Jornal do Commercio Editoria: Economia Página: A-5
Após cinco anos de saldos positivos, a conta corrente do balanço de pagamentos (que registra as operações de comércio, serviços e rendas com o exterior) deve apresentar em 2008 saldo negativo de US$ 3,5 bilhões, de acordo com nova previsão do Banco Central divulgada hoje. Na estimativa anterior, feita há três meses, o BC esperava superávit de US$ 3 2 bilhões no próximo ano.
De janeiro a novembro, a conta corrente apresenta superávit de US$ 4,25 bilhões, mas o BC espera novo déficit em dezembro, de US$ 1,8 bilhão.
Jornal do Commercio Editoria: Economia Página: A-5
Após cinco anos de saldos positivos, a conta corrente do balanço de pagamentos (que registra as operações de comércio, serviços e rendas com o exterior) deve apresentar em 2008 saldo negativo de US$ 3,5 bilhões, de acordo com nova previsão do Banco Central divulgada hoje. Na estimativa anterior, feita há três meses, o BC esperava superávit de US$ 3 2 bilhões no próximo ano.
De janeiro a novembro, a conta corrente apresenta superávit de US$ 4,25 bilhões, mas o BC espera novo déficit em dezembro, de US$ 1,8 bilhão. Com isso, ela fecharia o ano com saldo positivo de US$ 2,4 bilhões. A revisão feita pelo BC acompanha o movimento generalizado dos analistas, que cada vez mais prevêem déficits para o ano que vem.
O chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, explicou que a perspectiva de saldo negativo para a conta corrente está relacionada com previsões de superávits menores na balança comercial e maiores remessas de lucros e dividendos.
Balança
Para a balança, a estimativa de saldo positivo em 2008 caiu de US$ 34 bilhões para US$ 30 bilhões, enquanto para as remessas a projeção passou de US$ 16,8 bilhões para US$ 20 bilhões. Estes dois fatores também foram utilizados por Lopes para explicar porque a conta corrente teve um déficit de US$ 1,3 bilhão em novembro passado, acima dos US$ 700 milhões previstos pelo BC. “A balança veio abaixo do esperado e a remessa de lucros e dividendos, mais forte”, afirmou.
As remessas somaram US$ 2,1 bilhões no mês passado e chegaram a US$ 18,12 bilhões de janeiro a novembro, o maior nível da série histórica do BC. A balança comercial, nesse mesmo período, teve superávit de US$ 36,40 bilhões, US$ 5 bilhões inferior ao registrado nos 11 primeiros meses de 2006.
O que amenizou o impacto desses fatores foi o desempenho favorável da conta de juros, que no ano acumula déficit de US$ 6 78 bilhões, bem abaixo dos US$ 10,26 bilhões de igual período de 2006. Foi o menor valor para os 11 meses desde 1994, graças às receitas obtidas com as reservas internacionais no acumulado do ano, de US$ 5,684 bilhões – o melhor resultado da série.
Apesar da expectativa de déficit em conta corrente para 2008, Altamir Lopes não vê riscos para a economia. “Não afeta nada, porque o balanço de pagamentos continua financiável”, disse, destacando a elevada projeção de Investimentos Estrangeiros Diretos e a expectativa do BC para investimentos em títulos e ações para 2008, que subiu de US$ 10 bilhões para US$ 26 bilhões.
O estrategista-chefe do banco BNP Paribas, Alexandre Lintz, também não vê riscos. Ele espera déficit de US$ 8 bilhões no próximo ano. “Não é uma dinâmica preocupante. É normal essa reversão em um país que está importando capital”, afirmou, destacando que o movimento tem ajudado o Brasil a manter crescimento econômico elevado com inflação baixa. Ele argumenta ainda que o déficit na conta corrente é financiável pelos investimentos no País.
O professor de economia da USP Simão Silber avalia que o desempenho na conta corrente reflete a combinação de economia crescendo acima de 5% e a taxa de câmbio valorizada. “Acabou o superávit em conta corrente. Para o ano que vem não tem mais”, afirmou. “Acho que isso é bom para o Brasil. Não tem sentido um país que precisa crescer exportar capital”, acrescentou.