Cresce a confiança do consumidor

O Estado de São Paulo  Editoria: Economia  Página: B-9


Impulsionado por uma onda de otimismo, o Índice de Confiança do Consumidor (ICC) disparou em outubro e atingiu o nível mais alto da série histórica iniciada em setembro de 2005. O indicador subiu 3,5% ante setembro, bem acima do resultado do mês anterior, quando caiu 0,3%.

O Estado de São Paulo  Editoria: Economia  Página: B-9


Impulsionado por uma onda de otimismo, o Índice de Confiança do Consumidor (ICC) disparou em outubro e atingiu o nível mais alto da série histórica iniciada em setembro de 2005. O indicador subiu 3,5% ante setembro, bem acima do resultado do mês anterior, quando caiu 0,3%. Segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV), o bom humor do consumidor se origina da expectativa de continuidade do crescimento econômico, que influencia positivamente o mercado de trabalho.


Calculado a partir de entrevistas em mais de 2 mil domicílios de sete capitais, o ICC tem escala de pontuação entre 0 e 200 pontos. Quanto mais próximo de 200, maior o nível de confiança do consumidor.


Os dados foram coletados de 1 a 22 de outubro. Em relação a setembro, a pontuação subiu de 109 para 112,8. O indicador é dividido em dois sub-itens: o Índice de Situação Atual, que subiu 1,8%, e o Índice de Expectativas, que subiu 4,3%.


As expectativas do consumidor estão elevadas e puxaram para cima o resultado do ICC, disse o coordenador de sondagens conjunturais do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre/FGV), Aloisio Campelo.


Ele destacou a avaliação especialmente positiva do consumidor em relação ao mercado de trabalho. Com a melhora do nível de emprego, o consumidor sentiu os efeitos positivos do crescimento econômico. Isso conduziu ao aumento no poder aquisitivo e renovou as esperanças de que o bom cenário continue nos próximos meses.


Campelo admitiu que, nos meses finais do ano, o consumidor sempre se apresenta mais otimista. Entretanto, comentou que a confiança elevada não é originada só de influência sazonal. ‘Os resultados da confiança do consumidor de outubro, principalmente em relação às expectativas, se mostram melhores que os apresentados em outubro do ano passado e outubro de 2005. Ou seja, não é só impacto sazonal.’


A intenção de compras de bens duráveis também atingiu em outubro o melhor nível desde setembro de 2005. De setembro para outubro subiu de 18% para 18,4% a parcela dos consumidores que pretende comprar mais bens duráveis nos próximos seis meses. Em contrapartida, caiu de 29,4% para 26% o porcentual de pesquisados com intenção de comprar menos.


A continuidade dos problemas no setor aéreo fez com que muitos consumidores desistissem de viajar em férias. Segundo Campelo, 72,1% dos pesquisados pretendem viajar em férias. O porcentual é o menor dos últimos três anos para um mês de outubro. ‘A renda está subindo, o emprego está bom, mas a intenção de viajar está caindo’, disse. ‘O setor de turismo poderia estar crescendo mais, não fosse a crise aérea.’ O porcentual de pesquisados que pretende viajar de carro ficou em 44,7%, acima da fatia de 41,9% dos que pretendem viajar de avião.