Ciclo de queda da Selic perto do fim



Gazeta Mercantil  Editoria: Finanças  Página: B-2


Após a leitura da ata, analistas crêem que, na melhor das hipóteses, juro cai só mais uma vez no ano. O ciclo de queda do juro básico, após 18 reduções consecutivas desde setembro de 2005, está perto do fim. Esta foi a principal conclusão tirada da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) divulgada ontem. Embora tenha havido unanimidade na decisão de cortar em 0,25 ponto a Selic, para 11,25% ao ano, o colegiado chegou a cogitar a manutenção do juro na reunião da semana passada.



Gazeta Mercantil  Editoria: Finanças  Página: B-2


Após a leitura da ata, analistas crêem que, na melhor das hipóteses, juro cai só mais uma vez no ano. O ciclo de queda do juro básico, após 18 reduções consecutivas desde setembro de 2005, está perto do fim. Esta foi a principal conclusão tirada da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) divulgada ontem. Embora tenha havido unanimidade na decisão de cortar em 0,25 ponto a Selic, para 11,25% ao ano, o colegiado chegou a cogitar a manutenção do juro na reunião da semana passada. A decisão do Copom de deixar isto claro na ata foi entendida como um sinal inequívoco de que os juros param de cair em breve. Ao citar os fatores preocupantes, a ata destacou a demanda interna, a volatilidade dos mercados e uma contribuição menor das importações.


Apesar de um Copom mais preocupado, analistas ainda estão divididos quanto à reunião de outubro. “Parece claro que, para o Copom, as condições são muito menos favoráveis a novos cortes e o colegiado está pronto para interromper o ciclo de queda já em outubro”, avalia Vladimir Caramaschi, economista-chefe da corretora Fator. “O BC está mais atento à demanda em alta do que à inflação e por isto só uma novidade muito positiva fará a Selic cair novamente este ano.”


Em vários trechos da ata, o Copom manifesta sua preocupação sobre os efeitos do crescimento da demanda. “O ritmo de expansão da demanda doméstica, que deve continuar sendo sustentada, continua podendo colocar riscos não desprezíveis para a dinâmica inflacionária”, diz a ata. Analistas também destacaram a menor contribuição do setor externo para um ambiente inflacionário benigno. “A contribuição do setor externo para um cenário inflacionário benigno pode estar se tornando menos efetiva.”


Apesar de um cenário mais nebuloso, que reforça a tese de fim do ciclo de queda do juro, ainda há divisão quanto ao momento exato da parada. Para o economista-chefe do BNP Paribas, Alexandre Lintz, ainda há espaço para mais uma queda de 0,25 ponto na Selic na reunião de 17 de outubro. “O BC discutiu a pausa baseado nas surpresas negativas recentes, agora eu prefiro olhar o cenário de médio prazo que ainda é bom”, diz Lintz. “É prudente o BC sinalizar que o ciclo de queda está próximo do fim, mas acredito em pelo menos mais um corte.”


Para a economista-chefe do BES Investimento, Sandra Utsumi, a reunião de outubro está em aberto. “Não dá para descartar mais um corte ou mesmo uma parada na próxima reunião, depende do comportamento da atividade doméstica, que tem forte peso”, diz Sandra. Um ponto positivo, citado na ata, e que pode garantir ao menos mais uma queda no juro, é o nível de investimento.


Dólar volta a cair


Na BM&F, os juros futuros fecharam sem uma direção única. O DI janeiro de 2009, o mais líquido, registrou taxa anual de 11,56%, ante 11,48% do último ajuste. Janeiro de 2008 foi de 11,07% para 11,08%. No câmbio, o dólar caiu 0,52%, a R$ 1,899. A Bovespa subiu 1,90%, a 54.908 pontos.