Blog

  • Superávit comercial soma US$ 7,7 bi no ano

    A balança comercial acumula no ano, até o dia 25, saldo positivo de US$ 7,722 bilhões. No período, as exportações ficaram em US$ 30,9 bilhões e as importações, em US$ 23,178 bilhões, conforme informações divulgadas ontem pela Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento (Secex). 


    No período, a média diária de vendas ao exterior foi de US$ 542,1 milhões e a de compras, em US$ 406,6 milhões. 


    Na quarta semana de março, com cinco dias úteis (de 19 a 25) a balança comercial apresentou superávit de US$ 658 milhões.

    A balança comercial acumula no ano, até o dia 25, saldo positivo de US$ 7,722 bilhões. No período, as exportações ficaram em US$ 30,9 bilhões e as importações, em US$ 23,178 bilhões, conforme informações divulgadas ontem pela Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento (Secex). 


    No período, a média diária de vendas ao exterior foi de US$ 542,1 milhões e a de compras, em US$ 406,6 milhões. 


    Na quarta semana de março, com cinco dias úteis (de 19 a 25) a balança comercial apresentou superávit de US$ 658 milhões. O saldo é fruto de exportações de US$ 2,980 bilhões – uma média diária de US$ 596 milhões – e de importações de US$ 2,322 bilhões – média de US$ 464,4 milhões por dia útil. 


    Nas quatro primeiras semanas do mês, as trocas comerciais resultaram em saldo positivo de US$ 2,353 bilhões, decorrente de vendas de US$ 9,835 bilhões e compras de US$ 7,482 bilhões. 


     


     


     

  • Projeto do governo cria insegurança jurídica

    O veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Emenda 3, que previa expressamente o limite de atuação dos fiscais da Receita Federal e determinava que eles não teriam poder para desconsiderar a personalidade jurídica do contribuinte, e a apresentação de um projeto de lei para tratar do tema não agradou. Parlamentares ameaçam derrubar o projeto de lei do governo, que prevê que os auditores fiscais têm poder para autuar contribuintes quando concluírem que o prestador de serviço mantém relações trabalhistas com a empresa.

    O veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Emenda 3, que previa expressamente o limite de atuação dos fiscais da Receita Federal e determinava que eles não teriam poder para desconsiderar a personalidade jurídica do contribuinte, e a apresentação de um projeto de lei para tratar do tema não agradou. Parlamentares ameaçam derrubar o projeto de lei do governo, que prevê que os auditores fiscais têm poder para autuar contribuintes quando concluírem que o prestador de serviço mantém relações trabalhistas com a empresa. Para especialistas, a proposta do governo cria mais insegurança jurídica. “Não basta vetar a medida, o governo deve por um fim nos autos de infração que vem sendo realizados”, comenta o jurista Ives Gandra da Silva Martins.

    Preocupados com o projeto, empresários e membros da sociedade organizada estão se mobilizando. O projeto deve ir ao plenário das duas Casas ainda nessa semana. “Não podemos ficar inertes à posição do governo. O projeto lei enviado ao Congresso é um desserviço à liberdade dos empresários e, se aprovado, só aumenta a insegurança jurídica”, diz o presidente da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), Daniel Pimentel Slaviero.

    O advogado Antonio Carlos Rodrigues do Amaral, membro da comissão de assuntos tributários da Ordem dos Advogados do Brasil de São Paulo (OAB-SP), diz que “o governo vive uma situação antipática e é preciso mostrar isso de forma enfática”. “O projeto lei, enviado ao Congresso como alternativa a emenda 3, cria mais incerteza jurídica. Isso não fomenta o empreendedorismo”, ressaltou o advogado. Segundo ele, a OAB já tem posição firme a respeito do assunto e crê que a medida não será aprovada no Congresso. “Não vou desmerecer o papel do fiscal da Receita, mas creio que as relações jurídicas devem ser respeitadas de forma enfática”, diz Amaral. Amanhã, entidades representativas de classe realizam o seminário “A Liberdade de Empreender com Segurança Jurídica”, serão debatidos temas como a Emenda 3 e o projeto de lei alternativo que será debatido no Congresso.

  • Consignado e queda da Selic reduzem taxa média de juros

    Os juros cobrados nos empréstimos bancários atingiram o nível mais baixo em quase sete anos, segundo levantamento feito pelo Banco Central. Entre janeiro e fevereiro, a taxa média praticada pelos bancos passou de 39,9% ao ano para 39,7%, a menor desde julho de 2000, quando teve início a série estatística do BC.

    Os juros cobrados nos empréstimos bancários atingiram o nível mais baixo em quase sete anos, segundo levantamento feito pelo Banco Central. Entre janeiro e fevereiro, a taxa média praticada pelos bancos passou de 39,9% ao ano para 39,7%, a menor desde julho de 2000, quando teve início a série estatística do BC. Apesar disso, a taxa ainda é alta comparada a de outros países emergentes.


    Esse movimento foi influenciado por dois fatores principais: a recente queda da taxa Selic e a maior procura por empréstimos com desconto em folha de pagamento.


    No primeiro caso, os cortes na Selic reduzem o custo de captação dos bancos no mercado -a taxa básica é o principal parâmetro. Se esse custo é menor, a taxa cobrada dos devedores também pode ser menor.


    Já o chamado crédito consignado ajuda a puxar para baixo a taxa média no mercado. Enquanto os bancos cobram juros médios de 73,8% ao ano em um empréstimo pessoal comum, a taxa com desconto em folha é de 32,5% ao ano.


    No mês passado, segundo dados do BC, os financiamentos com desconto em folha disponíveis no país somavam R$ 50,5 bilhões, ou 25% dos empréstimos oferecidos pelos bancos -descontados os créditos cujos juros são controlados pelo governo, como o financiamento habitacional.


    Graças a essa expansão, os juros cobrados de pessoas físicas têm caído mais rapidamente. Entre janeiro e fevereiro, a taxa média dessas modalidades de crédito caiu de 52,3% ao ano para 51,7%. Nos empréstimos a empresas, os juros recuaram de 26,2% ao ano para 26,0%.

    Mesmo com essas quedas, não se pode dizer que o custo de um empréstimo no Brasil é baixo. “Antes [a taxa] era alta demais, hoje ela é só alta”, diz o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes.


    Para a Febraban (Federação Brasileira dos Bancos), os números indicam que as perspectivas para o crédito são positivas. “O cenário de redução da taxa básica de juros e a estabilidade do cenário macroeconômico contribuem para a expansão do volume de crédito, acompanhado por menores taxas de juros dos empréstimos e alongamento dos prazos”, diz a entidade, por meio de nota.


    De fato, o volume de crédito disponível no país continua a crescer. Em fevereiro, o saldo total chegou a R$ 747,4 bilhões, alta de 1,1% sobre janeiro.


    Mais crédito na economia é um grande estímulo ao consumo e à atividade econômica.

    Por outro lado, os novos números do PIB (Produto Interno Bruto) divulgados na semana passada mostram que o peso do crédito na economia brasileira é menor do que se imaginava, o que distancia ainda mais o país da média internacional.


    Pela nova metodologia do IBGE, o valor do PIB brasileiro cresceu, o que significa que a relação entre crédito e PIB medida até agora estava supervalorizada. Segundo os dados antigos, essa proporção estava em 34,6% em fevereiro, nível mais alto em 11 anos, embora distante dos 70% observados em outras economias emergentes.


    Com a revisão do PIB, a sua relação com o crédito também deve ser alterada. O nível atual dessa proporção, segundo os novos números do PIB, ainda não foi divulgado pelo BC.


    Para consumidor, prazo importa mais do que juros


    O prazo é mais importante do que a taxa de juros na hora de o consumidor optar por uma compra financiada, segundo informam a Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade) e a ACSP (Associação Comercial de São Paulo).


    “Não é à toa que o consumidor sempre pergunta para o lojista em quantas vezes ele pode pagar o produto, não qual é a taxa de juros. Ele quer saber se a prestação cabe no orçamento do mês”, diz Miguel de Oliveira, vice-presidente da Anefac.


    O consumidor gosta de prazos mais longos, e as instituições financeiras têm hoje mais interesse em esticá-los porque têm mais confiança na estabilidade econômica e porque precisam elevar as vendas, já que caiu a rentabilidade dos investimentos em títulos públicos, na avaliação de Oliveira.


    Em dezembro do ano passado, o prazo médio de financiamento de bens no país era de 18 meses, e o máximo, de 36 meses, segundo levantamento da Anefac. Em 2005, o prazo médio era de 16 meses, e, o máximo, de 36 meses. Em 2004, esses prazos eram de 12 meses e 24 meses, respectivamente.


    Para a aquisição de veículos, os prazos médio, que, em 2005, era de 28 meses, e o máximo, de 60 meses, subiram para 32 meses e 72 meses, respectivamente, em 2006. “Há potencial para aumento do prazo e também de crédito no país”, diz.


    O volume de financiamento para a compra de bens vem subindo desde 2000. No ano passado, somou R$ 10,77 bilhões, valor 5,38% maior do que o de 2005, segundo informa a Anefac com dados do Banco Central. O volume de empréstimo para a compra de veículos foi de R$ 63,47 bilhões em 2006, 25,2% maior do que o de 2005.


    Apesar da expansão do crédito, Oliveira diz que o volume é baixo em relação ao PIB brasileiro. “Significa cerca de 34% do PIB [pela metodologia anterior do PIB], quando a média internacional é de 100%. Não tem problema esse percentual crescer quando o país cresce.”


    Se não fosse o alongamento dos prazos de financiamento, as vendas estariam desacelerando, na avaliação de Emílio Alfieri, economista da ACSP. “A queda de juros é importante, mas, hoje, o que puxa a venda a crédito é o prazo mais longo.”


    De janeiro até a primeira quinzena deste mês, as vendas a prazo, medidas pelo número de consultas ao SPC, subiram 4,6% na comparação com igual período de 2006. O número de consultas ao Usecheque, termômetro das vendas à vista, cresceu 2,8% no período.


    Com a expansão dos prazos de financiamento, na avaliação de Alfieri, e também a expectativa de redução das taxas de juros, a previsão da ACSP é que esse percentual de 4,6% de alta das vendas a prazo suba para 5% ao longo deste ano.


    Juro cai menos que custo de captação dos bancos


    A queda dos juros bancários nos últimos meses teria sido maior se os bancos tivessem repassado totalmente aos devedores o alívio proporcionado pela redução da taxa Selic. Mas, em fevereiro, pelo segundo mês seguido, isso não ocorreu.


    Segundo pesquisa do Banco Central, o custo de captação dos bancos caiu de 12,5% ao ano para 12,1% entre janeiro e fevereiro. Ou seja, o custo para captar recursos no mercado caiu 0,4 ponto percentual, e, se não fosse a influência de nenhum outro fator, seria de esperar que os juros cobrados nos empréstimos caíssem na mesma magnitude.


    Mas, no mês passado, os juros bancários caíram somente 0,2 ponto percentual. Isso porque parte dos ganhos com o menor custo de captação não foi repassada aos clientes, e sim apropriada pelos bancos, por meio do chamado “spread”.


    O “spread” serve para reforçar o lucro dos bancos e cobrir despesas como administrar suas carteiras de crédito -pagamento de funcionários, manutenção de agências e gastos com impostos, por exemplo.


    Entre janeiro e fevereiro, o “spread” médio praticado no mercado subiu de 27,4 pontos percentuais para 27,6 pontos. Isso significa que, mesmo que os bancos tivessem um custo de captação igual a zero, ainda assim seriam cobrados juros de 27,6% ao ano daqueles que quisessem contrair uma dívida.


    Para o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, não se deve esperar que a redução da taxa Selic favoreça uma queda mais acelerada do “spread” bancário. “Com tudo mais constante, o “spread” nem deveria cair”, diz Lopes.


    Segundo o funcionário do BC, não existe relação entre o nível da taxa Selic e o “spread”, pois o “spread” é influenciado somente pelos custos arcados pelos bancos. Entre setembro de 2005 e o mês passado, a Selic caiu de 19,75% ao ano para 13%. No mesmo período, o “spread” bancário passou de 29,4 pontos para 27,6 pontos.


    Lei de Falências


    Nesse período, o governo tomou várias iniciativas para tentar reduzir o “spread”, como a nova Lei de Falências, de 2005. Na época, argumentava-se que ela facilitaria a cobrança de dívidas por parte dos bancos e poderia ajudar a baratear o crédito. Entre setembro de 2005 e fevereiro deste ano, o “spread” caiu de 29,4 para 27,6 pontos.


    Para Lopes, o efeito de medidas como essa ainda devem ser sentidas com o tempo. Ele reconhece que “o “spread” não caiu com a intensidade que se imaginava”, mas credita o fenômeno às características da recente de expansão do crédito.


    Segundo esse raciocínio, a maior procura por empréstimos tem ocorrido, de forma mais forte, entre micro e pequenas empresas e consumidores que não tinham o hábito de contrair dívidas.


    E, para emprestar a quem não tem cadastro que possa atestar sua capacidade de pagar suas contas em dia, os bancos estariam cobrando “spreads” mais elevados, para compensar o risco.


    Uma maneira de medir esse maior risco seria o nível de inadimplência. Em setembro de 2005, segundo o BC, 4,1% dos financiamentos liberados pelos bancos estavam com parcelas atrasadas por ao menos 90 dias. No mês passado, eram 4,9%.


     


     


     


     

  • Inclusão digital de 32 milhões

    O Brasil tem 32,1 milhões de cidadãos com idade acima de dez anos que acessam a internet. O número parece grande, mas representa apenas 21% da população, o que põe o Brasil no 62º lugar no ranking de nível de acesso no mundo, e em 4º lugar na América Latina, atrás de países como Costa Rica, Guiana Francesa e Uruguai. Os dados são do suplemento especial da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad/2005), divulgado ontem pelo IBGE, e evidenciam a enorme exclusão digital em que ainda vive a população brasileira.

    O Brasil tem 32,1 milhões de cidadãos com idade acima de dez anos que acessam a internet. O número parece grande, mas representa apenas 21% da população, o que põe o Brasil no 62º lugar no ranking de nível de acesso no mundo, e em 4º lugar na América Latina, atrás de países como Costa Rica, Guiana Francesa e Uruguai. Os dados são do suplemento especial da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad/2005), divulgado ontem pelo IBGE, e evidenciam a enorme exclusão digital em que ainda vive a população brasileira. No perfil encontrado pelo instituto, a maioria é estudante, a idade é baixa (sobretudo entre 15 e 17 anos), a renda alta (mil reais em média per capita por residência) e o uso é majoritariamente para educação e aprendizado, citado por 71,7% dos entrevistados. Na opinião do economista Marcelo Neri, chefe do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getulio Vargas (FGV), esses dois indicadores, juventude e estudo, são o sinal de que o investimento em inclusão digital é fator fundamental de atração do jovem à escola, numa faixa etária mais vulnerável à violência e ao desemprego:


    O grande medo de que a internet fosse veículo apenas de lazer para os jovens não se confirmou com os números da pesquisa. A internet é o meio que interessa a essa população. No momento que se fala de PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) educacional é importante descontingenciar os recursos do Fust (Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações), que se tornaram uma verdadeira frustração.


    E a renda, pela pesquisa, é a principal barreira para o acesso à rede. Enquanto o rendimento médio familiar per capita do brasileiro é de R$471, o ganho dos que acessam a internet sobe para mil reais. Na parcela dos que não acessam, o rendimento cai para R$333.


    A primeira barreira é ter o computador, a segunda é pagar o acesso – disse Plínio Aguiar Júnior, presidente da Agência Nacional de Telecomunicações


    A escolaridade é outro fator importante. A parcela de incluídos digitais entre os que têm mais de 15 anos de estudo (pelo menos o ensino superior completo) chega a 76,2%. Por isso, cientistas e trabalhadores em serviços administrativos são os que mais acessam.


    Casa é o principal local de acesso à rede


    A empresária Maria Luiza Paiva Chaves é fã e usuária de primeira hora da internet. Mal o acesso à rede mundial de computadores começou a ganhar força no país, ela correu para garantir seu acesso. Hoje, Maria Luiza usa a internet em casa e no trabalho, onde chega a ficar online por até dez horas diárias.


    – Faço pesquisas, serviços bancários, troco e-mails, converso com minha filha que mora fora do país. Ou seja, a internet faz parte da minha rotina – contou.


    A comunicação ocupa o segundo lugar no ranking de motivos de acesso à rede citados pelos entrevistados. Já as transações bancárias ficam em penúltimo lugar, seguidas das compras, mostrando que ainda há desconfiança em usar dinheiro na internet.




    – Esse tipo de uso é maior nas faixas etárias mais velhas e entre os homens, que também acessam mais para lazer e compras. As mulheres usam mais para educação – disse Maria Lucia Vieira, gerente da Pnad.


    Por local de acesso, a residência é mais citada por 50% dos entrevistados, seguida de perto pelo trabalho (39,7%). A escola ainda é pouco utilizada como forma de entrar na internet. Apenas 25,7% citaram esse local de acesso.


    – É importante usar a escola como ponte para essa inclusão. A escola socializa e educa para o uso mais voltado ao aprendizado, o que deve se refletir no desempenho dos alunos. Na pesquisa da Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica), os jovens que têm acesso ao computador apresentam resultados 15% melhores – disse Neri, da FGV.


    Os centros públicos gratuitos são os menos citados na pesquisa. Apenas 10% dos incluídos usam esse local de acesso. O diretor-executivo da ONG Comitê para a Democratização da Informática (CDI), Rodrigo Baggio, ressaltou o fato de a pesquisa contemplar os dados de acesso à internet pública gratuita, ou não, e nas escolas. Segundo ele, esta pesquisa já é resultado do esforço de políticas públicas e também da sociedade civil para incentivar a inclusão digital. Mas ele lamenta que os números ainda mostrem muita desigualdade no acesso à internet no país:


    – Os dados constatam que ainda existe um apartheid digital. A taxa de crescimento do acesso à internet é muito maior nas classes mais altas e bem menos veloz entre a população de baixa renda.


    Folha de São Paulo


    Educação é principal interesse na internet


    A educação é o principal fator de interesse do internauta brasileiro, revela a pesquisa do IBGE “Acesso à internet e posse de telefone”, feita a partir de dados de 2005 da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios).


    Segundo o estudo, 71,7% dos usuários disseram acessar a rede em busca de educação e aprendizado. O segundo assunto de maior interesse é a comunicação com outras pessoas, citada por 68,6%. O item inclui conversas em salas de bate-papo, ferramentas como Orkut, programas de mensagens instantânea, blogs e fotologs.


    O lazer é o terceiro colocado, citado por 54,3%. A leitura de jornais e revistas aparece em seguida, com 46,9%. O estudo, o primeiro do tipo do IBGE, mostra que o internauta brasileiro é jovem e tem renda e grau de instrução elevados.


    Em 2005, o país tinha 32,1 milhões de usuários de internet, o equivalente a 21% da população. A idade média das pessoas que acessam a rede era de 28,1 anos, e o número médio de anos de estudo, 10,7. A renda mensal per capita era R$ 1.000.


    Segundo o presidente da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), Plínio de Aguiar, a primeira barreira para o acesso à internet é a econômica. O governo estuda usar o Fust (Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações) para cobrir as despesas de acesso à rede em 200 mil escolas. A Anatel pretende aprovar no primeiro semestre um plano de acesso à rede discada em que as operadoras oferecerão um pacote de dez horas de navegação por R$ 7,50.


    O uso da internet é mais freqüente entre os jovens. No grupo de 15 a 17 anos, 33,9% das pessoas acessaram a rede. A condição de estudante é fator de peso no acesso. Entre os estudantes, 35,9% usam a internet. Ente os que não são estudantes, o número cai para 16%.

    É o caso da estudante Joana Rottgers Silva, 14, que usa a rede para fazer pesquisas escolares, conversar com amigos no Orkut e verificar os recados em seu fotolog. “Na maioria das vezes uso a rede como passatempo. Coloco fotos minhas, troco mensagens com amigos e baixo músicas. Consulto até mesmo o horário do ônibus pela internet”, disse.

    As mulheres acessam mais a rede do que os homens até os 25 anos. A partir daí, o percentual de homens é maior. As mulheres acessam mais a partir de locais de ensino, e os homens preferem o local de trabalho e os centros de acesso pago. As mulheres navegam em busca de educação e aprendizado. Os homens, para fazer compras, buscar atividades de lazer e realizar transações bancárias.


    Resistência


    O perfil dos que não acessam a rede é composto por pessoas de 37,5 anos em média e 5,6 anos de estudo. O rendimento médio é de R$ 333.


    A falta de acesso ao computador é a principal justificativa para os que não usam a rede, citada por 37,2%. Para 20,9% dos entrevistados, no entanto, a internet não é necessária ou não desperta a atenção.


    A aposentada carioca Silvia Medeiros de Oliveira, 62, diz que sofre críticas da família e dos amigos porque não quer comprar um computador.


    “Posso comprar, mas não quero, não tenho vontade.” Ela se diz pressionada: “Outro dia queria fazer uma reserva em um hotel e me disseram “só por e-mail”.




     

  • Caixa faz balanço da correção dos saldos do FGTS

    As comissões de Finanças e Tributação e de Desenvolvimento Urbano realizam amanhã um balanço da aplicação da Lei Complementar 110/01, que regulamentou a correção do saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) em razão do expurgo provocado pelos planos Verão e Collor 1. Foram convidados para participar da audiência a presidente e o vice-presidente da Caixa Econômica Federal, Maria Fernanda Ramos Coelho e Jorge Fontes Hereda. O debate foi solicitado pelo deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR).

    As comissões de Finanças e Tributação e de Desenvolvimento Urbano realizam amanhã um balanço da aplicação da Lei Complementar 110/01, que regulamentou a correção do saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) em razão do expurgo provocado pelos planos Verão e Collor 1. Foram convidados para participar da audiência a presidente e o vice-presidente da Caixa Econômica Federal, Maria Fernanda Ramos Coelho e Jorge Fontes Hereda. O debate foi solicitado pelo deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR).


    Hauly lembrou que, em janeiro, foi concluído o pagamento a milhões de trabalhadores dos expurgos inflacionários referentes aos planos Verão e Collor 1. Diante disso, o deputado defendeu a necessidade de avaliar o impacto da medida sobre as reservas do FGTS. “Essa questão é crucial, tendo em vista o interesse do governo federal em utilizar o saldo de cerca de R$ 5 bilhões do FGTS para a infra-estrutura, dentro do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC)”.


    Propostas do PAC

    A pedido do deputado Vignatti (PT-SC), na mesma audiência pública, serão debatidas ainda as propostas do PAC que estão diretamente vinculadas à Caixa Econômica Federal. Entre elas, estão a autorização ao Tesouro Nacional para conceder crédito de R$ 5,2 bilhões à Caixa, a serem utilizados em financiamentos nas áreas de saneamento básico e habitação popular (MP 347/07); e a alteração nas regras do Programa de Arrendamento Residencial (PAR) para permitir que mutuários antecipem a compra da unidade habitacional arrendada com a utilização do saldo do FGTS (MP 350/07).


    A audiência será realizada no plenário 4, a partir das 14h30.


    Agência Câmara, 26 de março de 2007.




     

  • Gustavo Franco propõe zerar as alíquotas de importação



    Abrir mais a economia e zerar temporariamente as alíquotas de importação é a única maneira de o Brasil reverter a valorização do real, defendeu o ex-presidente do Banco Central Gustavo Franco. Atualmente sócio da empresa de serviços financeiros Rio Bravo, ele descartou o argumento de parte dos analistas de que o nível do juro no país é o propulsor do câmbio.


    “Vamos direto ao fundamento do problema: o excesso de oferta de dólar e o superávit comercial. Não é a taxa de juro, é o comércio.



    Abrir mais a economia e zerar temporariamente as alíquotas de importação é a única maneira de o Brasil reverter a valorização do real, defendeu o ex-presidente do Banco Central Gustavo Franco. Atualmente sócio da empresa de serviços financeiros Rio Bravo, ele descartou o argumento de parte dos analistas de que o nível do juro no país é o propulsor do câmbio.


    “Vamos direto ao fundamento do problema: o excesso de oferta de dólar e o superávit comercial. Não é a taxa de juro, é o comércio. Então, qualquer outra solução é paliativa”, disse Gustavo Franco em entrevista no Reuters Latin American Investment Summit. “A importação é a única coisa que poderá fazer o câmbio acordar. E o sono é cada vez mais profundo; nós vamos ficar abaixo de US$ 2 daqui a pouco.”


    Gustavo Franco avaliou que sem as atuações diárias do Banco Central, o câmbio estaria ainda mais valorizado, mas lembrou o custo fiscal dessa ação, já que o Tesouro Nacional enxuga os reais usados na compra de dólares com a venda de títulos públicos. “Acho que zerar as alíquotas todas por um período de tempo seria interessantíssimo para testar a resposta das importações e produzir um efeito cambial relevante… Isso é muito mais barato para o Tesouro”, insistiu.


    O dólar acumula queda de quase 25% nos últimos dois anos, cotado abaixo de R$ 2,1. “Com a próxima boa notícia relevante, o (patamar de) R$ 2,05 vai ser atacado”, previu Franco.


    Mercantilismo


    O ex-presidente do BC argumentou que, apesar da prevista chiadeira de alguns setores, a abertura do país às importações é importante para “o conjunto dos participantes do comércio exterior” no médio prazo. A balança comercial brasileira acumula superávit de mais de US$ 7 bilhões este ano. Em 2006, o saldo positivo foi recorde, de US$ 46,077 bilhões.


    Gustavo Franco também rejeitou a idéia de que o Brasil só deveria liberar as importações de serviços como uma contrapartida nas discussões comerciais da Rodada de Doha. “Há anos que eu ouço isso. Acho que não compensa, porque o Brasil deixa de fazer alguma coisa que é do nosso próprio interesse alegando que vai usar isso para obter alguma concessão”, afirmou.


    “Lembro lá atrás, nos anos 90, quando se fez a abertura, tinha essa mesma crítica. E gente que hoje é ministro dizendo ‘ah, não podia ter feito sem ter uma contrapartida’. Isso é um mercantilismo de quinta categoria.”


    E, sem vislumbrar uma forte crise internacional, Gustavo Franco acredita que a tendência é que o país receba mais recursos externos – acentuando o avanço do real.”Os raciocínios estão muito longos para explicar uma crise internacional. Como a explicação está muito difícil, acho que é porque a crise está um pouco longe”, comentou o economista.


    Em tom jocoso, Gustavo Franco citou a “obsessão” de operadores por assuntos como “em que medida o ‘carry trade’ com ‘funding’ japonês poderá explodir uma bolha de preços de commodities”.


    Gustavo Franco, que como presidente do BC no final dos anos 90 gastou bilhões de dólares tentando defender uma taxa de câmbio fixa, disse que companhias locais comprariam mais bens importados e buscariam mais dólares no mercado de câmbio à vista se as tarifas fossem cortadas. A medida ajudaria a absorver a enxurrada de dólares no mercado proveniente das exportações brasileiras


    Os políticos e os líderes de negócios pedem esforços mais vigorosos para enfraquecer o real e proteger fabricantes locais das importações com preços acessíveis e para incentivar a entrada de novos fabricantes no mercado de exportação.


    O Banco Central, na sexta-feira, aumentou sua previsão do superávit em conta corrente em 2007 de US$ 4,5 bilhões para US$ 7,7 bilhões devido às maiores exportações e investimentos estrangeiros direto. “O Brasil tem um enorme superávit na conta corrente que não mostra sinais de queda”, disse Franco. “Você não pode almoçar e ainda continuar com seu dinheiro”, completou.


    Baixar as tarifas de importação temporariamente pode prejudicar algumas companhias, mas é uma maneira muito mais barata para o governo de enfraquecer o real. O governo vende títulos locais que tem quase 12% de juros ao ano para comprar dólar no mercado à vista.




     

  • Gastos de turistas batem recorde

    Os gastos dos brasileiros com viagens internacionais atingiram o recorde de US$ 6,003 bilhões no período de 12 meses terminado em fevereiro. Para o chefe do Departamento Econômico (Depec) do Banco Central (BC), Altamir Lopes, o aumento das despesas com viagens ao exterior é uma decorrência do aumento da renda da população e da taxa de câmbio mais favorável ao turismo internacional.

    Os gastos dos brasileiros com viagens internacionais atingiram o recorde de US$ 6,003 bilhões no período de 12 meses terminado em fevereiro. Para o chefe do Departamento Econômico (Depec) do Banco Central (BC), Altamir Lopes, o aumento das despesas com viagens ao exterior é uma decorrência do aumento da renda da população e da taxa de câmbio mais favorável ao turismo internacional. Em fevereiro, as viagens de brasileiros para fora do País geraram uma despesa de US$ 498 milhões e atingiram o nível mais elevado para meses de fevereiro da série do BC, iniciada em 1947.


    Por outro lado, as receitas geradas pelos estrangeiros em viagens ao Brasil também subiram e alcançaram o recorde de US$ 4,452 bilhões em 12 meses até fevereiro. “Isso é uma conseqüência da melhora da nossa infra-estrutura turística”, avaliou Altamir. No mês de fevereiro, as receitas também aumentaram e atingiram os US$ 414 milhões, melhor resultado para meses de fevereiro.


    Para o diretor de Estudos e Pesquisas da Embratur, José Francisco de Salles Lopes, o resultado do mês passado é conseqüência de um processo contínuo de crescimento do turismo de estrangeiros no Brasil. “É um desempenho excepcional e confirma a consistência dos últimos resultados alcançados.”


    O BC trabalha com a hipótese de que as despesas com viagens, neste ano, devem superar as receitas em cerca de R$ 1,8 bilhão. Neste caso, o resultado será o mais elevado desde 2000, quando as despesas com viagens internacionais ficaram US$ 2,419 bilhões acima das receitas.


    O pico histórico foi alcançado em 1996, quando o valor chegou aos US$ 3,598 bilhões. Naquela época, o aumento das despesas com viagens internacionais provocado pelo câmbio fixo foi apontado como um dos motivos do aumento da vulnerabilidade externa do País. “A situação hoje é completamente diferente. Em 1996, o País tinha déficit nas contas externas. O que temos hoje são repetidos superávits em conta corrente”, disse uma fonte da área econômica do governo.


    Neste mês, o chefe do Depec disse que os números parciais até o dia 23 indicavam que as despesas com viagens internacionais estavam em US$ 355 milhões. A entrada de turistas estrangeiros no Brasil, em contrapartida, tinha sido responsável pelo ingresso de US$ 313 milhões.


    O aumento da vinda de turistas, de acordo com o chefe do Depec, tem contribuído para elevar o volume de investimentos externos no setor de construção. No primeiro bimestre deste ano, os investimentos neste setor aumentaram dos US$ 13 milhões de 2006 para US$ 101 milhões.


     

  • Crédito inicia ano em ritmo acelerado

    O crédito ao consumidor começou o ano aquecido, mantendo o ritmo de crescimento do fim de 2006. É a primeira vez em dez anos que financeiras e bancos não registram queda no volume de empréstimos de dezembro para o primeiro trimestre.

    O crédito ao consumidor começou o ano aquecido, mantendo o ritmo de crescimento do fim de 2006. É a primeira vez em dez anos que financeiras e bancos não registram queda no volume de empréstimos de dezembro para o primeiro trimestre. O desempenho ratifica as projeções das instituições financeiras que esperam, em média, aumento de 25% nas carteiras de crédito ao consumidor com recursos livres para 2007.


    Além do cenário favorável do emprego, da recuperação da renda, da queda dos juros, com financeiras anunciando até “liquidação de dinheiro”, o que realmente faz a diferença em relação aos outros anos é o alongamento dos prazos de pagamento. É possível comprar hoje e começar a pagar em 60 dias, no caso de mercadorias, ou só em fevereiro do ano que vem, condição oferecida para o crédito consignado a pensionistas do INSS e aposentados.


    Apesar de a inadimplência continuar alta, porém sob controle, bancos e financeiras acreditam que esticar prazos não é tão arriscado. É que esse movimento ocorre exatamente no crédito consignado, linha cujo pagamento é quase certo, e na venda de veículos, que oferece garantias reais.


    Números do Banco Central (BC) apontam que, em 12 meses até janeiro, o crédito pessoal total atingiu R$ 196,5 bilhões, com crescimento de 22% no período. E um dos motores desse desempenho é a linha de crédito consignado com desconto em folha de pagamento, que aumentou 50% no período. A outra alavanca é o crédito para a compra de veículos, cujo saldo teve alta 24%. “É a primeira vez desde 1996 que não houve perda de fôlego na virada do ano”, afirma Ademir Cossiello, diretor-executivo do Bradesco. Ele destaca que é a primeira vez desde 1996 que não houve perda de fôlego na virada do ano.


    Cossiello conta que todas as linhas estão aquecidas. Sem revelar números, ele ressalta o bom desempenho do crédito consignado, da linha que antecipa a restituição do Imposto de Renda e do crédito para investimentos em empresas com recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).


    Ele diz que, pelas taxas de crescimento do primeiro trimestre, a meta do banco de fechar o ano com aumento médio de 25% na carteira de pessoa física e jurídica será atingida. “Dinheiro não é problema para nós. Vamos oferecer os volumes que o mercado quiser absorver.”


    Também para o Banco PanAmericano, do Grupo Silvio Santos, dinheiro não parece preocupar. Desde o início do mês, a instituição anunciou uma “liquidação de dinheiro”. Foram ofertados R$ 200 milhões com juros de quase um ponto porcentual menor para aquele consumidor que der em garantia seu carro. “Desse total, já emprestamos R$ 180 milhões”, diz o diretor Comercial do banco, Carlos Roberto Vilani.


    Ele conta que, além de reduzir juros, esticou prazos. Desde o mês passado, aos pensionistas do INSS e aposentados foi oferecida a possibilidade de obter o empréstimo e começar a pagar só em fevereiro do ano que vem ou na data do seu próximo aniversário. Anteriormente, a carência para o primeiro pagamento nessa linha de crédito era de 60 dias. O prazo total para quitar o empréstimo aumentou de três para seis anos.


    Ousadia


    Com uma carteira de crédito ao consumidor que encerrou 2006 em R$ 5,5 bilhões, 34% maior que no ano anterior, cerca de 80% dos empréstimos têm garantias reais ou estão ligados ao crédito consignado. Isso explica a ousadia na ampliação de prazos. Vilani confirma o aquecimento nos empréstimos no primeiro trimestre e observa que boa parte dos financiamentos que tem como garantia o carro ou a casa é procurada por profissionais liberais ou autônomos interessados em expandir seus negócios.


    Na Losango, promotora de crédito do HSBC, de janeiro até metade de março, o volume de empréstimo cresceu 30% em relação ao ano passado, segundo Henrique Frayha, presidente da Losango. “O consumidor olha o fluxo financeiro, isto é, se a prestação cabe no salário”, diz o executivo. Tanto é que o cartão ganhou destaque por conta do parcelamento em dez vezes sem juros e o consignado, pelo fato de oferecer parcelamento em 72 vezes.


    Em outros anos, a aposentada Terezinha Alves Monteiro, de 53 anos, não levaria o mesmo tempo para quitar o financiamento da casa e dos móveis. “Se parar para pensar assusta. Eu paguei a minha casa em três anos”, diz a viúva, mãe de três filhos. Ela só termina de pagar os móveis, financiadas em 36 vezes, em 2009.


     


     

  • Cresce o risco na baixa renda

    Pesquisa mostra que 59% dos consumidores que ganham até três mínimos estão inadimplentes

    Enquanto bancos e financeiras esticam prazos sem medo da inadimplência, alegando que ela está alta mas sob controle e que boa parte dos empréstimos tem garantias, pesquisas mostram que o quadro não é tão favorável assim, especialmente para o consumidor das camadas de menor renda.


    Dados da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomércio – SP) revelam que 59% dos consumidores que recebem até três salários mínimos mensais – ou R$ 1.050 – estão inadimplentes neste mês.

    Pesquisa mostra que 59% dos consumidores que ganham até três mínimos estão inadimplentes

    Enquanto bancos e financeiras esticam prazos sem medo da inadimplência, alegando que ela está alta mas sob controle e que boa parte dos empréstimos tem garantias, pesquisas mostram que o quadro não é tão favorável assim, especialmente para o consumidor das camadas de menor renda.


    Dados da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomércio – SP) revelam que 59% dos consumidores que recebem até três salários mínimos mensais – ou R$ 1.050 – estão inadimplentes neste mês. Em fevereiro, esse percentual era de 57%.


    É nesta faixa de renda que está a grande massa de consumidores que usam o crédito. Já na média geral dos 1.360 entrevistados pela entidade, a inadimplência é bem menor: estava em 40% no mês passado e agora, em 41%.


    A diretora da Assessoria Econômica da Fecomércio – SP, Fernanda Della Rosa, considera arriscado os índices de inadimplência atuais para as camadas de baixa renda e não vê com tranqüilidade o alongamento de prazos do crediário. Em sua análise, o consumidor procura o crédito porque não tem renda para manter o consumo e essa capacidade de pagar as contas em dia está se esgotando na baixa renda.


    Descontrole


    A diarista Avani Novaes Barbosa, de 48 anos e mãe de três filhos, vive hoje uma situação dramática. Sem alternativa para pagar as contas, foi pegando um empréstimo atrás do outro, até que as prestações das suas dívidas ficaram maiores que a sua própria renda.


    Resultado: Avani agora quer distância dos empréstimos. “Ganho R$ 700 por mês e só de crediário gasto R$ 800 com cinco financiamentos”, diz ela.


    Pela primeira vez na vida ela está inadimplente. Com o acidente de um filho e o desemprego de outro, Avani perdeu o pé das finanças. “Estou abalada com a situação: não durmo direito e emagreci seis quilos”, diz a diarista.


    Com dívidas acumuladas de R$ 5 mil, Avani diz que não vai voltar às compras tão cedo. “Só vou fazer compras de novo em 2008”, prevê. Nem mesmo as ofertas que dão um longo prazo de carência para o pagamento da primeira prestação atraem a diarista. “Não entro mais nessa de pagar mais para frente. Agora só vou comprar quando eu tiver dinheiro.”


    A partir de dados do Banco Central (BC), a RC Consultores faz uma análise que revela que o crédito consignado oculta hoje um nível crescente de inadimplência do consumidor.


    Considerando os atrasos entre 15 e 90 dias e acima de 90 dias, o estudo mostra que a inadimplência, excluindo o consignado, girava em torno de 28% dos créditos a receber em janeiro deste ano. Já se for levado em conta o crédito consignado, esse indicador cai para algo em torno de 11%.


    “Os bancos acreditam que existe potencial de crescimento de massa salarial, mas o risco está crescendo”, adverte o diretor da RC Consultores, Fabio Silveira.


    Ele observa que, neste ano, ainda há espaço para ampliar o crédito sem grandes riscos para o sistema por conta do consignado. Mas o economista ressalta que é preciso apoiar o crescimento do País cada vez mais no investimento e na produção e menos no crédito.


    Prazos Longos


    O vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel Ribeiro de Oliveira, diz que a corrida dos bancos para alongar prazos de pagamento e carência dos financiamentos é uma tentativa para garantir financiamentos com uma taxa de juros maior por um período mais longo.


    Como a tendência dos juros é de queda, as instituições financeiras, diz ele, querem garantir a rentabilidade futura maior, facilitando a venda hoje com prazos dilatados. É que, se elas deixarem para conquistar o consumidor mais para o fim do ano, quando os juros de mercado serão menores, a rentabilidade dos financiamentos certamente também será menor.


    Foi a facilidade de começar a pagar os móveis só em dezembro que a levou a aposentada Terezinha Alves Monteiro às compras. Ela conseguiu obter da loja uma carência de onze meses para começar a pagar as prestações da compra. Até lá, Terezinha pretende ter quitado o financiamento da casa própria, que vem sendo pago nos últimos três anos.


     


     

  • IPCA-15 sobe 0,41% em março puxado por alimentos

    As pressões nos preços de alimentos e combustíveis levaram a uma alta de 0,41% no Índice de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15), em março. Com o resultado, divulgado na sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o indicador acumulou alta de 2,95% nos últimos 12 meses.


    Apesar da desaceleração em relação ao mês de fevereiro (0,46%), a taxa ficou acima do esperado para o período, segundo o analista da Tendências Consultoria Integrada, Gian Barbosa, que estimava elevação de 0,30%. Para o IPCA deste mês ele espera elevação em torno de 0,40%.

    As pressões nos preços de alimentos e combustíveis levaram a uma alta de 0,41% no Índice de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15), em março. Com o resultado, divulgado na sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o indicador acumulou alta de 2,95% nos últimos 12 meses.


    Apesar da desaceleração em relação ao mês de fevereiro (0,46%), a taxa ficou acima do esperado para o período, segundo o analista da Tendências Consultoria Integrada, Gian Barbosa, que estimava elevação de 0,30%. Para o IPCA deste mês ele espera elevação em torno de 0,40%.


    De acordo com o IBGE, a alta do grupo alimentação e bebidas (1,21%), foi responsável por 60% do índice.