Impasse sobre benefício para bebidas alcoólicas adia votação de mudanças no Simples Nacional

Depois de duas derrotas de emendas que buscavam incluir no Supersimples produtores de bebidas alcoólicas como vinho, aguardente, licor e cerveja, partidos favoráveis à medida entraram em obstrução e adiaram a votação dos demais destaques ao Projeto que revisa o regime simplificado de tributação de micros e pequenas empresas (PLP 221/2012). Esses partidos querem ganhar tempo para angariar mais apoio ou negociar o tema com o governo.

Depois de duas derrotas de emendas que buscavam incluir no Supersimples produtores de bebidas alcoólicas como vinho, aguardente, licor e cerveja, partidos favoráveis à medida entraram em obstrução e adiaram a votação dos demais destaques ao Projeto que revisa o regime simplificado de tributação de micros e pequenas empresas (PLP 221/2012). Esses partidos querem ganhar tempo para angariar mais apoio ou negociar o tema com o governo.

As duas emendas tiveram maioria dos votos, mas não alcançaram o mínimo de 257 para serem aprovadas em plenário. A primeira teve 201 votos favoráveis, contra 131 contrários, e beneficiaria microcervejarias e empresas fabricantes de vinhos e espumantes, licores e aguardentes de vinho e de cana. Já a segunda, voltada apenas a empresas fabricantes de vinhos e espumantes, licores e aguardentes, teve 212 votos favoráveis, contra 131 contrários.

O próximo destaque a ser votado, apresentado pelo DEM, também inclui fabricantes de bebidas no Supersimples.

Na sessão desta terça-feira (13), o DEM, o PSDB e o PTB pediram que a votação nominal durasse mais tempo, para aumentar as chances de o número de votos “sim” atingir os 257. Por isso, esses três partidos iniciaram o movimento de obstrução, logo seguido pelas demais legendas.

Posição do governo

PT e governo declararam voto contrário à isenção para bebidas alcoólicas, mas tiveram votos favoráveis dentro da bancada. Para o deputado Sibá Machado (PT-AC), que é vice-líder do partido, dar incentivo fiscal a bebida pode piorar o problema social do álcool. “Temos um grande problema no Sistema Único de Saúde com o consumo de álcool no País”, disse o deputado.

O líder do governo em exercício, deputado Henrique Fontana (PT-RS), ressaltou que o Planalto já negociou à exaustão o texto-base do Projeto, aprovado na semana passada, mas pediu que os setores não contemplados continuassem discutindo mudanças futuras. Ele disse que, após a entrada em vigor das novas regras do Supersimples, o governo poderá avaliar o impacto na arrecadação tributária e promover novas mudanças.

Os defensores da isenção para bebidas alcoólicas, no entanto, ressaltaram que o texto aprovado na Comissão Especial já tinha o benefício. O líder do PSB, deputado Beto Albuquerque (RS), disse que não poderia haver discriminação no Supersimples. “Se [a empresa] estiver enquadrada na faixa de faturamento do Simples, tem de ser incluída”, disse.

Já o líder da minoria, deputado Domingos Sávio (MG), disse que algumas empresas pequenas do seu estado estão na informalidade, e outras não têm condições de competir com os grandes conglomerados de bebidas.

Transporte fluvial

O Plenário também rejeitou, nesta terça-feira, um destaque que pretendia retirar do Projeto a possibilidade de empresas de transporte fluvial de passageiros ingressarem no Supersimples. O benefício foi mantido por 330 votos favoráveis e apenas dois contrários.

Os deputados já aprovaram, na semana passada, o texto do relator, deputado Cláudio Puty (PT-PA), para o Projeto. De acordo com o relatório aprovado, será universalizado o acesso do setor de serviços ao Simples Nacional, o regime de tributação das micros e pequenas empresas. Também está prevista a criação de uma nova tabela para serviços, com alíquotas que variam de 16,93% a 22,45%.

Íntegra da proposta:

 PLP 221/2012