Valor Econômico Editoria: Brasil Página: A-4
O Índice Geral de Preços Mercado (IGP-M), utilizado como referência para o reajuste de aluguéis, tarifas e outros serviços de preços administrados no próximo ano, encerrou 2007 com alta acumulada de 7,75%, ante 3,84% no ano passado. A variação foi a maior registrada desde 2004, quando o índice alcançou 12,42%.
Valor Econômico Editoria: Brasil Página: A-4
O Índice Geral de Preços Mercado (IGP-M), utilizado como referência para o reajuste de aluguéis, tarifas e outros serviços de preços administrados no próximo ano, encerrou 2007 com alta acumulada de 7,75%, ante 3,84% no ano passado. A variação foi a maior registrada desde 2004, quando o índice alcançou 12,42%. O IGP-M é calculado com base nos preços coletados entre os dias 21 do mês anterior e 20 do mês de referência.
No ano, observou Salomão Quadros, coordenador de análises econômicas do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV), a alta decorreu sobretudo da valorização nos preços dos produtos agrícolas e alimentos. Conforme o economista, a cadeia de alimentos, desde o preço agrícola até o varejo, respondeu por cinco pontos percentuais dos 7,75%. Dentro do Índice de Preços por Atacado (IPA), os produtos agrícolas registraram alta de 24,22% no ano. No mês, a alta foi de 5,95%, puxada por feijão (43,91%), milho (17,43%), soja (7,25%), bovinos (9,47%) e aves (3,44%).
No Índice de Preços ao Consumidor (IPC), a alta no ano dos alimentos foi de 10,28%. O IPA, que responde por 60% do IGP-M, acumula alta de 9,19% em 2007 e o IPC, que tem peso de 30%, variou 4,64% no ano. O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) teve alta de 6,04%, com variação semelhante nos itens mão-de-obra (6,07%) e materiais e serviços (6,02%).
Em dezembro, o IGP-M variou 1,76%, a maior alta desde fevereiro de 2003, influenciada ainda pelos preços de alimentos e também pela aumento dos combustíveis. O IPA variou 2,36% no mês. O IPC teve alta de 0,67% e o INCC, de 0,43%.
O etanol – que também interfere na formação de preço da gasolina por conta da mistura de 25% – subiu 10,11% em dezembro, tendo peso de 0,35 ponto percentual sobre o IGP-M do mês. O grupo alimentos teve peso de 0,25 ponto percentual. Quadros afirmou que a variação já era esperada, mas não é possível concluir se os preços de itens ligados a biocombustíveis – como milho e soja – já atingiram seu ápice ou se há espaço para novas valorizações. “O mercado de biocombustíveis vive uma fase de expansão da demanda e não se sabe se haverá uma nova rodada de alta no mercado internacional.”
Para Zeina Latif, economista-chefe do ABN Amro Real, o grupo alimentos mostrou resistência à queda de preços maior do que se esperava, mas já deve dar sinais de desaceleração em janeiro, com o aumento da oferta de carne bovina, feijão, soja e milho, com a aproximação do período de safra. Ela também aposta no arrefecimento dos preços de combustíveis, que em dezembro ajudaram a elevar o grupo de produtos industriais em 1,02% e o de bens finais, em 2,29%. “Os reajustes nos preços de nafta e óleos combustíveis impactaram em plástico e produtos químicos”, observou Zeina.
Luís Fernando Azevedo, economista da Rosenberg & Associados, acredita que dezembro tenha registrado o pico de alta do IGP-M. “No próximo mês, a variação ainda deve ser acima de 1%, mas a cesta agrícola já está cedendo. O índice deve voltar a patamares mais baixos”, afirmou. Azevedo prevê para o IGP-M alta de 1,2% em janeiro. A Tendências Consultoria projeta alta de 0,9%, com desaceleração nos preços do grupo alimentos, segundo o economista Jean Barbosa.