Otimismo do consumidor com a economia desacelera em junho

O Estado de São Paulo   Editoria: Economia   Página: B-5




O consumidor brasileiro ainda não percebeu os efeitos do crescimento econômico. É o que mostra o resultado do Índice de Confiança do Consumidor (ICC), que subiu 0,6% em junho, bem abaixo da alta de 2,6% registrada em maio.

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O consumidor brasileiro ainda não percebeu os efeitos do crescimento econômico. É o que mostra o resultado do Índice de Confiança do Consumidor (ICC), que subiu 0,6% em junho, bem abaixo da alta de 2,6% registrada em maio. Para a Fundação Getúlio Vargas (FGV), que divulgou ontem o indicador, a perda de força na confiança reflete a redução de otimismo do consumidor, que ainda espera a influência do bom momento na economia brasileira nos ganhos de sua família, como melhoras no mercado de trabalho, por exemplo.


Para cálculo do ICC, foram pesquisados 2.000 domicílios, entre 31 de maio a 21 de junho. Segundo o coordenador de sondagens conjunturais do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da fundação, Aloisio Campelo, houve melhora nas avaliações a respeito da situação presente, e estabilidade das expectativas em relação aos próximos meses. O ICC é dividido em dois indicadores: o Índice de Situação Atual, que subiu 1,5% em junho, ante aumento de 1% em maio; e o Índice de Expectativas, que teve elevação de 0,15% em junho, em comparação com a alta de 3,5% em maio. Esse último resultado é considerado como estabilidade pela fundação.


Campelo considerou que o consumidor continua confiante com os rumos da economia do País, mas não houve novas notícias nesse campo que pudessem elevar ainda mais a confiança do brasileiro. ‘Não estamos em um movimento de euforia, nem de otimismo extremo, nem de satisfação extrema. É um momento de confiança moderada (do consumidor)’, disse.


Para ele, é preciso que ocorram novas notícias para que a confiança do consumidor se eleve em níveis maiores do que os apurados até junho.


Isso porque, mesmo com o consenso existente entre os consumidores de que a economia está no rumo certo, esse cenário ainda não impactou diretamente o consumidor. É por isso que a avaliação dos entrevistados sobre a situação financeira familiar não apresenta melhora significativa. De maio para junho, caiu de 16,4% para 15,9% a parcela dos entrevistados para a elaboração do índice que classificam como boa a sua atual situação financeira familiar.


Entre as principais reclamações do consumidor em junho está o cenário atual no mercado de trabalho. Do total de entrevistados, 23,4% apontaram o desemprego como principal fator limitativo para situação financeira familiar; e 20,1% citaram salários baixos como obstáculo para a melhora das finanças da família. Campelo comentou que o desemprego e os salários baixos representam menor poder aquisitivo para a população.


‘Os consumidores, ao longo do tempo, estão vendo que o mercado de trabalho não está melhorando. Os indicadores de emprego não estão evoluindo rapidamente, e não estão com resposta favorável (para o consumidor)’, disse, acrescentando que é como se ‘o crescimento econômico não surtisse efeito na família do brasileiro.’