Sumário Econômico – 1587

Interesses comerciais do Brasil nos Estados Unidos – Nos dias 18 e 19 de março de 2019, o presidente Jair Bolsonaro realizou visita oficial ao presidente Donald Trump, em Washington, ocasião em que foi sedimentado novo entendimento bilateral entre Brasil e Estados Unidos. Ainda em julho, iniciaram-se os diálogos dos governos na tentativa de um acordo comercial entre os países, embora o Brasil necessite do desfecho das negociações do Mercosul com a União Europeia. A interlocução tem ocorrido principalmente através de fóruns de coordenação bilateral e mecanismos de cooperação. Os Estados Unidos são atualmente o segundo maior parceiro comercial do Brasil e o principal destino das exportações de bens industriais, absorvendo cerca de 80% dos produtos manufaturados e semimanufaturados da pauta exportadora brasileira. Em linhas gerais, os objetivos de uma negociação comercial com os Estados Unidos envolvendo bens seriam: consolidar a tarifa zero aplicada aos produtos de interesse do Brasil, conferir liberação imediata aos produtos brasileiros beneficiados pelo SGP, reduzir as barreiras às exportações de produtos agropecuários, principalmente os alimentícios, e obter preferências comerciais aos produtos industriais para reduzir desvantagens geradas por preferências concedidas pelos Estados Unidos a países concorrentes do Brasil (notadamente México, Canadá, China e União Europeia). Além disso, os Estados Unidos possuem mercado significativo para compras governamentais e o acesso a esse mercado (pela eliminação de margens de preferência, por exemplo) também é garantido a fornecedores estrangeiros por meio de acordos preferenciais de comércio ou da adesão ao acordo da Organização Mundial do Comércio (OMC) sobre o tema. Nesse sentido, uma negociação que permita ao Brasil preferências em relação a países concorrentes contribuiria para melhorar a competitividade dos produtos brasileiros nos Estados Unidos, em especial os industriais.

Transações Correntes registram déficit de 9,0 bilhões em julho – Segundo dados do Banco Central do Brasil, o déficit das Transações Correntes em julho de 2019 foi de -US$ 9,0 bilhões, enquanto no ano anterior o resultado do mesmo mês foi de um déficit de -US$ 4,4 bilhões, representando um aumento de +105,5%. No acumulado do ano nesse período, as contas externas registraram déficit de -US$ 21 bilhões, esse valor correspondeu a 1,3% do Produto Interno Bruto (PIB) nos últimos 12 meses, enquanto em 2018 representou 0,9% do PIB. As Contas Externas são compostas por três principais contas: 1) Balança Comercial de Bens (exportações e importações) mostrou superávit de +US$ 24,3 bilhões no acumulado do ano até julho; 2) Saldo dos Serviços (viagens, transportes e aluguéis de equipamentos realizados por brasileiros no exterior), com um déficit de -US$ 19,0 bilhões na mesma base de comparação; 3) Conta Capital e Financeira (remuneração de empregados, juros, lucros e dividendos) acumulou no período um déficit de -US$ 19,3 bilhões.

Fórum das MPE: Trabalhando para melhorar – Nos dias 20 e 21 de agosto, as entidades representativas das Micro e Pequenas Empresas (MPE) reuniram-se com técnicos do governo para discutir as propostas, as políticas e as ações em curso no Fórum Permanente das Micro e Pequenas Empresas. As reuniões que o economista da Divisão Econômica (DE) pôde acompanhar foram as dos seguintes comitês temáticos (CT): i) Política Nacional de Apoio e Desenvolvimento das MPE; ii) Formação e Capacitação Empreendedora; iii) Investimento, Financiamento e Crédito; e iv) Racionalização Legal e Burocrática. Portanto, em cada um desses CT, vários assuntos foram abordados em um ambiente de discussão que visa à construção de melhores condições para as MPE, excetuando a questão tributária a cargo do Comitê Gestor do Simples Nacional.