura da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Ele acredita que o país está entrando em uma fase na qual a valorização do câmbio começa a ter efeitos mais limitados. 


No caso dos serviços pessoais, por exemplo, o maior peso na estrutura de custos está na mão-de-obra e não nos materiais. É um ramo pouco beneficiado com a redução de preços trazida pelos bens importados. “Em um cenário de renda maior, quem está nesses serviços aproveita para reajustar preços e recompor margens”, diz. 


Manter uma empregada doméstica, por exemplo, tem ficado mais caro. Com reajustes no salário mínimo acima da inflação, esse serviço ficou, nos 12 meses acumulados até maio deste ano, 12,15% mais caro. Em dezembro de 2006, esse preço registrava alta menor, de 10,75%. “Isso faz parte da recuperação da economia. É até uma inflação boa, pois distribui renda”, comenta Luis Roberto Cunha, professor de economia da PUC-Rio. 


Para Otávio Aidar, da Rosenberg & Associados, como os índices que reajustam uma série de contratos, os IGPs, estão cada vez mais baixos por conta do câmbio, e a própria inflação ao consumidor também caminha em patamares menos elevados, a inércia nos preços é menor. A inércia inflacionária é o mecanismo pelo qual a inflação passada alimenta a futura. Com isso, a formação dos preços está cada vez mais sensível aos movimentos da demanda. Para ele, contudo, o câmbio valorizado e sem perspectivas de desvalorização, impede pressões no curto e médio prazo. 


Por conta disso, Aidar mantém sua expectativa de inflação para o final do ano em 3,6%, sendo que os preços livres devem subir 3,55% e os administrados, 3,57%. O economista da UFRJ, por outro lado, revisou para 3,8% sua projeção para o IPCA, que antes estava em 3,5%. 


Essas estimativas contam com um câmbio ainda bastante apreciado. No entanto, a outra âncora verde, que é a dos preços agrícolas, já não será mais tão favorável ao bolso do consumidor. O aumento dos preços dos alimentos está muito acima do verificado nos dois últimos anos. “O efeito climático e a forte demanda externa e interna elevaram o patamar de preços de alguns itens”, diz Cunha. Segundo ele, porém, essa alta não é suficiente para tirar a inflação ao consumidor do nível de 3,5% a 4% ao ano.