Empresários pedem controle da entrada de dólares no País

Gazeta Mercantil    Editoria: Nacional   Página: A-4


Maioria das propostas feitas ontem já foi negada pelo ministro da Fazenda.

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Maioria das propostas feitas ontem já foi negada pelo ministro da Fazenda. Uma caravana de empresários liderada pelo presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro Neto, pediu ontem ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, ações do governo para controlar a entrada de dólares no Brasil, o que faz com que a moeda norte-americana se desvalorize e os produtos brasileiros percam competitividade no exterior.


A maioria das propostas feitas ontem pelos empresários já foi negada pelo ministro da Fazenda, como a de suspender a isenção do pagamento do Imposto de Renda para investimentos com capital estrangeiro em títulos da dívida pública.


No primeiro semestre deste ano a entrada de dólares no País bateu o recorde de US$ 78,4 bilhões, 52,6% a mais do que nos seis primeiros meses de 2006. Nessa conta entram o capital especulativo, investimentos de longo prazo no mercado financeiro e investimentos diretos.


O empresário Roberto Giannetti da Fonseca, diretor de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), disse que o ministro prometeu analisar a proposta de taxar o capital estrangeiro.


“O governo tem que ter consciência do que está acontecendo para poder nos ajudar”, disse. “Viemos discutir a competitividade das exportações. Estamos com dificuldade para manter nossos produtos no mercado internacional.”


O presidente da CNI disse que levou ao ministro um estudo mostrando que o superávit comercial dos produtos manufaturados vem caindo, o que mostraria que os setores mais sensíveis ao câmbio estão perdendo competitividade.


Os empresários fizeram reivindicações sobre a Reforma Tributária e sobre um acordo sobre o processo do crédito-prêmio do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) que tramita na Justiça. A Fazenda já conseguiu parecer favorável no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e aguarda decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).


O empresário do setor siderúrgico, Jorge Gerdau Johanpeter, defendeu a fixação de um limite para a carga tributária. “Entendemos que a Reforma Tributária tem que incluir a previsão de não aumento de carga. Tem que ter um percentual e um teto”, argumentou.


A carga tributária do ano passado voltou a subir, de 33,7% em 2005 para 34,5%.


Também participaram da reunião os economistas Luiz Gonzaga Belluzzo e Heleno Torres, como consultores da Fiesp, além dos empresários do setor sucroalcoleiro José Pessoa de Queiroz Bisneto e Pedro Nogueira.