Investimento direto já cresceu 135%

O Estado de São Paulo  Editoria: Economia  Página: B-3


Em nove meses do ano, o Brasil recebeu US$ 28 bilhões em investimentos estrangeiros diretos. Uma média mensal, de acordo com os dados divulgados ontem pelo Banco Central (BC), de US$ 3,1 bilhões.

O Estado de São Paulo  Editoria: Economia  Página: B-3


Em nove meses do ano, o Brasil recebeu US$ 28 bilhões em investimentos estrangeiros diretos. Uma média mensal, de acordo com os dados divulgados ontem pelo Banco Central (BC), de US$ 3,1 bilhões. O valor acumulado até setembro já é 135% maior do que no mesmo período do ano passado.


‘A perspectiva de investment grade, a inflação sob controle e o próprio crescimento da economia tornaram o País um porto para os investimentos diretos’, afirmou o chefe do Departamento Econômico (Depec) do BC, Altamir Lopes.


Para outubro, a expectativa do BC é que entrem mais US$ 3,3 bilhões em investimentos diretos. Confirmada a previsão, o valor acumulado no ano chegará perto de US$ 31 bilhões. ‘Vamos ultrapassar neste ano o pico histórico de US$ 32,7 bilhões alcançado em 2000, quando ainda estava em curso no Brasil o processo de privatizações das empresas estatais’, afirmou Altamir. No ano passado, os investimentos diretos ficaram em US$ 18,8 bilhões.


Otimista, o presidente da Sociedade Brasileira de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet), Luís Afonso Lima, trabalha com estimativa de US$ 34,5 bilhões de investimentos diretos neste ano. ‘Para alcançar esse valor, precisaremos ter uma média mensal de US$ 1,5 bilhão nos dois últimos meses do ano. É algo perfeitamente factível.’ Neste ano, apenas fevereiro e maio apresentaram volume abaixo de US$ 1,5 bilhão.


Altamir destacou que 77,3% dos investimentos estrangeiros diretos entre janeiro e setembro podem ser classificados como novos. ‘São investimentos que não estão vinculados a projetos de aquisição de plantas de produção já existentes. Estão relacionados à implementação de processos novos de produção.’ Os investimentos estão disseminados por vários setores da economia. ‘Não há concentração em setores específicos’, disse ele.


O presidente da Sobeet observou que o Brasil vive situação diferente de outros países. ‘Relatório da Unctad divulgado na semana passada demonstrou que 68% dos investimentos diretos estão relacionados a processos de fusões e aquisições de empresas.’ Além disso, a maioria dos investimentos diretos é voltada ao mercado interno. ‘Não é por outro motivo que 54% dos investimentos diretos entre janeiro e setembro estão concentrados no setor de serviços.’ Lima prevê que em 2008 os investimentos ficarão ainda perto de US$ 34 bilhões.