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  • Taxas de juros voltam a aumentar

    Depois de dez meses de queda, os juros cobrados pelos bancos voltaram a subir neste começo de ano. De acordo com levantamento do Banco Central, a taxa média praticada nos empréstimos bancários passou de 39,8% ao ano para 39,9% entre dezembro e janeiro.A elevação se concentrou nas operações de crédito a pessoas físicas, nas quais os juros médios subiram de 52,1% ao ano para 52,3%. Entre as empresas, a taxa ficou estável em 26,2%.


    Esse movimento reflete a alta do chamado spread bancário, que em janeiro chegou a 27,4 pontos percentuais, acima dos 27,2 pontos registrados em dezembro.

    Depois de dez meses de queda, os juros cobrados pelos bancos voltaram a subir neste começo de ano. De acordo com levantamento do Banco Central, a taxa média praticada nos empréstimos bancários passou de 39,8% ao ano para 39,9% entre dezembro e janeiro.A elevação se concentrou nas operações de crédito a pessoas físicas, nas quais os juros médios subiram de 52,1% ao ano para 52,3%. Entre as empresas, a taxa ficou estável em 26,2%.


    Esse movimento reflete a alta do chamado spread bancário, que em janeiro chegou a 27,4 pontos percentuais, acima dos 27,2 pontos registrados em dezembro. O spread é a diferença entre os juros que os bancos pagam para captar dinheiro no mercado e a taxa cobrada para repassá-lo para os clientes.


    Ao divulgar os dados, o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, disse que “o resultado de janeiro é pontual e não deve se repetir nos próximos meses. Segundo Lopes, é comum que ocorra, entre dezembro e janeiro, aumento nos juros. Isso se deve ao comportamento de muita gente nessa época do ano: em dezembro, usa-se o dinheiro do 13º salário para quitar algumas dívidas, principalmente no cheque especial.


    “O crédito que mais se demanda em janeiro é o cheque especial, que é o que tem a taxa mais elevada”, afirmou Lopes. Isso aumenta o peso dos juros do cheque especial no do custo médio dos empréstimos.


    Cheque Especial


    No mês passado, de acordo com a pesquisa do BC, os juros do cheque especial estavam em 141,9% ao ano – de longe, os mais altos entre todas as modalidades de crédito da pesquisa. Mas, além desse efeito estatístico, também houve aumentos em tipos específicos de empréstimo. Os juros dos financiamentos para a compra de veículos, por exemplo, passou de 32,3% ao ano para 32,7% entre dezembro e janeiro.


    Para Lopes, essa alta é conseqüência da maior procura por esse tipo de empréstimo. Ou seja, a demanda cresce e não é acompanhada, no mesmo ritmo, por uma maior oferta de crédito por parte dos bancos.


    Já nos empréstimos para empresas, também se observa um ligeiro aumento em algumas linhas de crédito, embora, na média, os juros tenham ficado estáveis no mês passado. Mas um dos maiores aumentos ocorreu, justamente, numa das linhas de crédito mais usadas por pessoas jurídicas, o financiamento para capital de giro. Nela, os juros foram de 31,1% ao ano para 32,0%. A taxa da chamada conta garantida – espécie de cheque especial para empresas, também bastante procurada – subiu de 64,8% ao ano para 65,4%.


    O crédito habitacional cresceu 2,6% em janeiro, mais do que a média das demais modalidades de financiamento bancário, que tiveram elevação de 0,7%, informou ontem o BCl. Em dezembro de 2006, a expansão do crédito foi de 2,3%. Com o avanço de janeiro, o estoque das operações de crédito aumentou de R$ 733,824 bilhões para R$ 738,719 bilhões. Em 12 meses até janeiro, o crescimento do crédito está acumulado em 21,4%. Apesar da alta, o crédito em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) permaneceu estável em janeiro em 34,3%.


    O aumento do crédito à habitação é uma tendência que se estabeleceu desde o ano passado, impulsionada pela queda dos juros, aumento do nível de emprego e novas facilidades para o financiamento da casa própria. “A expectativa é que a taxa continue a subir”, comentou o Altamir Lopes, ao divulgar o boletim sobre o mercado de crédito brasileiro no mês de janeiro.


    Outro sinal de força dos empréstimos habitacionais é o crescimento de 5,5% nos financiamentos feitos com recursos livres. Por lei, os bancos são obrigados a direcionar parte de seus recursos para o empréstimo habitacional. Em janeiro alguns cumpriram esse limite e ainda usaram parte de seus recursos “livres”. Esse montante chegou a R$ 1,278 bilhão em janeiro, um valor pequeno, admitiu Lopes. Mas o número confirma a tendência de crescimento do setor.


    Também o valor dos empréstimos tomados pelas pessoas físicas aponta na mesma direção. Em janeiro, os financiamentos com valor acima de R$ 50 mil cresceu 3%, enquanto na faixa de até R$ 5 mil o crescimento foi de 0,6%.


     


     


     


     


     

  • Sebrae quer facilitar o acesso ao crédito

    O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) quer estimular a implantação de soluções que facilitem o acesso de pequenas e microempresas a financiamentos bancários. Para o diretor de Administração e Finanças do Sebrae, Carlos Alberto dos Santos, um dos principais instrumentos para ampliar o volume de crédito às empresas de menor porte é a formação de associações de garantias de crédito entre os próprios empresários.

    O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) quer estimular a implantação de soluções que facilitem o acesso de pequenas e microempresas a financiamentos bancários. Para o diretor de Administração e Finanças do Sebrae, Carlos Alberto dos Santos, um dos principais instrumentos para ampliar o volume de crédito às empresas de menor porte é a formação de associações de garantias de crédito entre os próprios empresários.


    Segundo Santos, muitas micro e pequenas empresas não conseguem obter financiamentos junto aos bancos por não possuírem ativos suficientes para serem dados como garantia para calçar os empréstimos. Uma iniciativa piloto para solucionar esse problema já está funcionando na região de Caxias do Sul (RS), onde pequenos emicroempresários de 32 municípios se juntaram para formar a Associação de Garantia de Crédito (AGC) da Serra Gaúcha.


    A associação consiste na formação de um fundo garantidor, com dinheiro dos associados e de entidades que apóiam a iniciativa, como o próprio Sebrae. “Os associados se cotizam e formam essa cooperativa que dá aval para os sócios obterem empréstimos”. O dinheiro aportado nesse fundo é depositado nos bancos conveniados, que liberam os empréstimos após a própria associação “filtrar” quais operações de empréstimo requisitadas por seus associados são viáveis. “É uma espécie de crédito consignado para pessoas jurídicas”, resumiu o diretor do Sebrae.


    O fundo dos empresários da Serra Gaúcha conta com R$ 2,1 milhões aportados pelo Sebrae e outros US$ 1,8 bilhão do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Além da iniciativa no Rio Grande do Sul, o Sebrae está incentivando a formação de outras associações semelhantes no Distrito Federal e no Paraná.


    Santos informou também que o Sebrae está discutindo com o Ministério da Fazenda, Banco Central, Banco do Brasil e BNDES a possibilidade de se criar normas e padrões para a criação dessas associações de garantia de crédito. “Queremos estabelecer padrões operacionais mínimos para essas associações”, disse. Ele acrescentou que ainda está em discussão, dentro do governo, se essas normas poderiam ser implementadas por meio de projeto de lei ou se por uma determinação do Conselho Monetário Nacional (CMN).


     

     

  • Volume de cheques pré-datados diminui



    O volume de cheques pré-datados negociados em janeiro de 2007 registrou queda de 2,17% em relação a dezembro e de 0,89% em comparação a janeiro de 2006. Os dados da Telecheque, empresa de concessão de crédito no varejo, atestam que os brasileiros preferiram começar o ano emitindo cheques para pagamentos à vista em vez de pré-datados. Esta opção, segundo a Telecheque, apresentou aumento de 5,44% em janeiro deste ano frente a igual período de 2006.


    Entretanto, a preferência por pré-datados continua alta.



    O volume de cheques pré-datados negociados em janeiro de 2007 registrou queda de 2,17% em relação a dezembro e de 0,89% em comparação a janeiro de 2006. Os dados da Telecheque, empresa de concessão de crédito no varejo, atestam que os brasileiros preferiram começar o ano emitindo cheques para pagamentos à vista em vez de pré-datados. Esta opção, segundo a Telecheque, apresentou aumento de 5,44% em janeiro deste ano frente a igual período de 2006.


    Entretanto, a preferência por pré-datados continua alta. A Telecheque mostra que em todo o país houve uma movimentação de 69,94% de compras realizadas nesta modalidade de pagamento durante o primeiro mês de 2007.


    As compras de final de ano, como Dia das Crianças e Natal, normalmente parceladas por conta do alto volume, fizeram com que o consumidor se precavesse, optando assim pelo pagamento à vista em janeiro. É o que avalia o vice-presidente da Telecheque, José Antônio Praxedes Neto. “Diante do alto endividamento dos consumidores nos últimos meses de 2006, a opção por pagamentos com prazos menores foi a alternativa para não se perder com as dívidas e cair novamente no descontrole financeiro”, explica o executivo.


    Estados


    O Estado de Alagoas foi o que registrou a maior queda de cheques pré-datados na comparação com janeiro de 2006, de 16,24%. Na seqüência, destacaram-se os estados do Rio de Janeiro, onde o levantamento verificou baixa de 10,46% na variação anual, e o Paraná, que apresentou redução de 7,36%.


    Por sua vez, a opção pelo parcelamento mostrou crescimento na maioria dos estados. Na primeira colocação ficou o Maranhão, com um total de 84,41% de transações parceladas. O uso de pré-datados no estado também apresentou elevação de 30,63% na comparação com janeiro do ano passado, a maior alta entre os 19 estados pesquisados pela Telecheque.


    Em seguida, aparece Pernambuco, que acumulou 82,38% de pagamentos parcelados no primeiro mês do ano e verificou elevação de 5,89% na variação anual. O Estado de Minas Gerais aparece na terceira posição com índice de 77,25% em janeiro de 2007 e ligeira crescimento de 0,72% ante igual mês de 2006.


    De acordo com a Telecheque, oito estados apresentaram incremento de compras realizadas à vista em comparativo com janeiro de 2006. O indicador mais significativo neste cenário foi constatado pelo levantamento no Rio de Janeiro. No estado, a opção de compra à vista por parte dos consumidores apresentou aumento de 34,24%, acompanhado pelo Pará e Amazonas, com elevações de 32,62% e 23,12%, respectivamente.


     




     

  • Diminui o otimismo do consumidor, aponta FGV

    A decepção com o lento crescimento da economia e os atos de violência no Rio derrubaram a confiança do consumidor em fevereiro, que atingiu o menor nível em nove meses. Segundo informou ontem a Fundação Getúlio Vargas (FGV), o Índice de Confiança do Consumidor (ICC) caiu 1,3% no mês, ante alta de 0,6% em janeiro.


    Embora fatores sazonais também tenham pressionado o resultado, a FGV não descartou a possibilidade de que o cenário negativo possa ser o início de uma tendência, que se refletirá nos próximos resultados do indicador.

    A decepção com o lento crescimento da economia e os atos de violência no Rio derrubaram a confiança do consumidor em fevereiro, que atingiu o menor nível em nove meses. Segundo informou ontem a Fundação Getúlio Vargas (FGV), o Índice de Confiança do Consumidor (ICC) caiu 1,3% no mês, ante alta de 0,6% em janeiro.


    Embora fatores sazonais também tenham pressionado o resultado, a FGV não descartou a possibilidade de que o cenário negativo possa ser o início de uma tendência, que se refletirá nos próximos resultados do indicador. Para cálculo do ICC, foram pesquisados 2 mil domicílios em sete capitais, de 31 de janeiro a 16 de fevereiro.


    “Pelo que mostra o resultado, podemos dizer que o consumidor está mais insatisfeito com o presente, e menos otimista com o futuro”, avaliou o coordenador de sondagens conjunturais do Instituto Brasileiro de Economia da FGV, Aloísio Campelo.


    De janeiro para fevereiro, houve piora tanto nas avaliações do consumidor sobre o presente quanto nas previsões. O ICC é dividido em dois indicadores: o Índice de Situação Atual, que caiu 2,2% em fevereiro, ante queda de 0,7% em janeiro; e o Índice de Expectativas, que teve taxa negativa de 1% em fevereiro, ante alta de 1,5% em janeiro.


    Influências


    Na avaliação de Campelo, o cenário de fevereiro foi influenciado por fatores característicos do período. No segundo mês do ano, o humor do consumidor costuma registrar queda, devido ao número de contas para pagar nessa época do ano (como IPTU e IPVA), e aumentos nas mensalidades escolares.


    “Em fevereiro, normalmente, a tendência é uma “esfriada” na confiança do consumidor”, afirmou Campelo, acrescentando que, em fevereiro do ano passado, a queda no ICC foi mais forte: -2,1%. Entretanto, o economista admitiu que outros fatores não sazonais também contribuíram fortemente para a queda no humor do consumidor.


    Segundo o economista, a maioria dos entrevistados demonstrou que não está satisfeita com o lento crescimento econômico e considera que está mais difícil encontrar emprego. Além disso, a capital do Rio de Janeiro, a segunda de maior peso no cálculo do indicador – perdendo apenas para São Paulo -, foi afetada por atos de violência ocorridos no início do ano.


    “A insegurança foi citada espontaneamente pelos entrevistados (no Rio)”, disse. O caso do menino João Hélio Fernandes, de 6 anos, arrastado até a morte por bandidos durante um assalto a carro no Rio há algumas semanas, também foi citado várias vezes pelos entrevistados. Isso fez com que, ao se considerar apenas os resultados das entrevistas no Rio, o ICC registrasse queda de 3,5% em fevereiro na capital fluminense. “Isso contribuiu ainda mais para a baixa do indicador como um todo, no mês”, afirmou Campelo.


    A FGV também apurou, em fevereiro, resquícios da crise do setor aéreo. O percentual de pessoas que desejam viajar de férias atingiu no mês o patamar mais baixo da série histórica do ICC, iniciado em setembro de 2005. Apenas 22,9% informaram ter intenção de viajar nas férias – sendo que em janeiro esse percentual era de 27%.


     


     


     

  • Presidência da Câmara pode influenciar reforma ministerial

    A eleição de um presidente petista para comandar a Câmara dos Deputados poderá facilitar a relação do Congresso com o Executivo, mas não deverá reduzir o tamanho do PT na reforma ministerial programada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A opinião é de cientistas políticos que analisaram a eleição do deputado Arlindo Chinaglia para presidir a Casa nos próximos dois anos.

    A eleição de um presidente petista para comandar a Câmara dos Deputados poderá facilitar a relação do Congresso com o Executivo, mas não deverá reduzir o tamanho do PT na reforma ministerial programada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A opinião é de cientistas políticos que analisaram a eleição do deputado Arlindo Chinaglia para presidir a Casa nos próximos dois anos.


    Proximidade política

    Apesar da proximidade política entre Lula e Chinaglia, o cientista político da Câmara Antônio Octávio Cintra acredita que o presidente da República deverá oferecer cargos no Executivo para consolidar a relação com os parlamentares. Em relação ao PT, o cientista político crê que o partido não reduzirá seu apetite por posições, apesar de ter obtido a presidência da Câmara com o suposto auxílio do Executivo. “Com a falta de unidade programática da base, há três maneiras de consolidar o apoio ao governo: a oferta de cargos, o controle da máquina e a aprovação de emendas parlamentares. E isso vale também para o PT”, listou.


    O cientista político David Fleischer, da Universidade de Brasília, acredita que Lula será forçado e aumentar o número de ministérios para saciar os interesses do PT e do PMDB na composição do governo. “Quando o deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) foi eleito presidente da Câmara, o PT estava afetado pelos escândalos de ‘mensalão’ e teve que engolir a seco uma participação menor no governo. Agora isso mudou, e o partido se sente mais forte com a eleição do ano passado e com a vitória para a Presidência da Câmara”.


    Questionado se a eleição de Chinaglia não amenizaria a obrigação de Lula contemplar o PT, Fleischer comparou a situação atual com o período em que João Paulo Cunha exerceu a presidência da Câmara. “Naquela época, o apetite do PT não diminuiu, pelo contrário, houve o aparelhamento do Estado”. O cientista lembra ainda o fato de o PT ser formado por diversas tendências que não se sentiriam representadas por alguns nomes do partido nem compensadas pelo fato de Chinaglia ter sido eleito. “Democracia de coalizão é assim, o presidente da República tem que dividir o poder mesmo, tem que articular”, resumiu.


    Relevância

    O professor aposentado do Instituto de Ciência Política da UnB Otaciano Nogueira discorda de Fleischer e acredita que a eleição para presidente da Câmara será contabilizada na distribuição de cargos em uma eventual reforma ministerial. “A presidência da Câmara é um dos cargos mais relevantes do País, mais importante que qualquer ministro, é óbvio que isso vai entrar na conta da divisão de poder”, opina. Isso não significa, no entanto, que o PT aceitará ser excluído dos ministérios. “O PT vai continuar exercendo pressão para aumentar seu espaço porque esse jogo é legítimo do processo político. Às vezes, por ser aliado, se cobra mais”.


    Agência Câmara, 26 de fevereiro de 2007.

  • Cientistas políticos analisam poder de agenda da Câmara

    O poder de agenda do presidente da Câmara pode ajudar o Executivo no andamento de projetos de seu interesse. Essa é uma das principais vantagens de se ter um aliado à frente do Legislativo, na opinião de Antônio Octávio Cintra, cientista político da Câmara. A vitória de Arlindo Chinaglia, que estará a frente da Câmara pelos próximos dois anos, permite que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva supere o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso no tempo de convivência com um correligionário exercendo a presidência da Câmara.

    O poder de agenda do presidente da Câmara pode ajudar o Executivo no andamento de projetos de seu interesse. Essa é uma das principais vantagens de se ter um aliado à frente do Legislativo, na opinião de Antônio Octávio Cintra, cientista político da Câmara. A vitória de Arlindo Chinaglia, que estará a frente da Câmara pelos próximos dois anos, permite que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva supere o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso no tempo de convivência com um correligionário exercendo a presidência da Câmara. Enquanto Fernando Henrique, em oito anos de poder, teve apenas um deputado de seu partido ocupando o cargo (Aécio Neves entre 2001 e 2002), Lula já garantiu pelo menos quatro anos de presença correligionária na presidência da Casa (João Paulo Cunha entre 2003 e 2004 e Chinaglia para o mandato 2007/08).


    Cintra lembra que Lula nunca teve de conviver com um oposicionista na presidência da Casa, mas ressalta que isso não diminui a necessidade de negociação entre os poderes, especialmente porque a base de apoio ao governo federal “foi pouco coesa em termos programáticos, pelo menos no primeiro mandato”.


    Governos minoritários

    Cintra corrobora a opinião do cientista político Fabiano Santos, do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj), que vê pontos positivos na relação entre Executivo e Legislativo em governos minoritários, pois o presidente da República seria obrigado a negociar temas pontuais com os parlamentares. “Isso exigiria um relacionamento mais republicano. A relação entre os poderes seria de adversários e não de inimigos, a quem você tem que destruir”.


    Já o professor aposentado do Instituto de Ciência Política da UnB Otaciano Nogueira vê diferenças entre a atual relação do Executivo com o Legislativo e a existente no período de João Paulo Cunha. “Desde João Paulo mudou bastante, porque na legislatura passada a oposição era muito mais potente. Hoje a base aliada de Lula é mais ampla do que foi no primeiro mandato e durante os dois governos de Fernando Henrique, ainda que a bancada do PT tenha diminuído nesta legislatura em relação à legislatura passada”. Em 2002, o PT elegeu 91 deputados, mas encerrou o período com 82. Nas últimas eleições, o partido elegeu 83 deputados federais.


    Postura de ‘magistrado’

    O líder da minoria na Câmara, deputado Júlio Redecker (PSDB-RS), afirmou que a eleição de Arlindo Chinaglia não representará facilidades para o governo federal. Para o parlamentar, o Legislativo terá postura independente e a escolha de Chinaglia seguiu as regras da proporcionalidade vigentes. “Não acho que haverá subordinação, o Chinaglia representa um poder que tem regras próprias e chegou ao cargo por pertencer à segunda maior bancada [o PMDB, dono da maior bancada, cedeu o direito ao petista]. Temos que tratar isso como uma coisa normal e não seremos adversários do Chinaglia por isso. Quando o Aécio Neves foi presidente da Câmara, no Governo Fernando Henrique, o PT agiu assim também, não foi adversário do Aécio, mas do governo”, declarou.


    O deputado Márcio França (PSB-SP), líder do bloco que une PSB, PDT, PCdoB, PMN, PAN e PHS – da base aliada ao governo -, considera que a gestão de Chinaglia será semelhante à exercida pelo presidente anterior, deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), e será independente do Executivo nos trabalhos. “Não há compromisso de Chinaglia com o PT. No exercício da Presidência, ele é um magistrado e presidente de quem ganhou e de quem perdeu”, declarou. Para França, se o governo obtiver sucesso em votações na Casa não será por influência de Chinaglia, mas porque “os deputados são governistas”.


    Agência Câmara, 26 de fevereiro de 2007.

  • Formas de comercialização do pão francês em discussão na CMA

    A Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle (CMA) reúne-se nesta terça-feira (27), às 11h30, quando poderá discutir projeto que obriga os estabelecimentos comerciais a comercializarem o pão francês tanto por peso quanto por unidades de cinqüenta gramas. O projeto (PLS 294/06), de autoria do senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), recebeu parecer favorável do senador Heráclito Fortes (PFL-PI) e receberá decisão terminativa.

    A Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle (CMA) reúne-se nesta terça-feira (27), às 11h30, quando poderá discutir projeto que obriga os estabelecimentos comerciais a comercializarem o pão francês tanto por peso quanto por unidades de cinqüenta gramas. O projeto (PLS 294/06), de autoria do senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), recebeu parecer favorável do senador Heráclito Fortes (PFL-PI) e receberá decisão terminativa.


    Na justificação da proposta, o senador Antonio Carlos lembra que uma portaria do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro), publicada em outubro de 2006, obrigou que a venda do pão francês passasse a ser feita apenas por peso. Antes, a comercialização podia ser a peso ou por unidade, como ressalta o senador em sua justificativa.


    Essa alteração criou problemas, uma vez que os consumidores estavam habituados à venda por unidade, informou o senador. Na opinião de Antonio Carlos, a medida prejudicou especialmente os mais carentes, que vão fazer a compra “com o dinheiro contado” e acabam levando para casa menos unidades devido a variações de peso dos pães. O senador sugere então, em seu projeto, que os estabelecimentos sejam obrigados a oferecer as duas opções de venda – por peso ou unidade -, dando direito de escolha ao consumidor.


    Agência Senado, 26 de fevereiro de 2007.

  • Audiência discute Fórum Nacional de Previdência Social

    O Fórum Nacional de Previdência Social e O Papel do Parlamento no Fórum serão temas da audiência pública marcada para esta terça-feira (27), a partir das 10h, em reunião conjunta das Comissões de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) e de Assuntos Sociais (CAS).

    O Fórum Nacional de Previdência Social e O Papel do Parlamento no Fórum serão temas da audiência pública marcada para esta terça-feira (27), a partir das 10h, em reunião conjunta das Comissões de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) e de Assuntos Sociais (CAS). O ministro da Previdência e Assistência Social, Nelson Machado, deverá participar do debate, conforme requerimento para a audiência, de autoria do senador Paulo Paim (PT-RS).


    Instalado no último dia 12, o Fórum Nacional de Previdência Social foi instituído, no âmbito do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), pelo Decreto 6.019/07.


    Segundo a assessoria de imprensa do senador Paulo Paim, a audiência desta terça-feira deverá discutir as formas de condução, pelo Poder Legislativo, da votação da proposta do PAC e da regulamentação da reforma da Previdência para melhor atender aos anseios da sociedade.


    O Fórum, que tem o objetivo de fazer um diagnóstico da situação da Previdência Social no Brasil, será composto pelas seguintes entidades, representantes do governo federal, empregadores e empregados: Ministério da Previdência Social, Casa Civil, Ministério do Trabalho, Ministério do Planejamento, Ministério da Fazenda, Ministério do Desenvolvimento Social, Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, Central Autônoma de Trabalhadores, Central Geral dos Trabalhadores, Central Geral de Trabalhadores do Brasil, Central Única dos Trabalhadores, Confederação Brasileira de Aposentados, Pensionistas e Idosos, Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura, Força Sindical, Nova Central Sindical de Trabalhadores, Social Democracia Social, Confederação Nacional da Agricultura, Confederação Nacional do Comércio, Confederação Nacional das Instituições Financeiras, Confederação Nacional da Indústria e Confederação Nacional do Transporte. O presidente da CNC, Antonio Oliveira Santos, discursou, em nome dos empresários, durante a cerimônia de instalação do Fórum da Previdência no Palácio do Planalto.


    Do resultado do Fórum, poderão surgir proposições legislativas que serão encaminhadas à análise do Congresso Nacional.

  • Brasil é o 36º destino mais procurado

    Dados da OMT (Organização Mundial do Turismo) mostram que o Brasil é o 36º destino mais procurado no mundo. Em 2005, ano de referência do estudo, o país atraiu cerca de 5,4 milhões de turistas. O resultado indica um crescimento de 11,8% em relação ao ano anterior. O ritmo da expansão brasileira é superior à média mundial.

    Dados da OMT (Organização Mundial do Turismo) mostram que o Brasil é o 36º destino mais procurado no mundo. Em 2005, ano de referência do estudo, o país atraiu cerca de 5,4 milhões de turistas. O resultado indica um crescimento de 11,8% em relação ao ano anterior. O ritmo da expansão brasileira é superior à média mundial. Em 2005, o crescimento do setor de turismo foi de 5,3%.

    Apesar da crise da Varig e do setor aéreo, Lopes estima que o país tenha atraído ao menos 5 milhões de turistas no ano passado, mas os dados oficiais ainda não foram divulgados.

    O Brasil é o único país da América do Sul a fazer parte dos 40 destinos mais procurados no ranking da OMT. Ele figura atrás de países como Tunísia, África do Sul, República Tcheca e Arábia Saudita. A lista de primeiros colocados é formada predominantemente por europeus. A França, primeira da lista, atraiu 75,9 milhões de turistas em 2005, e a Espanha, a segunda no ranking, atraiu 55,9 milhões de estrangeiros.

    Segundo Sandra Carvao, chefe do departamento de Promoção e Marketing da Organização Mundial do Turismo, os dados são compilados a partir de informações dadas pelos próprios países.

    Em termos de receitas, o desempenho do Brasil é levemente inferior. Ele aparece como o 42º no ranking, com um total de US$ 3,9 bilhões em 2005, atrás de Indonésia, Hungria, Líbano, Nova Zelândia, entre outros. A participação de mercado do Brasil é de apenas 0,6%. Os dados sugerem que os gastos não acompanham o volume de entrada de turistas.

    Segundo José Francisco de Salles Lopes, diretor do departamento de pesquisas e estudos da Embratur, esse quadro está mudando nos últimos anos. “Estamos atraindo um turista com gasto médio cada vez maior. É um turista de maior qualidade e que fica mais tempo em viagem”, disse.

    Em janeiro, a entrada de dólares no Brasil com turistas estrangeiros bateu recorde e somou US$ 484 milhões. O resultado representa uma alta de 20,39% ante janeiro de 2006.

    Segundo Adonai Teles, pesquisador do Núcleo de Turismo da FGV, a posição do Brasil no ranking deve ser relativizada por conta do grande fluxo de viagens de turistas europeus no próprio continente.

    “Os europeus viajam entre os países da Europa com todo tipo de vantagem, e os dados incluem tanto o turista que vai para passar férias como estudantes. Eles são beneficiados pela questão geográfica e pelo poder aquisitivo elevado. Outros países que aparecem na lista fizeram um trabalho específico de marketing para atrair turistas, como a África do Sul.”

    Segundo Lopes, o país tem tentado elevar sua atratividade com uma participação maior em feiras e com a criação de escritórios brasileiros de turismo no exterior. Esses escritórios têm contato permanente com agentes de viagem e ajudam a promover o país.


    Rio

    O Rio de Janeiro continua a ser o principal destino para o turista estrangeiro. Em 2005, cerca de 900 mil turistas visitaram a cidade. O segundo destino mais procurado é Foz do Iguaçu. Como região, o Nordeste é o principal destaque, com aumento de freqüências de vôos charter que ligam a Europa a cidades no litoral.

    A próxima meta da Embratur é atrair chineses e japoneses. “Eles não viajam em busca de praia. Em Foz do Iguaçu, recebemos 17 mil chineses e 15 mil japoneses no ano passado. Queremos aumentar esse número.”


     

  • Cofins já responde por 25% da receita da União e vale 4,4% do PIB

    A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) é hoje o tributo mais importante do governo federal, depois do Imposto de Renda (IR). Sua arrecadação cresceu tanto nos últimos anos que já representa quase 25% do total recolhido pela União. Quando somada à de outro tributo que também incide sobre o faturamento das companhias – o PIS/Pasep -, sua participação na receita total do governo chega a 30%.

    A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) é hoje o tributo mais importante do governo federal, depois do Imposto de Renda (IR). Sua arrecadação cresceu tanto nos últimos anos que já representa quase 25% do total recolhido pela União. Quando somada à de outro tributo que também incide sobre o faturamento das companhias – o PIS/Pasep -, sua participação na receita total do governo chega a 30%. O IR, cobrado de empresas e pessoas físicas, arrecada pouco mais – 35% do total.  


    Considerado pelos especialistas um mau tributo, porque provoca distorções na economia, a Cofins recolheu aos cofres públicos, em 2006, R$ 92,4 bilhões, equivalente a pouco mais de 4% do Produto Interno Bruto (PIB). Nem sempre foi assim. Em 1992, a contribuição respondeu por 8,2% do total arrecadado. Nos anos seguintes, elevações de alíquota, mudanças na forma de cobrança e ampliação da incidência praticamente triplicaram a participação do tributo no conjunto dos impostos federais.  


    Em 2003, o governo Lula instituiu a cobrança da Cofins sobre produtos e serviços importados, uma medida adotada supostamente para equalizar o tratamento tributário dado a mercadorias produzidas no Brasil e no exterior. Na prática, a mudança diminuiu a competitividade dos importados no mercado nacional e rendeu à União uma arrecadação adicional, em 2004, de R$ 13,9 bilhões.  


    Há três anos, atendendo a uma antiga demanda do setor privado, o governo tentou corrigir uma distorção da Cofins – a cumulatividade, que onera principalmente os setores da economia com cadeias produtivas mais longas e que agregam mais valor a seus produtos. Ao fazer a mudança, a Secretaria da Receita Federal, preocupada em não perder arrecadação, aumentou a alíquota da contribuição de 3% para 7,6% – um ano antes, havia feito a mesma mudança no regime de cobrança do PIS, elevando a tarifa de 0,65% para 1,65%. 

     


    O efeito da mudança na arrecadação foi extraordinário. Em 2002, a Cofins arrecadou R$ 52,2 bilhões. Quatro anos depois, esse resultado engordou 77%. Nenhum tributo avançou tanto no período quanto a Cofins. 

     


    Responsável pela formulação da mudança no regime de cobrança da Cofins – o assunto vinha sendo discutido desde a gestão Fernando Henrique Cardoso -, o ex-secretário da Receita Everardo Maciel reconhece que o fisco exagerou na calibragem da alíquota. “Quem botou essa alíquota, que ficou realmente turbinada, fui eu, porque não havia elementos que assegurassem qual seria a exata proporção depois que fizéssemos a mudança do sistema. Mas eu disse na época que o que íamos fazer era experimental”, explica Everardo. “Está na lei que a alíquota deveria ser revista no prazo de um ano a partir do resultado da arrecadação. Não foi.” 

     


    Quando o governo concordou em acabar com a cumulatividade da Cofins, sabia que a mudança geraria ganhos para alguns setores e perdas para outros. Em linhas gerais, quem venceu foram os supermercados, que têm margem pequena de agregação de valor e as grandes empresas industriais – razão pela qual, lembra Everardo, o empresário Jorge Gerdau Johannpeter insistiu tanto para que o governo alterasse a forma de cobrança da contribuição. “Quanto maior a cadeia produtiva, maior o benefício da não-cumulatividade”, observa o economista Rogério Miranda, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA). 

     


    No grupo dos perdedores, estão os prestadores de serviços e o agronegócio, que agregam menos valor a seus produtos. Para esses setores, o aumento de alíquota teve impacto brutal. A situação chegou a um ponto que, recentemente, escritórios de advocacia tributária, instados por empresas do setor de serviços, solicitaram a Everardo a elaboração de uma proposta que permita ao setor voltar a pagar a Cofins de forma cumulativa. 

     


    “Eu faço o trabalho, mas, antes, venham aqui com um pedido de desculpas”, brinca o ex-secretário, referindo-se à velha demanda do setor privado pelo fim da cumulatividade da contribuição. 

     


    Há uma curiosidade que derruba, em parte, a celeuma criada em torno da cumulatividade da Cofins. No sistema tributário brasileiro, as empresas podem optar pela tributação com base no lucro presumido, um sistema simplificado e menos oneroso de pagamento do Imposto Renda, ou pelo lucro real, que exige das companhias a apresentação de todos os documentos fiscais comprobatórios de suas atividades. Atualmente, apenas 7% das empresas são tributadas com base no lucro real; 20% pagam pelo lucro presumido e 73% pelo Simples (o regime das micros e pequenas empresas). 

     


    Ocorre que tanto no Simples quanto no sistema de lucro presumido, o pagamento da Cofins é feito de forma cumulativa. “Conclui-se, portanto, que, opcionalmente, o contribuinte brasileiro pessoa jurídica, em 93% dos casos, prefere o regime cumulativo. Trata-se da maioria esmagadora”, pondera Everardo. “Só está no Cofins cumulativo quem está no lucro presumido, que, por sua vez, é opcional. No lucro real, a Cofins é não-cumulativa.” 

     


    A alíquota efetiva média do lucro presumido – o quociente entre o que as empresas pagam e suas receitas – é 3,87%. Já a do lucro real é 1,22%. Ainda assim, há mais empresas optando pela tributação do presumido, portanto, pelo pagamento da Cofins cumulativa. A razão está no chamado custo de conformidade, ou seja, no custo que as empresas têm para pagar impostos. “Os custos no lucro presumido são muito menores e a segurança é muito maior”, diz o ex-secretário. 

     


    Na prática, a Cofins acabou se transformando numa espécie de “adicional do Imposto de Renda”. “A base de cálculo é igual. Nas empresas que estão no lucro presumido, a base do IR é a receita bruta, a mesma da Cofins e do PIS. Realmente, a Cofins não é um bom tributo”, diz Everardo. “Também provoca distorções, porque não depende do lucro da empresa, e sim do faturamento”, acrescenta Miranda, do Ipea. 

     


    O que fez o governo federal aumentar de maneira forte a arrecadação da Cofins e de outras contribuições, como o PIS, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e a CPMF foi o fato de não estar obrigado legalmente a repartir com Estados e municípios as receitas desses tributos. Desde o início dos anos 80, antes mesmo da promulgação da Constituição, que agravou ainda mais a situação, aumentaram-se as transferências da União para os outros entes da federação. Além disso, o governo federal ganhou atribuições, como a universalização dos serviços de saúde. 

     


    “Uma combinação perversa de perda de receita com aumento de despesa. O procedimento de caráter compensatório foi a União elevar as contribuições”, sintetiza Everardo. Na sua avaliação, o problema está, portanto, na partilha de rendas entre os entes da federação. Ela foi feita nos anos 60 e é focada no IR e no Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). “Se cortarmos hoje a Cofins, teremos que aumentar muito a carga tributária. A partilha ideal seria o conjunto dos tributos federais e não um ou outro imposto”, defende o ex-secretário. 

     


    O governo Lula, que recentemente anunciou que pretende avançar as discussões da reforma tributária, paralisadas desde 2003 no Congresso, está diante de uma armadilha. A receita da Cofins e de tributos como a CPMF cresceu de tal forma que os governadores estão exigindo a repartição do bolo. Além disso, fica difícil mexer nos impostos “ruins”, porque eles são justamente os que mais arrecadam. Miranda chama a atenção para a má qualidade do “mix” tributário. “O IPI, que é um imposto sobre valor agregado, com boas características, está perdendo espaço especialmente para as contribuições, que são tributos distorcidos, particulamente a CPMF”, explica o economista. 

     


    De fato, a participação do IPI no bolo tributário federal recuou de 20% em 1992 para 7,18% em 2006. “O ‘mix’ tributário é muito ruim. Não se faz nenhum esforço para melhorá-lo. A carga de quase 40% do PIB é ruim por si só, mas tendo o ‘mix’ tributário que temos, pioram ainda mais as condições econômicas. Seria muito melhor uma carga tributária de 40% do PIB no IR e no IPI, do que de 40% de CPMF”, compara Miranda. 


    Receita descarta revisão nas alíquotas da Cofins

     

    A Cofins deixou de ser cumulativa em 2004. Passou, portanto, a ser tributo sobre o valor agregado. O secretário-adjunto da Receita Federal, Carlos Alberto Barreto, diminui a relevância do salto de arrecadação que esse tributo deu. Para o secretário, o mais adequado é verificar a relação entre a receita da Cofins e o Produto Interno Bruto (PIB). Mesmo neste cálculo, que o secretário prefere, o imposto explodiu em arrecadação, dando um pulo de 1,01% em 1992 para 4,48% em 2005.


    A Receita informa que, em 1990, o Finsocial, precursor da Cofins, arrecadou o equivalente a 1,6% do PIB. A arrecadação da Cofins, em 1992, representou 1,01% do PIB. Em 2002, esse tributo arrecadou 3,78% do PIB. Em 2005, chegou a 4,48%. Um fator que explica o aumento da arrecadação, segundo Barreto, é a cobrança sobre instituições financeiras, em 1999, e a incidência sobre as importações, em 2004. 




    “A Cofins era distorciva no regime cumulativo. As importações não eram tributadas, as empresas eram forçadas a verticalizar sua produção, os exportadores não conseguiam ver seus créditos reconhecidos e o fisco tinha imensa dificuldade em desonerar os bens de capital”, comenta Barreto. 




    A Receita admite que a Cofins é um tributo de apuração complexa porque, no regime não cumulativo, permite o desconto dos valores pagos em etapas anteriores da produção. “O regime da Cofins cumulativa era simples, mas distorcivo. Optou-se por um modelo mais sofisticado, porém mais justo. A vantagem é a não cumulatividade, que tem formas complexas em todo o mundo”, justifica o secretário. 




    Nesse ambiente complexo, a Receita revela que a maior parte das consultas sobre Cofins enviadas pelos contribuintes é com relação aos insumos que dão direito a crédito. Em segundo lugar, vêm as dúvidas sobre o crédito presumido na atividade agroindustrial. Outros temas freqüentes nas consultas são a imunidade nas exportações de serviços e o desconto de créditos na revenda de produtos monofásicos. 




    Sobre a polêmica da necessidade de revisão da alíquota de 7,6% adotada a partir de 2004 – ela era de 3% no regime cumulativo – Barreto afirma que foi desnecessária porque, segundo a Receita, a alíquota estava calibrada, sem distorção para produção e preços na economia. 




    Barreto informa que a Receita não recebeu pedido para que o setor de serviços volte a recolher a Cofins no regime cumulativo. Mas adianta que não há como atender a essa reivindicação sem reduzir a arrecadação e desequilibrar a dinâmica econômica. “Fora do lucro presumido, pode ter ocorrido uma redistribuição da carga, setorialmente. Mas o Estado tem de olhar para todos”, explica o secretário-adjunto. 




    Ainda recolhem PIS e Cofins no regime cumulativo os setores de telecomunicações, construção civil, transporte aéreo, educação e saúde. O modelo original previsto pelo governo não contemplava essas exceções, mas o Congresso assim determinou. 




    Os críticos da Cofins costumam apontar que esse tributo prejudica as cadeias mais curtas e as que agregam pouco valor aos seus produtos. O agronegócio é o exemplo mais citado. Mas Barreto contesta esses argumentos e diz que, pelo fato de esse setor usar insumos de pessoas físicas, criou-se o crédito presumido. Do valor das compras feitas de agricultores, a indústria ligada à agricultura tem direito a um crédito presumido de 35%. Para a pecuária, é de 60%. Na agricultura, fertilizantes, sementes, adubos e medicamentos veterinários não pagam PIS e Cofins.