Crédito sustenta alta nas vendas de Natal

Folha de São Paulo Editoria: Dinheiro Página: B-1


O crédito mais farto e mais longo vai sustentar as vendas para o Natal neste ano.


Diferentemente do que aconteceu no ano passado, são as lojas de eletrodomésticos e eletroeletrônicos, de material de construção e de móveis e artigos de decoração que devem puxar as vendas de dezembro no comércio na região metropolitana de São Paulo, segundo levantamento da Fecomercio SP. Em 2006, o Natal foi melhor para as lojas de vestuário.


“As vendas para este Natal vão fugir dos padrões de consumo natalino.

Folha de São Paulo Editoria: Dinheiro Página: B-1


O crédito mais farto e mais longo vai sustentar as vendas para o Natal neste ano.


Diferentemente do que aconteceu no ano passado, são as lojas de eletrodomésticos e eletroeletrônicos, de material de construção e de móveis e artigos de decoração que devem puxar as vendas de dezembro no comércio na região metropolitana de São Paulo, segundo levantamento da Fecomercio SP. Em 2006, o Natal foi melhor para as lojas de vestuário.


“As vendas para este Natal vão fugir dos padrões de consumo natalino. Os consumidores decidiram investir no patrimônio doméstico”, afirma Altamiro Carvalho, assessor econômico da Fecomercio SP.


Em dezembro, de acordo com a federação, as vendas de eletrodomésticos e eletroeletrônicos devem crescer 22% em relação a igual período do ano passado, as de material de construção, 17%, e as de móveis e artigos de decoração, 15%. O faturamento de lojas de roupas, tecidos e calçados deve subir 6% e de supermercados, 4%.


O crescimento da renda e do emprego -nos últimos três anos, a massa salarial subiu entre 4% e 5 % ao ano- e da oferta de financiamento -as operações de crédito para pessoas físicas devem chegar a R$ 550 bilhões neste ano, cerca de R$ 60 bilhões a mais do que no ano passado, segundo dados do Banco Central- mudou o padrão de consumo neste ano, na avaliação de Carvalho.


“Todo esse dinheiro disponível para o consumidor e os prazos mais longos de financiamento favorecerem o consumo de bens mais caros”, afirma.


Além do acesso mais fácil ao crédito, que também está mais barato do que no ano passado, as famílias têm mais confiança no emprego e na renda. “Será um Natal mais exuberante, resultado da expansão do nível de atividade da economia como um todo. A massa salarial caminha para um crescimento na faixa de 6% daqui a alguns meses, que vai resultar em consumo de produtos mais caros”, afirma Fábio Silveira, sócio-diretor da RC Consultores.


Levantamento sobre intenção de compras realizado pela ACSP (Associação Comercial de São Paulo) revela que eletrodomésticos e eletroeletrônicos, veículos e móveis, aparecem, nessa ordem, como os principais produtos a serem adquiridos pelos consumidores neste final de ano.


“Foi uma surpresa. Há muitos anos os bens mais mencionados na pesquisa eram roupas e calçados”, diz Marcel Solimeo, economista da ACSP.


“Evidentemente que também haverá venda de presentinhos, mais baratos. Só que, no faturamento do comércio neste ano, os bens de maior valor vão ter um peso maior do que nos anos anteriores por causa da facilidade para obter crédito.”


Os shoppings centers prevêem que este será o melhor dezembro desde 2000. O faturamento real médio das lojas de shoppings deve crescer entre 10% e 12% neste ano, segundo informa Nabil Sahyoun, presidente da Alshop, associação que reúne os lojistas de shoppings no país.


No ano passado, o crescimento foi de 5% a 6%.


“Esse crescimento se deve muito também aos importados, que estão mais baratos por causa da queda do dólar, e às facilidades para obter financiamento”, afirma Sahyoun. Segundo ele, as vendas com cartão de crédito representam cerca de 50% das vendas das lojas de shoppings; com cheque, 20%; à vista, 20% e, com carnês, 10%.


Nos shoppings, na avaliação do presidente da Alshop, o que se vê é um equilíbrio na demanda por produtos mais caros, como eletroeletrônicos, e mais baratos, como roupas e calçados.


“Sentimos que as vendas estão maiores porque os cartões estão vendendo em até cinco ou seis vezes sem juros.”


Apesar de a expectativa para este Natal ser a melhor desde 2000, alguns economistas temem subida na inadimplência a partir de março do ano que vem, quando começam a acumular prestações de produtos adquiridos em dezembro.


“Estamos um pouco cautelosos com o que pode acontecer no ano que vem. No curto prazo está indo tudo muito bem. No último feriado [15 de novembro], as vendas estouraram. Só que há perspectiva de crise lá fora, o dólar subiu um pouco e a Bolsa caiu. É preciso ter cuidado com as projeções para o ano que vem”, diz Emílio Alfieri, economista da ACSP.


A inadimplência no comércio da cidade de São Paulo está maior do que no ano passado, mas sob controle, na avaliação de Alfieri. De janeiro a outubro, foi da ordem de 6,2% sobre o faturamento das lojas. No ano passado, esse percentual era de 5,9%, no período. “Mas estamos bem longe dos 11,8% atingidos em 1997, quando grandes redes de lojas quebraram.


De qualquer forma, é bom ficar com a luz amarela acesa.”