Atividade se mantém aquecida pelo sexto mês consecutivo

Gazeta Mercantil  Editoria: Nacional  Página: A-6


Impulsionada pela demanda, tanto doméstica quanto externa, que não dá mostras de arrefecimento, a indústria brasileira cresce forte e continuadamente. O indicador da atividade industrial, o PMI, divulgado pelo banco ABN Amro Real chegou a 54,9 em junho ante 54,3 apurado no mês anterior, com ajuste sazonal.

Gazeta Mercantil  Editoria: Nacional  Página: A-6


Impulsionada pela demanda, tanto doméstica quanto externa, que não dá mostras de arrefecimento, a indústria brasileira cresce forte e continuadamente. O indicador da atividade industrial, o PMI, divulgado pelo banco ABN Amro Real chegou a 54,9 em junho ante 54,3 apurado no mês anterior, com ajuste sazonal. “O resultado reforça o diagnóstico de uma recuperação bastante forte e que esse crescimento deve continuar em patamar elevado também no segundo semestre”, salienta o analista econômico sênior da instituição, Jankiel Santos.


O PMI está acima de 50,0 há pelo menos seis meses consecutivos. Para a formação do indicador são ouvidos mensalmente executivos de 450 indústrias no Brasil. O índice abaixo de 50,0 indica que a economia industrial está em queda e, acima deste patamar, que está em expansão. Exatamente na marca indica não ter havido mudanças de situação.


Muito embora a análise da instituição classifique o crescimento como robusto, Santos admite que a indústria não expandirá neste ano a ponto de puxar o Produto Interno Bruto (PIB) como ocorre historicamente. “Não é possível crescer 5% como está ocorrendo com a demanda agregada”, diz. “É o que se pode crescer hoje com o nível de investimentos que foi feito”, acrescenta.


Reflexos reais


Essa menor capacidade de produção tem seus efeitos colaterais. O levantamento mostra que houve elevação do índice de pedidos em atraso (de 52,6, em maio, para 53,2, no mês passado). Desde março o índice é superior a 50,0.


A formação dessa “fila” para receber os produtos abre brecha para pressões por aumentos de preço. Outro componente analisado na pesquisa que também tem peso para forçar uma alta é o fato de a indústria estar pagando mais por seus insumos. Há dois meses consecutivos, o indicador para o preço dos insumos vem evoluindo desde janeiro – quando estava em 52,3 – e há dois meses está em patamar superior a 60,0. Segundo o relatório do banco, executivos entrevistados relataram que houve aumento de preços do cobre, do aço e de materiais de embalagem.


Com isso, o crescimento acentuado dos custos médios, junto com a redução dos preços de fábrica, sugeriu uma compressão nas margens de lucro das companhias. “São fontes de pressão sim, mas não há uma preocupação de romper a meta de inflação”, afirma. “Porém arrefece a idéia de que o câmbio resolverá toda a questão inflacionária, ou seja, nessa situação e com a demanda forte a inflação não continuará sua trajetória cadente”.


O lado positivo desse movimento, ressalta o economista, é que o empresariado tem a forte sinalização de que a demanda doméstica veio para ficar e isso pode incentivar mais investimentos de agora em diante.


Exportações em alta


O relatório mostra ainda que está havendo uma elevação contínua do indicador para pedidos de exportação. Há seis meses, o índice era 47,6, recuou para 46,1 em fevereiro e subiu para 50,8 no terceiro mês do ano. De lá para cá, manteve-se acima de 51,0, chegando a 51,6 em junho.