Negócios avançam 22% no Brasil; no mundo, 66%

Gazeta Mercantil   Editoria: Finanças  Página: B-2 


O volume financeiro de fusões e aquisições no meio corporativo segue em marcha batida para um novo recorde em 2007. É o que aponta um levantamento da Thomson Financial, com números do primeiro semestre, produzido especialmente para a Gazeta Mercantil.

Gazeta Mercantil   Editoria: Finanças  Página: B-2 


O volume financeiro de fusões e aquisições no meio corporativo segue em marcha batida para um novo recorde em 2007. É o que aponta um levantamento da Thomson Financial, com números do primeiro semestre, produzido especialmente para a Gazeta Mercantil. Segundo o estudo, as 20,2 mil operações anunciadas mundialmente no período movimentaram US$ 2,73 trilhões, um aumento de 66% em relação à primeira metade do ano passado – mesmo percentual de crescimento do período janeiro-maio, como a demonstrar a elevada liquidez global. O destaque foi o setor financeiro, com 19,3% do total, seguido pelos segmentos de energia (13,7%), imobiliário (9,9%) e de matérias-primas (9,4%).


O Goldman Sachs foi a líder na coordenação das operações. Sozinho, o banco de investimentos norte-americano foi responsável por US$ 909,4 bilhões em negócios. O Citi pulou da terceira posição (em maio) para a vice-liderança, após liderar operações anunciadas da ordem de US$ 150 bilhões apenas em junho e de US$ 823,5 bilhões no acumulado do ano.


Morgan Stanley e JP Morgan ficaram na terceira e quarta posições.


O boom no setor tem sido beneficiado pelas baixas taxas de juros, com farta oferta de crédito barato, cenário aproveitado sobretudo por grandes fundos de private equity. Só no ano passado, esses grupos levantaram mais de US$ 300 bilhões em novos financiamentos e responderam por cerca de 1/4 do volume global de fusões e aquisições. São eles os responsáveis por operações recentes de grande vulto ainda não computadas no levantamento da Thomson, como a compra da cadeia de hotéis Hilton (US$ 26 bilhões) pelo Blackstone e a oferta de US$ 6 bilhões do Apollo pela companhia química americana Huntsman.


No Brasil, as fusões e aquisições cresceram 22% em relação à primeira metade de 2006, para US$ 23,5 bilhões, um pouco abaixo do aumento de 23,9% acumulado pela América Latina, para US$ 45 bilhões – a marcha já mudou, pois no período janeiro-maio o avanço havia sido de 12%. A tendência para o segundo semestre é que o ritmo se mantenha, se não for acelerado, acompanhando o aquecido mercado de ações. “Há diversas operações no forno, com destaque para setores de telefonia e finanças”, diz Luiz Muniz, chefe da área de banco de investimentos do Rothschild, instituição que manteve a liderança em operações no Brasil, seguida pelo UBS, que subiu (em relação a janeiro-maio) e deixou o Deutsche Bank em terceiro.


O Rothschild está envolvido em algumas das maiores operações anunciadas este ano no País, como a da Swift pelo JBS/Friboi, por US$ 1,4 bilhão. Para Muniz, o ritmo das operações no Brasil tende a se acelerar no Brasil, à medida que os juros domésticos continuem a cair.


“Apesar da queda verificada nos últimos meses, as taxas ainda estão muito altas pelos padrões internacionais”, diz.


Segundo Luiz Leonardo Cantidiano, sócio do escritório de advocacia Motta, Fernandes Rocha, embora as taxas domésticas ainda sejam proibitivas, uma série de fatores positivos concorre para que o volume de operações seja ainda maior na segunda metade do ano. Entre eles, o advogado cita a forte liquidez do mercado de ações, o que facilita o uso desse tipo de ativo como moeda de troca nas operações. É o que aconteceu, por exemplo, no caso da compra do BankBoston pelo Itaú e da Alphaville pela Gafisa. “Com mercado mais líquido, há menor resistência das empresas compradas em aceitar como pagamento as ações da compradora”, explica. Além disso, diversas empresas que recentemente se capitalizaram por meio da venda primária de ações já estão com planos adiantados de aquisições, com destaque para os setores de tecnologia da informação, construção civil, telecomunicações e de açúcar e álcool.


Cantidiano diz ainda que a oferta internacional de crédito também serve como fonte alternativa para empresas brasileiras. “Esse conjunto de fatores monta um cenário que não muda tão cedo”.