IGP-10 deste mês sobe 0,22%

Jornal do Commercio   Editoria: Economia  Página: A-5


Pressionada pela disparada nos preços dos alimentos no atacado e no varejo, a inflação medida pelo Índice Geral de Preços – 10 (IGP-10) subiu 0,22% em julho, acima do aumento registrado em junho, de 0,15%. O coordenador de Análises Econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão Quadros, não descartou novas acelerações na taxa do indicador. Para ele, essa movimentação de alta de preços no setor de alimentação ainda está longe de acabar.

Jornal do Commercio   Editoria: Economia  Página: A-5


Pressionada pela disparada nos preços dos alimentos no atacado e no varejo, a inflação medida pelo Índice Geral de Preços – 10 (IGP-10) subiu 0,22% em julho, acima do aumento registrado em junho, de 0,15%. O coordenador de Análises Econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão Quadros, não descartou novas acelerações na taxa do indicador. Para ele, essa movimentação de alta de preços no setor de alimentação ainda está longe de acabar. “Os produtos da cadeia da indústria alimentícia é que estão realmente puxando para cima a inflação, de uma maneira geral”, afirmou.


A influência dos preços dos alimentos foi tão grande que acabou dando fim à deflação no setor atacadista. Os preços no atacado saíram de queda de 0,10% para elevação de 0,10%, de junho para julho. Quadros citou dois segmentos, do setor atacadista, ligados à indústria de alimentação, que foram determinantes para a aceleração na taxa do indicador: alimentos processados e matérias-primas brutas. Enquanto a alta nos preços do primeiro passou de 0,07% para 1,99%, o segundo registrou término de deflação (de -1,12% para 0,42%), de junho para julho.


Entre os alimentos processados, houve aumentos mais intensos nos preços de leite em pó (de 5,98% para 12,38%); coalhada e iogurte (de 1,93% para 8,80%); e fim da queda de preços em aves abatidas frigorificadas (de -1,42% para 4,94%). Já no caso das matérias-primas brutas, houve aumentos de preços expressivos nas commodities.


Foram apuradas acelerações de preços em soja em grão (de 1,67% para 2,79%); trigo (de 0,37% para 1,44%); e café (de 0,20% para 1,45%), de junho para julho. “Este ano está sendo o ano da inflação de alimentação. A alta de preços não se generalizou, mas está bem espalhada por toda a cadeia (de alimentos)”, disse, acrescentando que há contra-exemplos, de quedas de preços, na indústria de alimentação. É o caso do recuo mais intenso de preços em cana-de-açúcar (de -7,42% para -9,65%).


Os alimentos mais caros no atacado já podem ser sentidos no varejo. A elevação de preços no setor passou de 0,28% para 0,40%, de junho para julho – sendo que, no mesmo período, a inflação no grupo Alimentação praticamente dobrou, de 0,49% para 1,05%, no mesmo período.


Quedas e desacelerações de preços nos combustíveis no atacado ajudaram a “segurar” a aceleração na taxa do IGP-10, que poderia ter sido mais intensa. De acordo com Quadros, os preços dos combustíveis e lubrificantes no atacado saíram de uma elevação de 0,37% em junho para uma queda de 1,38% em julho.