Dirigentes de Federações do comércio criticam decisão do governo de criar taxas para custear Suframa

Dirigentes de Federações do Comércio da Região Norte participaram no dia 28 de março de audiência pública na Comissão Mista que discute a Medida Provisória (MP) 757/2016, a qual cria e regulamenta as taxas de Controle Administrativo de Incentivos Fiscais (TCIF) e de Serviços (TS). A TS e a TCIF vão substituir a Taxa de Serviços Administrativos (TSA), declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, em maio de 2016, por não ter uma descrição detalhada da hipótese de incidência tributária. Os recursos vão custear a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa).

Dirigentes de Federações do Comércio da Região Norte participaram no dia 28 de março de audiência pública na Comissão Mista que discute a Medida Provisória (MP) 757/2016, a qual cria e regulamenta as taxas de Controle Administrativo de Incentivos Fiscais (TCIF) e de Serviços (TS). A TS e a TCIF vão substituir a Taxa de Serviços Administrativos (TSA), declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, em maio de 2016, por não ter uma descrição detalhada da hipótese de incidência tributária. Os recursos vão custear a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa).

O presidente da Fecomércio-AP, Eliezir Viterbino da Silva​, o vice-presidente da entidade no Acre, Marcos Antonio Carneiro Lameira​, ​e os dirigentes em ​Rondônia Osmar Santana Lima, e Roraima, Veronildo da Silva Holanda, elaboraram, sob orientação da Assessoria Legislativa da​ Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), documento em que elencam pontos impactantes para o desenvolvimento daquela Região. O documento foi entregue à relatora da Medida Provisória, senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), bem como à presidente da Comissão, deputada Maria Helena (PSB-RR).

No documento, os dirigentes fazem diversas ressalvas à proposta do governo que, caso seja aprovada sem as alterações sugeridas pelas entidades do comércio, poderá trazer enormes consequências negativas de natureza fiscal, trabalhista e social aos empreendimentos do comércio.

Solução jurídica

Em resposta, a relatora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), afirmou que pretende buscar uma solução jurídica para reduzir o impacto da norma sobre os comerciantes das áreas da Zona Franca de Manaus e Áreas de Livre Comércio (ALC) da região. “A ideia não é ampliar a base [de arrecadação] da indústria, é baixar a do comércio”, disse.

A medida mudou a base de cálculo da totalidade do valor da nota para o valor de cada mercadoria e pela quantidade de itens que compõem a nota fiscal. Grazziotin afirmou que a redução da base tributária para comerciantes não diminuirá a arrecadação.

“É melhor ter um valor menor de cobrança, mas a base de pagamento maior”, afirmou. A taxa anterior, por ser questionada judicialmente, tinha baixa arrecadação porque empresas deixavam de pagar com liminares na Justiça.

Segundo Grazziotin, não houve intenção do Executivo em aumentar a arrecadação de tributos. “O único fator que levou a editar a MP foi uma correção legal.” A relatora afirmou que a “falha” do Executivo gerou uma diminuição de taxas para as indústrias, mas um aumento para o comércio. “Precisamos resolver esse problema”, defendeu.

Para o vice-presidente da Federação do Comércio do Estado do Acre, Marcos Antonio Lameira, a cobrança prevista na MP aumentou o custo da mercadoria saída da Zona Franca e das ALCs. “É preciso fazer os ajustes necessários para que isso não onere o preço das mercadorias e traga consequências à comunidade, à sociedade, ao consumidor final”, disse.

O presidente da Fecomércio-AP, Eliezir Viterbino, afirmou que a MP não ouviu sugestões dos comerciantes e trouxe consequências “gravíssimas” para o setor. “É como se fizéssemos leis para pessoas com deficiência sem ouvi-los.”

Com informações da Agência Senado