Blog

  • Inflação no varejo surpreende e sobe 0,86%

    Pressionada por alimentos com os preços em alta e mensalidades escolares mais caras, a inflação no varejo disparou na primeira semana de janeiro. O Índice de Preços ao Consumidor – Semanal (IPC-S), primeiro indicador de inflação de 2007, subiu 0,86% no período, bem acima do apurado na semana anterior (0,63%). A magnitude da elevação surpreendeu o mercado financeiro, que esperava resultado de no máximo 0,82%, e foi a maior taxa do índice em 77 semanas.

    Pressionada por alimentos com os preços em alta e mensalidades escolares mais caras, a inflação no varejo disparou na primeira semana de janeiro. O Índice de Preços ao Consumidor – Semanal (IPC-S), primeiro indicador de inflação de 2007, subiu 0,86% no período, bem acima do apurado na semana anterior (0,63%). A magnitude da elevação surpreendeu o mercado financeiro, que esperava resultado de no máximo 0,82%, e foi a maior taxa do índice em 77 semanas. O índice foi anunciado ontem pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).


    Para o economista da instituição, André Braz, o próximo IPC-S deve continuar em aceleração. “Parece que esse efeito de alta nos preços dos alimentos não deve ceder. E a parte de educação, pressionada por mensalidades escolares, deve continuar a apresentar alta”, afirmou. Mas observou que esses efeitos são sazonais e característicos dessa época do ano. “O IPC-S sempre sobe em janeiro”, disse.


    Entretanto, ao se comparar com resultados anteriores de igual período, ou seja, referentes à primeiras semana de janeiro, a taxa anunciada ontem foi a maior em toda série histórica do indicador, iniciada em janeiro de 2003. O resultado superou os de 2004 (0,37%); de 2005 (0,72%); e de 2006 (de 0,69%). Não há resultado para 2003 porque o índice começou a ser apurado na quarta semana do primeiro mês daquele ano.


    Entre a última semana de dezembro do ano passado e a primeira semana de janeiro deste ano, os preços dos alimentos in natura subiram fortemente, levando ao fim deflações em hortaliças e legumes (de -1,51% para 2,08%); e em frutas (de -1,57% para 2,03%).


    Braz explicou que, em janeiro, os preços dos in natura costumam subir mais, devido ao impacto das mudanças de clima nas lavouras desse tipo de produto. Com isso, a produção acaba sendo prejudicada, diminuindo a oferta e aumentando os preços. “O verão sempre conta com mais chuvas e calor intenso. Os efeitos disso sempre acabam aparecendo na inflação, por meio dos alimentos in natura”, disse.


    Além disso, as recentes chuvas, além de afetar o desempenho da produção, também inibe a oferta devido a uma influência logística. Por conta dos temporais, houve quedas de barreiras e danos em estradas – o que prejudica o transporte dos alimentos aos mercados de consumo.


    No caso das mensalidades, houve a aceleração de preços em cursos formais (de 0,0% para 1,05%), no período. Braz lembrou que janeiro é conhecido como mês de reajustes nos preços desse serviço.


     

  • Volume é o maior desde 2000

    O ano passado foi o mais ativo em negócios de fusões e aquisições envolvendo empresas brasileiras desde 2000. Segundo levantamento da Thomson Financial, em 2006 companhias locais foram alvo de compras no valor de US$ 33,2 bilhões – em 2000, com a bolha da internet, e mais US$ 10 bilhões em privatizações, o total ficou em US$ 42,2 bilhões.

    O ano passado foi o mais ativo em negócios de fusões e aquisições envolvendo empresas brasileiras desde 2000. Segundo levantamento da Thomson Financial, em 2006 companhias locais foram alvo de compras no valor de US$ 33,2 bilhões – em 2000, com a bolha da internet, e mais US$ 10 bilhões em privatizações, o total ficou em US$ 42,2 bilhões. Antes de 2000, o recorde havia sido em 1998: apenas as privatizações, puxadas pelo setor de telecomunicações, somaram US$ 35,7 bilhões naquele ano, de acordo com dados do BNDES.


     O total movimentado no ano passado foi três vezes maior do que os US$ 11 bilhões de 2005.

    A grande novidade deste novo ciclo de fusões e aquisições no Brasil é o papel de comprador exercido por grandes empresas locais. Considerando também estes negócios – onde o caso mais relevante foi o da venda da mineradora canadense Inco para a Vale do Rio Doce, por US$ 18 bilhões – o volume chega a US$ 71,9 bilhões.


    Esse montante é equivalente a 2% dos US$ 3,8 trilhões em operações que foram anunciadas no mundo no ano passado. Em termos globais, os negócios foram liderados pelo banco de investimento norte-americano Goldman Sachs, também segundo a Thomson Financial. A agência de notícias Bloomberg News divulgou ontem que a expectativa de analistas de diversos bancos de investimento para este ano é de um crescimento de mais 10% em 2007 nos negócios de fusões e aquisições.


    Apetite brasileiro


    A participação de grandes empresas brasileiras como compradoras, raridade até alguns anos, vem ganhando corpo recentemente: somente no ano passado elas gastaram cerca de US$ 25 bilhões comprando companhias estrangeiras. Real valorizado, queda do risco-País, excesso de liquidez internacional são os motivos que estão por trás do apetite das empresas locais. É bem provável que o movimento não pare tão cedo: com a liderança do setor bancário privado ameaçada pelo Itaú, o Bradesco, segundo analistas, se prepara para crescer comprando um concorrente – provavelmente um estrangeiro. A siderúrgica CSN também continua no páreo pela aquisição da anglo-holandesa Corus, em embate com a indiana Tata que deve ser decidido até o final do mês – o negócio deve superar os US$ 10 bilhões. O Credit Suisse esteve à frente de US$ 46,9 bilhões no total de negócios envolvendo empresas brasileiras. O banco também lidera o ranking que considera apenas as brasileiras como alvo de aquisições.


    Na América Latina, a liderança ficou com o Citigroup, que participou de US$ 57 bilhões dos US$ 112,5 bilhões totais realizadas na região no ano passado. “Queremos alcançar a liderança também na América Latina”, disse recentemente a este jornal Ricardo Lacerda, diretor da área de investment banking do Citi.


    Segundo Eduardo Centola, responsável pelas operações do Goldman no Brasil, o ranking por negócios anunciados é mais relevante do que o dos efetivamente fechados porque revela tendência mundial. Considerando apenas este segundo grupo – o dos completados -, o volume cai a US$ 2,9 trilhões – mas a liderança continua com o Goldman Sachs, que esteve envolvido em 33,1% das transações (ou o equivalente a US$ 951,7 bilhões). No Brasil, segundo a Thomson, os negócios anunciados e concluídos somam aproximadamente o mesmo valor – US$ 33,2 bilhões. Em ambos os casos, contudo, o montante inclui apenas empresas brasileiras que foram compradas por estrangeiras, como os casos do Banco Pactual pelo suíço UBS (por US$ 2,5 bilhões) e a Hedging-Griffo pelo Credit Suisse, por US$ 300 milhões. A compra da Inco pela Vale, citada acima, não entra nesta estatística, nem a do BankBoston pelo Itaú (por US$ 2,2 bilhões), e a American Express pelo Bradesco por US$ 500 milhões.


    O levantamento da Thomson Financial mostra ainda que entre negócios anunciados, a maior parte está no setor elétrico; em seguida aparecem os negócios entre instituições financeiras

  • Balança comercial registra superávit de US$ 617 milhões

    Na primeira semana do ano, o saldo da balança comercial registrou superávit de US$ 617 milhões, resultado de exportações na ordem de US$ 2,023 bilhões (média de U$ 505,8 milhões por dia) e importações de US$ 1,406 bilhão (média diária de 351,5 milhões). Para este ano, a expectativa do Ministério do Desenvolvimento é exportar US$ 152,0 bilhões.


    Na análise comparativa a dezembro de 2006, a media das exportações na primeira semana de 2007 é 17,3% menor, enquanto que a média das importações é 2,7% inferior.

    Na primeira semana do ano, o saldo da balança comercial registrou superávit de US$ 617 milhões, resultado de exportações na ordem de US$ 2,023 bilhões (média de U$ 505,8 milhões por dia) e importações de US$ 1,406 bilhão (média diária de 351,5 milhões). Para este ano, a expectativa do Ministério do Desenvolvimento é exportar US$ 152,0 bilhões.


    Na análise comparativa a dezembro de 2006, a media das exportações na primeira semana de 2007 é 17,3% menor, enquanto que a média das importações é 2,7% inferior. Na primeira semana do ano passado (que teve um dia útil a mais), a balança comercial registrou superávit de US$ 745 milhões.


     

  • IPC-S acelera 0,86% na primeira prévia do mês

    O Índice de Preços ao Consumidor – Semanal (IPC-S), apurado pela Fundação Getúlio Vargas, passou de 0,63% no fechamento de dezembro de 2006 para 0,86% na semana até 7 de janeiro, a primeira prévia do mês. O índice foi puxado principalmente pelos preços em alta dos alimentos in natura e as mensalidades escolares.

    O Índice de Preços ao Consumidor – Semanal (IPC-S), apurado pela Fundação Getúlio Vargas, passou de 0,63% no fechamento de dezembro de 2006 para 0,86% na semana até 7 de janeiro, a primeira prévia do mês. O índice foi puxado principalmente pelos preços em alta dos alimentos in natura e as mensalidades escolares. De acordo com a FGV, essa foi a maior taxa desde a terceira semana de maio de 2005.


    O segmento Alimentação contribuiu com a aceleração da inflação medida pelo IPC-S com 0,78%; a maior alta percentual foi de Transportes, que subiu 2,93%; Vestuário também apresentou alta, de 0,82%. Segundo a FGV, o IPC-S deve continuar sua aceleração na próxima quadrissemana, quando sairá o indicador relativo ao período que se encerra em 15 de janeiro. 

  • Deputados discutem candidatura alternativa à Presidência

    Deputados de vários partidos estão reunidos em São Paulo para discutir uma candidatura alternativa à Presidência da Câmara. O grupo tem parlamentares de partidos como PPS, PV, Psol e PSDB, além de deputados independentes que integram legendas governistas, como o PSB e o PMDB. O programa e as diretrizes da campanha serão definidos no encontro.


    Um dos articuladores da reunião, o vice-líder do PPS, deputado Raul Jungmann (PE), afirma que o grupo defende uma alternativa às candidaturas de Aldo Rebelo (PCdoB-SP) e Arlindo Chinaglia (PT-SP) que resgate a independência da Câmara.

    Deputados de vários partidos estão reunidos em São Paulo para discutir uma candidatura alternativa à Presidência da Câmara. O grupo tem parlamentares de partidos como PPS, PV, Psol e PSDB, além de deputados independentes que integram legendas governistas, como o PSB e o PMDB. O programa e as diretrizes da campanha serão definidos no encontro.


    Um dos articuladores da reunião, o vice-líder do PPS, deputado Raul Jungmann (PE), afirma que o grupo defende uma alternativa às candidaturas de Aldo Rebelo (PCdoB-SP) e Arlindo Chinaglia (PT-SP) que resgate a independência da Câmara. “Nenhuma das duas candidaturas postas rompe com a legislatura anterior, que foi a pior da nossa história, marcada por escândalos”, diz.


    Para Jungmann, a Câmara precisa ser um exemplo moral e ético. Além disso, ele avalia que as duas candidaturas até agora apresentadas “são expressão de um servilismo, de um imobilismo e de uma servidão [do Legislativo] ao Poder Executivo”.


    Nomes cogitados

    Vários nomes são cogitados para assumir a candidatura alternativa. Entre eles, os dos deputados Fernando Gabeira (PV-RJ), Osmar Serraglio (PMDB-PR) e Luiza Erundina (PSB-SP). Jungmann informa, no entanto, que a prioridade do grupo é definir os pontos programáticos da campanha. Ele cita como exemplos a reforma do Regimento Interno da Câmara, a reestruturação do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar e da Corregedoria da Casa, a definição de regras claras quanto à fixação dos salários dos parlamentares e à revisão das normas relativas à edição de medidas provisórias.


    O líder do Psol, deputado Chico Alencar (RJ), vai levar para a reunião sugestões que garantam maior autonomia para o Legislativo. Para ele, as candidaturas de Chinaglia e de Aldo têm “atrelamento demasiado” ao Poder Executivo. Alencar também defende maior transparência na Câmara e o fim da impunidade para os parlamentares que praticam delitos.


    Após a definição do conteúdo programático, os deputados pretendem ampliar o apoio ao grupo por meio de consulta aos líderes de outros partidos. A intenção inicial é definir o nome do candidato à presidência da Câmara somente depois desses contatos.


    Agência Câmara, 8 de janeiro de 2007.




     

  • Sesc Arsenal abre programação cultural de 2007 com mostra fotográfica

    O Sesc Arsenal, localizado na capital do Mato Grosso, Cuiabá, inaugura o calendário de eventos deste ano com a exposição fotográfica A Grandeza do Ínfimo, do fotógrafo Roberto Okamura, que fica em cartaz de 18 de janeiro a 18 de fevereiro (de terça a domingo), na unidade do Sesc no Bairro Centro Sul.

    O Sesc Arsenal, localizado na capital do Mato Grosso, Cuiabá, inaugura o calendário de eventos deste ano com a exposição fotográfica A Grandeza do Ínfimo, do fotógrafo Roberto Okamura, que fica em cartaz de 18 de janeiro a 18 de fevereiro (de terça a domingo), na unidade do Sesc no Bairro Centro Sul. O objetivo da entidade é fazer com que a produção artístico-cultural transforme-se em um real instrumento de transformação dos indivíduos e da sociedade.


     


    Com entrada franca, a exposição conta com um acervo de aproximadamente 40 fotografias de Okamura, que iniciou seus trabalhos na área em 1987 e, a partir de 1990, passou a trabalhar também com a técnica de fotos subaquáticas. Autodidata, sua principal referência é a natureza, tema também da exposição em carta no Sesc Arsenal. Em 2001 participou e foi premiado com o 1º lugar na categoria amador no 3º Salão Mato-grossense de Fotografia. Cinco de seus trabalhos foram selecionados para a exposição internacional Wonders of Dragonflies World na então Sérvia-Montenegro, no ano de 2005.


     

  • Urna eletrônica vai agilizar eleição da Mesa da Câmara

    Os deputados eleitos em outubro tomarão posse no próximo dia 1º, às 10 horas. No mesmo dia, às 15 horas, serão eleitos o presidente da Casa e os demais integrantes da Mesa Diretora. Neste ano, pela primeira vez, essa eleição será feita por meio de urna eletrônica, que substitui as cédulas de papel. A estimativa da Secretaria-Geral da Mesa é que o pleito esteja encerrado em três ou quatro horas, se não houver segundo turno. As votações pelo método anterior demoravam de oito a dez horas.


    Haverá oito urnas eletrônicas no plenário, em cabines indevassáveis.

    Os deputados eleitos em outubro tomarão posse no próximo dia 1º, às 10 horas. No mesmo dia, às 15 horas, serão eleitos o presidente da Casa e os demais integrantes da Mesa Diretora. Neste ano, pela primeira vez, essa eleição será feita por meio de urna eletrônica, que substitui as cédulas de papel. A estimativa da Secretaria-Geral da Mesa é que o pleito esteja encerrado em três ou quatro horas, se não houver segundo turno. As votações pelo método anterior demoravam de oito a dez horas.


    Haverá oito urnas eletrônicas no plenário, em cabines indevassáveis. As urnas foram desenvolvidas pela Coordenação do Sistema Eletrônico de Votação da Câmara, que é responsável pela manutenção do painel eletrônico.


    A Mesa da posse será composta apenas pelo presidente Aldo Rebelo, já que o mandato dos atuais componentes terá expirado. Entretanto, Aldo não poderá presidir a sessão, porque é candidato. O presidente deverá ser o deputado mais idoso entre os que tiverem maior número de mandatos. Nessa sessão, apenas os candidatos à Presidência poderão discursar.

     

    Agência Câmara, 5 de janeiro de 2007.

  • Senado aprovou mais de 900 matérias em 2006

    Durante a sessão legislativa ordinária de 2006, entre 15 de fevereiro e 22 de dezembro (não houve recesso em julho), o Senado analisou 972 matérias e aprovou 925. Entre as aprovadas, estão 53 medidas provisórias (MPs), 66 projetos que foram à sanção (entre projetos de lei de conversão e provenientes da Câmara ou do Senado), além de 496 projetos que foram à promulgação (projetos de decreto legislativo ou de resolução).Mais 131 projetos foram enviados à Câmara.

    Durante a sessão legislativa ordinária de 2006, entre 15 de fevereiro e 22 de dezembro (não houve recesso em julho), o Senado analisou 972 matérias e aprovou 925. Entre as aprovadas, estão 53 medidas provisórias (MPs), 66 projetos que foram à sanção (entre projetos de lei de conversão e provenientes da Câmara ou do Senado), além de 496 projetos que foram à promulgação (projetos de decreto legislativo ou de resolução).Mais 131 projetos foram enviados à Câmara. Também foram aprovadas 38 indicações de embaixadores e 32 de outras autoridades.


    Entre as matérias de destaque, está a PEC 9/06, aprovada pelo Senado em julho, que deu origem ao Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb). A expectativa do governo é que esse fundo seja capaz de ampliar, até 2010, de 31 para 48 milhões o número de crianças atendidas por todo o ensino básico.


    Outro item de grande repercussão foi o projeto de lei da Câmara que criou a Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas (PLC 100/06). A proposta, aprovada em novembro no Senado e sancionada em dezembro pelo presidente da República, institui um regime tributário diferenciado – o chamado Supersimples – para beneficiar as empresas de pequeno porte com faturamento de até R$ 2,4 milhões por ano.


    Uma das 53 medidas provisórias aprovadas no Senado foi a MP 280/06, votada em maio, que reajustou em 8% a tabela do Imposto de Renda Pessoa Física a partir de 1º de fevereiro de 2006. E, dos 496 projetos de decreto legislativo ou de resolução aprovados no período, 394 referiam-se a concessões na área de telecomunicações.


    Convocação extraordinária


    No período imediatamente anterior à sessão legislativa ordinária, durante a convocação extraordinária de 16 de dezembro de 2005 a 14 de fevereiro de 2006, o Senado havia aprovado outras 59 matérias. Entre elas, estavam o projeto de decreto legislativo queextinguiu a remuneração extra que os parlamentares recebiam durante as convocações extraordinárias (PDS 60/06) e a proposta de emenda à Constituição que reduziu o recesso do Congresso Nacional de 90 para 55 dias (PEC 8/06).


    Também foi aprovada durante a convocação extraordinária a PEC 72/05, a qual altera a forma de tramitação das medidas provisórias para dar mais agilidade aos trabalhos do Congresso e evitar, por exemplo, que as MPs obstruam as votações no Senado. Essa proposta, no entanto, ainda espera apreciação na Câmara. Outra matéria aprovada nesse período foi o PLC 62/05, projeto de lei cercado de polêmica que permite a exploração sustentável de florestas públicas por empresas privadas.


    Agência Senado, 8 de janeiro de 2007.

  • Lula sanciona Lei do Saneamento e quer carteira para setor

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou hoje a Lei de Saneamento Básico, que estabelece as normas para o setor, definindo regras jurídicas e a relação entre estados, municípios e a iniciativa privada. A lei assegura direitos ao consumidor, prevê controle social sobre a prestação de serviços e dá garantias aos investimentos feitos por concessionárias.

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou hoje a Lei de Saneamento Básico, que estabelece as normas para o setor, definindo regras jurídicas e a relação entre estados, municípios e a iniciativa privada. A lei assegura direitos ao consumidor, prevê controle social sobre a prestação de serviços e dá garantias aos investimentos feitos por concessionárias. Também estabelece critérios para que estados e municípios possam acessar recursos do governo federal.


    A lei prevê ainda a criação de conselhos, formados por representantes da sociedade civil, que poderão opinar e pressionar sobre assuntos relacionados ao saneamento básico em seu município ou estado, como fixação de tarifas públicas. O texto determina condições especiais para a contratação de cooperativas ou associações de catadores para realizarem coletiva seletiva de lixo.


    “Fila burra”

    Durante a cerimônia de sanção, o presidente Lula comunicou a intenção de criar uma “carteira definitiva” para o setor de saneamento básico no País. “Todo ano o governo tem que disponibilizar dinheiro, seja do Orçamento da União ou dinheiro de financiamento, para que a gente tenha uma carteira que seja sustentável, definitiva. É preciso que todos saibam que política de saneamento básico neste País não é uma coisa secundária, eleitoreira”, afirmou.


    O presidente disse que existem recursos para o setor, mas as prefeituras e as empresas não conseguem ter acesso por estarem inadimplentes ou não terem projetos, o que chamou de “fila burra”. “Numa determinada época, colocava-se R$ 4, R$ 5 ou R$ 6 bilhões para o saneamento básico, mas aí tinha uma coisa chamada “fila burra”, em que o dinheiro estava disponibilizado e ninguém tinha acesso a esse dinheiro porque estados ou cidades entravam na fila e, como não tinham projetos e estavam inadimplentes, não podiam pegar; o segundo ficava esperando o primeiro”, explicou.


    Agência Câmara, 5 de janeiro de 2007.


     

  • Sinal de alerta em bens de consumo

    A perspectiva de que o câmbio permaneça em patamar estável em 2007 (em torno de R$ 2,25) torna factível a tendência de crescimento das importações de bens de consumo como alternativa à produção local. O aumento de 42,6% – superior aos 25,2% das importações gerais – nas compras externas desse tipo de bem em 2006 é considerado um alerta por alguns especialistas, embora em valor a participação dessa categoria nas importações nacionais ainda seja de apenas 13,1%.

    A perspectiva de que o câmbio permaneça em patamar estável em 2007 (em torno de R$ 2,25) torna factível a tendência de crescimento das importações de bens de consumo como alternativa à produção local. O aumento de 42,6% – superior aos 25,2% das importações gerais – nas compras externas desse tipo de bem em 2006 é considerado um alerta por alguns especialistas, embora em valor a participação dessa categoria nas importações nacionais ainda seja de apenas 13,1%. No caso dos bens de consumo duráveis, como automóveis e produtos de linha branca, a alta foi de 56%, contra 31% dos não-duráveis, compostos por itens como alimentos e produtos têxteis.


    O vice-presidente executivo da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, destaca que não se via um movimento semelhante desde 1997, quando o Brasil teve recorde de importações impulsionado pelo Plano Real. “A taxa de câmbio atual já estimula as importações desses produtos, mas isso se soma também ao fator China, país que oferece produtos a preços muito mais atraentes para o empresário. Indiretamente há um desestímulo à produção”, observa. Em 2006 o Brasil importou US$ 7,989 bilhões em produtos chineses, um crescimento de 49,2% sobre o ano anterior.


    Entre os bens de consumo duráveis, um dos destaques foi o item Máquinas e Aparelhos de Uso Doméstico – entre outros, ferros elétricos, sanduicheiras e torradeiras – com importação de R$ 1,205 bilhão, 60,33% até novembro, alta de 60,33% sobre 2005. A compra de objetos de adorno pessoal, as bijuterias, foram 24,68% superiores, totalizando R$ 1,271 bilhão.


    depuradores de ar


    A fabricante nacional de depuradores de ar Suggar começou a optar por fornecedores chineses no fim de 2005. O movimento se intensificou no meio do ano passado e hoje a empresa traz da China cerca de um terço de sua produção anual. São 19 itens entre torradeiras, ferros elétricos, sanduicheiras, fornos elétricos, máquinas de gelo, adegas climatizadas e coifas. Segundo o diretor-presidente da empresa, Lúcio Costa, os produtos importados chegam a ser 30% mais baratos. “A China vai vencer o capitalismo com as armas do próprio capitalismo: mão-de-obra barata, preço baixo, lei da oferta e da demanda”, diz.


    Costa diz que é graças a mudança de estratégia que a Suggar conseguiu fechar 2006 com faturamento de R$ 246 milhões, 14% superior ao de 2005. A tendência em 2007 é importar cada vez mais. “Queremos trazer produtos que não fabricamos, como chapinhas de cabelo, e tentar ganhar mercado de concorrentes com nossa marca”, enfatiza Costa. Ele diz que, em princípio, a Suggar continuará produzindo no Brasil produtos de grande porte como máquinas de lavar roupa (tipo tanque), fogões e a maior parte das coifas, cuja importação compensa menos em função do preço do frete. “Não queremos mexer na produção. Cheguei a cogitar a demissão de 104 funcionários dos 900, mas por enquanto conseguimos realocá-los”, diz. Por enquanto se pode falar ainda em desindustrialização por não se tratar de algo generalizado. O fato do câmbio ser flutuante acaba sendo um freio porque as empresas temem adotar essa estratégia de importação e esbarrar em uma desvalorização cambial. Mas em 2007 muitos ainda vão buscar fornecedores chineses como alternativa”, prevê Castro. No caso da Suggar, a estratégia de importação tem como limite um câmbio de R$ 2,60.


    automóveis


    O maior salto nas importações de duráveis foi verificado no setor de automóveis, em que a receita de importação de veículos subiu 135,7% no ano passado. O valor correspondente a essa importação ainda é pouco significativo (R$ 1,915 milhão), mas o aumento das vendas de automóveis importados somada à redução de estoques das montadoras já se refletiram no desempenho aquém do esperado da produção de veículos em dezembro (queda de 6% ante o mês anterior, em termos dessazonalizados), aponta a Tendências Consultoria. De acordo com os dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) referentes a dezembro, a participação das vendas de automóveis importados apresentou alta, de 11% para 11,2%. Na média de janeiro a outubro, a proporção dos importados sobre o total vendido foi de 6,6%.


    “De certa forma isso é uma decorrência normal do acordo automotivo Brasil-Argentina”, ameniza Castro. O especialista em comércio exterior, entretanto, já demonstra preocupação com o desenvolvimento da indústria automobilística chinesa, que promete entrar no país com compactos populares de fabricantes como Chery e KK.


    Os números da produção industrial ainda não refletem um impacto da evolução das importações. No acumulado de janeiro a novembro de 2006 (último dado do IBGE) os bens de consumo duráveis foram a categoria de maior dinamismo, com alta de 7,3% na produção. Já os bens de consumo semi e não-duráveis tiveram desempenho próximo ao da produção geral, com crescimento de 2,9%.


    Para o economista da coordenação de indústria do IBGE André Macedo, ainda não se pode falar em perdas para a produção nacional de bens de consumo, mas é preciso ficar atento ao desempenho dos duráveis na margem, onde nos últimos meses têm se verificado piora. No mês de novembro, os segmentos de bens de consumo apresentaram queda sobre outubro, tanto nos duráveis (-0,1%) como nos semi e não-duráveis (-0,6%). Ele destaca que, pelos dados da balança comercial, as importações de duráveis foram as que mais cresceram em quantum (volume) em 2006: 76%.


    linha marrom “Até agora a produção da linha marrom (TV, rádio e som) é que tem sofrido com a concorrência dos importados. Na comparação com novembro de 2005 ela cresceu apenas 0,9% e nos últimos meses vem apresentando resultados cada vez mais modestos. O crescimento de 12,7% no acumulado de 2006 ficou concentrado no início do ano, quando houve forte demanda decorrente da Copa do Mundo”, afirma.


    Na avaliação de Edgard Pereira, do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) a grande preocupação é que esta tendência está se configurando em uma mudança estrutural da indústria brasileira. “O pior efeito da importação do produto final é a redução da demanda por bens intermediários produzidos no mercado interno. Esses bens estão no meio da cadeia e afetar sua produção significa atrofiar o crescimento industrial.”


    O ex-presidente do Banco Central e atual diretor da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Carlos Thadeu de Freitas, diz que a entrada dos importados se refletirá inclusive nos preços em 2007. Dentro da estimativa de inflação de 3,7% no ano, a CNC prevê que os duráveis terão a menor elevação de preços, 2,4%. “Não haverá tanta pressão sobre a oferta interna este ano pelo arrefecimento de crédito e menor aumento real de salários, o que se soma ao menor preço dos importados.”