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  • Só metade dos pacotes já entrou em vigor

    Das 18 medidas em vários setores anunciadas pelo governo nos últimos dois meses e meio, apenas 8 saíram do papel

    Demora na regulamentação das mudanças faz com que o ganho maior dos anúncios até agora seja mais político que econômico


    O ministro Guido Mantega (Fazenda) ocupou boa parte de seu tempo nos últimos dois meses e meio com a preparação e o anúncio de pacotes para estimular a economia. Somadas, foram 18 medidas distribuídas em três pacotes nos últimos 49 dias.

    Das 18 medidas em vários setores anunciadas pelo governo nos últimos dois meses e meio, apenas 8 saíram do papel

    Demora na regulamentação das mudanças faz com que o ganho maior dos anúncios até agora seja mais político que econômico


    O ministro Guido Mantega (Fazenda) ocupou boa parte de seu tempo nos últimos dois meses e meio com a preparação e o anúncio de pacotes para estimular a economia. Somadas, foram 18 medidas distribuídas em três pacotes nos últimos 49 dias. Mas, apesar do empenho em demonstrar uma alta produção, a realidade é que a equipe econômica ainda não conseguiu tirar do papel as principais medidas anunciadas. Das 18 novidades que integraram os últimos pacotes, apenas oito entraram em vigor. As outras dez não passam até agora de promessas. Entre as mudanças que estão na gaveta, há assuntos importantes como a permissão para que as empresas exportadoras deixem até 30% de sua receita em contas no exterior e a definição da taxa de juros dos empréstimos habitacionais prefixados. Essa demora na regulamentação dos pacotes faz com que o ganho maior desses anúncios até agora seja mais político do que econômico. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por exemplo, não perdeu o anúncio do último pacote, direcionado à habitação. Seu programa no horário eleitoral gratuito no mesmo dia também tratou da questão da moradia. Enquanto isso, os exportadores aguardam que a Receita Federal divulgue as regras para a declaração da conta e do uso do dinheiro que ficará no exterior. Além disso, querem saber com detalhes o grau de acesso que o fisco terá às movimentações feitas fora do país.


    Compasso de espera “A orientação que estamos dando aos nossos clientes é para que esperem até a regulamentação completa”, diz o advogado Luiz Assis, do escritório Levy & Salomão. Os bancos estão ainda mais conservadores. O Unibanco continua fazendo o registro das operações de câmbio segundo as regras da legislação anterior. O Itaú informa que nenhum cliente usou a prerrogativa de deixar os dólares fora do país. O Banco do Brasil, líder no mercado de câmbio voltado a exportações, diz que as empresas estão em compasso de espera. “Há interesse das empresas em usar as novas regras. Mas estão aguardando”, explica o diretor de Comércio Exterior do BB, Nilo Panazzolo. Das seis medidas do chamado pacote cambial, as únicas em vigor são a compra em reais nos free-shops dos aeroportos e a eliminação dos contratos de câmbio nas compras de moeda estrangeira de até US$ 3.000. Basta olhar os números do BC para ver que o pacote até agora teve impacto nulo. Os dados do câmbio de agosto, mês em que a medida entrou em vigor, mostram que os exportadores, em vez de reduzir o volume de dólares entrando no país, aumentaram. Eles trouxeram US$ 12,379 bilhões para o país, 4,6% a mais do que em julho. Não há uma só palavra do governo sobre o que devem fazer as empresas que transformaram empréstimos em moeda estrangeira em investimentos, mas não contabilizaram esses recursos. “Já tivemos consultas sobre a regularização do chamado capital contaminado, e a única resposta que pudemos dar foi que ninguém sabe ainda o que vai acontecer”, diz o advogado Carlos Mamanna, do escritório Braga & Marafon.


    Insegurança jurídica A falta de regulamentação dos pacotes atinge também as medidas para reduzir os juros nos empréstimos bancários e para o setor de habitação. No primeiro caso, apenas a redução das contribuições dos bancos ao Fundo Garantidor de Crédito já está em vigor. A outra medida que o governo aposta para estimular a concorrência e a queda do juro, que é a facilidade para que o trabalhador mude de banco, só entra em vigor em 2007. Além disso, deixa de fora os funcionários de empresas que tenham convênios com bancos pagadores de suas folhas de pagamento. Já no pacote habitacional, o governo editou uma medida provisória que muda os principais pontos da legislação. O problema é que ficou para depois a definição do juro a ser usado nos empréstimos com prestação fixa. Na prática, isso inviabiliza as novas operações. Um outro ponto de dúvida nos pacotes é o uso de MPs para dar validade imediata aos poucos pontos que já foram regulamentados. Isso quer dizer que o governo terá que negociar com os parlamentares a aprovação das mudanças. Além disso, se não forem votadas em até 120 dias, as MPs perdem a validade. É pouco provável que os parlamentares derrubem as medidas, mas isso não quer dizer que o governo, com sua base política desorganizada, não tenha que aceitar mudanças para viabilizar a aprovação.

  • Rotas internacionais da Varig são redistribuídas pela Anac (22/09/2006)

    A Agência Nacional de Aviação Civil decidiu ontem redistribuir parte das linhas internacionais que pertenciam à Varig, mas o presidente do conselho de administração da VarigLog, Marco Antônio Audi, informou que  a companhia vai recorrer da decisão na Justiça para assegurar a manutenção das linhas.


    As empresas que receberam linhas para o México, Estados Unidos, Itália, França e Angola terão seis meses para iniciar as operações.

    A Agência Nacional de Aviação Civil decidiu ontem redistribuir parte das linhas internacionais que pertenciam à Varig, mas o presidente do conselho de administração da VarigLog, Marco Antônio Audi, informou que  a companhia vai recorrer da decisão na Justiça para assegurar a manutenção das linhas.


    As empresas que receberam linhas para o México, Estados Unidos, Itália, França e Angola terão seis meses para iniciar as operações. A OceanAir recebeu sete freqüências semanais para o México, sete para os Estados Unidos e duas para Angola, e tentará antecipar o início das operações. A TAM ficou com sete rotas para a Itália e sete para a França. A Gol ganhou sete linhas para o Uruguai e o México, e a BRA, sete freqüências para a Itália, das quais cinco partem do Nordeste.

  • IPCA-15 desacelera para 0,05% em setembro (22/09/2006)

    O Índice de Preços ao Consumidor Amplo-15 ficou em 0,05% em setembro, ante a alta de 0,19% registrada em agosto, segundo dados divulgados hoje pelo IBGE. No ano, o indicador acumula alta de 1,92%, e, nos últimos 12 meses, de 3,69%. Entre as principais razões para a desaceleração do IPCA-15 estão a queda nos preços dos combustíveis e alimentos.

    O Índice de Preços ao Consumidor Amplo-15 ficou em 0,05% em setembro, ante a alta de 0,19% registrada em agosto, segundo dados divulgados hoje pelo IBGE. No ano, o indicador acumula alta de 1,92%, e, nos últimos 12 meses, de 3,69%. Entre as principais razões para a desaceleração do IPCA-15 estão a queda nos preços dos combustíveis e alimentos. De acordo com o IBGE, o IPCA-15 só não foi menor por conta da alta de 1,97% que o aumento do salário mínimo provocou nos salários dos empregados domésticos.


    O litro da gasolina, que tinha subido 0,46% em julho, teve deflação de 0,38% em agosto. O álcool caiu bem mais: -2,59% em agosto contra alta de 1,87% no mês anterior. Ainda no grupo Transportes, as tarifas dos ônibus intermunicipais e interestaduais caíram para -0,15% e -0,34%, respectivamente, em agosto, ante aumentos de 3,13% e 5,97% de julho. No grupo Alimentação, vários produtos ficaram mais barados: cebola, batata inglesa, feijão carioca, tomate e açúcar cristal.


    O IPCA-15 funciona como uma prévia do IPCA, que é o índice-referência para a meta de inflação e o que influencia as taxas de juros, e refere-se a famílias com rendimento entre um e 40 salários mínimos.


     

  • Varig perde parte das rotas internacionais

    A diretoria da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) decidiu ontem redistribuir parte das linhas internacionais que pertenciam à Varig. A decisão ainda deve ser questionada na Justiça. O presidente do conselho de administração da VarigLog, nova dona da Varig, Marco Antônio Audi, informou que vai recorrer “até onde for preciso” para assegurar a manutenção das linhas.

    Na prática, o consumidor ainda vai demorar a sentir os efeitos da reorganização do mercado.

    A diretoria da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) decidiu ontem redistribuir parte das linhas internacionais que pertenciam à Varig. A decisão ainda deve ser questionada na Justiça. O presidente do conselho de administração da VarigLog, nova dona da Varig, Marco Antônio Audi, informou que vai recorrer “até onde for preciso” para assegurar a manutenção das linhas.

    Na prática, o consumidor ainda vai demorar a sentir os efeitos da reorganização do mercado. As empresas que receberam linhas para México, Estados Unidos, Itália, França e Angola terão seis meses para iniciar as operações. Segundo a OceanAir, que recebeu sete freqüências semanais para o México, sete para os Estados Unidos e duas para Angola, a companhia tentará antecipar o início das operações.

    A TAM ficou com sete freqüências para a Itália e sete para a França. A Gol ficou com freqüências para o Uruguai e para o México. A BRA ganhou sete freqüências para a Itália, cinco partindo do Nordeste.

    A decisão da agência é mais um capítulo de uma disputa que se estende há dois meses, desde que as operações da Varig foram vendidas em leilão. O início da divergência entre a Anac e a nova Varig começou quando a companhia entregou um plano básico de linhas dividido em três etapas. As linhas seriam retomadas conforme a empresa conseguisse recompor a frota. A primeira incluía apenas três destinos internacionais: Frankfurt, Buenos Aires e Caracas. Atualmente, a Varig voa com 15 aeronaves.


    Na avaliação da agência, conceder à Varig mais tempo para se reorganizar seria o equivalente a praticar uma “reserva de mercado” para a companhia. A Varig alega que só está exigindo o cumprimento da legislação da agência. A portaria 569 prevê que as companhias aéreas têm um prazo de 30 dias para cumprir as rotas nacionais e de 180 dias para as internacionais, a partir da assinatura do contrato de concessão.


    Congonhas


    Depois de uma guerra de decisões judiciais, a agência decidiu retomar também a distribuição de “slots” (espaços de pouso e decolagem) em Congonhas. Em razão das obras no aeroporto, a agência decidiu realizar o processo em duas etapas. Na primeira serão licitados 28 espaços de pouso e decolagem. O edital será publicado no Diário Oficial até a próxima segunda-feira e a reunião para que as empresas se candidatem ocorrerá no dia 16 de outubro.


    Depois que as obras forem concluídas, a agência licitará mais 28 slots. São 56 espaços de pouso e decolagem em um dos principais aeroportos do país. Do total, 50 pertenciam à Varig.

    O processo de divisão de espaços deve gerar ainda mais polêmica. As companhias com fatias menores do mercado questionam o critério definido pela Anac: quatro quintos dos espaços vão para companhias que já operam no aeroporto e um quinto para “novas entrantes”.

    Segundo Lúcia Helena Salgado, economista do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), o critério beneficia empresas mais consolidadas. “As novas empresas muitas vezes não conseguem cumprir os requisitos burocráticos, como a apresentação de um balanço consolidado”, disse.


    Para ela, a decisão de redistribuir as linhas da Varig foi correta. “A Varig praticamente desapareceu do mercado como grande empresa, mas outras apareceram. A regulação precisa ser dinâmica para garantir que o mercado funcione e para que haja benefício ao clientes.”


    Na avaliação de Audi, o que importa é a decisão judicial. O STJ (Superior Tribunal de Justiça) ainda precisa analisar o mérito de uma ação pedindo o reconhecimento de conflito de competência. Na prática, trata-se de definir o juiz responsável pela análise do caso: a Vara Empresarial ou a Justiça Federal. A companhia disse que vai recorrer até a última instância.

  • Parcerias estratégicas reforçam processo de terceirização no Brasil

    O processo de terceirização no Brasil passa por ajustes e começa a se espelhar no novo conceito do processo registrado nos países desenvolvidos, chamado de “smartsourcing”, afirma o professor e pesquisador da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Dante Girardi.

    O processo de terceirização no Brasil passa por ajustes e começa a se espelhar no novo conceito do processo registrado nos países desenvolvidos, chamado de “smartsourcing”, afirma o professor e pesquisador da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Dante Girardi. Em parceria com a empresa de contratação Gelre, ele realizou o estudo “A Terceirização como Estratégia Competitiva nas Organizações”.

    Segundo ele, a forma inteligente de terceirizar atividades em uma empresa ocorre quando existe um sofisticado sistema onde há parceria forte entre prestador de serviços/produto e o tomador destes. “Ambos se relacionam de maneira a não haver segredos, trabalhando em sincronia para que se conquiste a execução das tarefas com melhor qualidade, com mais tecnologia, sem abandonar as possibilidades da redução de custos para ambos.”


    Enquanto no Brasil as principais atividades terceirizadas são limpeza e conservação, vigilância e segurança, manutenção predial, paisagismo, desenvolvimento de software e jurídico, em outros países estão o de tecnologia da informação (52%), administração (36%), recursos humanos (20%) e vendas/marketing com 8%.


    Girardi diz que hoje a terceirização deixou de ser um modismo para tornar-se uma questão estratégica dentro das empresas. O que antes se caracterizava por uma relação de certa forma distante – em que se repassavam alguns serviços isolados e até mesmo dissociados da atividade essencial, caracterizando a prática de “dumbsourcing”, ou uma terceirização burra -, foi se transformando a ponto de registrar um número expressivo de empresas que conseguem estabelecer uma relação simbiótica com os parceiros, inclusive transferindo atividades fim, diz o autor do estudo.


    Para ele, o exemplo mais marcante é o da fábrica de caminhões da Volkswagen, de Rezende (RJ), que já ultrapassou os limites de transferir somente as atividades de apoio. “O processo de pintura automotiva, que até pouco tempo se apresentava como um serviço impensável de se confiar a terceiros, foi transferido a parceiros que executam o serviço dentro da unidade fabril da montadora.”


    Girardi cita Alvin Toffler, autor dos livros “O choque do futuro” e “A terceira onda”, ao afirmar que a estrutura de poder que mantinha as relações sociais coesas começam a implodir. “As empresas perceberam que a tentativa de manter o controle total de suas atividades causava problemas na sua performance e no desenvolvimento de seus projetos, tornando-as de certa forma sem a agilidade necessária para o enfrentamento dos desafios diários que se apresentam em função da alta competitividade.” Segundo ele, existe uma nova realidade econômica e financeira, onde a necessidade em obter ganhos de qualidade e produtividade estimula o desenvolvimento de parcerias.

    Além das vantagens para as empresas, o estudo mostra que a terceirização não reduz o número de empregos, não provoca a informalidade e contribui para a melhor distribuição de renda. “Embora possa haver demissões, a médio prazo o processo tende a gerar oportunidades”, afirma Girardi.


    Pesquisa realizada este ano pelo Centro Nacional de Modernização (Cenam) evidencia que mais de um terço das empresas contratadas para a prestação de serviços foram criadas por ex-funcionários, fato que pode ser motivado pela própria empresa contratante.


    A maioria (66%) das empresas prefere fazer uso de empresas que já tenham experiência no mercado. O estudo da Gelre e da UFSC também cita evidências de surgimento de três novas vagas de trabalho em atividade terceirizada para cada emprego perdido na empresa. E ressalta que a terceirização pode proporcionar a possibilidade do trabalho por conta própria, realizando o sonho de ser o dono de seu próprio negócio.


    Levantamento do Departamento Intersindical de Estudos Sócio Econômicos (Dieese) aponta que o tempo médio de um trabalhador brasileiro, entre a demissão e a volta ao mercado, é de sete meses.


    Segundo Girardi, no caso das demissões dos 3.600 funcionários da fábrica da Volkswagen em São José dos Campos, é improvável que o mercado consiga absorver essa demanda a curto prazo, principalmente, em função da expectativa de pouco crescimento do Brasil em torno de 3,5%/ano. “Ainda mais nas mesmas funções que ocupam atualmente, em virtude da automação industrial.”


    Para o professor, o ideal seria a implantação de um programa sério de ‘outplacement’ (recolocação profissional), com a requalificação dos trabalhadores e, num prazo de cerca de um ano, recolocá-los no mercado gradativamente, sendo que alguns poderiam se tornar empreendedores.


    A pesquisa realizada pelo Cenam junto a 2.850 empresas mostrou que a necessidade de melhorar o foco na atividade fim da empresa e a redução de custos foram os principais motivos que a levaram à terceirização (55%). Liberar recursos para outros propósitos atinge o percentual de 36%. Compartilhar riscos, obter vantagens de recursos no exterior e entregar a atividade para um parceiro em função da dificuldade de administrá-la internamente são os fatores que menos instigam a opção em terceirizar.

  • Taxa de desemprego mantém estabilidade no mês de agosto

    Rendimento médio do trabalhador cresce 0,7%, para R$ 1.036,20, após cair 0,7% em julho. Já na segunda da metade do ano, ainda não há indícios de recuo significativo do desemprego em 2006. Ontem, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgou que a taxa de desemprego em agosto permaneceu praticamente estável, em 10,6% da população economicamente ativa, na comparação com julho (10,7%). O resultado é 1,2 ponto percentual superior à taxa registrada em agosto do ano passado, de 9,4%.

    Rendimento médio do trabalhador cresce 0,7%, para R$ 1.036,20, após cair 0,7% em julho. Já na segunda da metade do ano, ainda não há indícios de recuo significativo do desemprego em 2006. Ontem, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgou que a taxa de desemprego em agosto permaneceu praticamente estável, em 10,6% da população economicamente ativa, na comparação com julho (10,7%). O resultado é 1,2 ponto percentual superior à taxa registrada em agosto do ano passado, de 9,4%.


    A população ocupada evoluiu de forma positiva, com crescimento de 1,1% ante julho e de 2,8% em relação a agosto do ano passado.


    Na avaliação do economista da Tendências Consultoria Integrada, Guilherme Maia, o desemprego não está cedendo porque provavelmente o mercado de trabalho atingiu a taxa de desemprego natural da economia cuja média histórica situa-se em torno de 11%.


    “A ocupação deve continuar a crescer de forma gradual, mas as melhoras devem ser bem leves. A taxa de desemprego só vai chegar a 9% ou 8% se tivermos reformas estruturais como a trabalhista e outras que ajudem o País a crescer”, disse Maia, que projeta taxa média de desemprego de 10,2% para 2006, acima da registrada em 2005, de 9,8%.


    Já o coordenador da Pesquisa Mensal de Emprego (PME), do IBGE, Cimar Azeredo, considera que o desempenho do mercado de trabalho é positivo, levando-se em consideração o aumento da ocupação, do rendimento e do emprego formal na comparação mensal e anual. O emprego com carteira de trabalho assinada no setor privado, cresceu 5,9% em relação a agosto de 2005, o que significa um aumento aproximado de 472 mil trabalhadores formais.


    Vagas insuficientes


    Azeredo avalia que a estabilidade da taxa de desemprego decorre do aumento do número de pessoas procurando emprego frente a maior atratividade do mercado de trabalho. “O aumento do emprego formal, as perspectivas favoráveis em relação aos ganhos e a geração de empregos em período eleitoral, estão levando mais pessoas a buscar trabalho. O que está acontecendo é que o número de vagas criadas não tem sido suficiente para absorver essa mão-de-obra adicional”.

     

    O contingente de desocupados (2,4 milhões) permaneceu estável frente ao mês anterior, mas na comparação com agosto de 2005 houve alta de 17,2%, com acréscimo de mais de 355 mil pessoas procurando emprego.


    Rendimento maior


    O destaque do mercado de trabalho neste ano, na avaliação de Maia, é o aumento do rendimento médio real dos trabalhadores, que deve registrar uma média de crescimento de 4% em 2006, ante alta de 2% apurada no ano passado. Ele atribui essa melhora a fatores como a estabilidade econômica, a inflação baixa e ao aumento do salário mínimo. O rendimento médio da população ocupada (R$ 1.036,20) cresceu 0,7% em agosto, após cair 0,7% em julho. Em relação a agosto de 2005, esse indicador aumentou 3,5%.


     

  • Inadimplência cresceu 50,77% no mês passado

    O número de consumidores que voltaram a integrar o cadastro de débitos do SPC Brasil cresceu 50,77% em agosto na compração com agosto de 2005, segundo dados divulgados ontem. O presidente da instituição, Araken de Carvalho Novaes, disse que o crescimento se deve à crescente participação de instituições de ensino, em especial universidades, na utilização da base de dados do SPC Brasil para apressar a recuperação de dívidas relativas a mensalidades atrasadas.

    Apesar da expansão do indicador, a inadimplência assinala queda de 9,96%, em relação aos registros de julho deste ano.

    O número de consumidores que voltaram a integrar o cadastro de débitos do SPC Brasil cresceu 50,77% em agosto na compração com agosto de 2005, segundo dados divulgados ontem. O presidente da instituição, Araken de Carvalho Novaes, disse que o crescimento se deve à crescente participação de instituições de ensino, em especial universidades, na utilização da base de dados do SPC Brasil para apressar a recuperação de dívidas relativas a mensalidades atrasadas.

    Apesar da expansão do indicador, a inadimplência assinala queda de 9,96%, em relação aos registros de julho deste ano. “Desde o início de 2006, empresas e concessionárias do ramo de telecomunicações e energia estão encaminhando registros de inadimplência ao SPC Brasil, com a inclusão de nomes de seus devedores. O resultado obtido no comparativo julho-agosto, no entanto, não significa um dado animador, já que em julho a quantidade de consumidores incluídos no cadastro quase duplicou, o que significou número recorde. Uma das causas é o movimento originado pelas operadoras de telefonia, companhias de água e luz, as quais responderam por cerca de 30% das inclusões de julho”, afirmou Novaes.

    Novaes acredita em um movimento favorável das exclusões até o fim do ano com a conseqüente reabilitação de crédito do consumidor. Em agosto, o número de consumidores que buscaram limpar o nome apresentou crescimento 11,85% superior ao de igual mês de 2005 e de 5,61% sobre julho. Nesse mês, quando as inclusões foram históricas, o movimento de retiradas de registros da base de dados foi de apenas 19,81%, enquanto as exclusões caíram 23,4%.

    Reabilitação

    “No segundo semestre, normalmente há um movimento favorável à reabilitação de crédito em razão dos novos recursos que começam a entrar no mercado e da promoção dos programas de recuperação feitos pelo próprio varejo”, afirmou Novaes, acrescentando que o aumento da inadimplência em julho levou lojistas a fazer consultas adicionais na base de dados para concessão de crédito, refletindo a elevação da quantidade de consultas em 12,85% em agosto e em 11,66% na comparação com julho deste ano.

    No mês que antecedeu o grande aumento de registros de dívidas vencidas, os lojistas não estavam cautelosos, segundo Novaes. O movimento entre julho de 2006 e o igual mês do ano passado apresentou crescimento de 5.02% nas consultas, enquanto na comparação com junho deste ano houve decréscimo de 0.97% nas averiguações sobre restrição de crédito do consumidor.

  • CNI reduz projeção de crescimento para 2,9%

    A carga tributária, os gastos públicos elevados, os elevados juros e o real valorizado frente ao real foram os motivos que levaram a Confederação Nacional da Indústria (CNI) a reduzir a previsão de crescimento da economia deste ano. A projeção para a alta do Produto Interno Bruto (PIB) passou de 3,5%, feita em abril, para 2,9%.

    A carga tributária, os gastos públicos elevados, os elevados juros e o real valorizado frente ao real foram os motivos que levaram a Confederação Nacional da Indústria (CNI) a reduzir a previsão de crescimento da economia deste ano. A projeção para a alta do Produto Interno Bruto (PIB) passou de 3,5%, feita em abril, para 2,9%. A revisão ocorre após o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ter divulgado que o PIB no segundo trimestre foi de apenas 0,5% em relação aos três primeiros meses do ano.


    A CNI também reduziu a expectativa para o PIB industrial, que passou de uma alta de 5% para 3,5%. A entidade argumenta que o principal entrave para o crescimento da economia é o aumento contínuo dos gastos públicos, que são financiados pelos impostos. Além disso, a entidade lembra que a taxa de investimento (formação bruta de capital fixo) recuou 2,2% no segundo trimestre do ano na comparação com o primeiro.


    Apesar disso, a CNI espera uma retomada dos investimentos, já que há a tendência de redução dos juros. Por essa razão, a previsão para o crescimento da taxa de investimento é de 6,5% no segundo semestre do ano A previsão para o crescimento do consumo é de 4,3%.


    O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), ligado ao Ministério do Planejamento, já tinha revisado para baixo a previsão de crescimento da economia, passando de 3,8% para 3,3%. A previsão do Banco Central, por enquanto, está mantida em 4%. No entanto, na próxima semana será divulgado o Relatório de Inflação, que poderá trazer alguma alteração.

    Impostos, juros altos e câmbio sufocam a atividade 

    A CNI afirma que fatores como a carga tributária excessiva, os juros altos e a valorização do real frente ao dólar sufocam a atividade econômica no País. “É muito aquém do necessário e das expectativas que temos de criar um país competitivo”, comentou o presidente em exercício da entidade, Carlos Eduardo Moreira Ferreira. “Estamos marcando passo.”

    O presidente licenciado da CNI, Armando Monteiro Neto, afirmou que a revisão das projeções é resultado do fraco crescimento da economia no segundo trimestre. “O tombo do segundo trimestre foi grande e o processo de contribuição de alguns setores, como o externo, leva a esse crescimento perto de 3%”, avaliou Monteiro Neto.

    Monteiro Neto acredita que os últimos episódios envolvendo integrantes do PT, na compra de dossiê que envolveria o tucano José Serra na máfia das ambulâncias, não devem afetar as previsões econômicas para este ano. No entanto, segundo ele, é preciso ficar atento aos desdobramentos da crise política, porque ela pode afetar a percepção dos mercados, dos agentes econômicos e as decisões de investimento.

    O presidente licenciado da CNI acredita, também, que as denúncias recrudescem o quadro político. “Essas denúncias foram inquietantes do ponto de vista da perspectiva da construção de um entendimento político do Brasil e da própria governabilidade para os próximos anos”, avaliou.

    A CNI teme que a estimativa de arrecadação do governo, baseada em um crescimento de 4% este ano, não se confirme. Para a entidade, o comportamento das receitas nos próximos meses será fundamental para alcançar a meta de superávit primário este ano (economia do País para pagar juros), de 4,25% do PIB.

    Segundo o Informe Conjuntural da CNI, o arrefecimento da atividade industrial deveu-se principalmente à contribuição negativa do setor externo. A valorização do real provocou uma queda de 0,68% no faturamento das empresas nos sete primeiros meses do ano, na comparação com igual período de 2005.

  • IPCA-15 subiu 0,05%

    A inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) despencou para 0,05% em setembro, ante 0,19% de agosto, sob impacto de quedas de preços nos combustíveis e nos produtos alimentícios. No ano, o índice acumula alta de 1,92% e em 12 meses, de 3,69%. A taxa seria apresentada hoje pelo Instituto Brasileiro de Geiografia e Estatística (IBGE), mas um erro na rede de informações do instituto divulgou acidentalmente os dados no site da instituição.

    A inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) despencou para 0,05% em setembro, ante 0,19% de agosto, sob impacto de quedas de preços nos combustíveis e nos produtos alimentícios. No ano, o índice acumula alta de 1,92% e em 12 meses, de 3,69%. A taxa seria apresentada hoje pelo Instituto Brasileiro de Geiografia e Estatística (IBGE), mas um erro na rede de informações do instituto divulgou acidentalmente os dados no site da instituição. O IPCA-15 é uma espécie de prévia do IPCA, referência para as metas de inflação do governo, diferindo-se apenas no período de coleta.


    O grupo de Transportes registrou deflação de 0,38% no mês, com queda em itens importantes nas despesas familiares como gasolina (-0,38%) e álcool (-2,59%). Houve queda também nas tarifas dos ônibus intermunicipais (-0,15%) e interestaduais (-0,34%).

  • IBGE: desemprego cai e renda avança, em agosto (21/09/2006)

    A taxa de desemprego nas seis regiões metropolitanas do país caiu de 10,7% em julho para 10,6% em agosto – é o sexto mês consecutivo em que não há variação significativa no indicador. O contingente de desocupados totaliza 2,4 milhões de pessoas, das quais quase a metade (46,4%) têm apenas o ensino médio.

    A taxa de desemprego nas seis regiões metropolitanas do país caiu de 10,7% em julho para 10,6% em agosto – é o sexto mês consecutivo em que não há variação significativa no indicador. O contingente de desocupados totaliza 2,4 milhões de pessoas, das quais quase a metade (46,4%) têm apenas o ensino médio. Os dados são da Pesquisa Mensal de Emprego, divulgada hoje pelo IBGE, que revela ainda que 46,5% dos trabalhadores sem emprego têm entre 25 e 49 anos.


    De janeiro a agosto deste ano, a média de desocupados no país está em 10,3%, ante os 10,1% registrados no mesmo período de 2005. Na comparação com agosto do ano passado, o desemprego teve alta de 1,2 ponto percentual.


    Ainda de acordo com a pesquisa, o número de profissionais com carteira assinada cresceu 5,9% em agosto, na comparação com o mesmo período do ano passado. Já o rendimento médio real do trabalhador registrou alta em todas as regiões. Na comparação com o mês passado, julho, o rendimento foi 0,7% superior: R$ 1.036,20. Em relação a agosto de 2005, houve aumento de 3,5%.