Blog

  • Consultores de orçamento do Senado irão debater o PAC

    A Consultoria de Orçamentos, Fiscalização e Controle do Senado Federal (Conorf) realiza nesta quarta-feira (11), a partir das 14h30, um encontro destinado a detalhar o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) lançado em janeiro pelo governo federal, com investimentos previstos de R$ 504 bilhões.

    A Consultoria de Orçamentos, Fiscalização e Controle do Senado Federal (Conorf) realiza nesta quarta-feira (11), a partir das 14h30, um encontro destinado a detalhar o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) lançado em janeiro pelo governo federal, com investimentos previstos de R$ 504 bilhões.


    O objetivo principal do encontro, conforme informou o consultor de orçamento Fernando Barros, é fazer uma descrição geral de todas as medidas que compõem o PAC, bem como os mecanismos de implementação dessas medidas e seus reflexos nas áreas tributária e administrativa.


    No encontro, os seis consultores de orçamento que irão detalhar o PAC também farão uma análise crítica dos aspectos fiscais e macroeconômicos do programa.


    A reunião – aberta ao público – será no plenário da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), sala 19 da Ala Alexandre Costa.

     

    Agência Senado, 9 de abril de 2007.

  • Universidade Aberta do Brasil oferecerá 60 mil vagas

    O Programa Universidade Aberta do Brasil (UAB), do governo federal, vai disponibilizar 60 mil vagas este ano em cursos superiores na modalidade de educação a distância (EAD), priorizando a formação inicial e continuada de professores da educação básica, que poderão escolher entre uma variedade de 90 opções de cursos públicos e gratuitos.


    O programa já tem 290 pólos de apoio presencial iniciando suas atividades neste ano em 289 municípios, distribuídos em todos os estados do País.

    O Programa Universidade Aberta do Brasil (UAB), do governo federal, vai disponibilizar 60 mil vagas este ano em cursos superiores na modalidade de educação a distância (EAD), priorizando a formação inicial e continuada de professores da educação básica, que poderão escolher entre uma variedade de 90 opções de cursos públicos e gratuitos.


    O programa já tem 290 pólos de apoio presencial iniciando suas atividades neste ano em 289 municípios, distribuídos em todos os estados do País. Os municípios que ainda não fazem parte do sistema UAB poderão encaminhar seus projetos de pólos municipais para o ensino a distância até o dia 20 de abril. As instituições

    públicas de ensino superior também têm o mesmo prazo para encaminhar suas propostas de cursos superiores, nos termos do edital, disponível no endereço eletrônico www.uab.mec.gov.br .


    Segundo o Secretário de Educação a Distância, Ronaldo Mota, a intenção do governo federal é ampliar o sistema Universidade Aberta do Brasil. O programa tem como objetivo a democratização, expansão e interiorização da oferta de ensino público superior e gratuito no país, bem como o desenvolvimento de projetos de pesquisa e

    de metodologias inovadoras de ensino.


    Para o segundo processo seletivo da UAB, algumas mudanças ocorreram em relação ao primeiro edital. As inscrições e o envio de projetos de proponentes, por exemplo, agora são feitas por meio eletrônico, em sistema da internet desenvolvido em

    parceria entre a SEED (Secretaria de Educação a Distância) e a Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior). Isso vai facilitar o trabalho dos proponentes e das equipes técnicas do Ministério da Educação.


    Entre os cursos a distância, a prioridade está na formação inicial e continuada para os professores da educação básica. Uma das propostas é ministrar cursos que possam ajudar os professores a lidar com os preconceitos existentes em sala de aula. É o caso do programa Gênero e Diversidade na Escola, que partiu das universidades públicas do Rio do Janeiro e será expandido para todo o Brasil por

    meio da Universidade Aberta do Brasil.


    O programa já foi aplicado com 1.200 professores em cinco municípios e o sucesso da iniciativa foi comemorado pelos coordenadores da ação. “É um programa de especialização voltado para professores de quinta à oitava séries, com conteúdos de gênero, raça, etnia e orientação sexual”, explicou a ministra Nilcéa Freire, titular da pasta da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres.


    Pólo presencial


    O edital da Universidade Aberta do Brasil definiu o pólo como uma estrutura para a execução descentralizada de algumas funções didático-administrativas de curso, consórcio, rede ou sistema de educação a distância, geralmente organizada com o concurso de diversas instituições. É um local de atendimento aos estudantes de

    cursos a distância, onde eles terão acesso a biblioteca, laboratório de informática, a tutores, aulas, práticas de laboratório e outros.


     


    Exemplo de funcionamento de pólo, a partir das seguintes considerações:


    1- O município propõe a criação de pólo de apoio presencial para a oferta de três cursos de graduação a distância (ex: Administração, Licenciatura em Biologia e Turismo);


    2- Cada curso terá 50 vagas. Assim este pólo apoiará 150 alunos presencialmente;


    3- Os 150 alunos serão divididos em turmas de 25 alunos, perfazendo 6 turmas;


    4- Cada grupo de 25 alunos será assistido por um orientador acadêmico;


    5- Os tutores deverão ser contratados pelo município e ter formação superior compatível com áreas específicas das disciplinas dos cursos, preferencialmente residentes no município ou região.




    Presidência da República, 4 de abril de 2007.




     

  • Brasil liderará combate ao efeito estufa

    O senador Aloizio Mercadante (PT-SP) disse, em discurso no Plenário nesta quarta-feira (4), que o Brasil deve liderar as iniciativas de combate ao efeito estufa, que levará ao aquecimento global e mudanças severas no clima de todo o planeta.

    O senador Aloizio Mercadante (PT-SP) disse, em discurso no Plenário nesta quarta-feira (4), que o Brasil deve liderar as iniciativas de combate ao efeito estufa, que levará ao aquecimento global e mudanças severas no clima de todo o planeta. O senador sugeriu a criação de uma agência internacional e de um fundo mundial do meio ambiente, similar ao fundo Monetário Internacional (FMI), com a finalidade de evitar o efeito estufa e reverter a velocidade de crescimento da destruição ambiental.

    A proposta, disse Mercadante, é criar um fundo de U$ 100 bilhões, a ser constituído de 1% dos impostos de importação, com isenção para produtos ecologicamente sustentáveis e alíquotas maiores para os que prejudicam o meio ambiente. O senador também propõe que o fundo premie os países que estabelecerem metas para conter o atual estágio de degradação da natureza.


    – Não haveria contribuição mais relevante para preservar a vida neste momento da história da humanidade – afirmou.


    Mercadante salientou que a crise ambiental por que passa o mundo é de natureza sistêmica – e não mais apenas de pequenos núcleos ambientalistas – e coloca em questão o padrão de consumo das pessoas e o tipo de energia utilizada. Para ele, a dimensão dos problemas não está recebendo destaque da imprensa na medida de sua gravidade.


    Al Gore


    Mercadante também informou que está mantendo contatos com a embaixada brasileira em Washington com a finalidade de convidar o ex-vice-presidente dos Estados Unidos e ex-senador para vir ao Senado debater o efeito estufa, a partir do documentário Uma Verdade Inconveniente, premiado com o Oscar deste ano, que trazuma série de palestras feitas pelo ex-vice-presidente americano a respeito do aquecimento global.


    Agência Senado, 4 de abri lde 2007.

  • Governo petista admite “bagunça” sindical

    O governo Lula, comandado por sindicalistas, não foi capaz de modificar em quatro anos a “bagunça” que caracteriza o movimento sindical no Brasil.


    Alvo de críticas da CUT (Central Única dos Trabalhadores) e do PT no passado, o sindicalismo se mantém com regras que resultam na proliferação de entidades sem representação e de fachada, com interesses apenas no dinheiro dos trabalhadores.


    Estima-se a existência de 25 mil sindicatos (patronais e de trabalhadores) no país, segundo informa o Ministério do Trabalho, a partir de arquivos da década de 30.

    O governo Lula, comandado por sindicalistas, não foi capaz de modificar em quatro anos a “bagunça” que caracteriza o movimento sindical no Brasil.


    Alvo de críticas da CUT (Central Única dos Trabalhadores) e do PT no passado, o sindicalismo se mantém com regras que resultam na proliferação de entidades sem representação e de fachada, com interesses apenas no dinheiro dos trabalhadores.


    Estima-se a existência de 25 mil sindicatos (patronais e de trabalhadores) no país, segundo informa o Ministério do Trabalho, a partir de arquivos da década de 30. Entre 2003 e 2006, o ministério concedeu 1.064 registros para novos sindicatos. Somente em 2006, foram 307 registros liberados, quase um por dia -número 24% maior do que o de 2005.


    Com os registros, esses sindicatos ficaram autorizados a receber parte do imposto sindical (equivale a um dia de salário). Em 2006, a arrecadação desse imposto foi de R$ 1,073 bilhão.


    A expansão dos sindicatos resultou numa espécie de “canibalismo” no meio sindical, segundo advogados, líderes sindicais e membros do governo.


    Há 20 dias, o ministro Luiz Marinho (então no Trabalho) disse a uma platéia de sindicalistas do comércio: “Com essa estrutura sindical, continuarão ocorrendo aberrações, pois não é preciso comprovar representatividade. Basta ter lá o registro em cartório. O ministério nega, vem lá o juiz e manda conceder o registro. Então, virou uma bagunça danada. Só se muda isso com nova lei com base na representatividade.”


    Disputa


    A disputa para representar uma categoria profissional em uma base territorial (município ou região) resulta em milhares de ações judiciais, em troca de acusações entre sindicalistas e em afirmações de que o setor responsável pela concessão de registros se transformou num “balcão de negócios”.


    Amadeu Roberto Garrido de Paula, advogado que assessora sindicatos, especialmente na constituição dessas entidades, sugere uma investigação do Ministério Público, uma espécie de CPI no departamento de registros sindicais do MTE.


    “O regime que existe lá é antidemocrático. O poder deles é, na prática, maior do que o da Justiça na liberação de registros”, afirma o advogado, que tem uma dúzia de pedidos para abertura de sindicatos.


    Desde a Constituição de 88, o ministério está obrigado a conceder registro ao sindicato que foi criado numa assembléia, respeita a unicidade (uma categoria em uma região) e não sofreu pedido de impugnação por outra entidade. Só que, em muitos casos, há dúvidas sobre o cumprimento das exigências.


    Resultado: sindicatos acabam nascendo exclusivamente para ocupar o espaço de outras entidades, sem considerar os interesses dos trabalhadores. Há sindicatos sérios, mas estão na casa das “centenas”, reconhecem os sindicalistas.


    Quatro meses após assumir o governo, o presidente Lula admitia: “Vamos parar de brincar. A reforma sindical é necessária porque temos apenas 20% dos sindicatos com representatividade.


     Os outros 80% atendem a interesses.” O projeto de lei de reforma sindical -que não refletiu consenso entre trabalhadores, empresários e governo- emperrou no Congresso.

    “Continuam as facilidades para os sindicatos que são de interesse do governo”, afirma Luiz Carlos Prates, secretário-geral do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos (filiado à Conlutas), que, desde 2005 enfrenta outro sindicato na sua base: o Sindiaeroespacial, que representa os trabalhadores em empresas de aviação (a principal é a Embraer).


    Registro


    “Impugnamos esse sindicato, mesmo assim o Ministério do Trabalho concedeu o registro após dois meses do pedido.”


    Elias Jorge da Cruz, secretário-geral do Sindiaeroespacial (ligado à CUT), que surgiu em 2005, informa que os trabalhadores do setor não se sentiam representados pela categoria metalúrgica.


     “Vamos devolver aos sócios o imposto sindical que cabe ao sindicato”, afirma Cruz. O Sindiaeroespacial já tem 1.500 sócios.


    Há inúmeros exemplos de disputa por base de trabalhadores que se transformaram em trocas de acusações. Em Capivari (SP), o Sindicato dos Comerciários (filiado à CUT) informa que o Sindicato dos Comerciários de Piracicaba teria surgido com base em um documento falso -ambos disputam comerciários da região . A denúncia foi parar na Polícia Federal, que arquivou o caso.


    O Sindicato de Piracicaba informa que, como o documento que seria falso é de 1963, cabe à PF a decisão sobre o caso. “Tinha 14 anos naquela época”, diz Antonio Roberto Previde, presidente do sindicato de Piracicaba (filiado à Força).


    Se a reforma sindical não sair, o país corre o risco de ter um sindicato de categoria por município -o que seria o limite para o setor, na avaliação de Clemente Ganz Lúcio, diretor técnico do Dieese. A fragmentação dos sindicatos prejudica o trabalhador, na sua opinião, porque ele perde força nas negociações com os patrões.


    Governo vê excesso de normas sindicais

    Secretária-adjunta de Relações do Trabalho do Ministério do Trabalho diz que atrativo para criar sindicatos é o imposto sindical


    Uma categoria chega a ter 25 descrições diferentes, o que, diz secretária, cria dificuldade para ministério conceder os registros


    Ana Paula Cerca, secretária-adjunta de Relações do Trabalho do Ministério do Trabalho, admite que existe uma “bagunça” na questão de cadastros de categorias no órgão. Há também “sobreposição de normas” para a concessão de registros sindicais, segundo diz.


    “Isso tudo dificulta o entendimento sobre os limites de atuação do ministério. Mas, desde 2005, existe uma campanha de recadastramento de sindicatos para corrigir essas distorções.” Até agora, 13 mil entidades já se recadastraram.


    Ela afirma que existe um cadastro de sindicatos no Ministério do Trabalho, com informações desde 1931, “que não é confiável”, com mais de 25 mil entidades sindicais, e um universo de mais de 5.000 classificações diferentes para as categorias de trabalhadores.


    “Às vezes, uma categoria tem 25 descrições diferentes, como a de metalúrgicos, a de trabalhadores na indústria metalúrgica e a de trabalhadores nas empresas de metalurgia. Percebe a nossa dificuldade?”


    Fácil de montar


    Para Cerca, é fácil montar um sindicato no Brasil. “Os requisitos para que o sindicato se constitua são: publicação de edital para dar ciência à categoria de que será feita assembléia para estabelecer a fundação da entidade, envio do estatuto para informar qual é a base que o sindicato representa, lista de presença, ata dessa assembléia, taxa de recolhimento do valor equivalente à publicação no “Diário Oficial” e pronto.”


    Ela diz que o MTE tenta fazer um “filtro” nos pedidos. “O fato é que, às vezes, escapa. Há dificuldade para identificar se existe uma entidade já representando o sindicato que pede registro. Por isso é dado 30 dias de prazo para o sindicato já existente (com registro) impugnar o surgimento de outra instituição.”


    A partir do pedido de impugnação, segundo diz, o Ministério do Trabalho verifica se a entidade que impugnou o sindicato tem registro, apresentou documentos necessários, recolheu taxa e se há conflito de representação.


    “Às vezes, o sindicato de indústria quer impugnar o de comércio. Se não há conflito, o registro é concedido. Se há, ou as partes se entendem ou vão à Justiça. É a Justiça que determina o que o MTE deve fazer”, afirma.


    O atrativo para criar sindicatos, segundo diz, é o imposto sindical. “Fizemos uma grande discussão sobre isso no Fórum Nacional do Trabalho, elaboramos uma Proposta de Emenda Constitucional e um projeto de lei que está no Congresso. Mas a conjuntura política não foi favorável à implementação desse projeto.”


    Festa do peão


    Questionada se o governo, mesmo sem aprovação da reforma sindical, poderia barrar o surgimento de sindicatos, que, muitas vezes, só têm interesses financeiros, afirma: “Não podemos barrar nada, não podemos interferir no setor. Se uma assembléia foi fraudulenta, se ocorreu no dia da festa do peão, se o sindicato tem só aparência, se a assembléia ocorreu com três gatos pingados, o Ministério do Trabalho não pode fazer nada. O que podemos fazer, diante de uma denúncia, é encaminhá-la para o Ministério Público fazer a investigação.”


    Ouvidoria


    Ela diz que os interessados em abrir sindicatos tinham fácil acesso a técnicos do MTE. “O que não quer dizer que havia favorecimentos. Mas dava margem para um possível conflito de interesses. O que fizemos? Construímos uma ouvidoria específica para tratar dos registros. Por e-mail, telefone ou no ministério, a entidade pode obter informações.”


     


     

  • BC dobra Fazenda, com aval de Lula

    “A era Palocci não acabou, ao contrário do que anunciou o ministro Tarso Genro na posse de Lula para o segundo mandato. Ela só mudou de nome: vivemos a era Meirelles”. A fórmula do cientista político Cristiano Noronha, da Arko Advice, uma das consultorias mais influentes junto a bancos de investimento, expressa bem o recente fortalecimento do Banco Central na definição da política econômica. Por ordem direta do presidente Lula, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, fez mais do que arquivar as cobranças de cortes mais ousados na taxa de juros.

    “A era Palocci não acabou, ao contrário do que anunciou o ministro Tarso Genro na posse de Lula para o segundo mandato. Ela só mudou de nome: vivemos a era Meirelles”. A fórmula do cientista político Cristiano Noronha, da Arko Advice, uma das consultorias mais influentes junto a bancos de investimento, expressa bem o recente fortalecimento do Banco Central na definição da política econômica. Por ordem direta do presidente Lula, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, fez mais do que arquivar as cobranças de cortes mais ousados na taxa de juros. Ele veio a público sustentar que a atuação do BC é correta e adequada para o País, acompanhado pelo recém-nomeado ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge, para quem com o risco-país em queda e as receitas das exportações ainda em nível elevado, não se deve esperar mudanças no câmbio a curto prazo.


    Miguel Jorge usou das metáforas futebolísticas tão ao gosto de Lula para descartar críticas à política de câmbio, comuns na gestão do antecessor Luiz Fernando Furlan: “Quem estiver no time e não se adaptar à tática, o treinador muda”. Máxima seguida à risca por Guido Mantega, que aceitou o pedido de demissão do secretário de Política Econômica, Julio Sergio Gomes de Almeida, depois que este abriu o verbo no Estado de S. Paulo, uma das bíblias da elite paulista, contra a desindustrialização e o desestímulo ao aumento de capacidade que a combinação de juros altos e câmbio baixo, para ele perversa e nociva ao país, trazia. Elegante, num estilo que contrasta com o do ex-auxiliar – que chegou a dizer que “nem arriando as calças”o governo encontraria espaço para novas desonerações tributárias numa proporção que compensasse a defasagem cambial – Mantega atribuiu a saída de Gomes de Almeida a “razões de ordem pessoal”. Podem existir, claro, e o ex-secretário queixava-se de isolamento em Brasília, mas o certo é que na véspera dizia que ficaria “o tempo que fosse necessário”. “Meu boné é do ministro Mantega”, definia. Teve de pedi-lo de volta, às pressas, e ainda assistir ao ex-chefe fazendo uma defesa enfática das virtudes das políticas monetária e cambial.


    Guinada


    A guinada impressiona, já que há pouco mais de dois meses o PT e os ministros supostamente mais próximos a Lula davam conta da insatisfação do presidente com a desaceleração nos cortes da taxa Selic, de 0,50 para 0,25 ponto percentual por reunião do Copom, e com a evolução do Produto Interno Bruto (PIB) do ano passado. Mantega chegou a articular a nomeação de Demian Fiocca para uma das diretorias do BC, na vaga aberta com a demissão do ultraortodoxo Afonso Bevilaqua. Isso ocorreu praticamente no mesmo instante em que o “pai da moratória” Paulo Nogueira Batista Júnior assumia a representação brasileira no Fundo Monetário Internacional (FMI) e ex-colaboradores de Antonio Palocci, como Bernard Appy e Carlos Kawall, comentavam abertamente seu desejo de deixar o governo, por temerem um descontrole fiscal.


    O quadro mudou drasticamente em menos de um mês, num ritmo que lembra os desencontros da crise aérea. Dilma Rousseff, a sucessora de José Dirceu na Casa Civil, mantém-se em silêncio obsequioso sobre a política econômica, sem nem de longe lembrar os disparos verbais de ousada ex-guerrilheira com que abateu em pleno vôo a tentativa do então ministro Antonio Palocci de aumentar o superávit primário. A proposta, que convergia para o déficit nominal zero proposto pelo conselheiro informal mais influente de Lula, o ex-ministro da Fazenda Delfim Netto, não resistiu à pecha de “rudimentar” lançada por Dilma.


    Agora, os tempos são outros. Dilma e Mantega até conseguiram emplacar a versão de que a margem de manobra para apoiar projetos de investimento considerados prioritários (os chamados Projetos-Piloto de Investimento, PPIs) será aumentada.


    Na prática, dada a demora na definição das regras para parcerias, concessões e obras de iniciativa direta do Executivo, a Fazenda já admite que menos da metade dos 0,5% do PIB facultados pela norma do PPI serão utilizados este ano. “É muito provável, mesmo após a revisão do Produto Interno Bruto e a definição de uma meta nominal de R$ 91 bilhões para o superávit primário, que a execução orçamentária gere um saldo maior, da ordem de 3,8% a 3,85% do PIB”, prevê Carlos Thadeu de Freitas, economista da Confederação Nacional do Comércio (CNC).


    Ainda assim, a dívida pública como proporção do PIB, que já caiu de 49,2% para 46,8% por força da recente revisão da metodologia das contas nacionais, cederia fortemente. Para isso, contribuiriam a inflação bem abaixo da meta de 4,5% e a redução das despesas com juros, por conta dos cortes na taxa Selic. “Num quadro como esse, em que os bons resultados alimentam-se uns dos outros, fica mais fácil de entender por que o presidente Lula fez questão de abrir a primeira reunião ministerial com a nova equipe, gestada após longo e complicado processo de negociação, dizendo que o controle de gastos é sagrado”, argumenta Cristiano Noronha, da Arko Advice.


    O cientista político vai mais longe, sustentando que a condução da economia é tratada de uma forma distinta do resto do governo, sendo preservada da disputa político-parlamentar por espaço sempre que possível. “A gestão da economia, com o BC guardião da ortodoxia em primeiro plano, é um dos pontos que Lula não admite mais mexer. Isso e o Bolsa-Família. Estabilidade e rede de proteção social são os pilares que lhe garantiram a reeleição e lhe dão força política para resistir as turbulências como o mensalão ou o apagão aéreo. A descoordenação que se assiste em muitas outras áreas do governo não se repete por lá, por mais que a base governista e o partido do presidente relutem em apoiar medidas mais amargas”, explica.


    Trégua 


    A eleição municipal está longe, os cargos de segundo escalão ainda estão vagos e as maiores correntes políticas do PT parecem ter adiado um confronto entre elas para o próximo encontro nacional, em setembro, responsável pela eleição de um novo presidente do partido. Tudo isso contribui para a trégua relativa com que a estratégia do BC é brindada, já que atenua as motivações eleitorais de muitos dos críticos mais ferrenhos. Soam de um passado distante cenas como as da ida do presidente do BC, Henrique Meirelles, ao Senado, em que destacados parlamentares governistas cobravam duramente explicações para a então recente desaceleração de 0,50 para 0,25 ponto percentual dos cortes da taxa de juros.


    O senador Aloísio Mercadante chegou a propor a redução dos intervalos entre as reuniões do Copom e alertou para o fato de que os juros altos, ao estimular a arbitragem entre as taxas internas e externas, pressionavam o câmbio além da conta, desestimulando as exportações.


    Convencido ou não pelas explicações do amigo Meirelles, a quem foi o autor da sondagem para integrar o governo Lula, Mercadante optou desde então por postura mais discreta. Não mudou de tática nem quando o superávit comercial finalmente começou a ceder, pelos dados de março, a primeira queda no acumulado de 12 meses desde 2001. Mantega, na Fazenda, também parece ter deixado para trás os tempos em que arriscava brincadeiras de efeito duvidoso, como a feita no lançamento do Plano de Aceleração de Crescimento (PAC), em que advertiu o colega Meirelles: “Olha, o mercado espera a queda dos juros”, citando a pesquisa Focus, do próprio BC junto a bancos nacionais e estrangeiros.


    Dois dias depois do lançamento do PAC e da insinuação de Mantega, no que parecia uma resposta dirigida, cinco diretores do BC, capitaneados por Afonso Bevilaqua, diretor de Política Econômica, e Rodrigo Azevedo, diretor de Política Monetária, determinaram a desaceleração dos cortes da Selic. Mantega chegou a admitir a decepção, a Executiva do PT chegou a pôr em pauta a demissão de Meirelles, mas o presidente Lula determinou que as discussões fossem feitas internamente. Ele próprio, contudo, parecia insatisfeito com as explicações, e subiu o tom da cobrança ao BC, no que foi chamado de cerco aos falcões, os adeptos da linha dura vitoriosos à época.


    PIB pré-revisão, de 2,9%, jogou lenha na fogueira


    Os números preliminares do PIB de 2006 revelavam um crescimento de 2,9%, o que jogou mais lenha na fogueira. Foi preciso muita habilidade política de Meirelles e o susto da queda simultânea das bolsas em todo o mundo, deflagrado pela simples discussão de regras anti-manipulação na Bolsa de Xangai pelo Congresso do PC chinês, para que a autonomia prática do BC fosse preservada.


    Meirelles obteve de Lula, explicitamente, a palavra final sobre a equipe do BC, e optou por extinguir a vaga aberta com a saída de Bevilaqua, fechando a possibilidade de que ali fosse posto um homem de confiança de Mantega.


    O BC fez mais, tendo o apoio do ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, para exercer uma certa hegemonia nas decisões de política econômica. O Conselho Monetário Nacional (CMN), integrado pelos dois e mais Guido Mantega, manteve a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) nos 6,25% atuais, mesmo em um quadro de risco-país em níveis históricos de queda (122 pontos, pela última emissão do Tesouro no exterior, semana passada). De quebra, atendeu aos bancos e mudou o cálculo da TR, base para a remuneração da poupança.


    Nas discussões com o Congresso para a aprovação do PAC, o viés ortodoxo também parece prevalecer. O ministro Paulo Bernardo, encarregado dos contatos mais cotidianos com parlamentares dentro da equipe econômica, privilegia nas conversas o limite de 1,5% para a expansão real (acima da variação do IPCA) das despesas com pessoal da União. A medida encontra resistências nas influentes representações corporativas no Congresso, da bancada sindicalista aos deputados, governistas e oposicionistas, eleitos com apoio de funcionários públicos e suas famílias. O empenho especial de Bernardo, que se recusa a fazer da medida moeda de troca, indica a força dos ortodoxos, inconcebível num governo de maioria petista sem a benção pessoal de Lula.


    Preservado no cargo, Bernard Appy recebeu de Mantega a atribuição de tocar a discussão com os governadores sobre a reforma tributária. “Esse não é um sinal político tão forte quanto parece, pois como o governo depende da prorrogação da CPMF e da Desvinculação das Receitas da União (DRU) para garantir o equilíbrio orçamentário até o fim do mandato, era lógico que ele tivesse que negociar”, pondera Cristiano Noronha.


    O sinal mais expressivo do fortalecimento dos partidários da retomada da agenda de reformas do Estado está no Ministério da Previdência. A Fazenda e o BC trabalhavam pela manutenção de Nelson Machado, e a maioria de seus quadros de mais influência sustenta a necessidade de novos cortes nos benefícios previdenciários. Esse ponto de vista não chegou a impor-se ao presidente Lula, disposto a testar primeiro os efeitos das medidas tomadas no primeiro mandato. Mostrou força suficiente, contudo, para convencer Lula a um rearranjo, retirando o convite feito a Carlos Lupi, do PDT, partido que negou apoio às mudanças. O escolhido, Luiz Marinho, ex-presidente da CUT, não é adepto de reformas liberais, mas admite a continuidade das medidas de gestão, como o recadastramento dos aposentados e o corte de benefícios pagos irregularmente. Além disso, já demonstrou em outras ocasiões sua disposição em encaminhar propostas que resultem da discussão de foros em que empresários e trabalhadores tenham representação equânime, como o Forum Nacional da Previdência incentivado por Lula.


    EX-diretor do BC destaca quadro internacional favorável




    Nem só de razões internas, contudo, se fez a virada pró-BC. A conjuntura internacional favorável teve papel decisivo, como só acontece em uma economia vulnerável a turbulências externas, ainda que em grau muito inferior, por exemplo, ao da crise da dívida de 1982 ou da maxidesvalorização que substituiu a âncora cambial pelo regime flutuante, em 1999″A crise chinesa mostrou-se pouco mais que um soluço, o problema das empresas de hipoteca parece circunscrito às fronteiras americanas, a temida queda de cotações das commodities agrícolas e minerais, no rastro da desaceleração das duas maiores economias do planeta, não aconteceu. Tudo somado, o vigor de dois terços da pauta de exportações brasileira e o fôlego da indústria estão garantidos este ano”, festeja Carlos Thadeu.


    Nessa toada mais tranqüila, o BC da “Era Meirelles”, reforçado por demonstrações de autonomia prática e prestígio junto a Lula, pode até dar-se ao luxo de ajustes finos que consolem os estruturalistas. Com a experiência de quem foi diretor da Dívida Pública, Carlos Thadeu não se espantaria caso, ainda neste primeiro semestre, o Copom retomasse o ritmo de 0,50 ponto percentual de corte, em pelo menos uma reunião. “O câmbio está rodando abaixo das projeções do modelo, já testa o piso dos R$ 2. Como não há hipótese de controle de capitais ou retirada da isenção das aplicações de não-residentes em títulos da dívida interna, para evitar prejuízos ao foco estratégico de antecipar a conquista do investment grade, o foco de ajuste passa a ser a taxa de juros”, explica.


    Timing. E quando viria esta possível mudança? O mais provável seria de maio em diante, quando o IPCA anualizado começaria a se aproximar do piso da meta, pela diluição de pressões sazonais características do início do ano, como as tarifas de ônibus urbanos e as mensalidades escolares. Sem alarde, e sem cobranças públicas que resultaram no oposto, a radicalização da ortodoxia do BC, o ministro Mantega poderia ver atendido seu pleito de um foco maior no centro da meta, hoje de 4,5% ao ano.


    “O dólar muito baixo pressiona os preços dos tradeables, os produtos possíveis de serem importados. Com um IPCA abaixo dos 3% ao ano, aumenta a margem do BC para cortar a taxa de juros sem pressionar demais a inflação. E a autoridade monetária, por mais zelosa de sua autonomia, sabe que não pode administrar a taxa de juros ignorando os efeitos sobre as contas externas. Para afastar de vez o risco de uma deterioração da balança comercial a médio prazo, no rastro de um crescimento das importações, sem recorrer a medidas artificiais como um aumento de tarifas alfandegárias, o mais lógico é permitir uma flutuação maior do câmbio, e isso é feito cortando os juros mais rápido”,acredita Thadeu.


    A conjuntura internacional, nessa hipótese, faria o que a política nacional não conseguiu, um ajuste de trajetória no BC. Nada brusco, mas o suficiente para esvaziar o que sobra de munição para o “fogo amigo”.


    Sobre o primado da gestão econômica na avaliação do desempenho dos governos, por mais trapalhadas que se acumulem em outras áreas, vale o mantra de James Carville, mago do marketing político americano.”É a economia, estúpido”, recitava, sempre que podia, para um atento e aplicado governador do distante Arkansas que aspirava à presidência da República mais poderosa do mundo, Bill Clinton. Carville veio ao Brasil mais de uma vez a convite dos tucanos. Suas lições, na hipótese de um BC fortalecido adotar medidas ao gosto dos derrotados, parecerão ter sido aprendidas com mais afinco pela equipe de Lula que pelos partidários de FHC.




     

  • Previdência brasileira é das mais generosas do mundo, diz estudo

    Fatores como a ausência de idade mínima para a concessão de aposentadorias por tempo de contribuição, limites de idade para viúvas ou comprovação de dependência financeira para ter direito a pensões por morte fazem do sistema de Previdência Social do Brasil um dos mais “generosos” do mundo. É o que mostra estudo que compara as regras para aposentadorias e pensões em 20 países feito pelo economista Paulo Tafner, coordenador de Estudos de Previdência do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea).

    Fatores como a ausência de idade mínima para a concessão de aposentadorias por tempo de contribuição, limites de idade para viúvas ou comprovação de dependência financeira para ter direito a pensões por morte fazem do sistema de Previdência Social do Brasil um dos mais “generosos” do mundo. É o que mostra estudo que compara as regras para aposentadorias e pensões em 20 países feito pelo economista Paulo Tafner, coordenador de Estudos de Previdência do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea).


    O trabalho será levado à terceira reunião do Fórum Nacional de Previdência Social amanhã, que terá como foco o panorama dos modelos previdenciários no mundo. A reunião também vai marcar a estréia do novo ministro da Previdência, Luiz Marinho, na condução do Fórum. Ele substituiu Nelson Machado e, durante sua posse, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva frisou que o novo ministro terá a missão de “salvar” a Previdência, mas sem impor perdas aos atuais trabalhadores.


    O estudo pondera que a definição de “generoso” se coloca no contexto de que, num sistema de previdência, os benefícios não devem, em média, superar a renda das pessoas que ainda trabalham. “E se tomarmos a experiência internacional – muito mais antiga e consolidada do que a nossa – como referência, então certamente chegaremos à conclusão de que nosso sistema é por demais generoso”, comenta Tafner.


    A análise do economista se concentra nas aposentadorias e pensões que, no caso do Brasil, representaram 70% dos R$ 165 bilhões das despesas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) no ano passado.


    Tafner não entra diretamente na questão, mas a leitura do estudo deixa evidente que as atuais regras de concessão de aposentadoria e pensões contribui para o déficit previdenciário, que chegou a R$ 42 bilhões em 2006 e tem previsão de subir para R$ 47 bilhões este ano.


    Em relação às pensões, a maior parte dos países da amostra considera, de forma isolada ou associada, a idade da viúva(o) e a existência de filhos menores ou dependentes na hora da concessão do benefício. Há países que pagam pensões por um determinado prazo. Na Alemanha, o pagamento de pensão só ultrapassa os dois anos se a pensionista tiver mais de 45 anos, filho menor de 18 anos e não puder trabalhar. Em Portugal, o prazo da pensão são cinco anos, podendo ser ampliado se a viúva tiver filhos menores, mais de 35 anos e não puder trabalhar.


    No Brasil, o direito à pensão é vitalício. O valor equivale a 100% da aposentadoria do cônjuge falecido ou, se ele ainda estivesse na ativa, ao valor de aposentadoria a que já teria direito a receber quando morreu. A única exigência é que o segurado falecido tenha contribuído por pelo menos 12 meses ao INSS.


    O ex-ministro da Previdência, José Cechin, diz que não vê motivos para uma pensão integral e vitalícia ser paga em situações em que as mulheres são ainda jovens e com plena capacidade de inserção no mercado de trabalho. “No Brasil, quando se fala em limitar pensões, logo se pensa em desamparar velhinhas de 75 anos e não é isso.”


    O trabalho de Tafner revela que, dos 20 países listados, nove fazem restrições à idade da viúva. A Alemanha reduz o valor a 25% se a pensionista tiver menos de 45 anos e a Bélgica exige da pensionista idade de pelo menos 45 anos e a França, 52 anos. Ter filhos dependentes é crucial para elevar o valor da pensão em países como Espanha, Finlândia e Estados Unidos.


    Idade Mínima


    O Brasil e a Itália são os únicos países examinados no estudo que não exigem idade mínima para aposentadorias por tempo de contribuição. A Itália já está na fase de transição para, a partir da próxima década, exigir 57 anos de idade mínima tanto de homens quanto de mulheres. O país fez uma reforma de regras previdenciárias em 1995.


    Bélgica, Alemanha, França e Canadá exigem pelo menos 60 anos de idade e sem diferença por sexo. Nos EUA, a idade mínima é 62 anos, além do tempo de contribuição. A Argentina exige 60 anos dos homens e 55 das mulheres. A Argentina já caminha para elevar gradualmente as idades para 65 e 60 anos, respectivamente.


    No Brasil, há duas formas de aposentadoria pelo INSS. Homens podem se aposentar comprovando 35 anos de contribuição e mulheres 30 anos, sem exigência de idade. As aposentadorias são acessadas mais facilmente por trabalhadores com carteira assinada e podem ter valores bem mais altos do que o piso de um salário mínimo, limitados ao teto (atualmente de R$ 2,8 mil).


    Outro caminho é o que exige apenas idade de 65 anos para homens e 60 para mulheres, modalidade mais presente entre as camadas carentes da população. Nesse caso, o benefício equivale a um salário mínimo.


    Cechin reconhece que em vários dos países analisados as condições de renda são melhores que no Brasil. Apesar disso, acredita que essa realidade não pode impedir novas reformas do modelo brasileiro. “Um dos principais pilares da sustentabilidade de um sistema é a longevidade dos indivíduos”, diz. “Ou seja, quando se fala em previdência, não se deve olhar apenas se o sujeito ganha menos no Brasil que na Suécia, mas se vive tanto aqui quanto lá.”


    Economia


    Tafner simulou quanto o Brasil poderia deixar de despender com aposentadorias ou pensões se fossem aplicadas algumas exigências existentes em outros países. O pesquisador procurou se deter nas regras menos duras e usou como base as despesas do INSS em 2004.


    Se fossem adotadas, por exemplo, as condições para pensões por morte como na Finlândia – onde têm direito as viúvas jovens, com até 65 anos, com filhos menores de 18 anos e que tenham ao menos cinco anos de casamento -, o Brasil gastaria somente 13% da atual despesa mensal média. Em fevereiro, o INSS pagou R$ 2,7 bilhões em pensões por morte.


    Se fosse aplicado o critério de idade mínima para aposentadoria tomando por base parâmetros em torno dos quais o sistema está estruturado na maioria dos países pesquisados – 65 anos (homens) e 60 anos (mulheres), como no Reino Unido e no Chile -, a despesa com aposentadoria no Brasil seria 45% menor, e só 65% dos benefícios atuais seriam mantidos.


    No estudo, Tafner informa que a Previdência Social no Brasil funciona como um redutor da pobreza, mas ainda está longe de ser o melhor instrumento para isso. “A Previdência chega aos pobres, mas ainda não atinge os mais pobres. E nesse sentido é ineficiente.” Ele afirma que as mais elevadas aposentadorias são recebidas pelos trabalhadores mais escolarizados, que se aposentam por tempo de contribuição e, em geral, mais cedo do que aqueles que se aposentam por idade.


     


     

  • Advogados contestam projeto de súmula vinculante sobre Cofins

    O projeto de súmula vinculante de número seis em tramitação no Supremo Tribunal Federal (STF), que trata da base de cálculo da Cofins, está gerando apreensão no meio tributário. O texto elaborado pela corte reduz a base de cálculo das empresas comerciais, industriais e de serviços, exatamente como constava no “leading case” julgado em novembro de 2005.

    O projeto de súmula vinculante de número seis em tramitação no Supremo Tribunal Federal (STF), que trata da base de cálculo da Cofins, está gerando apreensão no meio tributário. O texto elaborado pela corte reduz a base de cálculo das empresas comerciais, industriais e de serviços, exatamente como constava no “leading case” julgado em novembro de 2005. Mas, para surpresa de tributaristas, institui também a cobrança da Cofins dos bancos e das seguradoras, algo que – alegam os advogados – não foi julgado no leading case. 


    A redação inesperada do projeto de súmula está gerando um corre-corre no meio tributário, com iniciativas para divulgar a novidade e pedidos aos ministros do Supremo para que mudem o texto antes que ele siga para votação do pleno da corte. Os sete projetos de súmula vinculante estão, no momento, sob a tutela do presidente da comissão de jurisprudência do Supremo, ministro Marco Aurélio de Mello, a quem caberá definir o texto final das ementas.


    Quando editadas, as súmulas vinculantes obrigam todos os juízes de instâncias inferiores a seguirem o mesmo entendimento do Supremo. 


    A tributação dos bancos é a maior das disputas residuais sobre o aumento da base de cálculo da Cofins, que incluem também a definição sobre tributação dos prêmios pagos a seguradoras, a incidência da Cofins sobre royalties e a tributação dos aluguéis. A futura súmula vinculante número seis estabelece que a Cofins incide somente sobre vendas de mercadorias e serviços, como foi decidido pelo pleno do Supremo em 2005. Mas o texto afirma ainda que o tributo incide sobre “a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais”. 


    O problema apontado pelos contribuintes é á expressão “ou seja” incluída no texto, o que, segundo eles, ao invés de explicar, muda seu sentido. Diz a redação da futura súmula que “é inconstitucional o parágrafo 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 1998, que ampliou o conceito de receita bruta, a qual deve ser entendida como a proveniente das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais”. Para os contribuintes, da forma como está, o texto inclui na base de cálculo do tributo outros tipos de receita – como empréstimos, no caso dos bancos -, antecipando o fim de uma discussão que ainda não foi levada ao plenário do Supremo. 


    Os primeiros precedentes sobre a incidência da Cofins sobre os bancos no Supremo foram favoráveis à isenção do tributo sobre suas receitas financeiras. A Fazenda contabiliza três decisões monocráticas em favor de pequenas instituições, em que foi aplicado o precedente de novembro de 2005 de forma a isentar a contribuição sobre essas receitas. O primeiro deles, de março de 2006, favoreceu o Banco Alfa. Mas grandes bancos também participam da disputa. Em 2006, o Bradesco tinha provisões de R$ 534 milhões sobre o tema e o Unibanco, de R$ 584 milhões. A estimativa da Fazenda é a de que, se excluídas as receitas financeiras, a tributação dos bancos pela Cofins cairia entre 80% e 90%, pois passaria a incidir apenas sobre tarifas cobradas dos clientes. 


    Para o advogado Helenilson Pontes, a expressão “ou seja” presente no texto do projeto de súmula amplia indevidamente a contribuição, tornando insubsistente toda a discussão travada no Supremo. Segundo o tributarista, mais do que instituir a tributação da receita financeira dos bancos, o projeto de súmula altera completamente o conceito de faturamento fixado pelo plenário. O advogado Luiz Gustavo Bichara enviou na semana passada um memorial ao ministro Marco Aurélio alertando para a alteração. “A súmula não reflete a decisão do plenário”, afirma. Para ele, mesmo que a intenção seja tributar os bancos, o correto seria esperar um caso envolvendo um banco ser julgado no plenário da corte. 


    Segundo os advogados, o único ministro que defendeu a inclusão da receita financeira dos bancos na base de cálculo da Cofins foi Cezar Peluso – também o ministro que redigiu os projetos de súmula vinculante em tramitação. Segundo as notas taquigráficas do julgamento de novembro de 2005, o ministro manifestou preocupação com a incidência da Cofins sobre a atividade dos bancos. “Se determinadas instituições prestam um tipo de serviço cuja remuneração entra na classe das receitas chamadas financeiras, isso não desnatura a remuneração de atividade própria do campo empresarial, de modo que tal produto entra no conceito de receita bruta igual a faturamento”, disse o ministro durante o julgamento. 


    Segundo o procurador adjunto da Fazenda Nacional Fabrício Da Soller, o projeto de súmula não traz nenhuma novidade, pois os as instituições financeiras nunca foram excluídas da tributação da Cofins. O entendimento da Fazenda é o de que a receita operacional os bancos, base de cálculo do tributo, inclui as receitas financeiras, que são basicamente o spread bancário.


    “Se o banco alugar um imóvel, por exemplo, não há incidência”, diz o procurador. 

  • Mais pobre, a classe média vê fugir seu lugar ao sol

    O governo do presidente Lula trombeteia que seus programas assistenciais estão acabando com a miséria no Brasil.Os institutos de pesquisa mostram que as classes socioeconômicas D e E – as mais pobres – aumentaram seu poder de consumo, graças aos mergulhos de peito aberto nas ondas do financiamento popular. Já se fala até em redução das desigualdades sociais neste País que exorcizou o fantasma da inflação. Mas isso tudo é, no mínimo, discutível. O que vem acontecendo no Brasil nos últimos 20 anos – e torna-se nítido agora – é o deslocamento das faixas socioeconômicas para baixo.

    O governo do presidente Lula trombeteia que seus programas assistenciais estão acabando com a miséria no Brasil.Os institutos de pesquisa mostram que as classes socioeconômicas D e E – as mais pobres – aumentaram seu poder de consumo, graças aos mergulhos de peito aberto nas ondas do financiamento popular. Já se fala até em redução das desigualdades sociais neste País que exorcizou o fantasma da inflação. Mas isso tudo é, no mínimo, discutível. O que vem acontecendo no Brasil nos últimos 20 anos – e torna-se nítido agora – é o deslocamento das faixas socioeconômicas para baixo. O crescimento pífio do Produto Interno Bruto (PIB), em torno de míseros 2 a 3% ao ano nas duas últimas décadas, já fez seu estrago: a classe média brasileira está mais empobrecida. Mas há também posições contrárias, vindas de estudiosos e analistas que garantem, fundamentados igualmente em estatísticas, que essa mesma classe média vive hoje em condições até melhores do que antes. Para colocar esse tema em discussão com informações atualizadas e aprofundadas, a Gazeta Mercantil inicia nesta edição a série de reportagens exclusivas “Classe Média – A travessia do purgatório”, que prosseguirá nas próximas semanas.. Após analisar as recentes informações de que os brasileiros de baixa renda estão consumindo mais, o professor Waldir Quadros, do Instituto de Economia da Unicamp, não mudou de opinião. Na avaliação dele, a classe média ficou de fato mais pobre nos últimos 20 anos. E o professor tem números para comprovar isso.


    Quadros adverte que o maior consumo detectado entre as classes mais pobres só acontece porque as lojas aumentaram a oferta de crédito para potencializar as vendas, os produtos importados estão mais baratos devido à valorização cambial do real e a oferta de cartões de crédito precisou chegar, por estratégia das instituições financeiras, às camadas mais carentes da população. Os pobres estão se endividando mais e, quando compram à vista, consomem produtos muito baratos, qualquer coisa por R$ 1,99.


    A melhor descoberta do professor, no entanto, não foi esta. Ao estudar os dados do período de 1981 a 2005 da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), elaborada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ele constatou que a renda cresceu 91%, mas a população aumentou só 53%. Ou seja, a renda per capita só cresceu porque houve redução no nascimento de brasileiros.


    Quadros avançou nos cálculos. Num primeiro passo, excluiu de suas análises os brasileiros ricos, pelo fato de representarem um percentual muito pequeno em relação à população. Em seguida, adotou um parâmetro parecido com o utilizado pelos publicitários e definiu como classe média alta, ou classe A, o grupo de brasileiros que recebem acima de R$ 2,5 mil por mês.


    Como classe média, ou B, ficaram aqueles que recebem de R$ 1,250 mil a R$ 2,5 mil. Na classe média baixa, ou C, foram incluídos os que ganham de R$ 500 a R$ 1,250 mil. No grupo que chama de massa trabalhadora, ou classe D, estão os brasileiros que vivem mensalmente com R$ 250 a R$ 500. Finalmente, aparecem os miseráveis, ou classe E, onde estão aqueles que ainda conseguem sobreviver com uma renda inferior a R$ 250 por mês. Quadros debruçou sobre as estatísticas do período de 1981 a 2004, para verificar como evoluiu cada classe socioeconômica. Ele preferiu excluir da análise o ano de 2005 por ter dúvidas quanto à composição original dos números da PNAD. Sobre o período de 1981 a 2004, no entanto, ele não teve qualquer dúvida: verificou que a classe A brasileira foi reduzida de 5,2% para 4,1% da população, a B caiu de 8,5% para 7,3% e a C encolheu de 25,5% para 22,2%, enquanto a D cresceu de 24,6% para 28,4% e a E subiu de 36,2% para 38%. “O que houve foi uma redução espúria da desigualdade socioeconômica no Brasil, já que as faixas de rendimento foram empurradas para baixo, porque não houve progresso”, concluiu.

     

  • Após 32 anos, só 23% das empresas mantêm status

    Das 500 maiores e mais importantes empresas do país em 1973, só 117 permanecem a atuar com excelência em seus respectivos setores -23,4% do total. A constatação é de estudo coordenado pelo professor Carlos Arruda, da Fundação Dom Cabral.


    O trabalho, obtido com exclusividade pela Folha, discorre sobre longevidade e performance das empresas brasileiras.

    Das 500 maiores e mais importantes empresas do país em 1973, só 117 permanecem a atuar com excelência em seus respectivos setores -23,4% do total. A constatação é de estudo coordenado pelo professor Carlos Arruda, da Fundação Dom Cabral.


    O trabalho, obtido com exclusividade pela Folha, discorre sobre longevidade e performance das empresas brasileiras. Será apresentado nesta semana em Comandatuba (BA), durante o IT Fórum, um dos principais eventos de tecnologia e telecomunicações realizados no Brasil.


    Segundo os pesquisadores, o motivo para tantas baixas é que essas organizações não foram capazes de criar condições para resistir às mudanças nos fatores sociais, políticos e econômicos ocorridas ao longo desses 32 anos.


    No período -para ficar apenas no campo da economia-, os brasileiros conviveram com hiperinflação, carga tributária inchada, juros altos, desvalorização cambial, cinco moedas e sete planos econômicos.


    “E nada indica que o ambiente se tornará mais fácil”, diz Arruda. “O ambiente de negócios tende a ficar cada vez mais difícil em todo o mundo.”


    Ex-ministro da Fazenda e ex-congressista, o economista Delfim Netto concorda. Para ele, o resultado está em linha com a tendência mundial de concentração econômica, embora o empresário brasileiro conviva com certas perversidades, como a política monetária apertada.


    “Quando se levam em conta 30 anos, o cemitério sempre será maior que a maternidade”, resume Delfim. “Só quem tem um comichão pelo risco agüenta ser empresário no Brasil.”


    Na avaliação do economista Antônio Corrêa de Lacerda, da PUC de São Paulo, existe uma “elite” de empresas brasileiras que se antecipou à globalização. “A atuação fica mais complicada porque é um cenário contraditório, que acentua a competitividade, cria necessidade de demanda e resulta em concentração.”


    Conclusões


    As empresas que perderam status e deixaram de figurar no rol das maiores e melhores tiveram vários destinos, conforme o estudo levado adiante pela Fundação Dom Cabral.


    Das 383 pesquisadas, a maioria deixou de existir da forma como eram conhecidas em 1973: 36,5% foram adquiridas por outras empresas; 12,4% fecharam por motivos diversos; 10,3% faliram; 9,9% acabaram privatizadas e 9% fundiram-se a outras companhias.


    Qual o segredo para manter o mesmo peso no mercado, ou mesmo aumentá-lo?


    “Esperávamos, pelos estudos, descobrir que essas companhias seriam aquelas com valores bem definidos, capazes de renovação e relativamente conservadoras na gestão dos negócios. É esse o modelo vitorioso na Europa, nos Estados Unidos e no Japão”, observa Arruda. “Mas não foram esses os fatores mais significativos no Brasil, segundo a pesquisa.”


    O segredo, afirma Carlos Arruda, pode ser dividido em três características. O primeiro ponto em comum entre as empresas longevas no país é que elas têm consciência de que é preciso expansão contínua: vale engolir as concorrentes, diversificar a área de atuação ou lançar produtos, ocupando novos nichos de mercado.


    Parte da explicação está no fato de que a perspectiva de crescimento da empresa motiva os profissionais, que vêem aí chances de ascensão.


    A segunda particularidade observada no levantamento da Dom Cabral está diretamente relacionada com a cúpula das empresas: a capacidade das lideranças de perceber e antecipar mudanças no ambiente interno e externo, de forma a preparar a equipe para uma guinada, se isso for necessário.


    A última conclusão é que o cuidado com processos de sucessão é determinante. As empresas que não souberam preparar seus futuros gestores minguaram.


    A equipe da Dom Cabral desenvolverá agora a segunda parte da pesquisa, na qual serão analisadas também companhias estrangeiras.




     

  • Fecomércio-MG inicia a série Encontros Empresariais com Grupo Algar

    A Federação do Comércio de Minas Gerais promoveu, em 2 de abril, a primeira edição do Projeto Encontros Empresariais, idealizado com o objetivo de promover debates relacionados ao comércio regional, à lucratividade, aos empreendimentos, à responsabilidade social, à empregabilidade e aos demais assuntos ligados ao ambiente empresarial.

    A Federação do Comércio de Minas Gerais promoveu, em 2 de abril, a primeira edição do Projeto Encontros Empresariais, idealizado com o objetivo de promover debates relacionados ao comércio regional, à lucratividade, aos empreendimentos, à responsabilidade social, à empregabilidade e aos demais assuntos ligados ao ambiente empresarial. O convidado foi o CEO (Chief Executive Officer) do Grupo Algar, Luiz Alexandre Garcia, que falou dos investimentos e das perspectivas da empresa para curto e longo prazos, além de mostrar o trabalho que o grupo realiza no estado.


     


    Os Encontros Empresarias contarão com os principais atores da economia brasileira, com ênfase àqueles que estão presentes no Brasil e no exterior, para troca de experiências que tenham contribuído o desenvolvimento do estado e do país.


     


    Durante a abertura do evento, na sede da Federação, o presidente do Sistema Fecomércio/Sesc/Senac de Minas Gerais, Renato Rossi, agradeceu a presença do executivo e falou da importante busca da instituição em contribuir com a trajetória das empresas mineiras. “Receber um dos principais empresários do estado, para mostrar o excelente trabalho que executa, é uma grande honra. Agradecemos antecipadamente a contribuição do Grupo Algar na construção de um cenário econômico positivo para o País”, afirmou Rossi.


     


    O Grupo Algar atua nas áreas de telecomunicações, agronegócio, turismo e serviços de infra-estrutura nos estados de Minas Gerais, São Paulo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Distrito Federal, Paraná, Rio de Janeiro e Maranhão, possui 11 mil funcionários e receita bruta anual de R$ 2 bilhões.