Economistas sugerem novo modelo para Banco do Sul

Economistas criticaram hoje (6/12), na Comissão de Finanças e Tributação, a falta de debate sobre o modelo de funcionamento do Banco do Sul, instituição financeira de desenvolvimento regional cuja criação foi proposta pela Venezuela. O pesquisador do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase) Carlos Tautz reclamou de não ter havido debate com a sociedade sobre a proposta.


Ele disse que a discussão sobre o assunto foi burocrática e teme que o modelo adotado repita os erros de instituições já existentes.

Economistas criticaram hoje (6/12), na Comissão de Finanças e Tributação, a falta de debate sobre o modelo de funcionamento do Banco do Sul, instituição financeira de desenvolvimento regional cuja criação foi proposta pela Venezuela. O pesquisador do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase) Carlos Tautz reclamou de não ter havido debate com a sociedade sobre a proposta.


Ele disse que a discussão sobre o assunto foi burocrática e teme que o modelo adotado repita os erros de instituições já existentes. “Nós achamos que provavelmente vai se repetir o esquema de falta de transparência e de pouca participação que caracterizaram outros instrumentos financeiros como o Banco Interamericano de Desenvolvimento [BID], o Banco Mundial [Bird] e o FMI”, disse.


O economista Adhemar Mineiro, do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e da Rede Brasileira pela Integração dos Povos (Rebrip), também afirmou que todas as funções que o Banco do Sul poderia desempenhar (fomento, defesa contra crises financeiras ou caixa de compensação para agilizar o comércio da região) já são executadas por alguma instituição.


Crédito e desenvolvimento

O Banco do Sul será lançado em cerimônia oficial no próximo domingo em Buenos Aires. Assinarão o ato do compromisso de criação representantes do Brasil, da Argentina, da Venezuela, do Uruguai, da Bolívia, do Paraguai e do Equador. O secretário de Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda, Luiz Eduardo Melin de Carvalho, garantiu que a intenção dos países integrantes é criar uma instituição diferente. “Não é nossa intenção concorrer com as que existem. O que queremos é uma instituição que responda diretamente aos governos sul-americanos, sem amarras políticas que constranjam os objetivos da região, notadamente o acesso mais igualitário ao crédito”, disse.


O chefe de Assuntos Econômicos da América do Sul do Ministério das Relações Exteriores, conselheiro Francisco Carlos Carvalho Chagas, reforçou que o Banco do Sul nasce de um esforço de avançar no fornecimento de crédito para o desenvolvimento, essencial para a integração. Segundo ele, a instituição deve ser sólida e estruturada e o Brasil defende a participação de todos os países da América do Sul no processo decisório do banco.


Outros mercados

Na reunião, Adhemar Mineiro defendeu ainda o financiamento de outros tipos de projeto, diferentes dos atuais, de forma a promover a integração dos países da região e não a integração com terceiros mercados. “A integração com outros mercados é natural porque interessa às grandes empresas.”


Sobre a integração com mercados internacionais, Luiz Eduardo de Carvalho afirmou que não é intenção relacionar o mercado regional com os externos, mas propiciar a entrada dos produtos da região nos mercados internacionais. “O setor moveleiro argentino e o brasileiro não devem competir entre si, mas devemos aproveitar a sinergia entre eles e propiciar sua exportação para outros mercados”, exemplificou.


Congresso

A deputada Luciana Genro (Psol-RS), que sugeriu a audiência, também cobrou debate sobre a criação do Banco do Sul. Ela quer envolver o Congresso na discussão, mas admite que os parlamentares desconhecem o assunto. A deputada disse ainda que a nova instituição precisa buscar o desenvolvimento não só econômico, mas também humano e social dos povos da América do Sul.


Agência Câmara, 6 de dezembro de 2007.