O Brasil pode ser privilegiado com investimentos internacionais ao fim da crise financeira mundial, que deve durar mais dois anos. A opinião foi compartilhada nesta quinta-feira (27) por dois consultores de investimento durante debate na Comissão de Finanças e Tributação: o economista Luís Paulo Rosemberg, e o professor de economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Paulo Rabello de Castro, que também atua na SR Rating, a primeira agência brasileira de classificação de risco.
O Brasil pode ser privilegiado com investimentos internacionais ao fim da crise financeira mundial, que deve durar mais dois anos. A opinião foi compartilhada nesta quinta-feira (27) por dois consultores de investimento durante debate na Comissão de Finanças e Tributação: o economista Luís Paulo Rosemberg, e o professor de economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Paulo Rabello de Castro, que também atua na SR Rating, a primeira agência brasileira de classificação de risco.
No entanto, enquanto a crise durar, ela terá conseqüências negativas na economia do País. Apesar de considerar possível um crescimento máximo do Produto Interno Bruto (PIB) de 2% a 2,5% em 2009, Rosenberg alertou que essa projeção certamente está errada para cima. Ambos os consultores prevêem que esse número deve ficar perto de 1%, chegando a 0,5% se a crise se agravar, o que atingirá mais fortemente a demanda por commodities.
“Nosso nível de concordância é muito alto porque trabalhamos em cima dos mesmos fatos e números”, explicou Rabello de Castro. No entender dos consultores, um dos problemas na avaliação do governo é que o orçamento revisto pela equipe econômica – em discussão no Congresso – trabalha com crescimento de 4%, que eles consideram irreal.
Para eles, a boa notícia da crise é que a inflação deve cair, assim como a taxa de juros. A queda de exportação é certa, seja por ausência de demanda ou por falta de crédito para a produção, e a agricultura será o setor mais afetado. “Mas não é fim do mundo para nós, porque já passamos por coisa muito pior no Brasil”, destacou Rosenberg.
Quem paga a conta
O deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), que propôs o debate, acredita que a crise tem sido pouco discutida, e a participação do Congresso não tem sido decisiva. Por isso a Comissão de Finanças vai iniciar uma série de audiências públicas sobre o assunto para dar resposta às demandas ao Parlamento.
Rocha Loures foi relator da primeira MP Anticrise aprovada pela Câmara (442/08), a que dá poderes ao Banco Central para aceitar as carteiras de crédito de bancos com dificuldades de liquidez como garantias de empréstimos.
No debate desta quinta, os economistas chamaram a atenção para o fato de que, apesar dos efeitos negativos da crise no Brasil, a economia nacional não está em crise e as instituições brasileiras não precisam ser salvas.
Rabello de Castro defendeu que o contribuinte brasileiro não pode arcar com os riscos “de quem quis assumir esses investimentos arriscados que provocaram a crise”. Essa preocupação também foi demonstrada pelo deputado Ivan Valente (Psol-SP). “Quem vai pagar pela crise? Somos nós que pagamos impostos que pagaremos pelos erros nos EUA?”, indagou o parlamentar.
Valente lembrou que o governo federal anunciou R$ 4 bilhões em empréstimos para montadoras de automóveis brasileiras, o mesmo montante ofertado ao setor pelo governo de São Paulo. “Mas, no mesmo período, foi anunciada uma remessa de lucros pelas montadoras para suas matrizes no exterior de R$ 11 bilhões”, criticou o deputado.
Reforma
Rabello de Castro criticou ainda duramente a reforma tributária (PECs 233/08, 31/07 e 45/07) atualmente em tramitação na Câmara, no que recebeu apoio do deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR). Os dois defenderam um modelo que diminua a carga tributária e lamentaram que seja tímida a reforma proposta.
“A proposta da União de fazer uma reorganização radical do imposto dos estados, o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), é temerária. Ou é para mudar tudo, ou deixa como está porque está funcionando”, concordou Rosenberg.
Agência Câmara, 28 de novembro de 2008.