Uma das demonstrações da retomada dos investimentos é o crescimento acelerado das operações de leasing para as empresas. Nos últimos doze meses, o volume de arrendamento para pessoas jurídicas já avançou 64%, atingindo R$ 23,3 bilhões, segundo dados do Banco Central até maio.
Uma das demonstrações da retomada dos investimentos é o crescimento acelerado das operações de leasing para as empresas. Nos últimos doze meses, o volume de arrendamento para pessoas jurídicas já avançou 64%, atingindo R$ 23,3 bilhões, segundo dados do Banco Central até maio. O crescimento está próximo dos 67% alcançados pelas pessoas físicas (R$ 18,5 bilhões).
A arrancada se deve à busca das empresas para financiar a compra de veículos, tanto leves quanto pesados, e de máquinas e equipamentos, de olho na expansão da economia, diz o presidente da Associação Brasileira das Empresas de Leasing (Abel), Rafael Cardoso.
No Bradesco, um dos líderes do setor, a carteira foi a que mais avançou entre as linhas de financiamento para empresas nos últimos doze meses, 32%, para R$ 3 bilhões, em março deste ano. “Devemos manter o crescimento na casa dos 30% para os dois próximos anos”, acredita o diretor, Osmar Roncolato.
No Banco Mercedes-Benz, o leasing pulou de cerca de 15% das liberações para quase 50% do total concedido nos últimos meses, com maior procura pelo financiamento de caminhões, explica o diretor, Xavier Accariès. Já no Unibanco o saldo total (incluindo pessoas físicas) pulou R$ 1,1 bilhão para os atuais R$ 3 bilhões em doze meses, com expectativa de atingir R$ 4 bilhões até o fim do ano.
A grande vantagem do leasing em relação ao financiamento de bens tradicional são os benefícios fiscais, como a não cobrança de IOF (o imposto pago no contrato é o Imposto Sobre Serviços) e a contabilização das parcelas como despesas no balanço, passando a ser dedutíveis do Imposto de Renda, explica o superintendente da Dibens Leasing, empresas que pertence ao Unibanco, Ricardo Botelho. “Isso tem direcionado a demanda das empresas para esse tipo de financiamento”, diz. Como comparação, a linha tradicional de empréstimos para aquisição de bens avançou 20% no mesmo período, para R$ 14,7 bilhões.
Outro destaque do setor tem sido a modalidade de leasing operacional (quando apenas o direito de uso é repassado à empresa, não o direito de propriedade). Segundo o presidente da CSI Latina Financial, especializada em operações na área de informática, Roberto Mussalem, o montante já supera os US$ 600 milhões no Brasil.
Ele explica que empresas brasileiras com atuação no exterior e que publicam balanços no padrão americano (USGAAP) preferem esse tipo de arrendamento. Isso porque o leasing tradicional deve ser contabilizado como imobilizado no padrão contábil americano, diminuindo os benefícios fiscais. Já no operacional, as parcelas devidas são mantidas como despesas, a exemplo do padrão brasileiro.
Outra vantagem é o custo, “15% menor”, em média, segundo Mussalem. Apostando no avanço do setor, a CSI deve criar agora uma nova empresa especializada em recuperar equipamentos de informática, descartadas em processos de atualização tecnológica, para realizar um novo leasing das mesmas máquinas, criando uma espécie de mercado secundário.
O setor de arrendamento viveu um período de retração no final dos anos 90, com a forte desvalorização do real. Isso porque a maioria dos contratos eram indexados ao dólar e houve uma disparada nas parcelas devidas. Muitos casos foram parar na Justiça, com fortes perdas para as empresas, que recuaram na oferta de leasing. Hoje, quase 92% dos contratos são prefixados e a moeda americana remunera apenas 0,4% da carteira.
Com as arrendadoras recuperadas e a volta da confiança das empresas no produto, as perspectivas são bastante otimistas. “O mercado deve terminar o ano próximo dos R$ 45 bilhões”, avalia o presidente da Abel. Uma das apostas é a linha criada pelo BNDES, o Finame Leasing. O setor de energia também já tem projetos financiando a compra dos equipamentos via arrendamento, que pode crescer ainda mais por conta do PAC (Plano de Aceleração do Crescimento do governo federal), acredita Cardoso.