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  • Com presença de ministros e do governador do Rio, começa o Enaex 2015

    Com a presença de três ministros de Estado, do governador Luiz Fernando Pezão e do vice-governador Francisco Dornelles, além de líderes empresariais do País, foi realizada, na manhã de 19 de agosto, no Rio de Janeiro, a abertura do Encontro Nacional de Comércio Exterior (Enaex 2015). Promovido pela Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), o Enaex é considerado o maior evento do setor no Brasil e coincide com um momento em que o País precisa ampliar sua pauta de exportações, como forma de equilibrar a balança de pagamentos e retomar o crescimento da economia.

    Com a presença de três ministros de Estado, do governador Luiz Fernando Pezão e do vice-governador Francisco Dornelles, além de líderes empresariais do País, foi realizada, na manhã de 19 de agosto, no Rio de Janeiro, a abertura do Encontro Nacional de Comércio Exterior (Enaex 2015). Promovido pela Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), o Enaex é considerado o maior evento do setor no Brasil e coincide com um momento em que o País precisa ampliar sua pauta de exportações, como forma de equilibrar a balança de pagamentos e retomar o crescimento da economia. Não por acaso, o tema central dos debates este ano é a competitividade.

    Acompanhados com atenção pela plateia de empresários que lotou o Centro de Convenções SulAmérica, na região central do Rio, os ministros Edinho Araújo (Secretaria de Portos da Presidência da República), Armando Monteiro Neto (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) e Joaquim Levy (Fazenda) apresentaram os projetos e ações que o governo vem realizando para fortalecer o comércio exterior brasileiro.

    A CNC, que é patrocinadora do Enaex e conta com um estande conjunto com o Senac, esteve representada pelos vice-presidentes Darci Piana e Lázaro Gonzaga; pelo diretor-secretário, Bruno Breithaupt, e pelo secretário-geral da entidade, Marcos Arzua. Também estiveram presentes os coordenadores das Câmaras do Comércio da CNC André Roncatto (CBÓptica), Claudio Conz (CBMC, de Materiais de Construção), João Carlos Micelli (CBCGal, de Gêneros Alimentícios) e Rubens Medrano (CBCex, de Comércio Exterior).

    Apesar do momento de dificuldades internas e externas, a percepção é que o Brasil tem potencialidades para promover uma expansão sustentável de seu comércio exterior, com base na adoção de medidas que reduzam os custos logísticos, financeiros e tributários e o peso da burocracia. “O câmbio, apesar de estar em nível mais favorável, não é a solução de todos os nossos problemas”, afirmou, na abertura do evento, o presidente da AEB, José Augusto de Castro. “Precisamos promover medidas que deem mais competitividade aos produtos brasileiros, principalmente os manufaturados, que são os que mais geram empregos.”

    O presidente de honra da AEB, Ernane Galvêas, consultor Econômico da Presidência da CNC, disse que há uma grande preocupação com a situação da economia do País, sobre a qual também se reflete o ambiente político. Ele observou que a carga sobre as exportações brasileiras impede que o comércio exterior contribua para as soluções dos grandes problemas da área econômica, principalmente os fiscais e os relacionados ao balanço de pagamentos. “O problema não é apenas conjuntural, mas estrutural”, observou Ernane Galvêas, que foi ministro da Fazenda de 1980 a 1985. “Vamos ter que mobilizar todas as vontades; todos os esforços vão ter que caminhar na mesma direção. E é por isso que o Enaex tem uma importância fundamental: discutir algumas soluções pela via do comércio exterior para os problemas nacionais que hoje enfrentamos.”

    A programação do evento prevê a realização de dois dias de debates (19 e 20) com diversos painéis sobre a competitividade do comércio exterior brasileiro. Está prevista também a entrega do Prêmio Destaque do Comércio Exterior 2015. O Enaex deste ano marca, ainda, os 45 anos da AEB.

  • Entrevista: Lázaro Luiz Gonzaga, vice-presidente da CNC e presidente da Fecomércio-MG

    Qual é sua perspectiva em relação à contratação de mão de obra para o final do ano? E de reposição de estoques?

    Qual é sua perspectiva em relação à contratação de mão de obra para o final do ano? E de reposição de estoques?

    A expectativa quanto a novas contratações é positiva. Para a economia em geral, o segundo semestre tende a ser mais aquecido que o primeiro, e a atividade econômica é mais intensa. Para o comércio em especial, temos três importantes datas para o varejo: Dia dos Pais, Dia das Crianças e Natal, além da injeção de renda proporcionada pelo 13º salário. Isso ajuda a alavancar o volume de vendas. E para atender melhor à crescente demanda, investimentos em capacitação e contratação de mão de obra são necessários.

    Esse desempenho mais aquecido da economia requer velocidade na reposição do estoque. Além disso, melhorar a capacidade de previsão da demanda, para garantir satisfação do consumidor com disponibilidade de produtos nas lojas, é de suma importância para o sucesso do empreendimento.

    Como o senhor vê a evolução da economia/comércio em seu estado até o final  do ano?

    Minas Gerais acompanha o cenário do Brasil. Viemos de um ano de baixa atividade econômica, com retração do PIB e do comércio. Esse enfraquecimento ainda foi sentido no primeiro semestre, com sucessivas quedas no volume de vendas.

    Entretanto, a economia de Minas é muito dinâmica e uma das mais aquecidas do País. Além disso, acreditamos no potencial do setor terciário, sendo o principal gerador de empregos. A confiança e a expectativa são pilares para a retomada do crescimento. Com datas comemorativas importantes, que movimentam a economia, teremos a oportunidade de dar um passo para a recuperação.

    Na área em que o senhor atua, que medidas prudenciais devem ser adotadas pelos empresários?

    O setor farmacêutico tem certa vantagem, por comercializar itens de primeira necessidade. Ainda assim, há uma realocação de produtos por parte do consumidor, fazendo com que a procura pelos bens mais baratos aumente.

    Por isso, este é um momento em que é preciso ter prudência. Estudar o mercado, saber investir corretamente e conquistar o consumidor por meio de uma mensagem convincente é essencial. Como em qualquer segmento do varejo, é preciso entender o comportamento do cliente para atender às expectativas destes e direcionar ações para cada público.

    A alta de gastos do setor – como energia, pessoal, combustíveis – tem afetado os negócios?

    Certamente. Em 2015, observamos um avanço expressivo no preço dos bens administrados, como os combustíveis. Para o caso da energia, em especial, a estiagem ainda amplificou esse cenário de aumento dos valores. Sendo assim, o gasto do empresariado com os chamados custos fixos teve um aumento, o que, somado ao cenário de queda das vendas e à consequente redução nas receitas, acaba por comprometer a saúde financeira do setor.

    A inflação é a maior vilã para o comércio atualmente?

    O comércio depende muito das situações do mercado. É o primeiro segmento que sente as adversidades da economia, pois lida diretamente com o consumidor final. Em um cenário de inflação alta, no qual o poder de compra dos consumidores é reduzido, a demanda no comércio diminui de forma significativa, refletindo-se em um menor volume de vendas.

    No entanto, outros fatores são protagonistas dessa condição adversa. O desemprego, por exemplo, deixa o consumidor mais cauteloso no ato da compra. A elevada taxa de juros, por sua vez, restringe o crédito, o que gera uma queda na demanda no varejo, principalmente daqueles produtos de maior valor, que dependem de condições de financiamento.

    Quais as alternativas para o empresariado do comércio de bens, serviços e turismo no cenário econômico até o final de 2015?  

    Muitos dizem que as grandes oportunidades surgem em períodos de crise. Nesses momentos, é preciso se reinventar. Sobreviver em meio a esse cenário não é fácil. É preciso identificar as oportunidades.

  • Entrevista: Itelvino Pisoni, diretor da CNC e presidente da Fecomércio-TO

    Qual é sua perspectiva de contratação de mão de obra para o final do ano? E de reposição de estoques?

    As últimas pesquisas de confiança dos empresários mostram que estes estão apenas mantendo seu estoque. Então, é possível que, para o final de ano, os estoques estejam dentro do adequado. Já a contratação do setor de comércio no último levantamento do Caged (MTE) mostrou uma variação negativa. Esperamos que até o Natal esses dados mudem, porém acredito que não haverá superávit de contratações. O setor de serviços ainda mantém nível positivo, com variação positiva.

    Qual é sua perspectiva de contratação de mão de obra para o final do ano? E de reposição de estoques?

    As últimas pesquisas de confiança dos empresários mostram que estes estão apenas mantendo seu estoque. Então, é possível que, para o final de ano, os estoques estejam dentro do adequado. Já a contratação do setor de comércio no último levantamento do Caged (MTE) mostrou uma variação negativa. Esperamos que até o Natal esses dados mudem, porém acredito que não haverá superávit de contratações. O setor de serviços ainda mantém nível positivo, com variação positiva.

     Como o senhor vê a evolução da economia/comércio em seu estado até o final do ano?

     Acredito que o comércio terá uma alavancada no volume de vendas próximo do Natal, mas não será acima da expectativa, já que o Estado vem enfrentando várias dificuldades econômicas, principalmente relacionadas aos servidores públicos, que são um pouco mais da metade dos empregados formais do Tocantins. Além disso, temos outros fatores, como alta nos juros e insegurança. O Dia dos Pais registrou queda nas vendas, e é possível que esse aumento só comece depois de outubro.

     Na área em que o senhor atua como empresário (apontar a área), que medidas prudenciais devem ser adotadas pelos empresários?

     No varejo, principalmente, o empresário deve investir em uma maior qualidade no atendimento, para alavancar vendas (podem ser feitos treinamentos e capacitações por meio do Senac), calcular melhor na hora de efetuar a compra do estoque, inovar, aproveitando as oportunidades e aprendendo com quem já realiza ações inovadoras, reduzir custos (cortando supérfluos), economizar energia e materiais de expediente e, no caso mais extremo, demitir de funcionários, realizar liquidações e promoções, bem como ações de marketing, além de manter a motivação de toda a equipe.

     A alta de gastos do setor – como energia, pessoal, combustíveis – tem afetado os negócios?

     Com certeza. O empresário trabalha de acordo com o movimento da economia. Ou seja, caso haja aumento de tributos e no preço das mercadorias, naturalmente ele tem que repassar para os consumidores, o que se torna um ciclo. Principalmente a tarifa enérgica e a alta no preço do combustível têm impactado o mercado, pois são itens de extrema importância.

     A inflação é a maior vilã para o comércio atualmente?

     Eu acredito que a principal vilã é a insegurança causada pela instabilidade econômica, que força os empresários a deixar de investir. E em alguns casos, a demissão de funcionários também é uma saída, e a população, de forma geral, passa a consumir somente os produtos e serviços estritamente necessários, provocando queda nas vendas, o que, consequentemente, tem reflexos negativos no comércio.

  • Entrevista: Jeferson Furlan Nazario, presidente da Fenavist

    Qual é sua perspectiva de contratação de mão de obra para o final do ano? E de reposição de estoques?

    A perspectiva não é boa. Somente no primeiro semestre, tivemos uma redução de aproximadamente 10 mil postos de trabalho no setor de segurança privada. Se a economia continuar nesse passo, pode gerar ainda mais demissões.

    Como o senhor vê a evolução da economia/comércio em seu estado até o final do ano?

    Qual é sua perspectiva de contratação de mão de obra para o final do ano? E de reposição de estoques?

    A perspectiva não é boa. Somente no primeiro semestre, tivemos uma redução de aproximadamente 10 mil postos de trabalho no setor de segurança privada. Se a economia continuar nesse passo, pode gerar ainda mais demissões.

    Como o senhor vê a evolução da economia/comércio em seu estado até o final do ano?

    Com preocupação, pois a cada dia a circulação de compras e dinheiro está se reduzindo. Como as lojas e os restaurantes dependem do consumo, se a economia não favorece a prática, a tendência é que alguns empreendimentos fechem as portas.

    Na área em que o senhor atua, que medidas prudenciais devem ser adotadas pelos empresários?

    No segmento de segurança privada estamos enxugando todos os custos, realizando promoções e aumentando a divulgação, a fim de trazer novos consumidores para os nossos serviços.

    A alta de gastos do setor – como energia, pessoal, combustíveis – tem afetado os negócios?

    Sim, porque afeta a nossa planilha de custos. Tudo isso subiu de maneira assustadora, e temos que passar para o cliente esse custo. Portanto, afeta não somente as empresas, mas principalmente o consumidor.

    A inflação é a maior vilã para o comércio atualmente?

    Com a inflação alta, o consumidor tem seu poder diminuído para realizar as despesas corriqueiras. Essa redução afeta os empresários, que perdem contratos e, como consequência, são obrigados a demitir alguns funcionários para contenção de gastos.

  • Entrevista: Carlos de Souza Andrade, vice-presidente da CNC e presidente da Fecomércio-BA

    Qual é sua perspectiva de contratação de mão de obra para o final do ano? E de reposição de estoques?

    Qual é sua perspectiva de contratação de mão de obra para o final do ano? E de reposição de estoques?

    Poucas chances de aumento de contratações. As economias brasileira e baiana estão em desaceleração. Esse fenômeno não permite apostas ousadas, como contratações, neste momento. Ao contrário, o que está ocorrendo é um processo de redução de postos de trabalho, infelizmente. Dificilmente esse cenário mudará até o final deste ano. Com relação a estoques, a maioria dos varejistas tem estoques suficientes ou acima do suficiente. Não há pressa no encaminhamento de novos pedidos. Especificamente para o setor de farmácias o quadro é um pouco diferente, porque as lojas devem trabalhar com estoques relativamente baixos, por conta da validade e de determinações legais. Além disso, o setor é essencial. Então, o ritmo de colocação de pedidos para remédios é o mesmo de sempre, mas para produtos de perfumaria também houve redução das vendas e, portanto, dos pedidos a fornecedores.

    Como o senhor vê a evolução da economia/comércio em seu estado até o final do ano?

    Difícil. O Estado da Bahia deve perder cerca de 10% do faturamento real neste ano, e não haverá recuperação no curto prazo. A expectativa é que em 2016 as vendas possam começar a se recuperar, ainda que gradativamente.

    Na área em que o senhor atua, que medidas prudenciais devem ser adotadas pelos empresários?

    As mesmas medidas que devem ser adotadas por todos os empresários: eficiência, produtividade, olho nas perdas e no desperdício, controle de caixa e de capital de giro e muita atenção ao giro de estoques.

    A alta de gastos do setor – como energia, pessoal, combustíveis – tem afetado os negócios?

    Claramente. São custos que o empresário pode controlar um pouco, com economia, porém não há como não incorrer em algum esforço. Todos os custos aumentando e as receitas de venda caindo criam uma bomba-relógio para o varejo que, em breve, vai redundar em mais desemprego e redução do número de empresas no setor. Para que isso não ocorra, é necessário que o ambiente político se resolva e que as reformas venham rapidamente.

    A inflação é a maior vilã para o comércio atualmente?

    A Inflação é uma vilã sempre; corrói poder de compra, aumenta custos e reduz a capacidade dos compradores. Se não é a maior vilã, é uma das maiores, em tempos de tantos problemas na economia.

    Quais as alternativas para o empresariado do comércio de bens, serviços e turismo no cenário econômico até final de 2015?  

    As alternativas são poucas: tentar se manter com as finanças em dia até o início da recuperação econômica, que pode demorar mais de um ano a começar. Para isso, olho nos custos, no giro dos estoques, na eficiência e na produtividade dos trabalhadores e muita atenção a roubos, perdas e desperdícios.

  • Entrevista: Edgar Segato Neto, presidente da Febrac

    Qual é sua perspectiva de contratação de mão de obra para o final do ano?

    O setor de limpeza e conservação tem uma perspectiva de crescimento de aproximadamente 10% ao ano. Com a realização das Olimpíadas no Rio de Janeiro em 2016 e a regulamentação da terceirização, os empresários esperam que o avanço seja ainda maior.

    Na área em que o senhor atua, que medidas prudenciais devem ser adotadas pelos empresários?

    Qual é sua perspectiva de contratação de mão de obra para o final do ano?

    O setor de limpeza e conservação tem uma perspectiva de crescimento de aproximadamente 10% ao ano. Com a realização das Olimpíadas no Rio de Janeiro em 2016 e a regulamentação da terceirização, os empresários esperam que o avanço seja ainda maior.

    Na área em que o senhor atua, que medidas prudenciais devem ser adotadas pelos empresários?

    Em ano de crise, as palavras de ordem para sobreviver e avançar no mundo dos negócios são mapear todos os gastos, aplicar os recursos de forma devida e agir sempre dentro da legalidade, procurar novos canais de venda – quem sabe diferentes públicos –, tentar ofertar outras opções para o consumidor e fazer parcerias.

    Ademais, sugiro também que os empresários renegociem, cortem os gastos sem retorno financeiro e, o mais importante, acompanhem de perto os resultados.

    A alta de gastos do setor – como água, energia, pessoal, combustíveis – tem afetado os negócios?

    As empresas estão investindo em aparelhos e produtos que não demandam grandes volumes de água, como máquinas de alta pressão e produtos concentrados, utilizados para a higienização dos ambientes. Nesse sentido, empresas que trabalham com limpeza e conservação usam cada vez mais produtos que não necessitam de água para limpar. Eles fazem as funções de lavar, esfregar e secar, bastando a utilização de um pano úmido ao final da aplicação para remover espuma e detritos. Em alguns casos também a limpeza diária é feita por meio de varrição e coleta do lixo seco, deixando a limpeza com água para ser realizada em intervalos maiores de tempo.

    A inflação é a maior vilã para o comércio atualmente?

    A inflação tem um grande efeito sobre o setor de serviços, principalmente na manutenção dos empregos. A elevada carga tributária no País tem servido também de agente inibidor do crescimento de empresas, expansão dos negócios, contratação de pessoal e também de investimentos. Uma conjugação nefasta de fatores compõe um quadro real e profundamente preocupante para praticamente todas as empresas do nosso setor. Salvo exceções, a ameaça conjuntural e estrutural da economia brasileira, com a brutal carga fiscal, a tributação absurda dos investimentos produtivos, os juros estratosféricos, o Judiciário e o Executivo legislando em desfavor, torna-se ainda mais grave.

  • Entrevista: Paulo Miranda Soares, presidente da Fecombustíveis

    Qual é sua perspectiva de contratação de mão de obra para o final do ano? E de reposição de estoques?

    Qual é sua perspectiva de contratação de mão de obra para o final do ano? E de reposição de estoques?

    Há perspectiva de contratação no final do ano. De forma geral, para a revenda de combustíveis o importante vai ser manter a mão de obra empregada no setor. Temos 600 mil empregos diretos e acreditamos que continuará nessa média. Em nossa expectativa, não haverá desemprego como tem ocorrido em outros setores, uma vez que as vendas de combustíveis estão estáveis. Só como exemplo, no primeiro semestre deste ano a comercialização de combustíveis (gasolina, diesel e etanol) registrou crescimento de 1% em relação ao mesmo período do ano passado.

    Em relação aos estoques, nosso setor não trabalha com estoques expressivos; atuamos com estoques de três dias.

    Como o senhor vê a evolução da economia/comércio em seu estado até o final do ano?

    Grave. As perspectivas não são otimistas. O comércio deve sofrer uma desaceleração talvez até maior que a do PIB. No caso dos combustíveis é diferente, porque vendemos para uma frota de veículos circulante. Com a economia ruim, as pessoas estão andando menos de carro, e há perspectiva de queda na produção da indústria automobilística em torno de 20%. E mesmo assim, serão 2,8 milhões de carros. Em razão desse panorama, trabalhamos com a perspectiva de um aumento modesto nas vendas de combustíveis, em torno de 2%.

    Na área em que o senhor atua, que medidas prudenciais devem ser adotadas pelos empresários?

    Recomendo cautela e não tomar empréstimos nesse período, já que os juros bancários estão muito altos. O empresário tem que ser conservador. Se for fazer investimentos no posto, só use recursos próprios; evite empréstimos. Não é o momento de contrair dívidas.

    A alta de gastos do setor – como energia, pessoal, combustíveis – tem afetado os negócios?

    Felizmente, em nosso setor o gasto com energia no contexto de custos do negócio é irrelevante.

    A inflação é a maior vilã para o comércio atualmente?

    A inflação, por si só, não é tão preocupante, mas, neste momento, em que temos inflação e recessão, simultaneamente, preocupa, sim. Eu diria que a falta de confiança no governo e no futuro e a incapacidade do governo de encontrar um rumo para a economia sair da crise são os problemas mais graves que enfrentamos hoje; não somente o comércio, mas todos os brasileiros.

  • Entrevista: Laércio Oliveira, vice-presidente da CNC e presidente da Fecomércio-SE

    Qual é sua perspectiva de contratação de mão de obra para o final do ano? E de reposição de estoques?

    Nós estamos passando por um momento difícil na economia brasileira, e as expectativas apontam para um segundo semestre difícil. No entanto, apesar de vários indicadores apontarem para a desaceleração da economia, penso que entre novembro e dezembro, especialmente neste último, algumas contratações devem acontecer. Dezembro é um mês especial, e geralmente o comércio e os serviços contratam trabalhadores para o período do final de ano.

    Qual é sua perspectiva de contratação de mão de obra para o final do ano? E de reposição de estoques?

    Nós estamos passando por um momento difícil na economia brasileira, e as expectativas apontam para um segundo semestre difícil. No entanto, apesar de vários indicadores apontarem para a desaceleração da economia, penso que entre novembro e dezembro, especialmente neste último, algumas contratações devem acontecer. Dezembro é um mês especial, e geralmente o comércio e os serviços contratam trabalhadores para o período do final de ano.

    O Programa de Proteção ao Emprego (PPE), lançado pelo governo federal, pode evitar prováveis demissões no setor produtivo, e isso contribui para manter a economia funcionando e para criar perspectivas positivas para o trabalhador. Além do PPE, o governo anunciou a redução da tarifa de energia (bandeira vermelha), podendo reduzir os custos para o setor privado e os consumidores. O fim do ciclo de alta da taxa Selic e a perspectiva do governo de conduzir os instrumentos de controle da inflação e levá-la para o centro da meta (4,5%), como indicou a Ata do Comitê de Política Monetária (Copom), podem também proporcionar um horizonte com expectativas positivas e proporcionar aos empresários a revisão de seus planos de investimentos no médio e no longo prazo.

    Enfim, esperamos sair dessa crise, pois os empresários têm a capacidade de superar as adversidades que a economia em crise impõe.

    Como o senhor vê a evolução da economia/comércio em seu estado até o final do ano?

     Sergipe foi um estado que demorou para sentir os efeitos da crise, pois vínhamos apresentando um comportamento um pouco descolado da economia brasileira. A economia sergipana resistiu aos efeitos perversos da crise econômica até quando pôde, e os empresários mantinham suas empresas com foco na continuidade dos investimentos e na manutenção dos empregos.

    A partir do mês de maio deste ano a economia em Sergipe começou a desacelerar, e alguns indicadores apresentaram resultados negativos, impondo aos empresários uma nova estratégia para os negócios.

    Do ponto de vista do setor do comércio, em particular, a situação é difícil. Assim como em todo o Brasil, o comércio em Sergipe enfrenta dificuldades (redução do volume de vendas, estoque nas lojas, aumento da inadimplência e demissões). Essa situação vai exigir de todos, empresários e governo, uma estratégia para enfrentar a crise. No curto prazo, ou seja, até o final do ano, espero que alguns indicadores melhorem, e a economia chegue ao final do ano um pouco melhor.

    Na área de serviços, que medidas prudenciais devem ser adotadas pelos empresários?

    O setor de prestação de serviços com preponderância em provimento de mão de obra tem sofrido uma redução significativa nos últimos meses. Os postos de trabalho desapareceram. Historicamente, em todos os ciclos de crise as empresas de prestação de serviços de mão de obra diminuem. O primeiro foco de combate é sobre o contrato de terceirização. A solução é inovar por meio da ampliação do portfólio de serviços e estender os negócios a outras regiões.

    A alta de gastos do setor – como energia, pessoal, combustíveis – tem afetado os negócios?

     Sim, todos são primordiais para os negócios. Quando os preços de alguns insumos, como energia e combustíveis, aumentam, isso pode se refletir em outras áreas das empresas, como a de pessoal, com a possibilidade de demissões. Não custa lembrar que os preços do combustível e da energia são administrados pelo governo, e estes têm contribuído para o aumento dos custos das empresas, assim como da inflação. Como o governo acenou com a redução do preço da energia (tarifa vermelha), esperamos que realmente essa ação possa contribuir para a competitividade das empresas e, portanto, da economia.

    A inflação é a maior vilã para o comércio atualmente?

     Se não for o maior, é um deles, com certeza. A inflação diminui o poder de compra das pessoas; os consumidores priorizam seus gastos e deixam de consumir alguns bens. Se os consumidores deixam de consumir, o comércio é o maior prejudicado. Juros, crédito caro e inflação derrubam o poder de compra dos consumidores. Todo esse conjunto de indicadores contribui para um cenário desfavorável ao consumo e portanto, ao comércio.

    Quais as alternativas para o empresariado do comércio de bens, serviços e turismo no cenário econômico até o final de 2015?  

     É importante deixar claro que os empresários estão trabalhando e fazendo o possível para manter seus investimentos e negócios. Com base nesse fato, todos estão se esforçando para manter sua capacidade de produção, de venda de bens e de serviços, ou seja, contribuindo para que o Brasil não pare.

  • Entrevista: Raniery Araújo Coelho, diretor da CNC e presidente da Fecomércio-RO

    Qual sua perspectiva de mão de obra para o final do ano? E de reposição de estoques?

    Qual sua perspectiva de mão de obra para o final do ano? E de reposição de estoques?

    Embora seja atingido também pela crise nacional, Rondônia tem atenuantes, e os números da economia local estão bem melhores que os níveis do Brasil e da maioria dos Estados. Nossa perspectiva com relação à contratação de mão de obra é positiva, devendo ser menor que a verificado em 2014. Mas a certeza é que as contratações vão ocorrer para as vendas de final de ano. Já que, por conta da inflação, houve mudança no perfil do comércio, que praticamente está trabalhando com pouco estoque, com certeza deve haver reposição de estoque, num volume menor, claro, até o final do ano.

    Como o senhor vê a evolução da economia/comércio em seu estado até o final do ano?

    Há um sensível receio em relação ao futuro que se mostra nas perspectivas, embora se mantenha o consumo e o emprego, mais ou menos, nos mesmos níveis. Esse quadro reflete os efeitos das medidas de ajuste econômico do governo federal aliados aos sintomas perceptíveis da inflação, ao aumento sensível das taxas de juros e à maior dificuldade de acesso ao crédito, que tornam as chances de haver uma reativação da economia este ano muito difícil. Assim, no meio do comércio não há muito otimismo em relação ao final do ano, e a perspectiva geral é de manutenção e crescimento pequeno das vendas.

    Na área em que o senhor atua como empresário (apontar a área), que medidas prudenciais devem ser adotadas pelos empresários?

    Atuo no segmento de utilidades domésticas e produtos para bares e restaurantes. Primeiramente, tivemos que rever nossa gestão operacional, estabelecendo maior planejamento desde o procedimento de compras e reposição de estoque até contratações de pessoal. Isso, hoje, é fundamental, porque, devido à inflação, não se pode mais trabalhar com estoque alto. Então, na minha loja trabalho com 18 mil itens, 20 dos quais, que têm maior procura e giro, compro numa quantidade maior. Daí, trabalhamos campanhas com esses itens para atrair os clientes e fazer girar outras mercadorias.

    A alta de gastos do setor – como energia, pessoal, combustível – tem afetado os negócios?

    A alta foi significativa e atingiu, com certeza, a operacionalidade das empresas. A energia em Rondônia aumentou cerca de 47% neste ano. Sobre o combustível, ele influencia o preço do frete em mais 25%; e alguns impostos voltaram ao patamar de alguns anos atrás. Tudo isso pressiona nossos custos e nos faz rever nossa gestão e criar meios para reduzir os efeitos na operacionalidade dos negócios. Hoje o empresário tem que conversar mais com os colaboradores e mostrar a realidade da empresa e do cenário de crise, fazendo com que eles estejam conscientes da importância de colaborar com as reduções de despesas e também de se dispor a ter um compromisso maior, para evitar redução de pessoal.

    A inflação é a maior vilã para o comércio atualmente?

    Com certeza, ela influi muito na demanda e no volume de compras pelas empresas e acarreta maiores dificuldades para o comércio. No entanto, há outros fatores que também dificultam. É o caso dos juros altos e do acesso ao crédito. Agora, é a incerteza sobre o futuro que mais diminui o consumo e afeta nossas atividades.

    Quais as alternativas para o empresariado do comércio de bens, serviços e turismo no cenário econômico até o final de 2015?

    Com a crise instalada, as maiores dificuldades recaem sobre os micros e pequenos, que, com custos mais altos, tentam outras formas de inovar o negócio para sobreviver. Mesmo que a perspectiva seja de manutenção do quadro, na comparação com a situação brasileira o 1,2% de aumento das vendas que se espera até o final do ano, com todos os problemas, parece ser um bom resultado. Dessa forma, a alternativa para os empresários é buscar inovações administrativas e comerciais para que esses ajustes surtam efeitos neste segundo semestre de 2015 e possamos colher bons frutos a partir de 2016. De qualquer forma, os empresários, quando abriram suas portas, fizeram já uma opção pelo otimismo. E precisamos dele para mostrar que somos maiores que a crise.

  • Entrevista: José Arteiro da Silva, diretor da CNC e presidente da Fecomércio-MA

    Qual é sua perspectiva de contratação de mão de obra para o final do ano? E de reposição de estoques?

    Qual é sua perspectiva de contratação de mão de obra para o final do ano? E de reposição de estoques?

    O mercado de trabalho se mantém no processo de esfriamento, sendo que no acumulado do ano (janeiro a junho) o Maranhão amargou a eliminação de -6.791 postos de trabalho, o que nos preocupa bastante, em razão da dificuldade da população de manter o nível atual da renda nesse momento de tensão econômica. A perspectiva é de que se tenha uma moderada recuperação no nível do mercado de trabalho ao longo do segundo semestre, em razão das datas comemorativas, principalmente o Natal. Mas possivelmente não conseguiremos recuperar o saldo negativo de empregos em 2015.

    Como o senhor vê a evolução da economia/comércio em seu estado até o final do ano?

    Desde o final do primeiro semestre do ano passado o comércio maranhense vem enfrentando uma franca desaceleração do consumo motivada por encarecimento do crédito, aumento da inflação e desaquecimento do mercado de trabalho. Por outro lado, especificamente no mês de junho já tivemos uma recuperação no mercado de trabalho, com o saldo positivo de 2.001 novos empregos gerados no Estado, com destaque especial para a construção civil, que voltou a contratar (+2.082 empregos), e para o comércio (+267 empregos). Nesse rumo, a perspectiva é de que a economia comece a ensaiar uma recuperação durante este segundo semestre, preparando-se para a real retomada dos índices positivos a partir do ano que vem.

    A alta de gastos do setor – como energia, pessoal, combustíveis – tem afetado os negócios?

    De modo geral, a alta do dólar e dos preços administrados – telefonia, água, energia e combustíveis, entre outros – é o principal responsável por pressionar os preços ao longo do ano e complicar a vida dos empresários, reduzindo as margens de lucro e restringindo os investimentos.

    A inflação é a maior vilã para o comércio atualmente?

    Sem dúvida, a inflação, combinada à corrosão da renda dos consumidores, aliadas aos altos índices de endividamento e ao encarecimento do crédito, resultam na explosão da inadimplência.

    Quais as alternativas para o empresariado do comércio de bens, serviços e turismo no cenário econômico até final de 2015?

    As pesquisas desenvolvidas pela Fecomércio-MA mostram que as promoções e uma equipe de atendimento bem treinada, além dos preços competitivos, serão os diferenciais primordiais que os consumidores buscarão nesse período. Ou seja, de posse dessas informações e conscientes do cenário econômico atual, os empresários precisam ter muito foco em seu negócio e realizar um planejamento adequado às necessidades do período, avaliando esse momento de transição econômica.