Projeção de IPCA aumenta para 3,64%

Jornal do Commercio  Editoria: Economia  Página: A-3


O mercado financeiro aumentou de 3,6% para 3,64% a projeção para a variação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) neste ano, de acordo com a pesquisa semanal Focus divulgada ontem pelo Banco Central (BC). A estimativa é a mais alta desde os 3,67% do início de maio. Para o economista da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Carlos Thadeu Filho, a expectativa poderá aumentar mais nas próximas pesquisas. “Elevamos nossas projeções de IPCA neste ano de 3,5% para 3,81% há cerca de um mês”, disse.

Jornal do Commercio  Editoria: Economia  Página: A-3


O mercado financeiro aumentou de 3,6% para 3,64% a projeção para a variação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) neste ano, de acordo com a pesquisa semanal Focus divulgada ontem pelo Banco Central (BC). A estimativa é a mais alta desde os 3,67% do início de maio. Para o economista da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Carlos Thadeu Filho, a expectativa poderá aumentar mais nas próximas pesquisas. “Elevamos nossas projeções de IPCA neste ano de 3,5% para 3,81% há cerca de um mês”, disse. Mesmo assim, o resultado fechado do ano ficaria abaixo da meta de 4,5% fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).


Os efeitos da alta de preços dos alimentos, segundo o economista, não deverão se esgotar em junho, ao contrário do que mostram os dados da pesquisa para os demais meses do ano. “O problema é que as projeções da pesquisa demoram para ser alteradas por fatores estruturais. Elas respondem mais rapidamente aos dados da inflação efetivamente ocorrida”, comentou.


Para 2008, a projeção do mercado para o IPCA é de 4%. Mais pessimista, o economista já trabalha com estimativa de 4,6%, percentual um pouco acima da meta central de 4,5%. “Aumentamos nossas projeções logo depois que o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu acelerar o ritmo de corte de juros para 0,5 ponto percentual em sua última reunião”, disse.


As previsões de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano, por sua vez, subiram de 4,30% para 4,34% na pesquisa do BC. Foi a terceira elevação consecutiva das projeções, que ainda se encontram distantes dos 4,70% estimados pelo próprio BC no Relatório de Inflação divulgado na semana passada.


IPC-S


Pressionada por aumentos nos preços de frutas (1,58%) e de laticínios (7,45%), a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor – Semanal (IPC-S) subiu levemente, com alta de 0,42% na última semana de junho, ante aumento de 0,40% na semana anterior. Para a Fundação Getúlio Vargas (FGV), que anunciou ontem a taxa, o próximo resultado do índice deve ser bem parecido com o divulgado ontem, visto que não há previsão de pressões novas na inflação do varejo, no curto prazo.


De acordo com o economista da fundação e coordenador do IPC-S, André Braz, a alta nos preços das frutas decorre de influências sazonais na oferta. É o caso das elevações de preços mais intensas em mamão papaya (de 11,84% para 25,64%) e manga (de 5,54% para 14,11%). “Esses produtos sempre sobem de preço nessa época do ano”, disse o economista.