Gazeta Mercantil Editoria: Nacional Página: A-4
Maior contribuição foi do IRPF, com alta de 31,7% e total acumulado de R$ 6,9 bilhões. A Receita Federal divulgou ontem novo recorde de arrecadação no primeiro semestre deste ano.
De janeiro a junho foram R$ R$ 282,4 bilhões, 10% a mais do que nos seis primeiros meses de 2006, já descontada a inflação medida pelo IPCA. Para o governo, o crescimento econômico no período estimulou o resultado.
Gazeta Mercantil Editoria: Nacional Página: A-4
Maior contribuição foi do IRPF, com alta de 31,7% e total acumulado de R$ 6,9 bilhões. A Receita Federal divulgou ontem novo recorde de arrecadação no primeiro semestre deste ano.
De janeiro a junho foram R$ R$ 282,4 bilhões, 10% a mais do que nos seis primeiros meses de 2006, já descontada a inflação medida pelo IPCA. Para o governo, o crescimento econômico no período estimulou o resultado.
Em junho, a arrecadação somou R$ 49 bilhões, um crescimento real de 6,22% em relação ao sexto mês de 2006 e de 7,7% na comparação com maio deste ano.
A principal contribuição para o aumento da receita do governo no primeiro semestre foi do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), cuja arrecadação cresceu 31,7% e somou R$ 6,9 bilhões. A melhora na lucratividade das empresas e o pagamento dos impostos de importação também colaboraram para o novo recorde.
A arrecadação da CPMF no período foi de R$ 17,4 bilhões, 11,32% maior que nos seis primeiros meses de 2006, depois de descontada a inflação.
O aumento da arrecadação do governo é alvo constante da crítica dos empresários, que pedem a redução da carga tributária e a aprovação de uma reforma tributária. A carga teve nova alta no ano passado. Subiu de 33,7% do PIB (Produto Interno Bruto) em 2005 para 34,5% do PIB em 2006.
Segundo o ministro da Fazenda, Guido Mantega, o empresário Antoninho Marmo Trevisan, presidente do grupo temático da Reforma Tributária no Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), defendeu na segunda-feira que o governo aproveite a conjuntura positiva de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para pressionar os parlamentares a aprovarem a Reforma Tributária.
O coordenador-geral de Previsão e Análise da Receita Federal, Raimundo Eloi, explicou que o crescimento da indústria, principalmente do setor automotivo, e da massa salarial foram fundamentais no crescimento da arrecadação no primeiro semestre do ano.
Além do IRPF, a receita previdenciária subiu 11,46% no primeiro semestre, para R$ 70,1 bilhões, também influenciada pelo crescimento da massa salarial.
“Pela arrecadação do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica, percebemos que a lucratividade das empresas aumentou no ano passado em relação a 2005”, acrescentou Eloi.
O imposto é pago à Receita até março do ano seguinte e, por isso, aparecem na arrecadação do primeiro semestre. O IRPJ somou R$ 34,8 bilhões na primeira metade do ano, um aumento real de 13,98% em relação a igual período anterior.
Por causa do aumento das importações – estimuladas pela desvalorização do dólar no primeiro semestre – o pagamento de IPI somou R$ 15,1 bilhões no primeiro semestre do ano, 12,8% a mais do que nos seis primeiros meses de 2006, já descontada a inflação.
Automotivas em destaque
O IPI vinculado à importação foi de R$ 3,4 bilhões, 21,4% maior do que no mesmo período do ano passado.
O setor de automóveis foi o maior destaque da indústria neste primeiro semestre. O pagamento de IPI do setor automotivo somou R$ 2,2 bilhões, 10,14% a mais do que nos seis primeiros meses de 2006, já descontada a inflação.
O pagamento das contribuições PIS/Pasep e Cofins da indústria automobilística cresceu 26,83%.
A economista-chefe da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), Luciana de Sá, concorda que a combinação de aumento da arrecadação e crescimento econômico cria o ambiente ideal para a aprovação da Reforma Tributária.
Mas defende a aprovação de um projeto que contemple o fim da CPMF e da Desvinculação das Receitas da União (DRU). A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) engrossa o coro pelo fim do imposto do cheque.