A inflação vive um choque agrícola. Leite, feijão, frango, ovos e frutas se destacam entre as principais altas. Essa pressão puxou a inflação para cima no mês passado, e a taxa subiu para 0,55%, ante 0,36% em maio.
O reajuste de preços no setor de alimentação fez a Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) rever para cima a taxa de inflação deste ano.
A inflação vive um choque agrícola. Leite, feijão, frango, ovos e frutas se destacam entre as principais altas. Essa pressão puxou a inflação para cima no mês passado, e a taxa subiu para 0,55%, ante 0,36% em maio.
O reajuste de preços no setor de alimentação fez a Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) rever para cima a taxa de inflação deste ano. Prevista no início do ano em 3,5%, a taxa foi revista para 3,7% no meio do semestre e, agora, a Fipe estima 4,2%, diz Márcio Nakane, coordenador do Índice de Preços ao Consumidor.
Em junho, os alimentos subiram 1,90%, a maior taxa mensal do setor desde o final de 2002. No acumulado do semestre, os alimentos ficaram 4,9% mais caros, contra a inflação média de 2,37%.
A Fipe reviu a taxa de inflação mesmo com o sensível alívio que a energia elétrica vai trazer para o índice neste semestre. A tarifa de energia fica 12,66% mais barata para os paulistanos. Por ser um item de peso nos gastos diários dos consumidores, essa queda vai gerar deflação de 0,53%, ou seja, percentual próximo da inflação de junho.
No bolso
Os pesquisadores da Fipe constaram que o leite vem sendo o maior peso no bolso dos paulistanos. No mês passado, o produto teve aumento médio de 12,1%, acumulando 25% no primeiro semestre. O leite longa vida é o que mais subiu, com alta de 15,7% em junho, acumulando 33% no ano.
A alta dos preços do leite ocorre porque a oferta do produto está em queda no campo. Essa redução provoca uma disputa maior entre as indústrias, que, além de abastecerem o mercado interno, estão enviando mais leite para fora do país via exportação de derivados.
Apesar da forte alta nos preços do leite neste ano, o produto tem acompanhado a variação média da inflação. Ao completar 13 anos, o Plano Real acumula inflação de 179%. No mesmo período, o leite subiu 185%.
A alta nos preços do leite provocou reajuste também nos derivados do produto, que subiram 3,83% no mês passado. Juntos, leite e derivados geraram inflação de 0,24% em junho, ou 44% do índice total.
Reversão
Nakane diz que o choque agrícola deve apresentar inversão neste semestre. Mas, se a pressão do leite e do feijão diminui, os consumidores podem se preparar para reajustes de frango, ovos, carne bovina e café, que estão com recuperação de preços na produção.
O pãozinho, outro item de peso no gastos diários dos brasileiros, pode entrar nessa lista de reajustes. Mesmo com a previsão de aumento neste ano, a safra nacional de trigo seria apenas metade da registrada nos anos de 2003 a 2005.
Se os produtos agrícolas sobem e descem conforme a oferta, o mesmo não ocorre com o setor de serviços, outro item de pressão na inflação. Quando reajustados, esses preços permanecem -e não voltam a cair. O aumento de demanda interna auxilia essa tendência altista, segundo Nakane.
Dois itens exercem influência de baixa na inflação: álcool combustível e dólar fraco. No caso do álcool, a queda acumulada em junho foi de 10%.
Já o dólar fraco derruba os preços dos equipamentos utilizados pelos consumidores nos domicílios. Os preços dos televisores caíram 15% nos últimos 12 meses, e os dos aparelhos de som, 13%.