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  • Comissão da Reforma Tributária inicia trabalhos nesta terça (29)

    A Comissão Especial da Reforma Tributária, que analisa a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 233/08, realiza nesta terça-feira (29) sua primeira reunião ordinária. A pauta prevê a análise de 32 requerimentos, com destaque para os que convidam os ministros da Fazenda, Guido Mantega, e da Previdência, Luiz Marinho, e governadores para debater a reforma com os deputados.


    Instalada na última quarta-feira (23), a comissão tem prazo regimental de 40 sessões do Plenário para concluir seus trabalhos.

    A Comissão Especial da Reforma Tributária, que analisa a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 233/08, realiza nesta terça-feira (29) sua primeira reunião ordinária. A pauta prevê a análise de 32 requerimentos, com destaque para os que convidam os ministros da Fazenda, Guido Mantega, e da Previdência, Luiz Marinho, e governadores para debater a reforma com os deputados.


    Instalada na última quarta-feira (23), a comissão tem prazo regimental de 40 sessões do Plenário para concluir seus trabalhos. Tanto o presidente do colegiado, deputado Antonio Palocci (PT-SP), quanto o relator, deputado Sandro Mabel (PR-GO), acreditam que o tempo será suficiente. Com isso, a expectativa é que a reforma seja aprovada pela Câmara ainda no primeiro semestre. Na quinta-feira passada (24), começou a contar o prazo de dez sessões para que os parlamentares apresentem emendas à PEC.


    Requerimentos

    Entre os governadores que podem ser chamados para falar sobre a proposta na comissão estão o de São Paulo, José Serra; do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral; da Bahia, Jaques Wagner; de Pernambuco, Eduardo Campos; do Distrito Federal, José Roberto Arruda; de Mato Grosso, Blairo Maggi; de Santa Catarina, Luiz Henrique da Silveira; e do Amazonas, Eduardo Braga.


    Há também convites para o secretário-geral da Receita Federal, Jorge Rachid; secretários estaduais de fazenda; senadores; tributaristas; e para os presidentes da Central Única de Trabalhadores (CUT), da Força Sindical, da Central Geral de Trabalhadores (CGT), das federações de indústrias dos estados de São Paulo e de Santa Catarina, da Federação Nacional de Prefeitos, da Confederação Nacional de Municípios e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas.


    A pauta inclui ainda requerimento para a realização de conferências nas assembléias legislativas dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Ceará, Pará e Santa Catarina, para discutir a reforma com autoridades, servidores públicos e a população.


    Agência Câmara, 29 de abril de 2008.

  • Gargalo no ensino técnico

    Folha de São Paulo   Editoria: Opinião    Página: A-2


    COMEÇA A a se adensar o debate sobre a necessidade de impulsionar a formação profissional, um preocupante gargalo do desenvolvimento. A discussão foi desencadeada pela proposta do Ministério da Educação de carrear para o ensino técnico mais verbas do sistema S, conjunto dos serviços sociais e de aprendizagem ligados a confederações setoriais.

    Folha de São Paulo   Editoria: Opinião    Página: A-2


    COMEÇA A a se adensar o debate sobre a necessidade de impulsionar a formação profissional, um preocupante gargalo do desenvolvimento. A discussão foi desencadeada pela proposta do Ministério da Educação de carrear para o ensino técnico mais verbas do sistema S, conjunto dos serviços sociais e de aprendizagem ligados a confederações setoriais. É crucial que tal debate não desande em mera medição de forças do governo federal com os serviços.


    Já foi dito nesta página que instituições como Sesc e Sesi gozam de merecido prestígio, por seu papel de proa nas áreas de cultura, educação e lazer. Já os serviços de aprendizagem, como Senai (indústria) e Senac (comércio), poderiam dar contribuição maior. A proposta do MEC vai nessa direção e merece ser debatida.


    O ponto de discórdia está na proposta redivisão do bolo da contribuição de 2,5% sobre a folha de pagamento das empresas, obrigatória por lei. O MEC propõe inverter a proporção atual, passando a destinar 60% para aprendizagem técnica (40%, hoje) e reduzindo de 60% para 40% a fatia do serviço social. Entidades como o Sesc protestam contra o corte de um terço nos recursos. Alegam, com razão, que tamanha redução de fundos inviabilizaria a continuidade de boa parte de seu trabalho.


    É desejável que o sistema S amplie a sua participação no ensino profissionalizante, dado o interesse estratégico das empresas, e da sociedade, de elevar a qualificação da mão-de-obra.


    Mas é preciso fazê-lo de forma balanceada, sem impor sacrifícios a instituições que prestam um serviço social relevante -e sem que o Estado se apodere do recurso, arrecadado do setor privado, que constitui o sistema S.


    Por questão de justiça, contudo, o debate sobre o financiamento precisa transcender o sistema S e buscar outras fontes. Os bancos, que -à diferença de industria e comércio- não contribuem, deveriam ser convocados a participar. O Fundo de Amparo ao Trabalhador poderia destinar à qualificação profissional parcela mais significativa do que 0,42% (dado de 2006).


    Desatar o nó do ensino técnico tem de se tornar uma prioridade nacional. Todos os setores envolvidos estão convocados a dar sua contribuição.


     

  • Governo e centrais querem alterar relações trabalhistas

    Valor Econômico   Editoria: Brasil    Página: A-6


    Depois de uma reunião que durou quase três horas, na noite de quinta-feira, com a participação dos dirigentes de seis centrais sindicais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro extraordinário de Assuntos Estratégicos, Roberto Mangabeira Unger, bateram o martelo numa agenda mínima para promover “mudanças radicais” nas relações entre capital e trabalho no Brasil.

    Valor Econômico   Editoria: Brasil    Página: A-6


    Depois de uma reunião que durou quase três horas, na noite de quinta-feira, com a participação dos dirigentes de seis centrais sindicais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro extraordinário de Assuntos Estratégicos, Roberto Mangabeira Unger, bateram o martelo numa agenda mínima para promover “mudanças radicais” nas relações entre capital e trabalho no Brasil. As transformações visam reduzir drasticamente a informalidade no mercado de trabalho, reverter a queda da participação dos salários na renda nacional e reformar o regime sindical. 


    A partir do diagnóstico de que o regime trabalhista criado nos anos 40 do século passado por Getúlio Vargas, embora tenha trazido avanços à sua época, tornou-se obsoleto ao deixar a maioria dos trabalhadores fora de sua proteção, Mangabeira e sua equipe vêm debatendo o tema há oito meses com as centrais, sindicatos patronais e grandes empresários. O objetivo é encontrar pontos de convergência e, a partir daí, formular propostas e enviá-las ao Congresso até o fim deste ano. 


    Da reunião com as centrais (CUT, Força Sindical, UGT, CGTB, NCST e CTB), da qual também participaram os ministros Luiz Dulci (Secretaria-Geral da Presidência da República) e Luiz Marinho (Previdência Social), além de um representante do Ministério do Trabalho, surgiram, segundo Mangabeira, as primeiras convergências. Elas constam do documento intitulado “Diretrizes a Respeito da Reconstrução das Relações entre o Trabalho e o Capital no Brasil”, que será divulgado oficialmente hoje. 


    O documento, antecipado ao Valor com exclusividade, traz as primeiras propostas de mudanças. “Não se trata de um amontoado de propostas, mas de um modelo institucional coerente. Houve um grau surpreendente de convergência. É o retrato esperançoso de uma negociação”, observa Mangabeira Unger. “Nunca foi nosso objetivo construir unanimidades. O propósito final é definir um ideário objetivo que oriente a agenda legislativa.” 


    O ministro, que é professor licenciado da Universidade de Harvard, diz que a economia brasileira corre o risco de ficar presa entre economias de trabalho barato e aqueles de tecnologia e produtividade elevadas. O risco é agravado pelo fato de economias de trabalho barato, como a China, estarem se transformando, em alguns setores, em economias de alta produtividade. O interesse do país, sustenta Mangabeira, é valorizar o trabalho e o aumento da produtividade. 


    O regime trabalhista, criado por Vargas e instituído pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), é um obstáculo a esses dois objetivos. Ele nunca incluiu a maioria dos trabalhadores em seu sistema de proteção, uma vez que a maior parte da População Econômica Ativa (PEA) atua no mercado informal. “A maioria não só está fora, como está também condenada à indignidade, à injustiça e à insegurança do trabalho informal. Essa é uma calamidade brasileira – econômica, social e moral”, critica o ministro. “O modelo institucional estabelecido das relações entre o capital e o trabalho, em vez de ser parte da solução, revelou-se ser parte do problema.” 


    No debate atual, lembra o ministro, há dois discursos que acabam paralisando tentativas de mudança. Um é o da “flexibilização” dos direitos trabalhistas, defendido pelos empresários, interessados em reduzir os custos de produção. O outro é o discurso do “direito adquirido”, a defesa renhida, diz Mangabeira, do regime da CLT como baluarte contra a campanha para flexibilizar direitos. 


    Esse discurso protege os trabalhadores que estão dentro do sistema, mas ignora a grande maioria que está fora dele. “O problema está em descobrir como soerguer os assalariados que estão fora dos setores intensivos em capital sem minar a posição dos que estão dentro desses setores”, diz o ministro. 


    Para enfrentar o problema, governo e centrais sindicais concordaram que é preciso resgatar a maioria dos trabalhadores da economia informal. Para fazer isso, é preciso desonerar a folha de salários. Mangabeira conta que não foi fácil encontrar uma convergência de como se fazer isso.


    Mesmo depois de concluída a reunião da última quinta-feira, havia centrais contrárias ao resultado do encontro. 


    Atualmente, as empresas recolhem ao Instituto Nacional da Seguridade Social (INSS), a título de financiamento da Previdência Social, o equivalente a 20% da folha de pessoal. A idéia é acabar com essa contribuição, criando em seu lugar uma outra fonte para o INSS. Inicialmente, os sindicalistas defenderam, nas reuniões com Mangabeira, a substituição por um tributo que incida sobre o faturamento das empresas. O problema é que ela causa distorções numa economia que pretende estar na vanguarda da produtividade mundial. 


    “Nossas longas discussões consideraram preocupantes os dois maiores defeitos dessa fórmula. O primeiro é a incidência desigual sobre as empresas – maior sobre as intensivas em capital.


    Essas empresas empregam relativamente menos, mas representam vanguarda na escalada da produtividade. O segundo defeito é compartilhar aspectos de um imposto declaratório e ser, portanto, suscetível de evasão”, revela o ministro. 


    Mangabeira diz que o regime trabalhista que inibe o acúmulo de tecnologia e a aceleração da inovação tecnológica pode beneficiar parte da força de trabalho a curto prazo, mas prejudica os trabalhadores como um todo a médio e longo prazo. “São os trabalhadores os maiores beneficiários do aumento da produtividade (desde que fortalecidos os mecanismos institucionais para que se possam apropriar de parte do excedente econômico) e as maiores vítimas de estancamento na elevação da produtividade.” 


    O debate com as centrais evoluiu para uma “solução radical”: o financiamento da Previdência Social por meio de impostos gerais. O plano é fazer isso por meio de imposto que distorça menos os preços relativos. Chegou-se a falar na CPMF, mas o tributo foi extinto no fim do ano passado. Depois, na criação de um imposto sobre transações financeiras. No fim, convergiu-se para o IVA federal, a ser instituído pela reforma tributária em discussão no Congresso Nacional – se o IVA não for criado, a contribuição patronal sobre folha será substituída por outro imposto geral já existente. “IVA é, por definição, o tributo mais neutro”, sustenta Mangabeira. 


    O ministro diz que as mudanças no financiamento da Previdência não serão negociadas no bojo da reforma tributária, mas de forma paralela. Do contrário, adverte, elas não acontecerão. Ele defende também que a nova fonte de financiamento da Previdência assegure o mesmo volume de recursos recebidos hoje pelo INSS. É preciso assegurar, defende Mangabeira, que o progresso na organização do trabalho não sirva de pretexto para um retrocesso no ordenamento da Previdência. 


    Outra desoneração da folha de pessoal, negociada com as centrais, diz respeito ao salário-educação e às contribuições das empresas para o Sistema S. Ambos sairão da folha e passarão a ser financiados também por impostos gerais. Já os benefícios diretos dos trabalhadores, como 13º salário e férias remuneradas, ficarão na folha. “Ao menos, por enquanto”, assinala o ministro. 


    Um outro desafio, segundo Mangabeira, é reverter a queda dos salários na renda nacional, um fenômeno que ocorre, no Brasil, na contramão da tendência internacional, há meio século. “As limitações no aumento da produtividade do trabalho não bastam para explicar esse resultado. Há muito tempo que a subida do salário real no Brasil costuma ficar aquém dos avanços da produtividade”, explica. 


    Para mudar esse quadro, diz o ministro, não basta adotar políticas que buscam elevar o salário nominal, como o governo Lula vem fazendo com o salário mínimo. Segundo ele, iniciativas como essa são facilmente anuladas pela inflação e por políticas monetárias comprometidas em manter a estabilidade da moeda. Por isso, ele defende a adoção de medidas institucionais. “São as instituições que ajudam a determinar a fatia do bolo”, aposta. 


    As propostas debatidas com as centrais prevêem um conjunto de medidas para as três faixas salariais, sem a definição, ainda, dos valores das mesmas. Entre as iniciativas a serem tomadas, está a proteção legal dos trabalhadores temporários e terceirizados. “No Brasil, como em todo mundo, eles representam parcela crescente da força de trabalho. É a mudança dos paradigmas de produção, e não apenas o enfraquecimento da posição institucional dos trabalhadores, o que também explica essa tendência”, justifica o ministro. 


    Mangabeira diz que a busca de convergência com as centrais e os empresários – “as minorias organizadas”, segundo suas palavras – é a única forma de avançar em prol da modernização das relações entre capital e trabalho no país. “A minoria dos trabalhadores organizada vai sempre conseguir barrar a flexibilização de seus direitos”, avisa. 


    Nas discussões que o governo vem promovendo, fica claro que os dois lados terão que ceder em algumas áreas. O ministro reconhece as dificuldades políticas da empreitada. “Os dirigentes sindicais e os líderes empresariais consultados não menosprezam os dissabores dessa reorientação. A maior parte, porém, vê nela a maneira mais direta, clara e corajosa de resolver problema que ameaça nosso futuro nacional”, assegura. 


    Mangabeira diz, no entanto, que o governo, na busca da “superação do regime de Vargas”, não atuará como “secretário” das elites sindicalistas e patronais. Na falta de consenso, debaterá sua proposta com a sociedade e o Congresso. Na reunião de quinta-feira passada, conta, o mais empolgado com o avanços contidos nas propostas era o presidente Lula. 


     


     


     


     

  • Revisão de regime sindical foi pedido de sindicatos

    Valor Econômico   Editoria: Brasil    Página: A-6


    Um outro defeito do regime de Vargas apontado por Mangabeira Unger é que, mesmo para a minoria protegida por suas leis, ele assegura representação sindical oficial sem garantir representação “vigorosa, independente e portanto legítima”. “Um sistema que exalta a unicidade sindical evoluiu paradoxalmente para a proliferação exuberante de sindicatos – muitos são representativos de fato e muitos outros, imposturas de representação. O enfraquecimento da representação é uma vulnerabilidade e uma ameaça.

    Valor Econômico   Editoria: Brasil    Página: A-6


    Um outro defeito do regime de Vargas apontado por Mangabeira Unger é que, mesmo para a minoria protegida por suas leis, ele assegura representação sindical oficial sem garantir representação “vigorosa, independente e portanto legítima”. “Um sistema que exalta a unicidade sindical evoluiu paradoxalmente para a proliferação exuberante de sindicatos – muitos são representativos de fato e muitos outros, imposturas de representação. O enfraquecimento da representação é uma vulnerabilidade e uma ameaça. A exclusão da maioria é um veneno”, define. 


    A pedido das centrais, o ministro decidiu tratar da revisão do regime sindical. Por considerar o tema controvertido, achava melhor não incluir o assunto agora. Depois, reconheceu que estava errado – as centrais convergiram mais em relação à reforma sindical do que à forma de desoneração da folha. O primeiro ponto de coincidência diz respeito à legalização das centrais. A legalização aconteceu há um mês, quando foi sancionada a lei 11.648. A segunda convergência trata da substituição do imposto sindical por “participação negocial”, definida em assembléia dos sindicatos de cada categoria, mas, uma vez aprovada, estendida compulsoriamente a todos os trabalhadores, sindicalizados ou não. 


    A terceira iniciativa pretende assegurar ao sindicato da categoria preponderante na base (no local de trabalho ou na unidade fabril) o direito de representar todos os trabalhadores que atuem naquela base, independentemente das categorias existentes. “Esse é o resíduo pragmático do princípio da unicidade que todos apóiam: tanto os que abraçam aquele princípio como regra geral quanto aqueles que o rejeitam”, diz o ministro. 


    Quanto ao quarto ponto, a idéia é que é preciso combater práticas anti-sindicais. Para isso, será necessário institucionalizar a figura do “agente sindical”, ou seja, do representante do sindicato preponderante e, com isso, de todos os trabalhadores, no local de trabalho. Outro item de interesse das sindicalistas é a organização das negociações coletivas, “liberadas do critério restritivo da data-base”.


     




     


     

  • Trabalho de pessoa jurídica volta à discussão

    Valor Econômico   Editoria: Brasil    Página: A-6


    O governo retomou as conversas com dirigentes sindicais para negociar uma regulamentação da contratação de profissionais por meio de pessoas jurídicas, preocupado que está com a possibilidade de o Congresso Nacional derrubar um veto presidencial (do que ficou conhecido como Emenda 3).

    Valor Econômico   Editoria: Brasil    Página: A-6


    O governo retomou as conversas com dirigentes sindicais para negociar uma regulamentação da contratação de profissionais por meio de pessoas jurídicas, preocupado que está com a possibilidade de o Congresso Nacional derrubar um veto presidencial (do que ficou conhecido como Emenda 3). O ministro da Fazenda, Guido Mantega, reuniu-se ontem com representantes das centrais sindicais e marcou para 16 de maio um segundo encontro, em São Paulo, para discutirem um texto preliminar de uma medida provisória ou projeto de lei com pedido de tramitação urgente. 


    Depois da reunião, alguns dos sindicalistas afirmaram que podem aceitar normas que definirão com maior precisão a contratação de profissionais autônomos apenas nos segmentos artístico e cultural, mas não vão tolerar a abertura de brechas para fraudes à lei trabalhista. Outra preocupação dos representantes dos trabalhadores e do governo é o financiamento da Previdência Social. 


    Em março de 2007, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetou, no texto da lei que criou a Receita Federal do Brasil (incorporação da Receita Previdenciária pela Receita Federal), norma conhecida como “Emenda 3”. Ela proibia que os auditores multassem empresas que contratam empregados por meio de pessoas jurídicas para pagarem menos encargos. 


    Na reunião de ontem, representaram o governo, além de Mantega, o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Machado, o secretário da Receita Federal, Jorge Rachid, o secretário-adjunto da Receita, Carlos Alberto Barreto, e o procurador-geral da Fazenda Nacional, Luiz Inácio Lucena Adams. Pelas centrais sindicais, compareceram, entre outros, Francisco Canindé Pegado (União Geral dos Trabalhadores), Antonio Fernandes dos Santos Neto (Central Geral dos Trabalhadores do Brasil), João Carlos Gonçalves e Sérgio Luiz Leite (Força Sindical). 


     




     


     

  • Déficit externo é o maior desde 1947

    O Estado de São Paulo   Editoria: Economia   Página: B-2


    As contas do Brasil com o exterior tiveram o pior março já registrado pelo Banco Central (BC), que começou a coletar dados em 1947. Considerando todas as transações de comércio – serviço e financeiras -, o resultado foi um déficit de US$ 4,429 bilhões, resultado que surpreendeu o mercado e o próprio governo, que esperavam saldo negativo em torno de US$ 3 bilhões. Foi também o pior primeiro trimestre da história: US$ 10,757 bilhões de déficit.

    O Estado de São Paulo   Editoria: Economia   Página: B-2


    As contas do Brasil com o exterior tiveram o pior março já registrado pelo Banco Central (BC), que começou a coletar dados em 1947. Considerando todas as transações de comércio – serviço e financeiras -, o resultado foi um déficit de US$ 4,429 bilhões, resultado que surpreendeu o mercado e o próprio governo, que esperavam saldo negativo em torno de US$ 3 bilhões. Foi também o pior primeiro trimestre da história: US$ 10,757 bilhões de déficit. Se for confirmada a previsão para abril, um saldo negativo de US$ 2,8 bilhões, o déficit superará, em quatro meses, o total estimado BC para o ano, que é de US$ 12 bilhões.


    “O resultado foi influenciado de maneira expressiva pelo resultado comercial e pelas remessas de lucros e dividendos”, disse o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes. É um comportamento que já vinha sendo observado desde o início do ano e se acentuou no mês passado.


    O envio de recursos ao exterior a título de pagamentos de lucros e dividendos atingiu US$ 4,345 bilhões, o maior valor mensal já registrado. No trimestre, foram US$ 8,662 bilhões, também recorde para o período. Em abril, até ontem, as remessas somavam US$ 3,3 bilhões.


    Apesar da piora, o BC insiste em que o déficit é “perfeitamente financiável” pelo ingresso de investimentos estrangeiros diretos. Em março, esses somaram US$ 3,083 bilhões, um recorde para o mês. No trimestre, os investimentos já somam US$ 8,799 bilhões, também o mais elevado para o período. Para abril, espera-se o ingresso de US$ 3,6 bilhões.


    Altamir admitiu que, em março, os investimentos não foram suficientes para cobrir o déficit em transações correntes. A diferença foi completada por empréstimos tomados por companhias brasileiras no exterior. No primeiro trimestre, a taxa de rolagem dos empréstimos de médio e longo prazo atingiu 229%, o que indica que não há dificuldade em obter financiamentos. Para o ano, a expectativa é de que o ingresso de investimento direto será de US$ 32 bilhões, suficiente para compensar o déficit em conta corrente.


    A tranqüilidade do BC, porém, não é compartilhada pelo Ministério da Fazenda. Em março, ao anunciar o minipacote com medidas para conter o “derretimento” do dólar, o ministro Guido Mantega afirmou não ser política de governo registrar sucessivos déficits em conta corrente. O empenho da Fazenda para evitar uma subida na taxa de juros teve como principal motivo o temor de uma deterioração mais aguda das contas externas.


     


     

  • Meta do governo é qualificar 200 mil

    Valor Econômico  Editoria: Brasil   Página: A-4


    O Ministério do Trabalho elevou neste ano o orçamento para políticas públicas de emprego em 10,9%, passando de R$ 384,1 milhões aprovados em 2007, para R$ 425,9 milhões. Os recursos serão destinados a programas de qualificação profissional e de incentivo à inclusão de jovens no mercado de trabalho.

    Valor Econômico  Editoria: Brasil   Página: A-4


    O Ministério do Trabalho elevou neste ano o orçamento para políticas públicas de emprego em 10,9%, passando de R$ 384,1 milhões aprovados em 2007, para R$ 425,9 milhões. Os recursos serão destinados a programas de qualificação profissional e de incentivo à inclusão de jovens no mercado de trabalho. O objetivo, afirmou o ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, é qualificar 200 mil trabalhadores, sobretudo nas áreas industrial e agrícola. 


    De acordo com o ministro, a incidência de acidentes e mortes no trabalho está diretamente ligada à qualificação da mão-de-obra e ao alto grau de informalidade. Os dados oficiais mais recentes são de 2006 e apontam para um total de 2.717 óbitos por acidentes de trabalho, 1,8% menos que em 2005. Do total de mortes, 376 ocorreram no setor de transporte terrestre, 318 na construção civil e 221 na área agrícola, setores considerados prioritários no programa de qualificação da mão-de-obra. 


    Ontem, Ministério do Trabalho, Fundação Jorge Duprat Figueiredo de de Segurança e Medicina do Trabalho (Fundacentro) e Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) assinaram um protocolo de intenções para a realização de cursos de formação e contratação de aprendizes em segurança e saúde no trabalho. Nesta semana, o ministério negocia acordo semelhante com a Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e o sistema S (Senai, Sesi, Sebrae, Senac e Sesc). 


    Conforme os dados do ministério, o total de acidentes registrados é de 537,5 mil, 1,51% abaixo do verificado no ano anterior. No período, houve aumento de 3,7% no número de acidentes com atendimento médico e de 7,63% no total de licenças médicas de até 15 dias.


    “Estamos evoluindo, mas aquém do necessário. Provavelmente os números de acidentes, mortes e invalidez são muito maiores, pelo grau de informalidade do mercado”, afirmou Lupi, observando que quase 50% dos empregados não trabalham com carteira assinada. 


    Pérsio Dutra, da Central Geral de Trabalhadores do Brasil (CGTB), observou que, de cada três acidentes com morte de motoboys no trânsito de São Paulo, apenas um é registrado como acidente de trabalho porque a maioria dos profissionais da área não tem carteira assinada.


    Siderlei de Oliveira, coordenador do Instituto Nacional de Saúde do Trabalhador (INST) da CUT, disse também que dos acidentes que ocorrem no setor petroquímico, 80% têm como vítimas profissionais terceirizados. Segundo o ministro Carlos Lupi, muitas empresas que contratam profissionais terceirizados não oferecem os mesmos cursos de qualificação dados aos seus funcionários, o que eleva o risco de acidentes. 


    Como parte das comemorações do Dia do Trabalhador, o governo prepara o lançamento da nova carteira de trabalho, que volta a ter a cor azul, e do cartão magnético do PIS/Pasep, que permitirá ao empregado consultar e movimentar a conta do FGTS de qualquer agência da Caixa. O governo negocia ainda com outros países a aceitação nova carteira como documento de identidade internacional. 


     




     


     

  • As bases do conhecimento (Jornal do Brasil, 28/04/2008)

    Antonio Oliveira Santos

    Presidente da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo



    Os Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (REUNI) estimam, para as 58 universidades vinculadas à União, um aumento de 72% na oferta de vagas nos próximos cinco anos. Em números absolutos, supõem aumentar, de 133 mil para 280 mil, o número de vagas, com o objetivo principal de expandir a oferta nos cursos noturnos. Como um caso extremo, pretende-se que a Universidade Federal da Bahia passe das atuais 80 vagas, nesses cursos, para cerca de 2.700.

    Antonio Oliveira Santos

    Presidente da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo



    Os Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (REUNI) estimam, para as 58 universidades vinculadas à União, um aumento de 72% na oferta de vagas nos próximos cinco anos. Em números absolutos, supõem aumentar, de 133 mil para 280 mil, o número de vagas, com o objetivo principal de expandir a oferta nos cursos noturnos. Como um caso extremo, pretende-se que a Universidade Federal da Bahia passe das atuais 80 vagas, nesses cursos, para cerca de 2.700. É fácil imaginar o impacto que tal aumento representaria na contratação de professores em diferentes disciplinas, se disponíveis no mercado em número e capacitação, assim como na contratação de funcionários para os serviços administrativos.


    É bem verdade que a adesão das Universidades Federais ao REUNI é voluntária e não há dúvida de que a expansão dos cursos noturnos corresponde ao anseio de muitos, que, tendo de conciliar trabalho e estudo, não têm outra opção. A idéia inicial era estimular apenas as instituições recém criadas, ou que instalassem novos campi, a oferecer cursos noturnos, mas a expectativa de recursos abundantes, gerada pelas autoridades, levou à proliferação indiscriminada de projetos para criação de tais cursos.


    Sem entrar no mérito das disciplinas que seriam oferecidas e na qualidade do ensino que seria ministrado, parece que, uma vez mais, o Governo federal estaria dando ênfase a novas iniciativas no domínio do ensino superior, sem cuidar primordialmente do ensino fundamental, embora, nesse nível de ensino, a atribuição corresponda prioritariamente aos Estados e Municípios.


    O ensino fundamental é  certamente fundamental, o que levou a OECD a criar o Programa Internacional do Estudante (cuja sigla em inglês é PISA), mediante o qual se realizam diversos testes para comparar, internacionalmente, a capacidade de aquisição de conhecimento dos estudantes através de um domínio mínimo de linguagem, matemática e ciências.  Essa experiência é levada a cabo, a cada três anos, pela OECD, tendo como alvo estudantes na faixa etária entre 15 e 16 anos. O PISA, ao acrescentar a capacidade de leitura e interpretação de um texto à matemática e às ciências, supõe que todo estudante deva ter os instrumentos necessários para resolver problemas do cotidiano. Lamentavelmente, na classificação das comparações internacionais, o Brasil está na parte inferior da tabela, à frente apenas de alguns poucos países de pequena projeção, tanto no plano político, como no econômico.


    A ênfase no ensino da matemática e das ciências é uma componente essencial do ensino básico para, mais adiante, habilitar a força-de-trabalho a participar, com maior capacidade produtiva, no processo do desenvolvimento econômico. Além disso, estudantes com bom conhecimento dessas disciplinas formam naturalmente um contingente de futuros engenheiros e cientistas, sendo ponto pacífico hoje que pesquisa e desenvolvimento (P&D) constituem componente importante do crescimento econômicos das nações.


    Como o ensino da matemática é um processo de natureza seqüencial , que não permite saltar etapas, é importante estimular  o raciocínio lógico e apurar a concentração do aluno, interagindo, ao mesmo tempo, com o ensino de ciências, como no caso da física.


    Num mundo global, em que as tecnologias têm presença dominante no cotidiano das pessoas e as inovações estão na raiz da capacidade de competição de empresas e nações, mais importante do que uma política que leve à criação desmesurada de cursos noturnos é reconhecer, pela falta de boa formação, o enorme déficit de professores de matemática, física, química, biologia etc, no ensino básico.


    Publicado no Jornal do Brasil de 28/04/2008.

  • Comissão de Agricultura discute comércio entre Brasil e União Européia

    A Comissão de Agricultura promove debate nesta terça-feira (29) sobre a participação dos segmentos agropecuário e agroenergético no intercâmbio comercial, econômico e tecnológico entre a União Européia e o Brasil. Antes do debate, o consultor Ênio Marques fará uma palestra sobre rastreabilidade e certificação bovina.


    Além dos deputados da comissão, participarão do debate parlamentares da Comissão de Agricultura e Reforma Agrária do Senado e da Comissão de Agricultura e Desenvolvimento Rural do Parlamento Europeu.

    A Comissão de Agricultura promove debate nesta terça-feira (29) sobre a participação dos segmentos agropecuário e agroenergético no intercâmbio comercial, econômico e tecnológico entre a União Européia e o Brasil. Antes do debate, o consultor Ênio Marques fará uma palestra sobre rastreabilidade e certificação bovina.


    Além dos deputados da comissão, participarão do debate parlamentares da Comissão de Agricultura e Reforma Agrária do Senado e da Comissão de Agricultura e Desenvolvimento Rural do Parlamento Europeu. O debate foi sugerido pelos parlamentares europeus.


    A reunião está marcada para as 10 horas, no plenário 6.


    Agência Câmara, 28 de abril de 2008.

     




     

  • Comissão vota projeto que permite falta ao trabalho um dia por ano

    Abre a pauta de 12 itens da reunião da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), nesta terça-feira (29), projeto de lei do senador Paulo Paim (PLS 23/03) que permite ao trabalhador faltar ao serviço um dia por ano, sem prejuízo da remuneração. A matéria acrescenta dispositivo ao artigo 473 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e tem voto favorável da relatora, senadora Patrícia Saboya (PDT-CE).

    Abre a pauta de 12 itens da reunião da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), nesta terça-feira (29), projeto de lei do senador Paulo Paim (PLS 23/03) que permite ao trabalhador faltar ao serviço um dia por ano, sem prejuízo da remuneração. A matéria acrescenta dispositivo ao artigo 473 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e tem voto favorável da relatora, senadora Patrícia Saboya (PDT-CE). A proposta tem decisão terminativa na Comissão de Assuntos Sociais (CAS).


    Na justificação da proposta, Paim destaca que “o alcance social da medida é evidente e dispensa maiores comentários”. Para ele, o trabalhador “tem todo o direito de tratar de seus assuntos mais íntimos sem a necessidade de se justificar perante seu chefe”.


    Também na pauta projeto de lei (PLS 500/07) apresentado pelo senador Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN) -hoje presidente do Senado – que institui o Cadastro Nacional de Fornecedores Suspensos de Participar de Licitações e Contratar com a Administração Pública Direta e Indireta da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. O relator da matéria, senador Jayme Campos (DEM-MT), apresentou substitutivo ao texto original. Esta proposta tem decisão terminativa na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ).


    Outro projeto é o PLS 224/07, de autoria da senadora Lúcia Vânia (PSDB-GO), que institui o Balanço Social Empresarial e autoriza a criação do Selo Empresa Responsável. A relatora na CAE, senadora Serys Slhessarenko (PT-MT), apresentou voto pelo acolhimento do substitutivo já aprovado pela Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo (CDR). Essa proposta também tem decisão terminativa na CCJ.


    A proposta define o Balanço Social Empresarial como “o conjunto de informações econômico-sociais, quantitativas e qualitativas, capaz de demonstrar os reflexos na sociedade, decorrentes da relação capital-trabalho na empresa”. Ele deverá ser publicado anualmente na imprensa e conter, entre outras informações, os investimentos sociais para os funcionários, como alimentação, saúde, educação e capacitação; investimentos na comunidade, como doações, projetos culturais e atividades educacionais; número de ações trabalhistas movidas contra a empresa e de reclamações dos clientes recebidas diretamente ou por meio dos órgãos de proteção e defesa do consumidor; quantidade de passivo e contingências ambientais; e política de participação nos lucros ou nos resultados da empresa.


    O PLS 224/07 também permite ao Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome emitir o Selo Empresa Responsável, a ser concedido às empresas que publicarem seu Balanço Social Empresarial, sendo proibida a concessão desse selo a empresas que comprovadamente cometam crimes ambientais, adotem práticas discriminatórias ou estejam envolvidas com a exploração do trabalho infantil ou qualquer forma de trabalho forçado.


    Agência Senado, 25 de abril de 2008.