Microempresas pagam taxas duas vezes maiores



Valor Econômico  Editoria: Finanças  Página: C-1


As microempresas pagam taxas de juros duas vezes maiores do que as médias e grandes empresas, mostra estudo de economistas do Banco Central. Em relação às pequenas empresas, a taxa cobrada de microempresas é 45% maior. 


Até agora, tinha-se conhecimento apenas das taxas médias cobradas do conjunto de empresas e das pessoas físicas.



Valor Econômico  Editoria: Finanças  Página: C-1


As microempresas pagam taxas de juros duas vezes maiores do que as médias e grandes empresas, mostra estudo de economistas do Banco Central. Em relação às pequenas empresas, a taxa cobrada de microempresas é 45% maior. 


Até agora, tinha-se conhecimento apenas das taxas médias cobradas do conjunto de empresas e das pessoas físicas. Marcio Nakane e Sérgio Koyama fizeram um minucioso trabalho com os registros de operações na central de risco de crédito do BC, banco de dados em que os bancos registram as operações de empréstimos a partir de R$ 5 mil, que permite verificar diferenças entre grupos de clientes. 


A pesquisa revela, por exemplo, que microempresas pagam mais caro, que clientes que têm mais tempo de relacionamento com um banco tem taxas menores, assim como aqueles que têm contas em mais de uma instituição financeira. 


Para microempresas, a taxa média de juros é de 70,84% ao ano. Uma pequena empresa paga em média 48,98%. O curioso é que o valor médio das operações nesses dois segmentos é muito próximo, ao redor de R$ 16,2 mil. Médias empresas pagam 31,51%, e as grandes, 31,3%. 


“Uma possível explicação para esse fenômeno é a existência de restrição de crédito, ou seja, a maior dificuldade encontrada por pequenas empresas para obter crédito”, afirmam os autores. 


O estudo também constata que, quanto maior o tempo de relacionamento, menor a taxa de juros, numa regra que vale para pessoas físicas ou jurídicas. Clientes com 12 a 18 meses de relacionamento com o banco pagam em média 54,6% ao ano. Esse percentual cai gradualmente, até chegar a 46,08% para clientes com entre 6 e 10 anos de relacionamento. 


A grande exceção são os clientes com menos de um ano de relacionamento com o banco, com uma taxa de 36,8%. Os autores ponderam, porém, que o dado pode estar distorcido, porque são baseados num número muito pequeno de clientes que têm menos de um ano de conta. 


Se o cliente tem conta em mais de um banco, paga menos. Se, por exemplo, tem conta em dois ou três bancos, a taxa média é 53,8%. Se as contas são entre 15 e 19 instituições, a taxa é 32,76%. O curioso é que o cliente que tem conta em apenas um banco paga menos (49,56%) do que aquele que tem entre dois e três (53,8%) e de quatro a cinco (50,63%).