IGP-DI sobe 7,89%, a maior alta desde 2004

Jornal do Commercio  Editoria: Economia  Página: A-4


Impulsionada pela disparada dos preços dos produtos agropecuários no atacado, a inflação medida pelo Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) subiu 7,89% no ano passado, a maior variação desde 2004, quando subiu 12,14%, e mais do dobro da de 2006 (3,79%).

Jornal do Commercio  Editoria: Economia  Página: A-4


Impulsionada pela disparada dos preços dos produtos agropecuários no atacado, a inflação medida pelo Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) subiu 7,89% no ano passado, a maior variação desde 2004, quando subiu 12,14%, e mais do dobro da de 2006 (3,79%). A aceleração dos preços agropecuários também puxou para cima a taxa de dezembro do índice, que subiu 1,47%, ante 1,05% em novembro.


Para a Fundação Getúlio Vargas (FGV), as taxas refletem o período de auge dos aumentos de preços dos alimentos, que não devem continuar subindo com a mesma intensidade esse ano. Embora não seja mais usada para reajustar a tarifa de telefone, a taxa acumulada do IGP-DI ainda é usada como indexadora das dívidas dos estados com a União.


Segundo o economista da FGV, André Braz, 40% do IGP-DI de 2007 foram originados do setor agropecuário. Com esse cenário, a inflação no setor atacadista também dobrou, de 4,29% para 9,44%, de 2006 para 2007. Os produtos agropecuários mais caros também foram os responsáveis pela aceleração de preços no atacado, de novembro para dezembro (de 1,45% para 1,90%).


Braz explicou que 2007, de uma maneira geral, foi um ano de inflação alta para todos os tipos de alimentos, no mundo todo. Isso porque o consumo de alimentos aumentou entre a população mundial, sem que fosse acompanhado pela oferta – provocando altas de preços no setor. “As commodities também subiram de preço, e compuseram grande parte desse cenário de 2007”, disse o economista.


Esse cenário também ajudou a puxar para cima a inflação no setor varejista, que subiu 4,60% no ano passado – mais do que o dobro do apurado em 2006 (2,05%). De novembro para dezembro, os preços junto ao consumidor também aceleraram (de 0,27% para 0,70%), pelo mesmo motivo: o repasse das altas dos preços agrícolas no atacado para os preços dos alimentos no varejo. Entretanto, na avaliação de Braz, está ocorrendo um ajuste entre a oferta e a demanda de alimentos, que deve causar desacelerações nos preços do varejo e do atacado em 2008. “Além disso, as perspectivas de safras para esse ano são bem positivas, o que deve aumentar a oferta dos produtos agrícolas”, acrescentou.


Feijão


O economista não acredita que produtos como o feijão, por exemplo, que encerrou o ano passado com alta de 198,77% no atacado, repita esse patamar de elevação de preços este ano.


O mês de janeiro, contudo, ainda deve registrar resultados altos de inflação, pelo menos no varejo. Isso porque, no primeiro mês do ano, ocorrem impactos expressivos de altas de preços no cálculo dos índices – como reajustes nas mensalidades escolares e aumento nos preços dos alimentos in natura, cuja oferta é prejudicada pelo clima errático dessa época do ano.


Ontem, a FGV também anunciou o primeiro indicador de inflação do ano, o Índice de Preços ao Consumidor – Semanal (IPC-S), que mostrou aceleração de 0,70% para 0,89% entre a última semana de dezembro e a primeira semana de janeiro. Para Braz, esse índice já está sendo pressionado por aumentos nos preços dos in natura, e deve continuar subindo no primeiro mês do ano.