BC eleva para 5,2% estimativa de crescimento do PIB em 2007

Gazeta Mercantil  Editoria: Nacional  Página: A-4


De olho no crescimento da economia, dos investimentos, da demanda interna e do acesso ao crédito, o Banco Central (BC) aumentou ontem as estimativas de alta do Produto Interno Bruto (PIB) e da inflação. A instituição elevou para 5,2% a expectativa em relação ao crescimento do PIB deste ano, 0,5 ponto percentual acima da projeção de setembro. Para o ano que vem, a estimativa é de alta de 4,5%.

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De olho no crescimento da economia, dos investimentos, da demanda interna e do acesso ao crédito, o Banco Central (BC) aumentou ontem as estimativas de alta do Produto Interno Bruto (PIB) e da inflação. A instituição elevou para 5,2% a expectativa em relação ao crescimento do PIB deste ano, 0,5 ponto percentual acima da projeção de setembro. Para o ano que vem, a estimativa é de alta de 4,5%.


A estimativa para a variação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para este ano foi revista para 4,3%, 0,3 ponto percentual a mais do que o previsto há três meses. A projeção da inflação para 2008 é de 4,3%, 0,1 ponto percentual superior ao estimado em setembro. Já a expectativa para 2009 é de uma alta de 4,2% do IPCA. Em todos os casos, a inflação permanece abaixo da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional, de 4,5% a.a. com margem de dois pontos percentuais para cima e para baixo. Os dados são do relatório de inflação divulgado ontem.


As projeções do BC estão em linha com as estimativas dos especialistas do mercado. Segundo o Relatório de Mercado divulgado na semana passada pelo BC, o PIB deve crescer neste ano 5,12% e 4,5% no ano que vem. A previsão dos analistas para a alta do IPCA neste ano é de 4,37%, para 2008 soma 4%.


O relatório cita o Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) apurado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), que atingiu 87,2% em novembro, recorde da série iniciada em abril de 1995. “A atividade econômica está aquecida e contribui para um ambiente de repasse de preço mais provável”, disse o diretor de Política Econômica do BC, Mário Mesquita.


O diretor do departamento de Relações Internacionais da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Roberto Giannetti da Fonseca, disse que diante do forte crescimento do consumo observado em 2007 e de um crescimento econômico na casa de 5%, é provável haver hiato de produto em 2008. “Precisamos de um choque de oferta no ano que vem ou teremos um boom de importações ou o surgimento de pressões inflacionárias”, disse, prevendo que o crescimento do consumo será mais forte que a expansão dos investimentos.


“Existe espaço para cortar juros em 2008. Na verdade existe um espaço defasado para isso.


Mas, mesmo assim, aposto na estabilidade da Selic”, disse Giannetti, acrescentando que a continuidade da trajetória de queda dos juros é muito importante não só em termos de política monetária como fiscal, uma vez que cada um ponto percentual de corte na Selic reflete em uma economia de R$ 10 bilhões nas contas públicas.


“As mudanças nas projeções foram concentradas no ano que já passou (2007). Para 2008, as alterações foram pequenas”, afirma Raphael Castro, economista da LCA Consultores, que estima inflação de 3,8% e expansão de 4,5% na economia no ano que vem. Na sua avaliação, a principal mudança está relacionada ao cenário de incertezas para 2008. “Os balanços de riscos se deterioraram em relação ao último relatório para o não cumprimentos das metas de inflação”, disse.


O relatório sublinha que “permanece o cenário de maior risco de aceleração”. Mesquita argumentou ainda que os riscos externos são “tão ou mais importantes” que as variáveis domésticas. Segundo o documento, mesmo que arrefeça, a economia mundial continuará a sustentar altas taxas de crescimento no ano que vem. O relatório prevê a desaceleração do crescimento da economia norte-americana, com reflexos na Europa e no Japão. Os países emergentes devem continuar sustentando o crescimento global em 2008, sublinhou o BC, antes de ponderar que tudo dependerá dos desdobramentos da crise imobiliária dos Estados Unidos.


O superávit primário acumulado nos dez primeiros meses de 2007 assegura o cumprimento das metas fiscais estabelecidas para o ano, de acordo com o relatório. “Esse resultado refletiu tanto a evolução favorável das contas da Previdência, quanto o crescimento do superávit dos governos regionais, particularmente dos estados”, detalha o texto. Entretanto, o BC destaca que “a rejeição da proposta de prorrogação da CPMF a partir de 2008 eleva o grau de incerteza associado às perspectivas para a política fiscal”.


Setor externo


O BC confirmou as recentes revisões das projeções para o balanço de pagamento de 2008.


Conforme revelou no último dia 19, o superávit em transações correntes para 2007 foi revisado de US$ 7,8 bilhões para US$ 2,4 bilhões, fundamentalmente como resultado da revisão da projeção de remessas líquidas de lucros e dividendos, de US$ 16,5 bilhões para US$ 20,9 bilhões. O BC também prevê uma reversão da seqüência de saldos correntes positivos iniciada em 2003 para déficit de US$ 3,5 bilhões, em 2008.


“Essa reversão no saldo da conta corrente é resultado do estreitamento do superávit comercial de R$ 39 bilhões, em 2007, para R$ 30 bilhões em 2008, mais a elevação das remessas de lucros e dividendos”, disse Mesquita. O governo comprou US$ 76,3 bilhões de janeiro a novembro. Em 2006, o resultado fechado é US$ 34,3 bilhões. As reservas de dólares do Brasil estavam em US$ 179,2 bilhões em 20 de dezembro.