O Estado de São Paulo Editoria: Economia Página: B-1
A criação de empregos com carteira assinada no primeiro semestre atingiu o recorde do período, com o saldo de contratações superando em mais de 1 milhão (1.095.503) o número de demissões, de acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego. Os postos de trabalho formais em junho atingiram o nível também recorde de 28.760.085 – um crescimento de 3,96% em relação ao fim do ano passado, quando esse total foi de 27.664.582.
O Estado de São Paulo Editoria: Economia Página: B-1
A criação de empregos com carteira assinada no primeiro semestre atingiu o recorde do período, com o saldo de contratações superando em mais de 1 milhão (1.095.503) o número de demissões, de acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego. Os postos de trabalho formais em junho atingiram o nível também recorde de 28.760.085 – um crescimento de 3,96% em relação ao fim do ano passado, quando esse total foi de 27.664.582.
O aumento de contratações bateu recorde nos setores de agropecuária e construção civil e ficou em segundo lugar na série histórica do Caged (iniciada em 1992)para os setores de serviços e indústria de transformação. O ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, ficou entusiasmado com o resultado. “Acho que vamos bater o recorde anual. Devemos chegar a 1,6 milhão (de novos empregos) este ano.” Ele ressalvou que ainda não pode garantir que essa marca será alcançada e disse que foi desaconselhado por seus auxiliares a falar sobre isso.
O número esperado pelo ministro para este ano supera em quase 200 mil empregos o total de vagas formais criadas nos últimos 12 meses até junho, de 1.400.391. Esse resultado elevou o emprego formal em 5,12% em comparação com junho de 2006.
Na comparação de junho com o mês anterior, o emprego com carteira assinada aumentou 0,64%, com 181.667 novos postos de trabalho. Isso mostra uma continuidade de diminuição do ritmo de crescimento de empregos, que tinha sido de 1,08% em abril ante março e de 0,75% em maio em relação a abril, o que é normal para a época do ano, segundo os dados do Caged. A geração de emprego foi maior que a de 155.455 de junho do ano passado, mas não superou as marcas de junho de 2004 (207.895) e de junho de 2005 (195.536).
O maior crescimento por Estados foi em São Paulo, onde foram criadas 65.483 vagas no mês passado, aumentando em 0,69% o emprego formal no Estado, que foi seguido por Minas Gerais, com 46.080 novas contratações.
Otimismo
O Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (Inec) do segundo trimestre de 2007, divulgado ontem pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), mostra que o otimismo se mantém praticamente estável em relação ao primeiro trimestre, mas melhorou na comparação com o segundo trimestre do ano passado. O Inec atingiu 106,2 pontos, ante 105,9 pontos no primeiro trimestre de 2007 e 104,8 pontos no segundo trimestre de 2006.
Para a CNI, a maior segurança no emprego, diretamente ligada ao aumento do emprego formal, está entre os fatores que mais influenciam o otimismo dos consumidores no segundo trimestre deste ano, além das perspectivas da própria renda, influenciada pela trajetória recente de evolução da massa salarial.
Setor de serviços lidera expansão
O maior número de novos postos de trabalho no primeiro semestre ocorreu no setor de serviços. Do total de 1.095.503 postos formais (aumento de 3,96% sobre dezembro) criados de janeiro a junho, o segmento – que inclui atividades como limpeza, segurança e alimentação – contribuiu com 327.563 empregos (mais 2,95% sobre dezembro). Desses, 38.535 foram no mês passado.
O varredor Francisco de Moura Costa foi uma das pessoas contratadas no primeiro semestre para trabalhar no setor. Desempregado havia 10 meses, foi contratado em fevereiro por uma empresa de limpeza para trabalhar no terminal de ônibus Barra Funda, em São Paulo, varrendo as plataformas.
Cheguei a morar na rua, porque estava sem emprego e não conseguia mais pagar aluguel”, conta. “Muitas empresas diziam que, como eu tenho 44 anos, não ia mais conseguir emprego em lugar nenhum. Veja que absurdo!”
Ele disse que, antes de ficar desempregado, havia trabalhado por dez anos como varredor em outra empresa. “Agora quero ficar aqui e completar o tempo que falta para minha aposentadoria. Estou feliz porque agora tenho o suficiente para o aluguel. Vou até abrir conta no banco e poupança.” A longo prazo, seus planos são juntar um pouquinho a cada mês e comprar uma casa própria.
Nos últimos cinco anos, o setor de serviços teve trajetória ascendente no número de empresas existentes no Brasil – acompanhado, conseqüentemente, do crescimento no número de empregos. Segundo dados do Sebrae, o setor de serviços foi o que mais cresceu em novas empresas: o salto foi de 28% em 5 anos, contra 21% do comércio e 12,9% da indústria.
Ranking
Depois do setor de serviços, a indústria de transformação foi a segunda colocada em criação de empregos no semestre: criou 299.509 novas vagas formais nos primeiro seis meses do ano (aumento de 4,62% em relação a dezembro de 2006). O comércio, terceiro colocado, criou 97.051 (aumento de 1,57%)
Em termos relativos, o maior crescimento no número de empregos com carteira assinada por setores no primeiro semestre ocorreu na agropecuária, com expansão de 16,55%. Nesse segmento, houve 238.437 mais contratações do que dispensas, sendo 66.312 delas no mês de junho.
O número é o significativamente superior, segundo o Ministério do Trabalho, ao recorde anterior para o mesmo período no setor, que era de 216.430 postos em 2004.