O Estado de São Paulo Editoria: Economia Página: A-8
Depois de dois meses da turbulência externa, que afetou a administração da dívida e elevou o preço dos papéis vendidos pelo Tesouro, o mês de setembro foi de tranqüilidade, mesma tendência observada este mês. Assim, o governo conseguiu melhorar o perfil da dívida interna e contou com a baixa cotação do dólar , que reduziu ainda mais a dívida externa.
O Estado de São Paulo Editoria: Economia Página: A-8
Depois de dois meses da turbulência externa, que afetou a administração da dívida e elevou o preço dos papéis vendidos pelo Tesouro, o mês de setembro foi de tranqüilidade, mesma tendência observada este mês. Assim, o governo conseguiu melhorar o perfil da dívida interna e contou com a baixa cotação do dólar , que reduziu ainda mais a dívida externa. ””Tudo indica que o pior da volatilidade já passou””, disse o coordenador de Operações da Dívida Pública do Tesouro Nacional, Guilherme Pedras.
Segundo ele, essa análise é validada pela redução da volatilidade dos preços dos ativos (taxas dos papéis), aumento do volume de papéis negociados no mercado secundário de títulos e maior procura dos investidores por títulos prefixados, que têm a correção definida no momento da venda. Os dados divulgados ontem, no entanto, mostram que ainda não foi possível restabelecer alguns dos parâmetros de qualidade de administração da dívida que prevaleciam antes das turbulências provocadas pela crise do subprime, as hipotecas americanas.
A crise prejudicou bastante a estratégia para dois dos principais indicadores de qualidade da dívida interna: a participação dos títulos prefixados e a parcela de títulos a vencer em até 12 meses. Esses indicadores ainda não estão nas metas para a administração da dívida definidas no Plano Anual de Financiamento (PAF), divulgado anualmente pelo Tesouro. Pedras, porém, garante que as metas serão atingidas. A parcela dos papéis prefixados subiu de 36,43% para 36,84% do total da dívida, abaixo do piso definido, que é de 37% e vai até 43%.
Em meio às turbulências no mercado externo, o Tesouro reduziu substancialmente, em agosto, a oferta desses papéis porque, em momentos de volatilidade, os investidores fogem desse título, que carrega o risco de perdas, se os juros subirem. Ele não quis antecipar a estratégia do Tesouro após a decisão do BC de dar ””uma pausa”” na redução da taxa Selic, como por exemplo aumentar a oferta de LFTs, os papéis pós-fixados que têm taxa de correção definida de acordo com a variação da Selic.
A parcela dos títulos com vencimento em até 12 meses teve melhora mais expressiva em setembro, de 34,09% para 33,15%. Para esse indicador, mais saudável quanto menor for o seu porcentual, a meta do PAF está entre 23% e 33% da dívida.