Vendas acumulam alta de 9,5% no ano

O Estado de São Paulo  Editoria: Economia  Página: B-6


A demanda interna aquecida impulsionou mais uma vez as vendas do varejo em maio. Houve expansão de 10,5% ante igual mês de 2006 e de 0,5% em relação a abril. Os melhores desempenhos se deram em segmentos beneficiados pelo Dia das Mães.

O Estado de São Paulo  Editoria: Economia  Página: B-6


A demanda interna aquecida impulsionou mais uma vez as vendas do varejo em maio. Houve expansão de 10,5% ante igual mês de 2006 e de 0,5% em relação a abril. Os melhores desempenhos se deram em segmentos beneficiados pelo Dia das Mães. No ano, as vendas acumulam 9,5%, segundo divulgou ontem o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).


Reinaldo Pereira, técnico responsável pela análise da pesquisa, disse que a conjuntura econômica ‘favorável’ fez com que as vendas do Dia das Mães neste ano fossem melhores do que em 2006 e levou à continuidade do bom desempenho do varejo.


Segundo ele, a influência positiva da data pôde ser percebida, na comparação com maio do ano passado, nas vendas de tecidos, vestuário e calçados (aumento de 16%) e outros artigos de uso pessoal e doméstico, que inclui lojas de departamento e cresceu 28%. De acordo com Pereira, o comércio vem sendo impulsionado por fatores como crédito farto, juros em queda, estabilidade no emprego, aumento da ocupação formal, inflação controlada e aumento das importações.


Alexandre Andrade, analista da Tendências Consultoria, observou que os resultados ‘reforçam o fato de que a demanda interna está e deverá seguir muito aquecida nos próximos meses por causa da trajetória favorável dos principais condicionantes das vendas no varejo, que são o crédito e renda’.


Para Carlos Thadeu de Freitas, chefe do Departamento de Economia da Confederação Nacional do Comércio (CNC), as vendas do comércio vão manter a tendência de crescimento nos próximos meses, mas o ritmo de expansão vai desacelerar a partir de junho. Segundo ele, a concessão de crédito vem diminuindo gradualmente, enquanto cresce o endividamento das famílias.


Apesar da perspectiva de desaceleração do ritmo de aumento das vendas, ele espera crescimento acumulado de 7,5% a 8% em 2007, superior à alta de 6,2% apurada pelo IBGE no ano passado. ‘É um resultado extraordinário que se beneficiará sobretudo do crédito, mas também dos ganhos reais de salários.’


Alimentos


Segmento de maior peso na pesquisa do IBGE – cerca de 30% – e diretamente vinculado ao comportamento da renda, o grupo de hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo cresceu 8,2% na comparação com maio de 2006 e contribuiu, sozinho, com 4 pontos porcentuais, ou 38% do crescimento total de 10,5% das vendas do varejo. Em relação a abril houve estabilidade (0,1%).


Quanto ao comércio ampliado (que inclui os segmentos de veículos e construção, nos quais não é possível separar atacado e varejo), as vendas de veículos e motos, partes e peças cresceram 20% ante maio do ano passado. Segundo Pereira, as vendas desse segmento têm sido impulsionadas pela melhoria da renda real, a continuidade da política de crédito, a redução dos juros e a ampliação de prazos de financiamento.


A outra atividade do varejo ampliado, de material de construção, teve alta de 4,7% na comparação com maio de 2006, o que Pereira atribui à melhoria da renda e do crédito, além de incentivos governamentais.