Bancos mais receptivos a negociar com a Equifax

A entrada em grande estilo da arqui-rival Experian no mercado brasileiro não atemorizou a Equifax.

A entrada em grande estilo da arqui-rival Experian no mercado brasileiro não atemorizou a Equifax. Na verdade, o presidente da Equifax no Brasil, Eduardo Moreira Giestas, disse que os negócios nunca estiveram tão bons. 


Segundo maior banco de dados de crédito do mundo em faturamento e especialista em ferramentas de gestão na área, a Equifax viu a primeira do ranking, a britânica Experian, investir US$ 1,3 bilhão para arrematar, em junho, 70% da Serasa, considerada o maior birô de crédito do mundo fora dos Estados Unidos, e controlado por seis dos maiores bancos do mercado brasileiro. Pouco antes, havia comprado a Inform@rketing, especializada em marketing direto. Sediada nos Estados Unidos, a Equifax está no Brasil desde 1998, quando comprou a SCI, fundada em 1974, e também cobiçava a Serasa. 


O motivo do entusiasmo de Giestas é que os bancos, quando controlavam a Serasa, preferiam usar os serviços da casa. Agora que têm participação minoritária na empresa, estão receptivos às propostas da Equifax como nunca estiveram antes. 


No ano passado, a Equifax registrou um faturamento global de US$ 1,55 bilhão em comparação com os US$ 3,5 bilhões reportados pela Experian. Na América Latina, a Equifax faturou US$ 154 milhões 21% a mais do que em 2005. No terceiro trimestre deste ano, a receita global cresceu 25% para US$ 492,5 milhões; e na América Latina a expansão foi de 16% e o faturamento de US$ 47,1 milhões. A empresa não divulga informações sobre os negócios em cada país. 


A expansão do crédito no Brasil também explica o bom humor de Giestas. Puxado pelo crescimento da economia e da renda e evolução dos bancos médios, o aumento do crédito estimula a demanda por serviços de informações e ferramentas de gestão de carteiras. 


Assim como a direção da Experian, Giestas ainda espera que a aprovação do birô de crédito positivo seja um importante gatilho de expansão dos negócios. Mas, mesmo sem birô, afirmou, a estabilidade econômica levou o crédito para a faixa de 50% do Produto Interno Bruto (PIB) no Chile. No Brasil, está ao redor de 33%. Portanto, o espaço de crescimento é grande. 


Giestas disse que a Equifax está investindo na área de pessoas físicas, segmento que mais cresce no mercado de crédito. Quando a Equifax adquiriu a SCI conquistou uma posição forte nas informações de crédito sobre empresas, inclusive de pequeno e médio porte. A partir de então, passou a investir na área de pessoas físicas, que já representam 28% dos negócios. Desenvolveu também ferramentas de decisão e ciências preditivas, que ajudam a antecipar os riscos. 


“As perspectivas de médio prazo são muito boas com a continuidade da expansão do crédito, especialmente para a área imobiliária”, disse Giestas. Informou ainda que os negócios com os bancos estão crescendo 50% ao ano, em média. 


A expansão do crédito acarreta também o crescimento dos negócios na área de cobrança. “O score começa a ser utilizado também na cobrança e está crescendo a preocupação em recuperar os recursos sem gerar atrito com o cliente”, disse Giestas. 


Isso é especialmente importante nos negócios de um segmento crescente e promissor do mercado da Equifax, o das empresas de telecomunicações. O score, explicou, ajuda a definir se a empresa deve dar um desconto ou alongar o prazo na renegociação de uma dívida e também o meio de cobrança a ser utilizado. 


As empresas de telecomunicações usam as ferramentas de informação e modelos estatísticos da Equifax também para prevenir fraudes e no marketing de vendas. 


Internacionalmente, os bancos representam cerca de metade da clientela da Equifax. As empresas de telecomunicações ficam com 4%; as de varejo com mais 45; as cooperativas de crédito, com 20%. Os 24% restantes são clientes diversos. 


No Brasil, Giestas destacou também o segmento das seguradoras, que usam as ferramentas de decisão de crédito da Equifax para a venda de apólices. São basicamente informações cadastrais e creditícias que, ao lado do controle de sinistros, são utilizados pelas seguradoras para atribuir os descontos que, em boa parte, garantem a atração do cliente.