O senador Gerson Camata (PMDB-ES) informou nesta quinta-feira (2), em Plenário, que está apresentando um projeto que trata da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). O projeto estabelece que a escolha das autoridades que compõem cargos da Anac deve ser feita em dia diferente da sabatina realizada pelos parlamentares. Determina ainda a realização de auditoria na agência e dá poderes ao Senado para destituir diretores da Anac.
O senador Gerson Camata (PMDB-ES) informou nesta quinta-feira (2), em Plenário, que está apresentando um projeto que trata da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). O projeto estabelece que a escolha das autoridades que compõem cargos da Anac deve ser feita em dia diferente da sabatina realizada pelos parlamentares. Determina ainda a realização de auditoria na agência e dá poderes ao Senado para destituir diretores da Anac. Segundo o senador, o projeto contribuirá, se aprovado, para que a Anac tenha melhor desempenho.
Camata manifestou sua opinião de que vários fatores provocaram o acidente ocorrido com vôo JJ 3054 da TAM no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, no dia 17 de julho. Entre os agentes responsáveis pelo acidente, o senador destacou a própria TAM, a Infraero e as condições adversas do aeroporto. Ele previu que haverá aumento das passagens aéreas.
– A crise será resolvida com o aumento das passagens. O povo vai pagar por essa anarquia que aconteceu com o sistema aéreo brasileiro – disse Camata.
A TAM foi responsável pelo acidente, segundo o senador, porque exigiu que a aeronave, que estava com sobrepeso, pousasse no aeroporto, que é limitado devido ao tamanho de suas pistas e a sua localização.
A Infraero também teve sua parcela de culpa, já que liberou a pista principal de Congonhas com asfalto ainda novo e sem o chamado grooving – ranhuras transversais na pista que aumentam o atrito do avião com o solo. A pista, que passou por reformas a partir de maio, foi liberada sem a conclusão do grooving.
– Toda pista recentemente asfaltada é mais lisa. Até a gente quando dirige nas estradas, em asfalto novo, percebe que desliza com mais facilidade – comentou o senador.
A Airbus, por seu turno, também tem participação na tragédia, segundo Camata, porque ficou constatado que o reverso direito do avião da TAM não abriu no pouso em Congonhas por estar travado. A informação foi admitida pela Airbus, que alegou não ser esse um item obrigatório para a aterrisagem. O senador disse, no entanto, que, ao consultar fontes aeronáuticas, estas informaram que o reverso do Airbus A320 da TAM estava “pinado” ou travado desde Porto Alegre, de onde partiu a aeronave.
Além desses fatores, houve, por fim, as condições desfavoráveis do próprio aeroporto, situado na cidade e com pistas curtas para aviões de grande porte, disse o senador. Camata lembrou ainda que havia dois pilotos no avião, o que pode ter contribuído para o surgimento de ordens duplas.
O senador disse que, além da falta de infra-estrutura nos aeroportos e da desorganização nesse setor, faltam aviões nas companhias aéreas.
– O caos aéreo brasileiro não vai ter fim, pois há falta de 72 aviões. Todas as companhias somadas estão operando com menos 72 aviões. Quando fecha um aeroporto, todos são afetados. E não há aviões sobressalentes – afirmou.
Agência Senado, 2 de agosto de 2007.