Jornal do Commercio Editoria: Economia Página: A-5
Às vésperas do fim do ano, dados do Banco Central (BC) revelam que o volume total de crédito aumentou 2,7% em outubro em relação a setembro, e atingiu a marca de 34% do Produto Interno Bruto (PIB), o equivalente a R$ 880,303 bilhões. A relação crédito/PIB, que em setembro estava em 33,3%, atingiu no mês passado o maior nível desde junho de 1995.
Jornal do Commercio Editoria: Economia Página: A-5
Às vésperas do fim do ano, dados do Banco Central (BC) revelam que o volume total de crédito aumentou 2,7% em outubro em relação a setembro, e atingiu a marca de 34% do Produto Interno Bruto (PIB), o equivalente a R$ 880,303 bilhões. A relação crédito/PIB, que em setembro estava em 33,3%, atingiu no mês passado o maior nível desde junho de 1995. “O número de 34% é bastante alto para a economia brasileira”, avaliou o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes.
O indicador, que é o mais usado para analisar a evolução do crédito, cresce ininterruptamente desde agosto de 2006, quando estava em 29,4%. Em 12 meses, o indicador subiu 4,2 pontos percentuais do PIB. Segundo Lopes, o crescimento da renda, do emprego, a redução nos juros e o aumento nos prazos de financiamento têm impulsionado a expansão do volume de crédito.
O economista-chefe da Associação Comercial de São Paulo, Marcel Solimeo, avalia que a alta do crédito tem impulsionado a expansão mais forte da economia, embora se realimente com o maior nível de atividade, que eleva a renda e o emprego. “Está havendo uma expansão bastante vigorosa”, disse. Já o diretor do MBA da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), Tharcísio Souza Santos, avalia a evolução como “auspiciosa”.
Em outubro, o crescimento dos empréstimos foi liderado pelas empresas, que têm tomado recursos para os preparativos de fim de ano, um comportamento padrão desta época. Na comparação com setembro, o varejo aumentou os empréstimos em 3,3% e a indústria, em 3,1%. Lopes disse que a indústria tem usado o dinheiro para aumentar a produção e o comércio, para reforçar estoques.
No segmento da pessoa física, o volume das operações avançou 3,1%. O destaque ficou com as operações de leasing – espécie de aluguel que dá direito a compra do bem no final do contrato -, usado na compra de veículos, que saltou 11,4% na comparação mensal. O aumento segue as vendas no mercado interno, que cresceram 6,1% no mês.
A onda do crédito, reforçada pela contínua queda dos juros, sustenta a perspectiva otimista para a indústria e o comércio no fim do ano. Segundo Lopes, o Natal deve ter as menores taxas de juros desde o Plano Real. “Sem dúvida, do ponto de vista das taxas, as condições serão as melhores da série e com prazos de financiamento mais dilatados”, afirmou.
Dados preliminares de novembro, até o dia 9, mostram que a trajetória de queda do juro continua: a taxa média caiu 0,2 ponto percentual, para 35,2% ao ano. No mês de outubro, a taxa ficou em 35,4%, com recuo de apenas 0,1 ponto ante setembro. A redução tem sido liderada pelas operações para as pessoas físicas, com corte de 0,5 ponto, para 45,3%.
“Tenho a impressão de que, a despeito da parada (nos cortes) do juro, ainda temos margem para taxas menores via redução do spread”, disse Lopes, referindo-se à taxa Selic, que o BC parou de baixar. Na prévia deste mês, o spread – diferença entre a taxa de captação dos bancos e o que eles cobram para emprestar – caiu 0,4 ponto, para 24 pontos percentuais.
Em outubro, o spread médio ficou em 0,2 ponto abaixo de setembro, em 24,4 pontos percentuais. O segmento pessoa física foi o mais beneficiado, com cortes de 0,5 ponto percentual em outubro e, na parcial de novembro, redução de mais 0,7 ponto, atingindo 33,8 pontos percentuais.
O vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac), Miguel de Oliveira, reforça a aposta otimista e diz que a melhora do crédito está ligada à mudança de estratégia dos bancos. “Quem ganhava só com as operações de tesouraria está tendo de buscar operações mais rentáveis porque o juro dos títulos caiu um pouco”, diz. Ele aposta que o volume dos empréstimos deve crescer um ponto percentual até o final do ano, para 35% do PIB.
A queda dos juros, porém, não tem sido observada nos empréstimos para as empresas. Na prévia do mês, foi registrada ligeira alta de 0,2 ponto no juro, para 23,6%. Segundo Lopes, o dólar em queda tem alterado as condições de empréstimos feitos com recursos captados no exterior, o que tem gerado ajuste para cima na taxa. Isto porque, o dólar mais baixo gera expectativa de desvalorização no futuro, o que representaria um custo maior no crédito.
Segundo os dados do BCl, a inadimplência nas operações com os chamados empréstimos com recursos livres caiu para 4,5% em outubro, ante 4,6% em setembro e 5,1% em outubro de 2006. Lopes destacou que a queda nos percentuais de falta de pagamento de crédito ocorreu mesmo em um ambiente de forte crescimento do volume de crédito.