Previsão para IPCA de 2008 tem pequeno recuo

Valor Econômico  Editoria: Brasil  Página: A-4


As expectativas de inflação para 2008 dão os primeiros sinais de acomodação, depois que o Banco Central deu uma pausa no processo de afrouxamento na política monetária. O IPCA médio previsto pelo mercado financeiro para o ano que vem caiu de 4,1% para 4,06% em uma semana, apesar de ter sido divulgado no período um índice de inflação maior do que o esperado. 


O IPCA de outubro ficou em 0,3%, acima do 0,2% esperado pelo mercado, segundo dados divulgados na semana passada pelo IBGE.

Valor Econômico  Editoria: Brasil  Página: A-4


As expectativas de inflação para 2008 dão os primeiros sinais de acomodação, depois que o Banco Central deu uma pausa no processo de afrouxamento na política monetária. O IPCA médio previsto pelo mercado financeiro para o ano que vem caiu de 4,1% para 4,06% em uma semana, apesar de ter sido divulgado no período um índice de inflação maior do que o esperado. 


O IPCA de outubro ficou em 0,3%, acima do 0,2% esperado pelo mercado, segundo dados divulgados na semana passada pelo IBGE. A surpresa inflacionária foi incorporada ao IPCA esperado pelo mercado para 2007, que subiu de 3,83% para 3,92% em uma semana, segundo a pesquisa Focus do BC, que reúne as previsões de cerca de 100 economistas do setor privado. 


Mas a projeção mediana de inflação para 2008 permaneceu em 4,1%, percentual igual ao observado nas seis semanas anteriores. E há indicações de que pode cair nas próximas semanas, já que a inflação média projetada diminuiu. A média (soma das projeções inflacionárias, dividida pelo número de projeções) é um indicador antecedente da inflação esperada e costuma indicar a tendência das projeções medianas (aquela que está no centro das projeções). 


Outro indicador antecedente importante que melhorou é a projeção dos chamados Top 5, ou seja, do grupo de cinco economistas do setor privado que mais acertam suas previsões. Esse pelotão de elite baixou de 4,32% para 4,1% as suas projeções para o IPCA de 2008. 


As expectativas de inflação para 2008 vinham piorando desde meados deste ano, após o governo ter fixado uma meta de 4,5% para 2009, mais alta do que a desejada pelo mercado financeiro, e depois da divulgação de índices de inflação maiores do que o esperado. As projeções se estabilizaram em 4,1% em fins de setembro, refletindo a acomodação da inflação corrente e a política monetária um pouco menos relaxada adotada pelo BC. 


Nos seus documentos oficiais, o BC vem apontando a deterioração das expectativas inflacionárias como uma de suas principais preocupações. Na visão da autoridade monetária, a elevação da inflação de curto prazo não deveria se propagar para prazos mais longos, a não ser que o mercado tivesse dúvidas sobre a disposição e a capacidade de o próprio BC conter a alta de preços. 


No seu relatório de inflação de setembro, o BC afirma que a deterioração das expectativas inflacionárias é um sinal de que as importações não estão sendo capazes de suprir à crescente demanda interna, estimulada pelos seguidos cortes de juros, pelo aumento da renda real e pelos estímulos da política fiscal. 


Com a acomodação das projeções inflacionárias em prazos mais longos, os juros reais de mercado tendem a ficar mais elevados – com repercussões um pouco mais fortes para conter a atividade econômica e inflação. 


Os juros futuros nominais haviam subido desde meados de agosto, primeiro em virtude da crise internacional e depois devido à decisão do BC de interromper a queda da taxa básica. Mas, conforme assinalado pelo próprio BC, os efeitos dessa alta de juros sobre a economia seriam limitados, porque os juros reais não estavam subindo muito, devido à alta da inflação projetada.