O Estado de São Paulo Editoria: Economia Página: B-3
O custo do Brasil com as reservas internacionais deve superar os R$ 100 bilhões no biênio 2006 e 2007, segundo um estudo inédito de Nathan Blanche, sócio da Tendências Consultoria e ex-presidente da Associação Nacional de Ouro e Câmbio (Anoro).
O Estado de São Paulo Editoria: Economia Página: B-3
O custo do Brasil com as reservas internacionais deve superar os R$ 100 bilhões no biênio 2006 e 2007, segundo um estudo inédito de Nathan Blanche, sócio da Tendências Consultoria e ex-presidente da Associação Nacional de Ouro e Câmbio (Anoro). Ele adiantou ao Estado cálculos que apontam que o custo de manutenção das reservas, que em 2006 foi de R$ 42,7 bilhões, será de R$ 68,7 bilhões este ano e a projeção para 2008 é de R$ 37,1 bilhões.
Os valores consideram a perda de valor das reservas devido à valorização do real e ao fato de a remuneração delas ser menor que o custo da dívida interna emitida por causa da compra de dólares. “O Brasil está acumulando reservas desnecessariamente”, diz Blanche.
O professor de economia da PUC-RIO Márcio Garcia também acha que o Banco Central deveria parar de comprar dólares porque já tem reservas suficientes para dar segurança e porque o custo é alto. “Quanto mais reserva, mais prejuízo o governo vai ter”, afirma Garcia.
Um fundo soberano de riqueza como o que o governo está pensando em fazer, com base na experiência de outros países, não resolve o problema. Para Blanche, “com o problema cambial sério que temos, é prematuro ou irresponsável falar de um fundo soberano agora”.
Garcia avalia que o Brasil não deveria fazer um fundo desse porque tem déficit fiscal nominal. “Países como o Chile, que tem um fundo assim, têm superávit nominal. O déficit é uma diferença fundamental porque uma coisa é o país ter dinheiro sobrando, outra é o governo que compra reservas internacionais contraindo dívida para isso”, afirma.
A maior parte do custo calculado por Blanche é relativa à diferença entre a remuneração das reservas e o custo da dívida interna. Nesse caso, os valores calculados por Blanche são de R$ 29,9 bilhões em 2006, de R$ 33 bilhões em 2007 e a projeção para 2008 é de R$ 27,3 bilhões.
Outra parte do custo é referente à perda de valor das reservas internacionais, em moeda estrangeira, pela apreciação do real. Essa perda devido à variação do câmbio foi de R$ 12,8 bilhões em 2006, deve atingir R$ 35,74 bilhões este ano e mais R$ 9 bilhões no ano que vem, segundo o sócio da Tendências.