Reformadores de pneus não serão fechados, diz fabricante

O diretor da Associação Nacional de Pneus (Anip), Vilien Soares, afirmou hoje (12) que a indústria de reforma de pneus pode continuar operando no Brasil mesmo com o fim das importações de pneus usados. Segundo ele, no entanto, essas empresas terão um lucro menor, pois hoje importam pneus usados da União Européia a um custo muito baixo. Há um interesse dos países europeus, disse, em vendê-las, já que descartam anualmente cerca de 3 milhões de toneladas de pneu e não podem, desde o ano passado, enviá-las para seus aterros sanitários.

O diretor da Associação Nacional de Pneus (Anip), Vilien Soares, afirmou hoje (12) que a indústria de reforma de pneus pode continuar operando no Brasil mesmo com o fim das importações de pneus usados. Segundo ele, no entanto, essas empresas terão um lucro menor, pois hoje importam pneus usados da União Européia a um custo muito baixo. Há um interesse dos países europeus, disse, em vendê-las, já que descartam anualmente cerca de 3 milhões de toneladas de pneu e não podem, desde o ano passado, enviá-las para seus aterros sanitários. O fato, na opinião do presidente da Anip, que reúne fabricantes de pneus e câmaras de ar, garante uma grande lucratividade aos reformadores.


Segundo Vilien Soares, que participa de audiência pública na Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, os pneus novos têm vida útil de 40 mil km. Ele deu informação diferente do presidente da Associação Brasileira da Indústria de Pneus Remoldados (Abip), Francisco Simeão, que afirmou que a vida útil de um pneu reformado é a mesma de um novo – 80 mil km.


Outras destinações

Em relação à acusação feita anteriormente por Francisco Simeão de que os fabricantes de pneus não cumprem a legislação ambiental, Soares afirmou que em maio deste ano essas indústrias tinham, em todo o País, 246 pontos de coleta de pneus inservíveis “para dar uma destinação final correta”. Segundo o presidente da Anip, só em 2007 foram coletados 130 milhões de pneus, dos quais 80% foram destinados à utilização em fornos de fabricação de cimento, 14% para fabricação de pó de borracha, 6% para laminação.


O subsecretário-geral de Assuntos Econômicos e Tecnológicos do Ministério de Relações Exteriores, Roberto Carvalho de Azevedo, observou que o Brasil pode sofrer retaliações comerciais da União Européia caso descumpra decisão da Organização Mundial do Comércio (OMC) sobre a importação de pneus. Em junho, a OMC decidiu que o governo brasileiro pode proibir a importação de pneus reformados da Europa. A medida, no entanto, só poderá ser adotada se for proibida também a importação dos pneus usados, que dependem de recuperação para rodar novamente e, nesse caso, seriam reformados no Brasil.


Azevedo afirmou que o Brasil tem duas opções: ou impede a importação de pneus reformados e de carcaças ou permite a compra de ambos. Caso contrário, poderá sofrer retaliações em qualquer setor. “O alvo principal são produtos agrícolas”, ressaltou.


Desde 1991, a legislação brasileira proíbe a compra de pneus usados e reformados, mas existem liminares que permitem a importação por empresas brasileiras. Ainda ontem a presidente do Supremo Tribunal Federal, ministra Ellen Gracie, proibiu a empresa Tal Remodelagem de Pneus de importar pneus usados.


Carcaça brasileira

Segundo o diretor de qualidade ambiental na indústria do Ministério do Meio Ambiente, Rudolf de Noronha, o órgão apóia a reforma de pneus desde que a carcaça utilizada seja gerada no Brasil. Ele lembrou que pneus de passeio só podem ser reformados uma vez e depois são mandados para o aterro sanitário, o que não justifica a importação.


O diretor lembrou também que a importação de pneus gera problemas graves para as prefeituras, são fatores de risco para a transmissão de doenças como a dengue e, ainda que queimados, geram 40% de resíduos.


CNC, 12 de julho de 2007.