Blog

  • Magistrados afirmam que a Lei 11.101 não é realista



    Passado um ano e meio desde que a nova Lei de Recuperação e Falência de Empresas entrou em vigor, a avaliação de magistrados é a de que a norma encontra dificuldades para ser aplicada, principalmente por não condizer com a realidade.



    Passado um ano e meio desde que a nova Lei de Recuperação e Falência de Empresas entrou em vigor, a avaliação de magistrados é a de que a norma encontra dificuldades para ser aplicada, principalmente por não condizer com a realidade. A percepção desses profissionais – debatida ontem no 4º Fórum Internacional de Renovação de Empresas, evento promovido pelo Instituto Brasileiro de Gestão e Tournaround (IBGT), no Pestana Hotel, no Rio de Janeiro – é de que dispositivos que determinam a sucessão de dívidas e a falta de meios que facilitem o pagamento dos débitos são fatores que prejudicam a plena utilização da norma.


    Sob o tema A Ótica do Judiciário, os juízes Alexandre Alves Lazzarini, da 1ª Vara da Falência e Recuperação Judicial; Carlos Abrão, da 42ª Vara Cível; e Boris Kauffmann, desembargador da Câmara Especial de Falência e Recuperação Judicial, todos de São Paulo, analisaram os aspectos positivos e negativos da Lei 11.101/05. De acordo com o moderador do painel, Antônio Carlos Torres, juiz da 4ª Vara Empresarial do Rio, a conclusão dos magistrados é de que lei não condiz com a realidade à medida que impõe a sucessão dos débitos fiscais e trabalhistas àquele que adquire a empresa falida ou em recuperação.


    Segundo afirmou, a medida é o principal fator a inibir a plena aplicação da legislação. “Em linhas gerais, observou-se que a Lei 11.101 tem mais prospecção do que realidade. Enquanto assegurar a sucessão àquele que adquirir a empresa falida, mas dificuldade terá (de ser colocada em prática), pois dessa forma ninguém vai querer assumir (uma companhia falida ou em recuperação)”, afirmou o magistrado, acrescentando outro problema que prejudica a ampla utilização da norma.

    De acordo com Torres, o parcelamento dos débitos fiscais poderia ser mais eficaz. Segundo o magistrado, é preciso facilitar o pagamento dos débitos devidos ao Fisco. “Se quem assume a empresa tem que pagar tudo, fica sem condições de investir. Existe um projeto para ampliar o parcelamento dos débitos, mas ainda não foi votado. Por esse motivo, o profissional do Direito precisa buscar interpretar a filosofia da lei, que é a de recuperar a empresa em dificuldade”, ressaltou.


    Assembéia de credores, um dos aspectois positivos

    Nem todas as considerações acerca da Lei de Recuperação e Falência de Empresas foram de críticas. De acordo com Torres, os magistrados presentes ontem ao Fórum destacaram vários aspectos positivos da nova legislação, entre eles o que permite ao empresário em dificuldades financeiras convocar assembléia de credores para negociar os débitos devidos pela companhia. Pelo Decreto-lei 7.661/45, que regulamentava a matéria antes da nova Lei Recuperação e Falências de Empresas, a convocação de assembléia era encarada como indício de que a empresa iria à falência. “Atualmente, a companhia pode negociar sem que isso represente um indício falimentar”, destacou Torres, acrescentando que a lei também permitiu a especialização de juízes no assunto, o que possibilita que cada caso seja analisado com mais precisão. O 4º Fórum Internacional de Renovação de Empresas, que começou ontem e termina hoje, teve a participação de especialistas em Direito falimentar do Brasil e do exterior. Entre os estrangeiros, destacam-se o americano Frederic Brace, vice-presidente executivo e chefe de reestruturação da United Airlines, que está à frente do mais bem sucedido caso de recuperação no setor aéreo no mundo; James Sprayregen, diretor executivo do banco de investimento Goldman Sachs e especialista em recuperação, que também atuou no caso United; Robert Drain, juiz federal americano da corte de falências de Nova York; e Adolfo Rouillon, diretor do Banco Mundial.

    Entre os profissionais brasileiros, participaram o desembargador e presidente da Escola Nacional da Magistratura, Luiz Felipe Salomão; o juiz da 1ª Vara Empresarial do Rio e responsável pelo caso Varig, Luiz Roberto Ayoub; e a juíza da 3ª Vara Empresarial do Rio, Marcia Cunha Silva Araújo de Carvalho. Foram debatidos, entre outros temas, a Cooperação Judicial em Casos de Recuperação Multi-jurisdicional e A Ótica Internacional e lições de Outros Países.

    Hoje serão debatidas questões tais como Os Primeiros 16 meses com a Nova Lei: Análise e Pesquisa Quantitativa e Qualitativa; Os Desafios Encontrados e as Barreiras a Serem Superadas pelos Credores e demais Stakeholders; e O Caso Varig – Lições.

  • Aprovada reforma do sistema de cotas

    Com 90,6% de votos favoráveis, FMI dá mais poder de voto a 4 países. Brasil cai de 1,42% para 1,40%. O conselho de governadores do Fundo Monetário Internacional (FMI) aprovou ontem, em votação secreta, a reforma do sistema de cotas proposta pela diretoria-executiva da instituição. Do total de votos, 90,6% foram favoráveis às mudanças. Eram necessários 85%. As cotas representam o poder de decisão de cada um dos 184 países que integram o FMI. O Brasil liderou – ao lado de Argentina, Egito e Índia – movimento de oposição à reforma.


    Foi derrotado e saiu enfraquecido.

    Com 90,6% de votos favoráveis, FMI dá mais poder de voto a 4 países. Brasil cai de 1,42% para 1,40%. O conselho de governadores do Fundo Monetário Internacional (FMI) aprovou ontem, em votação secreta, a reforma do sistema de cotas proposta pela diretoria-executiva da instituição. Do total de votos, 90,6% foram favoráveis às mudanças. Eram necessários 85%. As cotas representam o poder de decisão de cada um dos 184 países que integram o FMI. O Brasil liderou – ao lado de Argentina, Egito e Índia – movimento de oposição à reforma.


    Foi derrotado e saiu enfraquecido. Passou a ter 1,40% do poder decisório do FMI. Antes, tinha 1,42%. Entre os vitoriosos na votação, figuram concorrentes como China, México, Coréia do Sul e Turquia.


    Brasil sabia da perda


    O Brasil já sabia que perderia a disputa. Com a mobilização de uma resistência à proposta, tentou garantir que a reforma do FMI, em uma segunda etapa, contemple todos os países em desenvolvimento e fortaleça a posição brasileira na instituição.

    Segundo o diretor-executivo do FMI, Rodrigo de Rato, as mudanças aprovadas darão aos países emergentes mais espaço no FMI.


    “A nova fórmula deve dar mais simplicidade e transparência, no sentido de refletir a posição relativa dos membros do fundo na economia mundial”, disse Rodrigo de Rato em nota oficial.


    O ministro da Fazenda, Guido Mantega, representante (governador) do Brasil no fundo, disse que há o risco de a instituição perder sua legitimidade em decorrência da reforma. Mantega acusa o FMI de realizar uma mudança conservadora, que não se adequa à nova realidade da economia mundial porque não beneficia a maioria dos países em desenvolvimento. Já os defensores da iniciativa argumentam que esta é a maior reforma realizada desde a fundação do fundo, em 1945.


    Neste primeiro momento, apenas China (3,72%), México (1,45%), Coréia do Sul (1,35%) e Turquia (0,55%) foram beneficiados. De acordo com a diretoria do FMI, esses países eram os mais sub-representados. Ou seja, suas cotas não espelhavam o tamanho de suas economias. Juntos, passaram de 5,41% para 7,07% dos votos. As cotas dos Estados Unidos, país mais poderoso dentro do FMI, também foram levemente reduzidas. De 17,40% do poder decisório, passaram a ter 17,10%. Mesmo assim, continuam soberanos.


    Nova fórmula, em 2008


    Como as principais aprovações no FMI só ocorrem com 85% dos votos, os projetos que não recebem o apoio dos norte-americanos estão fadados ao fracasso. A assembléia do FMI também decidiu que no ano que vem uma nova fórmula para estabelecer as cotas será fixada e implementada até 2008. Embora aprovada ontem por franca maioria, a segunda etapa da reforma, quando a nova fórmula será definida, pode não ocorrer com tanta facilidade. Há discordâncias quanto ao modelo que deve ser proposto.

    O atual cálculo considera, principalmente, o tamanho do Produto Interno Bruto (PIB) e o nível de abertura da economia dos países. Rodrigo de Rato defende a ampliação da importância do PIB, mas a manutenção do nível de abertura ao exterior como um fator relevante. Mantega, por sua vez, quer que o tamanho do PIB e índices de menor vulnerabilidade externa ganhem peso no cálculo do poder decisório da instituição, em detrimento do nível de abertura das economias. Além disso, o Brasil quer que o PIB a ser considerado na próxima fórmula seja medido pela metodologia da Paridade do Poder de Compra (conhecido como PIB-PPP), o que reduziria a influência da taxa de câmbio no cálculo das cotas.

  • Mercado rebaixa pela quinta vez previsão para a inflação

    A projeção do mercado financeiro para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deste ano caiu de 3,32% para 3,23%. Foi a quinta queda consecutiva registrada por levantamento semanal feito pelo Banco Central. A nova redução deixou a estimativa ainda mais abaixo da meta central de 4,5% fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Para 2007, o otimismo em relação ao comportamento dos preços se repetiu.

    A projeção do mercado financeiro para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deste ano caiu de 3,32% para 3,23%. Foi a quinta queda consecutiva registrada por levantamento semanal feito pelo Banco Central. A nova redução deixou a estimativa ainda mais abaixo da meta central de 4,5% fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Para 2007, o otimismo em relação ao comportamento dos preços se repetiu. A previsão recuou de 4,4% para 4,34%, percentual também inferior aos 4,5% da meta de inflação fixada para o próximo ano.


    Apesar da melhora de cenário para a inflação, a projeção do mercado financeiro para a taxa de juros em outubro permaneceu em 14%. O percentual embute a expectativa de que o corte da Taxa Selic venha a cair para 0,25 ponto percentual na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do próximo mês. A previsão para o fim do ano também não mudou (13,75%). Em contrapartida, a expectativa do mercado para o fim de 2007 recuou de 12,75% para 12,5%. Neste cenário, a Selic ainda teria espaço para cair 1,25 ponto percentual ao longo de 2007. Desde setembro do ano passado, o Copom já reduziu os juros em 5,5 pontos.


    A pesquisa do BC registrou, ao mesmo tempo, queda da previsão de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano, de 3,2% para 3,11%. Com nova queda, a previsão ficou ainda mais distante dos 4% esperados pelo governo. A estimativa para o aumento da produção industrial, por sua vez, recuou de 3,81% para 3,66%. Para o próximo ano, a previsão de crescimento do PIB manteve-se em 3,5%. A projeção de expansão da produção industrial continuou em 4,5%.

    IPC-S perde força e aumenta apenas 0,3%

    Graças aos alimentos, que tiveram elevação menor de preços (de 1,01% para 0,63%) e transportes (de 0,12% para 0,08%), a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor – Semanal (IPC-S) perdeu força e subiu 0,3% na segunda semana de setembro, ante alta de 0,35% na semana anterior. O economista da Fundação Getúlio Vargas (FGV), André Braz, explicou que houve elevação de preços menos intensa em frutas (de 12,21% para 5,74%), entre a primeira e a segunda semana de setembro. “O comportamento dos preços dos alimentos in natura teve grande influência no resultado da inflação dessa última semana”, considerou.

    Além disso, segundo Braz, a deflação se intensificou no preço do álcool combustível, no mesmo período (de -0,22% para -1,43%). Para o próximo resultado do indicador, Braz diz que a taxa pode ser “em torno de 0,3% ou até um pouco maior”. Houve acelerações de preços em carne bovina (de 3,88% para 4,21%); aves e ovos (de 0,99% para 1,86%); pescados frescos (de variação zero para 0,57%); e carnes de outros tipos de animais (de 0,20% para 2,85%).

  • Balança tem superávit de US$ 1,283 bi na 3a semana

    A balança comercial da terceira semana de setembro fechou com superávit de US$ 1,283 bilhão, informou ontem a Secretaria de Comércio Exterior (Secex). O resultado contribuiu para que o superávit nas três semanas do mês alcançasse US$ 2,104 bilhões, apesar do maior impulso das importações do que das vendas externas no período.

    A balança comercial da terceira semana de setembro fechou com superávit de US$ 1,283 bilhão, informou ontem a Secretaria de Comércio Exterior (Secex). O resultado contribuiu para que o superávit nas três semanas do mês alcançasse US$ 2,104 bilhões, apesar do maior impulso das importações do que das vendas externas no período. No ano, a balança registra saldo positivo de US$ 31,732 bilhões e aproxima-se da mais recente meta definida pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) para 2006, de US$ 42 bilhões.


    Na semana passada, as exportações somaram US$ 3,119 bilhões, e as importações chegaram a US$ 1,836 bilhão. Os dados das três semanas de setembro indicam aceleração das importações, em comparação com o crescimento menor das exportações. Trata-se de uma tendência esperada pelo governo e que deverá ser reforçada até o final do ano.


    O resultado acumulado no ano mostra que as exportações somam US$ 94,293 bilhões – aumento de 15,2% – enquanto as importações alcançam US$ 62,561 bilhões, com crescimento de 23% em relação a igual período de 2005.


    Em setembro, as importações somam US$ 4,025 bilhões, com média diária de US$ 402,5 milhões – cifra que corresponde a aumento de 33,8%, em relação à média de setembro de 2005. O petróleo respondeu por 20,7% do total importado nas três semanas deste mês. A média desembarcada diariamente desse item cresceu 58%, na mesma comparação. Salvo os produtos de divisões de indústrias químicas, adubos e fertilizantes e fios e fibras, que tiveram quedas de 5,4%, 1,3% e 0,5% respectivamente, todos os principais itens da pauta importadora brasileira apresentaram crescimento expressivo. As compras externas de veículos e autopeças aumentaram 35,1%, e as de produtos siderúrgicos, 27,4%; as de cobre cresceram 121,7%, as de aeronaves, 112,5%, e as de algodão, 164,4%.


    A média diária de exportações nas três semanas, de US$ 612,9 milhões, teve expansão mais modesta, de 21,0%, na comparação com setembro de 2005. O total exportado no período foi de US$ 6,129 bilhões. Dentre os 17 setores especificados pela Secex, apenas o têxtil apresentou queda na média diária de vendas externas, de 15,4%. As exportações de produtos básicos cresceram 17,3%, em especial devido ao desempenho dos segmentos do café (+47,2%), minérios (+39,2%), fumo (+66,1%) e soja (0,7%).


    Categoria que responde por mais da metade das exportações brasileiras, as manufaturas tiveram aumento de 20,9% na média diária, puxado principalmente pelas vendas de produtos metalúrgicos (+38,8%), de materiais de transporte (+3,5%), de equipamentos mecânicos (+13,6%), de eletroeletrônicos (+9,1%) e de suco de laranja (+19,3%). Os semimanufaturados tiveram aumento de 40,6%, na comparação com setembro de 2005, graças a setores como de papel e celulose (+49,3%).


    Expectativa

    Segundo estimativa do secretário de comércio exterior do Ministério do Desenvolvimento, Armando Meziat, o superávit da balança deverá atingir US$ 4 bilhões este mês, com US$ 12 bilhões de exportações e US$ 8 bilhões em importações. Ele confirmou que está em estudo a revisão, para cima, da meta de exportações de US$ 132 bilhões para 2006.

    Meziat apresentou as estimativas no Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos Brasil-Suécia, realizado ontem no Rio. Segundo o secretário, os dados da balança em setembro apontavam até a semana passada uma média diária de exportações de US$ 613 milhões.

    José Augusto de Castro, vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), disse que as estimativas estão plenamente coerentes com os resultados que vêm sendo apresentados na balança de setembro.

  • Anais da CERSC – 2004

    Contempla trabalhos sobre Direito Sindical, abordando temas submetidos à apreciação da CERSC e que revelam as recentes transformações do sindicalismo brasileiro, especialmente no que tange ao enquadramento sindical e recolhimento de contribuição sindical.

    Contempla trabalhos sobre Direito Sindical, abordando temas submetidos à apreciação da CERSC e que revelam as recentes transformações do sindicalismo brasileiro, especialmente no que tange ao enquadramento sindical e recolhimento de contribuição sindical.

  • Anais da CERSC – 2003

    Contempla trabalhos sobre Direito Sindical, abordando temas submetidos à apreciação da CERSC e que revelam as recentes transformações do sindicalismo brasileiro, especialmente no que tange ao enquadramento sindical e recolhimento de contribuição sindical.

    Contempla trabalhos sobre Direito Sindical, abordando temas submetidos à apreciação da CERSC e que revelam as recentes transformações do sindicalismo brasileiro, especialmente no que tange ao enquadramento sindical e recolhimento de contribuição sindical.

  • Anais da CERSC – 2002

    Contempla trabalhos sobre Direito Sindical, abordando temas submetidos à apreciação da CERSC e que revelam as recentes transformações do sindicalismo brasileiro, especialmente no que tange ao enquadramento sindical e recolhimento de contribuição sindical.

    Contempla trabalhos sobre Direito Sindical, abordando temas submetidos à apreciação da CERSC e que revelam as recentes transformações do sindicalismo brasileiro, especialmente no que tange ao enquadramento sindical e recolhimento de contribuição sindical.

  • Cinco MPs trancarão a pauta do Plenário em outubro

    A pauta do Plenário da Câmara na volta aos trabalhos em outubro, logo depois das eleições, estará trancada por cinco medidas provisórias. Uma delas é a MP 315/06, conhecida como pacote cambial. O principal ponto da proposta é a permissão para que os exportadores mantenham no exterior parte da receita obtida com a venda dos produtos. O objetivo do governo é reduzir a entrada de dólares no País e, assim, melhorar a cotação da moeda americana frente ao Real.

    Já a MP 316/06 reajusta em 5,01% os benefícios pagos pela Previdência Social acima de um salário mínimo.

    A pauta do Plenário da Câmara na volta aos trabalhos em outubro, logo depois das eleições, estará trancada por cinco medidas provisórias. Uma delas é a MP 315/06, conhecida como pacote cambial. O principal ponto da proposta é a permissão para que os exportadores mantenham no exterior parte da receita obtida com a venda dos produtos. O objetivo do governo é reduzir a entrada de dólares no País e, assim, melhorar a cotação da moeda americana frente ao Real.

    Já a MP 316/06 reajusta em 5,01% os benefícios pagos pela Previdência Social acima de um salário mínimo. Ainda não há acordo para a votação dessa matéria, pois a oposição quer um aumento de 16,67%.


    Dívidas

    A MP 317/06 permite que os agricultores renegociem parcelas atrasadas de dívidas de financiamentos vencidas e a vencer em 2005 e 2006.

    E as outras duas MPs que trancam a pauta abrem crédito extraordinário de R$ 10 milhões para o Ministério da Integração Nacional (MP 313/06) e de R$ 698,79 milhões para os ministérios dos Transportes, do Desenvolvimento Agrário e da Integração Nacional (MP 314/06). (Agência Câmara, 18 de setembro de 2006)


     

  • Projeto de lei institui a licença-parental

    O senador Antônio Carlos Valadares (PSB-SE) apresentou projeto de lei que acrescenta à Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) a licença parental, por meio da qual o empregado terá direito à licença-paternidade por todo o período da licença-maternidade ou pela parte restante que dela caberia à mãe, em caso de morte, grave enfermidade, abandono da criança ou de guarda exclusiva do filho pelo pai (PLS 165/06).

    O senador Antônio Carlos Valadares (PSB-SE) apresentou projeto de lei que acrescenta à Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) a licença parental, por meio da qual o empregado terá direito à licença-paternidade por todo o período da licença-maternidade ou pela parte restante que dela caberia à mãe, em caso de morte, grave enfermidade, abandono da criança ou de guarda exclusiva do filho pelo pai (PLS 165/06). A matéria encontra-se na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) e é relatada pelo senador Augusto Botelho (PDT-RR).


    Além de modificar a CLT (Decreto-Lei 5.452/43), o projeto altera artigos e acrescenta novos dispositivos à Lei 8.213/91, que dispõe sobre os planos de benefícios da Previdência Social, como forma de assegurar o recebimento do salário-parental pelostrabalhadores, a exemplo do que já ocorre com o salário-maternidade.


    Na justificativa do projeto, Antônio Carlos Valadares argumenta que legislações de países mais avançados, como Itália, Portugal e França, prevêem, além da licença-maternidade propriamente dita, períodos de afastamento para o cuidado dos filhos, que podem ser gozados tanto pelo pai quanto pela mãe.


    “Esse tipo de licença, chamada licença-parental, diminui o custo da mão-de-obra feminina porque ameniza a discriminação de gênero no mercado de trabalho. Nessa ótica legislativa, os filhos são vistos como responsabilidade do casal e não da mulher, exclusivamente. A proteção é direcionada para a família, e não para o mercado de trabalho da mulher, de modo a evitar mais exclusão e discriminação salarial em relação às trabalhadoras”, explica.


    Licença


    O projeto garante aos pais o direito à licença parental nos primeiros seis anos de vida de cada filho, inclusive os adotivos ou sob guarda judicial. Nos casos de adoção, a licença-parental será concedida ao empregado desde que a licença-maternidade não tenha sido requerida pelo trabalhador.


    A licença-parental, de acordo com o projeto, não poderá exceder cumulativamente o limite de seis meses e estará assegurada aos empregados nas modalidades a seguir: à empregada, transcorrido o período da licença-maternidade, por um período contínuo ou fracionado de quatro meses; ao empregado, a partir do nascimento do filho, por um período ininterrupto ou fracionado não superior a quatro meses.


    Em relação ao salário-parental, o projeto estabelece que o benefício constituirá uma renda mensal equivalente a 30% da remuneração integral do trabalhador, a ser pago diretamente pela Previdência Social. A empresa poderá compensar o pagamento do beneficio no momento do recolhimento das contribuições incidentes sobre a folha de salários e demais rendimentos pagos ou creditados a pessoa física, a qualquer título.


    De acordo com o projeto, a licença-parental será devida ao empregado mesmo quando o cônjuge não tenha o direito de gozar do benefício. Se a criança tiver entre seis e doze anos de idade no ato de adoção ou da obtenção da guarda judicial, a licença-parental deverá ser gozada nos três primeiros anos do ingresso do menor no núcleo familiar, conforme determina a proposta.


    O projeto estabelece que os empregados com filho menor e portador de deficiência terão o direito ao prolongamento da licença-parental em até três anos, desde que o filho não esteja internado em instituições especializadas em período integral. Nas empresas com mais de 50 funcionários, o empregado responsável por menor de até três anos de idade, portador de deficiência física, sensorial, mental ou de doença que exija tratamento continuado, poderá optar entre o prolongamento da licença ou ausências do local de trabalho por até 10 horas, durante a jornada semanal, sem prejuízo da própria remuneração.


    Produção


    Antonio Carlos Valadares também ressalta, na justificativa da proposta, que a mulher ingressou no mercado de trabalho nos idos da Revolução Industrial para atender a um imperativo da lógica de mercado que exigia maior produção a um custo mais baixo. Segundo ele, o trabalho das mulheres era mal-remunerado e explorado em condições degradantes e jornadas estafantes.


    “Assim, a legislação teve que vir em seu socorro, estabelecendo uma série de medidas de proteção, buscando realizar o princípio da igualdade. Entretanto, nos dias atuais se discute se tais medidas não se voltam contra a própria trabalhadora, constituindo óbice à inserção da mulher no mercado de trabalho, contribuindo para a manutenção do estigma da força de trabalho de segunda categoria”, argumenta.


    De acordo com Antônio Carlos Valadares, as iniciativas legislativas mais afinadas com o momento atual do mercado têm defendido a manutenção de ações que preservem a mão-de-obra feminina, retirando o foco de discussão central da mulher e redirecionando-o à família, como forma de ampliar a noção de que a responsabilidade pelo lar é tarefa indistinta de homens e mulheres. (Agência Senado, 18 de setembro de 2006)




     

  • Proposta de Renan Calheiros pode solucionar precatórios

    A Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) pode votar ainda este ano proposta de emenda à Constituição destinada a sanar a difícil situação em que se encontram estados e municípios sem recursos para pagar precatórios – decisões judiciais irrecorríveis que obrigam a fazenda pública a quitar dívidas.

    A Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) pode votar ainda este ano proposta de emenda à Constituição destinada a sanar a difícil situação em que se encontram estados e municípios sem recursos para pagar precatórios – decisões judiciais irrecorríveis que obrigam a fazenda pública a quitar dívidas. O relator da matéria na CCJ é o senador César Borges (PFL-BA).


    Autor da proposta (PEC 12/06), o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), diz que esse problema assumiu relevância no país em razão do enorme volume de precatórios não pagos por estados e municípios que, só em 2004, somavam R$ 61 bilhões. Na justificação da proposta, ele observa que 73% desses débitos são de responsabilidade dos estados.


    De acordo com Renan, paralelamente aos precatórios devidos, estados e municípios apresentam situação financeira difícil. Só os estados apresentam uma média de comprometimento de 85% da receita corrente líquida, isto é, aquela destinada a despesas com pessoal, saúde, educação e pagamento de dívidas. Ou seja, do total de recursos dos estados, restam apenas 15% para outros gastos e investimentos. O senador lembra que, durante todo o ano passado, foram realizadas reuniões com o objetivo de minimizar conflitos e buscar uma solução comum a todos os envolvidos com essas dívidas. Renan define sua proposta como “uma sugestão para viabilizar o debate na busca de uma solução para a questão dos precatórios”. Ele afirma que deseja contribuir para uma solução definitiva, “equacionando os débitos existentes e, ao mesmo tempo, assegurando o pagamento dos novos precatórios”.


    O texto acrescenta um parágrafo ao artigo 100 da Constituição, para determinar que os pagamentos de precatórios somente ocorrerão após prévia compensação de valores quando o credor originário possuir débito na dívida ativa da respectiva fazenda pública. Mas isso desde que a execução fiscal desse credor não esteja embargada e desde que a sentença favorável à fazenda pública tenha transitado em julgado. A mesma proposta acrescenta um artigo ao Ato das Disposições Constitucionais Transitórias determinando que a União, os estados, o Distrito Federal e os municípios possam optar, de forma irretratável, por regime especial de pagamento de precatórios relativos às suas administrações, a ser efetuado com recursos calculados com base na vinculação de percentual de suas despesas primárias líquidas, nos termos, condições e prazos a serem definidos em lei federal. (Agência Senado, 18 de setembro de 2006)