O comércio varejista deve ter em 2007 o maior crescimento no volume de vendas no Natal e no acumulado do ano desde que a pesquisa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) passou a ter abrangência nacional, em 2000. A previsão da CNC (Confederação Nacional do Comércio) é de uma alta de, pelo menos, 9,3% nas vendas com relação a 2006.
Se confirmado, o desempenho seria semelhante ao de 2004.
O comércio varejista deve ter em 2007 o maior crescimento no volume de vendas no Natal e no acumulado do ano desde que a pesquisa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) passou a ter abrangência nacional, em 2000. A previsão da CNC (Confederação Nacional do Comércio) é de uma alta de, pelo menos, 9,3% nas vendas com relação a 2006.
Se confirmado, o desempenho seria semelhante ao de 2004. Mas, como 2003 foi um ano de freada econômica -ocasionada pela desconfiança dos mercados em relação à eleição do presidente Lula-, que gerou uma base de comparação muito baixa, o crescimento em 2007 é considerado mais significativo.
Na avaliação do IDV (Instituto para Desenvolvimento do Varejo), a alta pode chegar a 10%. “Os três melhores meses são os últimos”, justifica o consultor estratégico da entidade, Emerson Kapaz, prevendo que as vendas no final de ano vão alavancar o patamar do acumulado até setembro (9,6%).
Para Carlos Thadeu de Freitas, economista da CNC, a previsão é menor porque as vendas já estavam elevadas no final do ano passado, o que pode provocar uma ligeira queda no índice. “Mas ainda assim vai ser o melhor Natal [considerando a série histórica do IBGE].”
No comércio eletrônico, o faturamento no Natal deve alcançar o recorde de R$ 1 bilhão -45% acima de 2006. Segundo Pedro Guasti, diretor-geral da e-bit, que fez a projeção, a queda do dólar “vai aliviar o peso das compras”, principalmente eletroeletrônicos.
As encomendas do varejo, segundo a Eletros (Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos), devem registrar incremento superior a 10% neste trimestre, no confronto com igual período de 2006. Na linha branca (como geladeiras e fogões), a alta deve ser o dobro (20%).
De olho nesses números, uma das maiores redes varejistas, o Magazine Luiza, prevê alta de 40% nas vendas de Natal.
Além da desvalorização da moeda americana, os motivos para as previsões otimistas são os mesmos que vêm alavancando as vendas do varejo durante todo o ano, com aumento na massa salarial, mais oferta de crédito, juros em queda e prazos de pagamento mais longos.
O presidente da Alshop (Associação Brasileira de Lojistas de Shopping), Nabil Sahyoun, prevê crescimento de 12% e cita como um dos motivos a inauguração de 17 centros comerciais neste ano, contra 13 em 2006. A previsão é próxima da divulgada pela Abrasce (Associação Brasileira de Shopping Centers) -alta de 15%.
A disponibilidade de renda para despesas extras dos consumidores neste trimestre é a maior em quatro anos, segundo pesquisa do Programa de Administração do Varejo, da USP, na cidade de São Paulo. Após os gastos com alimentação, habitação, vestuário, transporte, saúde, educação e lazer, devem sobrar 17,8% do rendimento. Claudio Felisoni, coordenador do Provar, lembra que, proporcionalmente à renda, as classes mais baixas gastam mais com consumo, e a tendência deve se repetir nesse cenário.
O presidente da Abravest (Associação Brasileira do Vestuário), Roberto Chadad, contabiliza que os 9,7% de incremento no faturamento previsto para o ano se devem ao desempenho das vendas a partir de setembro. “Até agosto, estava igual ao ano passado”, avalia. Com as vendas para os lojistas já entregues, a indústria realiza uma feira para escoar o restante da produção, a Mart Center Fashion, na zona norte de São Paulo, com peças 80% mais baratas, segundo ele, do que em lojas de shoppings.
Mas os gastos não devem ser direcionados apenas aos bens duráveis. Prevendo uma ceia natalina mais farta, 65% dos supermercadistas aumentaram as encomendas para abastecer as gôndolas, com relação a 2006, de acordo com levantamento da Abras (Associação Brasileira de Supermercados).