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  • Cade: Comissão adia entrega do parecer para tentar acordo

    A Comissão Especial do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e Defesa da Concorrência se reuniu nesta quarta-feira, a portas fechadas, no gabinete da liderança do Governo na Câmara e adiou novamente a apresentação do parecer aos PLs 3937/04 e 5877/05 por falta de acordo sobre o relatório final. O objetivo das propostas é tornar o sistema mais seletivo na análise de fusões e aquisições e mais rigoroso no combate a cartéis.


    O relator dos projetos, deputado Ciro Gomes (PSB-CE), informou que a reunião desta tarde serviu para “aparar arestas” no texto.

    A Comissão Especial do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e Defesa da Concorrência se reuniu nesta quarta-feira, a portas fechadas, no gabinete da liderança do Governo na Câmara e adiou novamente a apresentação do parecer aos PLs 3937/04 e 5877/05 por falta de acordo sobre o relatório final. O objetivo das propostas é tornar o sistema mais seletivo na análise de fusões e aquisições e mais rigoroso no combate a cartéis.


    O relator dos projetos, deputado Ciro Gomes (PSB-CE), informou que a reunião desta tarde serviu para “aparar arestas” no texto. “Avançamos muito hoje”, disse. A comissão especial se reunirá na próxima terça-feira (13) para finalizar o acordo sobre o relatório a ser apresentado. A expectativa do relator é que o texto seja votado na quarta-feira (14).


    Compra polêmica

    A votação do relatório acontecerá no mesmo dia em que a Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática fará audiência pública para discutir a compra da Brasil Telecom pela Oi, que ainda depende de autorização da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e de mudanças nas regras de fusão e aquisição de empresas, debatidas pelo Cade.


    Agência Câmara, 7 de maio de 2008.

  • Câmara aprova a MP que reajustou o mínimo para R$ 415

    O Plenário aprovou nesta quarta-feira a Medida Provisória 421/08, que aumentou o salário mínimo de R$ 380 para R$ 415 a partir de 1º de março deste ano. O novo valor representa um aumento de 9,21% e obedece às regras estipuladas pelo Projeto de Lei 01/07, em tramitação na Casa.

    O Plenário aprovou nesta quarta-feira a Medida Provisória 421/08, que aumentou o salário mínimo de R$ 380 para R$ 415 a partir de 1º de março deste ano. O novo valor representa um aumento de 9,21% e obedece às regras estipuladas pelo Projeto de Lei 01/07, em tramitação na Casa. A matéria será analisada agora pelo Senado.


    Na única votação nominal sobre a MP, os deputados mantiveram, por 275 votos a 170, o parecer do deputado Roberto Santiago (PV-SP) que considerou inadequadas do ponto de vista orçamentário e financeiro as 15 emendas apresentadas.


    A maior parte das emendas propunha aumentos maiores que os concedidos pela MP. Segundo o parecer do relator, nenhuma das emendas indicava a origem dos recursos, desobedecendo à Lei de Responsabilidade Fiscal.


    A oposição queria que o índice de reajuste do salário mínimo, de 9,21%, também valesse para os aposentados e pensionistas que ganham acima do mínimo. Porém, o relator Roberto Santiago rejeitou a emenda. Ele disse que qualquer discussão nesse sentido deve ser feita no âmbito da comissão especial que analisa uma política nacional de correção do mínimo.


    Cálculos

    Apesar do aumento de 9,21%, o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) calcula que o salário mínimo necessário para pagar despesas de alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e Previdência de uma família em São Paulo teria de ser R$ 1.924,69.


    Segundo o governo, dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD) de 2006 mostravam que cerca de 28,2 milhões de trabalhadores formais e informais recebiam um salário mínimo naquele ano. Além disso, cerca de 17,1 milhões de pessoas recebem também um salário mínimo como benefício previdenciário ou assistencial pago pela Previdência Social; assim, 45,3 milhões de pessoas ao todo ganham o mínimo.


    O impacto orçamentário e financeiro total do aumento do salário mínimo em 2008 sobre as despesas da União foi estimado em R$ 5,303 bilhões.


    Regras duradouras

    O PL 01/07, do Poder Executivo, já foi aprovado pela Casa e tramita no Senado. Ele prevê que até 2011 os aumentos do salário mínimo serão compostos pela inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) mais um aumento real encontrado pela variação do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos anteriores.


    Assim, a MP 421/08 aplicou a taxa de crescimento real do PIB em 2006. O projeto de lei também prevê a antecipação do reajuste em um mês, a cada ano, até que ele seja concedido a partir de 2010 no mês de janeiro.


    Agência Câmara, 7 de maio de 2008.




     

  • Fecomércio-SP: contratações no varejo crescem 9% em 2007

    A Federação do Comércio do Estado de São Paulo acaba de divulgar a Pesquisa de Emprego do Comércio, que revela que o número de contratações feitas pelo setor em 2007 cresceu 9% em relação a 2006, na capital. Na média, foram 13 contratações por estabelecimento no ano passado, ante 12 do anterior. 


    No topo do ranking de admissões está o segmento de materiais de construção, com média de 15 novos funcionários contratados em 2007.

    A Federação do Comércio do Estado de São Paulo acaba de divulgar a Pesquisa de Emprego do Comércio, que revela que o número de contratações feitas pelo setor em 2007 cresceu 9% em relação a 2006, na capital. Na média, foram 13 contratações por estabelecimento no ano passado, ante 12 do anterior. 


    No topo do ranking de admissões está o segmento de materiais de construção, com média de 15 novos funcionários contratados em 2007. O comércio automotivo foi o que efetuou menos contratações no ano passado: 9,3 trabalhadores.


    A pesquisa, realizada em parceria com o Senac-SP, mostra ainda que 74% dos empregos no comércio varejista são alocados na área de vendas; 13%, em áreas administrativas e 14%, em cargos de gerência ou supervisão. Ainda de acordo com o estudo da Fecomércio-SP, o salário fixo continua sendo a principal forma de remuneração no comércio varejista (66%), seguida pela remuneração mista (22%) e comissões (12%). Do total de empresas entrevistadas, apenas 18% adotam a Participação nos Lucros e Resultados (PLR).


    Primeiro emprego


    Cerca de 72% das pequenas e médias empresas do varejo paulistano possuem pelo menos um trabalhador na condição de primeiro emprego, dado considerado relevante pela Entidade por mostrar que o varejo, um grande empregador no município de São Paulo, está dando a milhares de trabalhadores a oportunidade de iniciar uma profissão.

  • Rejeitado reajuste pelo salário mínimo

    Jornal do Commercio    Editoria: País    Página: A-9


    A Câmara dos Deputados rejeitou ontem à noite a proposta que previa o reajuste das aposentadorias pagas pelo INSS pelo mesmo índice do aumento do valor do salário mínimo. A proposta foi derrubada durante a votação em que os deputados aprovaram a medida provisória que aumentou o mínimo de R$ 380 para R$ 415 a partir de 1º de março deste ano – um reajuste de 9,21%. O placar registrou 275 votos a favor do parecer do relator da MP, deputado Roberto Santiago (PV-SP), que era contrário à paridade.

    Jornal do Commercio    Editoria: País    Página: A-9


    A Câmara dos Deputados rejeitou ontem à noite a proposta que previa o reajuste das aposentadorias pagas pelo INSS pelo mesmo índice do aumento do valor do salário mínimo. A proposta foi derrubada durante a votação em que os deputados aprovaram a medida provisória que aumentou o mínimo de R$ 380 para R$ 415 a partir de 1º de março deste ano – um reajuste de 9,21%. O placar registrou 275 votos a favor do parecer do relator da MP, deputado Roberto Santiago (PV-SP), que era contrário à paridade. Foram 170 votos contrários ao parecer, ou seja, a favor do reajuste igual das aposentadorias e do salário mínimo.


    Com a decisão da Câmara, as aposentadorias de valor superior ao salário mínimo continuarão sendo reajustadas com base na variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). Somente os aposentados que ganham o piso previdenciário, equivalente ao mínimo, continuarão com o benefício atualizado pelo mesmo índice do salário mínimo. A paridade no reajuste foi incluída na MP no mês passado pelo Senado, que aprovou emenda nesse sentido de autoria do senador Paulo Paim (PT-RS).


    A aprovação da emenda acendeu a luz amarela no governo. A área econômica calculou que as despesas da Previdência Social aumentariam em R$ 4,5 bilhões somente neste ano se a medida fosse aprovada. Diante da possibilidade de agravamento do déficit do INSS , estimado em R$ 43 bilhões neste ano, o governo passou a trabalhar para derrubar a emenda de Paim. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a dizer a aliados políticos que estava disposto a vetar a proposta caso ela passasse pela Câmara, mesmo considerando o custo político do veto.


    Ataque


    O ministro da Previdência, Luiz Marinho, também atacou a proposta, que classificou de “enganadora”. Um dos argumentos usados pelo governo é que a vinculação tornaria inviável a política de recuperação do salário mínimo. Seguindo a orientação do Palácio do Planalto, os partidos governistas votaram contra a emenda, na sessão de ontem à noite. Os partidos de oposição – DEM, PSDB, o PPS e o Psol – ficaram a favor.


    O governo ainda vai tentar barrar na Câmara outro projeto, também aprovado no Senado, que extingue o chamado fator previdenciário. O fator faz parte da fórmula de cálculo das aposentadorias por tempo de contribuição. Na prática, ele estimula o adiamento dos pedidos de aposentadoria e, com isso, contribui para evitar o crescimento do déficit previdenciário.


    Mais cedo, o plenário da Câmara aprovou medida provisória que destina um crédito extraordinário de R$ 12,5 bilhões para o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para ampliação dos investimentos. Segundo o governo, vários projetos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) dependem desses recursos. Com as votações de ontem, não há mais medida provisória trancando a pauta do plenário.


     


     


     


     

  • Atuação do BC no Brasil divide opiniões

    Valor Econômico    Editoria: Brasil    Página: A-3


    A maior parte dos países que adotam o regime de metas de inflação já ultrapassou o limite superior da taxa de referência devido ao choque global das commodities. O Brasil, no entanto, mantém como alvo o centro da meta para este ano, de 4,5%, através de uma política de alta nas taxas de juros. Para alguns economistas, há exagero na atuação do Banco Central.

    Valor Econômico    Editoria: Brasil    Página: A-3


    A maior parte dos países que adotam o regime de metas de inflação já ultrapassou o limite superior da taxa de referência devido ao choque global das commodities. O Brasil, no entanto, mantém como alvo o centro da meta para este ano, de 4,5%, através de uma política de alta nas taxas de juros. Para alguns economistas, há exagero na atuação do Banco Central. Para outros, ela está correta.  


    Na avaliação da economista da consultoria Tendências, Marcela Prada, as pressões externas de preços exercidas pelos alimentos e petróleo devem continuar por conta do crescimento mundial, especialmente da China. Por isso, diz ela, o BC brasileiro poderia ser mais flexível e mirar o teto da meta, de 6,5%. Marcela, entretanto, argumenta que o panorama brasileiro é de crescimento, o que favorece a disseminação da inflação para produtos e serviços não relacionados diretamente às commodities agrícolas e industriais. “Existe uma preocupação muito grande do BC com o cenário doméstico. Os preços livres já estão acelerando, ainda que pouco. Isso tem a ver com alta de custo e reflete a demanda interna aquecida”, disse.  


    Segundo a economista da Tendências, como a pressão vem de fora, o esforço da política monetária para compensar a inflação desses preços em outros itens de consumo precisa ser muito maior se o objetivo é mirar o centro da meta de inflação. “A maioria dos países está com inflação acima da meta. Estão subindo juros, mas estão tolerando a inflação. Nenhum desses bancos centrais quer arcar com a conseqüência negativa sobre o PIB”, disse Marcela, que projeta alta de 4,8% no IPCA para 2008, com viés de alta, mas abaixo do teto de 6,5%. “O rigor de manter no centro pode gerar muito custo sobre a atividade da economia no futuro, mas reduzir um pouco a atividade não é ruim agora”, completou.  


    Para o economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Carlos Thadeu de Freitas, o Banco Central precisa acomodar os choques externos sobre os preços internos na meta. Caso contrário, as contas externas ficarão cada vez mais negativas. “À medida que o BC diz que vai subir os juros, sinaliza que o dólar vai cair. O déficit em conta-corrente vai aumentar cada vez.”  


    Freitas sugere que em vez de subir a Selic, o BC teria uma resposta mais eficaz para segurar a demanda interna através de uma política de redução do crédito, ao exigir maior capitalização dos bancos em relação ao volume ofertado em financiamentos. “Isso vai afetar a demanda mais rápido e pode acomodar a inflação para abaixo do teto da meta”, afirmou.  


    Caroline Silveira, da Unibanco Asset Management (UAM), avalia que o BC age corretamente.


    “Em uma primeira análise, o BC teve um movimento excessivo, mas olhando os dados correntes, não dá para tirar a razão deles. Não há sinal de arrefecimento da atividade, os dados estão muito fortes, a indústria automobilística bate recordes atrás de recordes”, disse. Ela, que prevê inflação de 5,4% em 2008, enxerga riscos da inflação sofrer pressões de demanda, uma vez que os níveis de uso da capacidade instalada da indústria permanecem elevados, ainda que os investimentos continuem em expansão. Antonio Licha, do Instituto de Economia da UFRJ, vê exagero por parte do BC e sugere o ajuste da meta para cima, como já ocorreu em anos recentes diante de choques externos. 

     

     

     


     


     


     

  • IGP-DI mostra inflação mais disseminada

    Valor Econômico    Editoria: Brasil    Página: A-3


    A pressão inflacionária, que começou em 2007 com produtos agrícolas e alimentos, disseminou-se nos diferentes setores produtivos. E reajustes em matérias-primas começam a ser repassados na cadeia industrial, chegando a bens finais, é o que revelou o Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) de abril, divulgado ontem pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). O índice registrou alta de 1,12% no mês, acima da variação de 0,7% apontada no mês anterior.

    Valor Econômico    Editoria: Brasil    Página: A-3


    A pressão inflacionária, que começou em 2007 com produtos agrícolas e alimentos, disseminou-se nos diferentes setores produtivos. E reajustes em matérias-primas começam a ser repassados na cadeia industrial, chegando a bens finais, é o que revelou o Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) de abril, divulgado ontem pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). O índice registrou alta de 1,12% no mês, acima da variação de 0,7% apontada no mês anterior. A distância entre os preços no atacado e no varejo está cada vez maior – ficou em 7,87 pontos em abril, muito acima dos 2,6 pontos de igual mês de 2007. 


    Para economistas, a pressão inflacionária, fruto do reajuste de preços internos em relação às cotações praticadas no mercado internacional, não dá sinais de arrefecimento. Em abril, a alta acima do esperado em arroz (27,78%), minério de ferro (13,48%) e adubos e fertilizantes (10,71%) contribuiu para uma aceleração no Índice de Preços por Atacado (IPA), que passou de 0,8% em março para 1,3% no mês passado. O grupo matérias-primas brutas teve alta de 1,9% em abril, contra 0,92% em março. O IPA industrial também apresentou aceleração, atingindo 1,77% em abril, ante 0,94% no mês anterior. 


    “Houve uma aceleração muito forte nos preços industriais em pouco tempo e há mais aumentos já previstos. A situação está complicada”, avaliou Luís Fernando Azevedo, economista da Rosenberg & Associados. Pelos dados da FGV, o grupo bens intermediários subiu 1,88% em abril, contra 1,01% em março, com destaque materiais e componentes para a manufatura que ficou em 1,91% e havia subido 1% em março. Bens finais teve aceleração um pouco menor, de 0,84% (ante 0,36% em março). 


    Rafael Castro, da LCA Consultores, destacou o repasse de preços na cadeia automotiva. O grupo metalurgia básica teve alta de 3,44%, ante 2,33% em março. Os produtos siderúrgicos evoluíram de 1,46% para 2,8% e automóveis passaram de 0,04% de alta para 1,05%. “Também começa a haver repasses em motores, geradores, máquinas e equipamentos”, observa. O índice de difusão (percentual de preços que sobem no IGP), que em março era de 57,89%, passou para 61,4% em abril. 


    Zeina Latif, economista-chefe do ABN Amro Real, acrescentou que a maior fonte de pressão do IPA vem de tradeables (itens comercializáveis no mercado externo), que apresentam aceleração no mercado externo. Esses produtos no ano passado tiveram a inflação controlada em parte pela valorização do real frente ao dólar, o que não deve se repetir neste ano nos mesmo níveis de 2007. 


    Salomão Quadros, coordenador de análises econômicas da FGV, observou que a alta dos preços no atacado supera a variação do Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que ficou em 2,16% em abril. Para ele, os reajustes em preços de alimentos, ainda serão repassados ao varejo em maio. “Houve aceleração nos preços de farinha de trigo, carne bovina e laticínios pagos pelas indústrias e tudo isso também vai bater no varejo”, disse. 


    Outros itens também devem apresentar reajustes no atacado e no varejo em maio são, segundo Quadros. É o caso dos derivados do petróleo, que em março registraram queda de 0,37% e avançaram 1,53% em abril no IPA; óleo combustível, que subiu 1,69% (ante queda de 4,82% em março); diesel e gasolina, que tiveram reajustes autorizados a partir do dia 2. O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), que subiu 2,33% em abril, também deve se acelerar, por conta dos reajustes salariais que ocorrem no Sudeste e Nordeste. 


    Sérgio Vale, da MB Associados, alertou para o fato de o núcleo do IPC ter se acelerado, agora para 0,38%, o que impacta a inflação futura de 12 meses, e pode estimular o Banco Central a elevar a taxa básica de juros para até 13,25%. 


     

  • País paga menos para captar no exterior

    Folha de São Paulo   Editoria: Dinheiro   Página: B-1


    Uma semana após ser classificado como grau de investimento pela agência de classificação de risco Standard & Poor’s, o Brasil conseguiu ontem emitir nos mercados financeiros dos EUA e da Europa US$ 500 milhões em títulos da dívida pública pagando juros de 5,299% ao ano, a menor taxa já paga por um papel brasileiro.


    Em abril do ano passado, o Tesouro havia aceitado pagar juros de 5,888% pelos mesmos títulos, chamados de Global 2017, em referência ao ano de vencimento.


    Desde então, o agravamento

    Folha de São Paulo   Editoria: Dinheiro   Página: B-1


    Uma semana após ser classificado como grau de investimento pela agência de classificação de risco Standard & Poor’s, o Brasil conseguiu ontem emitir nos mercados financeiros dos EUA e da Europa US$ 500 milhões em títulos da dívida pública pagando juros de 5,299% ao ano, a menor taxa já paga por um papel brasileiro.


    Em abril do ano passado, o Tesouro havia aceitado pagar juros de 5,888% pelos mesmos títulos, chamados de Global 2017, em referência ao ano de vencimento.


    Desde então, o agravamento da crise financeira internacional reduziu o apetite do mercado por esse tipo de papel e o Brasil obteve o grau de investimento -classificação dada pelas agências a países que apresentam baixa probabilidade de dar calote em suas dívida.


    A aceitação do papel nos EUA e na Europa levou o governo a estender a operação também para o mercado asiático. Na Ásia, a oferta foi de US$ 25 milhões, cujos resultados vão ser divulgados na manhã desta quinta-feira após o fechamentos dos mercados asiáticos.


    A operação de venda no exterior de papel da dívida brasileira em dólar no montante integral de US$ 525 milhões foi a primeira desde 19 de junho do ano passado e teve o objetivo de experimentar o humor dos aplicadores estrangeiros diante da melhora da avaliação de risco soberano do Brasil e em um contexto de baixa liquidez dos mercados financeiros.


    A demanda foi maior que a oferta e foi considerada pelo Tesouro como um reconhecimento do mercado externo após a melhora da classificação de risco soberano. Havia quase um ano o governo não emitia papéis da dívida externa.


    O papel brasileiro está pagando 1,4 ponto percentual (ou 140 pontos-base) a mais que os bônus equivalentes emitidos pelo governo dos EUA, considerados de risco zero. Esse tipo de comparação serve de base para o cálculo do risco-país -que, no entanto, leva em conta outros títulos da dívida.


    No ano passado, a diferença paga pelo Tesouro brasileiro para emitir o papel foi até mais baixa, de 1,22 ponto percentual acima daquela paga pelos EUA.


    As condições do Global 2017 obtidas ontem foram as melhores já negociadas por esse papel desde o seu lançamento, em novembro de 2006. Na primeira vez em que o bônus foi vendido, o governo captou US$ 1,5 bilhão, pagando juros de 6,00% e taxa de rendimento de 6,249%. Na segunda operação, realizada em abril de 2007, o montante vendido foi de US$ 525 milhões, com taxa de juros de 6% ao ano e pagamento de retorno ao investidor de 5,888%.


    No mercado, alguns analistas não viram como uma contradição o fato de o Brasil estar fazendo captação em dólar em um momento em que o grau de investimento aumenta o risco de maior ingresso de moeda estrangeira e de maior valorização do real. Para o economista da LCA Consultores Francisco Pessoa, a operação pode ser interpretada como uma intenção do Tesouro de testar o mercado após o grau de investimento.


    “Na emissão de ontem, o governo pagou um “spread” de 140 pontos-base acima do título do governo americano, e isso é um bom sinal porque, considerando que o mundo está em uma fase instável, esse nível de “spread” mostra que os investidores têm uma percepção de baixo risco de calote dos papéis da dívida brasileira”, comentou.


    Já para Luiz Adriano Martinez, gestor de multimercados do Unibanco Asset Management, a emissão feita pelo governo brasileiro ontem não foi tão beneficiada pela melhor classificação de risco do país porque o mercado já antecipava essa notícia havia algum tempo. “Grande parte desse “investment grade” já estava precificada”, afirma.


    Ou seja, as cotações praticadas no mercado já embutiam a expectativa de que o Brasil receberia logo o grau de investimento. Um sinal disso, diz Martinez, é o fato de o risco-país (indicador inversamente proporcional à cotação dos títulos no exterior) ter se mantido em níveis historicamente baixos nos últimos meses.


    A economista-chefe do Banco Fibra, Maristela Ansanelli, diz que, embora o governo não tenha uma grande necessidade de captar recursos no exterior, operações como a de ontem são importantes porque servem de referência para lançamentos que empresas brasileiras venham a fazer no exterior. “Entre os objetivos dessas captações não está apenas acumular reservas, mas também abrir portas para emissões privadas.”


    “O processo é esse: primeiro vem o Tesouro, depois bancos, e a seguir empresas não-financeiras”, diz Martinez, referindo-se aos setores que devem aproveitar o cenário externo mais favorável para captar recursos.


     




     


     

  • Pedidos de falências caem 25,7% até abril

    Jornal do Commercio  Editoria: Economia  Página: A-4


    O volume de falências requeridas apresentou redução de 25,7%, em todo Brasil, no primeiro quadrimestre deste ano, na comparação com o igual período de 2007, de acordo com o Indicador Serasa de Falências e Recuperações, divulgado ontem. De janeiro a abril deste ano foram registrados 762 requerimentos, ante 1.0261 no ano anterior.

    Jornal do Commercio  Editoria: Economia  Página: A-4


    O volume de falências requeridas apresentou redução de 25,7%, em todo Brasil, no primeiro quadrimestre deste ano, na comparação com o igual período de 2007, de acordo com o Indicador Serasa de Falências e Recuperações, divulgado ontem. De janeiro a abril deste ano foram registrados 762 requerimentos, ante 1.0261 no ano anterior. Na avaliação dos técnicos do Serasa, a redução nos pedidos de falência das empresas deve-se ao crescimento da atividade econômica do País.


    Nas falências decretadas foi observado recuo de 29,9%, totalizando 340 registros, ante aos 485 verificados nos primeiros quatro meses de 2007. Nas recuperações judiciais requeridas houve incremento de 6% na relação do acumulado de janeiro a abril de 2008 com o mesmo período do ano passado, registrando 89 pedidos, ante os 84 no acumulado de 2007.


    Segundo a Serasa, o aumento nos pedidos de recuperações é fruto do alto custo financeiro (juros) do crédito tomado pelas empresas junto aos fornecedores e bancos. “O impacto dos juros altos é muito mais significativo para as empresas, causando aumento no número de recuperações judiciais requeridas que são negociações de dívidas não honradas”, explicou o assessor econômico da Serasa, Carlos Henrique de Almeida.


    Já as recuperações deferidas nesse primeiro quadrimestre, por sua vez, apresentaram queda de 11,5% em comparação ao acumulado do mesmo período de 2007, passando de 61 no acumulado dos quatro primeiro meses de 2007 para 54 em 2008.


    Quanto às recuperações judiciais concedidas, houve aumento de 50%. No acumulado de janeiro a abril de 2008 houve três concessões, no mesmo período do ano anterior, foram verificadas duas. De acordo com a Serasa, os pedidos de recuperação extrajudicial totalizaram três eventos nos primeiros quatro meses de 2008 e nenhum pedido de recuperação extrajudicial foi homologado neste ano. No mesmo acumulado de 2007, houve três registros de recuperação extrajudicial requerida e uma homologação.


    No mês. O indicador Serasa apontou também queda de 8,3% no volume de falências requeridas em abril deste ano, na comparação com abril do ano passado. Foram requeridas 244 falências, contra 266 em abril do ano passado. Já as falências decretadas, totalizaram 86 eventos em abril de 2008, representando 38,1% de decréscimo em relação a abril de 2007, com 139 falências decretadas.


    Em abril deste ano foram registrados 25 pedidos de recuperação judicial, ante 22 no mesmo mês de 2007, aumento de 13,6%. Já as recuperações judiciais deferidas somaram 11 eventos, ante 14 em abril de 2007, decréscimo de 21,4%.


    As recuperações judiciais concedidas fecharam abril deste ano com dois registros e não houve concessão de recuperação judicial em abril de 2007, de acordo com a Serasa.


    Quanto às recuperações extrajudiciais, foram registrados dois pedidos em abril de 2008 e nenhum em abril do ano passado. Não houve homologação de pedido de recuperação extrajudicial tanto em abril de 2008, quanto em abril de 2007.