Nova marca quer mudar setor de brinquedo

O mercado de brinquedos está ganhando um novo concorrente. Dentro de 20 dias, a New Toys começará sua operação no Brasil. Fundada como uma sociedade anônima, a companhia pertence a um grupo de empresários brasileiros do próprio setor.


Esse grupo se juntou para tentar reverter o que chama de ataque da “concorrência desleal” -praticada por quem vende produtos falsificados ou não recolhe impostos. Estima-se que esse mercado paralelo tome 40% das vendas formais.


À frente da New Toys estará Deborah Satyro, ex-diretora comercial da Warner Bros. no Brasil.

O mercado de brinquedos está ganhando um novo concorrente. Dentro de 20 dias, a New Toys começará sua operação no Brasil. Fundada como uma sociedade anônima, a companhia pertence a um grupo de empresários brasileiros do próprio setor.


Esse grupo se juntou para tentar reverter o que chama de ataque da “concorrência desleal” -praticada por quem vende produtos falsificados ou não recolhe impostos. Estima-se que esse mercado paralelo tome 40% das vendas formais.


À frente da New Toys estará Deborah Satyro, ex-diretora comercial da Warner Bros. no Brasil. Ela comandará os negócios da empresa, que tem como conselheiros Carlos Tilkian, um dos principais acionistas da fabricante Estrela, e Ricardo Sayon e Moise Candi, sócios das redes Ri Happy e Candide, respectivamente. “Eles não são os donos”, garante Satyro.


Parece uma fusão, mas não é. A inovação da New Toys está em se aliar à concorrência para manter sua operação -tanto na produção quanto na sua distribuição e na venda.


Embora boa parte dos 21 produtos de seu catálogo seja importada, a New Toys irá contratar fabricantes nacionais para a produção de brinquedos. Também estabelecerá acordos para relançar sucessos de outras marcas. É o que aconteceu com o Ferrorama.


Sucesso de vendas da Estrela no passado, o brinquedo voltará às lojas agora pela New Toys. A idéia foi turbiná-lo tecnologicamente para ampliar as vendas do que se chama “mercado de tecnologia embarcada”. Dele fazem parte os brinquedos que têm componentes eletrônicos e até inteligência artificial.


Para ter idéia do que isso significa, o controle da locomotiva e dos vagões do Ferrorama é feito a partir de sofisticados comandos de infravermelho. O sistema permite engatar e desengatar vagões, acionar a marcha à ré e acionar apitos. Detalhe: a locomotiva expele fumaça a partir de um óleo vegetal.


“Nossas pesquisas mostram que as crianças de hoje querem ser surpreendidas por brinquedos desse tipo,” afirma Satyro, que ainda mantém sob sigilo o carro-chefe da marca no país.

A Estrela participará dos resultados das vendas bem como qualquer outro concorrente que trabalhar com a New Toys. Para isso, eles terão de obedecer aos padrões de qualidade e de sigilo exigidos pela companhia. “Temos critérios que vão desde as práticas de boa governança até o controle minucioso do acabamento dos brinquedos”, afirma Satyro.


Como não terá custos fixos elevados para manter um parque industrial, a New Toys espera ter uma operação econômica. Por isso, o preço final dos produtos pode ser menor.


A Folha apurou que esse modelo de negócio espera operar com preços até 10% menores que os praticados pela concorrência. “Esse sistema servirá de modelo para o setor”, afirma Synésio Batista da Costa, presidente da Abrinq (Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos).

As previsões iniciais da New Toys são otimistas. Em quatro anos, a empresa espera faturar anualmente R$ 200 milhões e se tornar uma das maiores do ramo. Para chegar lá, a companhia terá de superar alguns obstáculos. Um deles é o da concorrência que chama de “desleal”. Para isso, diz que apertará as margens de lucro -hoje a média é de 22%.


Além disso, a nova empresa deverá renovar seus produtos com mais rapidez, o que dificulta a ação de falsificadores. Também terá de lançar mais produtos de alta tecnologia, um segmento onde a pirataria não costuma chegar.


Tudo isso, tentando reduzir a taxa de importação. “Acima de 30% do total, a indústria local fica debilitada”, afirma Synésio Batista da Costa, presidente da Abrinq. O problema é que com dólar baixo, esse índice tende a ser maior.