Alimentos voltam a ter alta e pressionam o IPCA

Folha de São Paulo Editoria: Dinheiro Página: B-9


Presentes diariamente no prato do brasileiro, a carne e o feijão carioca foram os vilões da inflação de novembro. Subiram 23,13% e 5,71%, respectivamente, e pressionaram o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que fechou o mês em 0,38%, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). A taxa superou as previsões e superou o 0,30% de outubro.


Em todo o ano de 2007, houve um choque de alimentos, cujos preços médios aumentaram 8,55% de janeiro a novembro -a maior alta desde 2002 (19,47%).

Folha de São Paulo Editoria: Dinheiro Página: B-9


Presentes diariamente no prato do brasileiro, a carne e o feijão carioca foram os vilões da inflação de novembro. Subiram 23,13% e 5,71%, respectivamente, e pressionaram o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que fechou o mês em 0,38%, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). A taxa superou as previsões e superou o 0,30% de outubro.


Em todo o ano de 2007, houve um choque de alimentos, cujos preços médios aumentaram 8,55% de janeiro a novembro -a maior alta desde 2002 (19,47%). Foi justamente o grupo alimentação que impulsionou o IPCA acumulado no ano -3,69%. O índice bateu os 3,14% registrados em 2006.


No caso dos alimentos, as altas foram generalizadas, atingindo vários itens. Os motivos são o crescimento do consumo na esteira da renda maior, exportações em alta, o aumento dos preços das commodities e o clima desfavorável, que provocou especialmente a quebra de safra do feijão, diz o IBGE.


“A história da inflação de 2007 já está contada. E ela será maior do que a de 2006. A principal causa é o aumento dos alimentos que sofreram com o clima, a alta das commodities, o aumento do consumo mundial e no Brasil, por causa da renda mais alta, e o incremento das exportações”, disse Eulina Nunes dos Santos, coordenadora de Índices de Preços do IBGE.

Diante desse cenário, vários alimentos tiveram, no acumulado de 2007, as altas mais expressivas dos últimos anos. Foi o caso das carnes, que subiram 12,88%, a maior variação desde 2002 (14,60%). Já o frango aumentou 10,63%, a alta mais intensa desde 2003 (13,04%).


O recordista, porém, foi o feijão carioca, afetado por uma quebra de safra. O item subiu 76,29%. Foi a maior alta desde o início do Plano Real. Embora a renda mais alta tenha possibilitado o aumento do consumo, diz Nunes dos Santos, não há sinais de uma inflação de demanda capaz de alterar a condução da política monetária. Segundo ela, o aumento real do salário mínimo elevou o poder de compra dos mais pobres, que passaram a comprar mais alimentos.


Para o economista Luiz Roberto Cunha, da PUC-Rio, o consumo maior ajuda a explicar a forte alta dos alimentos, mas não é o principal. “Foi uma conjugação de acontecimentos desfavoráveis.” Ainda assim, Cunha diz que o centro da meta do governo -de 4,5%, com intervalo de tolerância de dois pontos- não está ameaçado.


Já os preços administrados ficaram bem comportados por causa do câmbio. O destaque foi a energia, cujas contas caíram 5,80% até novembro.