Indústria sinaliza alta na produtividade

As indústrias estão ampliando em um ritmo menor a utilização do total de suas máquinas e equipamentos, a chamada capacidade instalada, segundo divulgou ontem a CNI (Confederação Nacional da Indústria). É um sinal, para analistas, de que os investimentos que vêm sendo feitos ampliaram a capacidade de produção e de que, portanto, pode haver menos pressão inflacionária e uma maior produtividade.


Em junho, a indústria usou 82,5% da sua capacidade instalada, contra 80,9% do mesmo mês do ano passado.

As indústrias estão ampliando em um ritmo menor a utilização do total de suas máquinas e equipamentos, a chamada capacidade instalada, segundo divulgou ontem a CNI (Confederação Nacional da Indústria). É um sinal, para analistas, de que os investimentos que vêm sendo feitos ampliaram a capacidade de produção e de que, portanto, pode haver menos pressão inflacionária e uma maior produtividade.


Em junho, a indústria usou 82,5% da sua capacidade instalada, contra 80,9% do mesmo mês do ano passado. Ou seja, de tudo o que tem potencial de produzir atualmente com suas máquinas e equipamentos, usou 82,5% no mês retrasado. A diferença de 1,6 ponto percentual em relação a junho do ano passado é menor do que a registrada na mesma comparação feita em maio (1,8 ponto) e em abril (2,9 pontos).


O nível de utilização da capacidade instalada é usado como um indicador do quanto a indústria pode crescer sem gerar inflação. Quanto menor o uso, maior a possibilidade de a indústria atender a um crescimento de demanda sem provocar aumento nos preços.

Para a CNI, embora essa utilização de maquinário deva terminar o ano em patamares superiores ao registrado no ano passado, a tendência é que a relação entre o resultado do final deste ano e o do ano passado fique menor do que a comparação feita entre os primeiros semestres de 2007 e 2006.


“Há sinais claros de que a expansão dos investimentos, em algum momento, será maturada com a expansão do parque fabril. O resultado de junho mostra uma reversão da tendência de meses anteriores”, afirmou Paulo Mol, da Unidade de Política Econômica da CNI.


Os investimentos vêm crescendo a um ritmo forte. A produção nacional de máquinas e equipamentos, somadas as importações e excluídas as exportações, cresceu no segundo trimestre a uma taxa média de 30,7%, segundo Marcela Prada, da consultoria Tendências.

Além de potencial de produção maior, conseqüência de investimentos, outro fator que poderia explicar esse ritmo menor de crescimento do uso da capacidade instalada no mês retrasado seria uma queda na produção, o que não ocorreu.


“O Banco Central disse que o uso da capacidade instalada vinha aumentando mesmo com alta de investimentos ou porque estes não tinham maturado ainda ou porque não estavam fazendo frente à alta da demanda interna. Os dados divulgados hoje [ontem] apontam mais na primeira direção”, diz Braulio Borges, analista da LCA.


Esse sinal de maturação aponta um cenário mais tranqüilo para a inflação. “Chama a atenção porque você tem uma queda no ritmo do uso da capacidade e ela não decorre de um menor nível de produção. Essa redução está relacionada ao aumento da produtividade”, afirmou o economista-chefe do Iedi (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial), Edgard Pereira.


Segundo analistas, o patamar de utilização, entretanto, ainda está elevado e é necessário olhar os próximos indicadores para ter certeza se realmente há uma tendência de manutenção ou queda desse indicador.


Vendas


Em junho, na comparação com o mesmo mês do ano passado, as vendas apresentaram uma queda de 4,5%. A CNI explicou que isso ocorreu devido ao forte desempenho do setor de “outros equipamentos de transportes” (todos os transportes, exceto automóveis) em junho de 2006.


Segundo Paulo Mol, trata-se apenas de uma acomodação. Na comparação com maio, as vendas reais subiram 0,2% (dado dessazonalizado), e, no primeiro semestre, acumulam uma alta de 2,7%.


Em relação ao nível de pessoal empregado, a CNI constatou uma elevação de 3,3% em junho ante o mesmo mês do ano passado e de 0,1% em relação a maio. No ano, a alta é de 3,4%. Já os salários pagos a esses trabalhadores cresceu 1% em junho e 4,8% no semestre.