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  • Cristovam proporá “banco da educação” a países do Mercosul

    O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) disse, nesta sexta-feira (25), ser favorável à criação de um fundo educacional a ser constituído com recursos de um imposto sobre compra e venda de combustíveis entre os países do Mercosul – Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. O que ele chamou de “banco da educação” financiaria projetos de alfabetização e melhoria da qualificação de professores.


    Cristovam informou que a proposta será levada à 9ª Reunião Plenária Ordinária do Parlamento do Mercosul, nas próximas segunda e terça-feiras (dias 28 e 29), em Montevidéu, Uruguai.

    O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) disse, nesta sexta-feira (25), ser favorável à criação de um fundo educacional a ser constituído com recursos de um imposto sobre compra e venda de combustíveis entre os países do Mercosul – Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. O que ele chamou de “banco da educação” financiaria projetos de alfabetização e melhoria da qualificação de professores.


    Cristovam informou que a proposta será levada à 9ª Reunião Plenária Ordinária do Parlamento do Mercosul, nas próximas segunda e terça-feiras (dias 28 e 29), em Montevidéu, Uruguai. O senador pedetista participará como membro da representação brasileira.


    Apesar de não adiantar detalhes de seu projeto, o parlamentar revelou que irá sugerir a criação de uma comissão para discutir o assunto no âmbito do Parlamento do Mercosul.


    – Será como os fundos que nós já conhecemos. Os países contribuirão, se necessário, com a criação desse imposto regional, e o fundo liberará recursos para os projetos aprovados – explicou.


    Agência Senado, 25 de abril de 2008.

  • CCJ aprova novas normas para cooperativas de trabalho

    A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) aprovou, na última terça-feira (22), novas normas para a organização e o funcionamento das cooperativas de trabalho e a criação do Programa Nacional de Fomento às Cooperativas de Trabalho (Pronacoop). Esse programa tem como objetivo apoiar a viabilização de linhas de crédito, o acesso a mercados e à comercialização da produção, entre outros itens. O Brasil tem mais de 1,5 milhão de trabalhadores em cooperativas.


    A proposta altera a Lei 5.764/71 e está pronta para ser votada pelo Plenário.

    A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) aprovou, na última terça-feira (22), novas normas para a organização e o funcionamento das cooperativas de trabalho e a criação do Programa Nacional de Fomento às Cooperativas de Trabalho (Pronacoop). Esse programa tem como objetivo apoiar a viabilização de linhas de crédito, o acesso a mercados e à comercialização da produção, entre outros itens. O Brasil tem mais de 1,5 milhão de trabalhadores em cooperativas.


    A proposta altera a Lei 5.764/71 e está pronta para ser votada pelo Plenário. O texto estabelece regras para impedir fraudes no setor e proibir a criação de cooperativas para intermediação de mão-de-obra terceirizada.


    Estão excluídas das normas aprovadas as cooperativas operadoras de planos privados de assistência à Saúde; as cooperativas que atuam no setor de transporte regulamentado pelo Poder Público e que detenham os meios de trabalho; e as de profissionais liberais cujos sócios exerçam as atividades em seus próprios estabelecimentos.


    Contribuições

    Vários textos que tratam do assunto foram aprovados pela CCJ, mas terá prioridade para votação no plenário o substitutivo da última comissão permanente que analisou o mérito da proposta – a Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público (Ctasp). Esse texto incorpora contribuições do PL 4622/04, do deputado Pompeo de Mattos (PDT-RS); e dos seguintes projetos que tramitam em conjunto: PL 6449/05, do ex-deputado Walter Barelli; PL 6525/05, da Comissão de Legislação Participativa; e, principalmente, PL 7009/06, do Poder Executivo, que propõe a criação do Pronacoop.


    O deputado Geraldo Pudim (PMDB-RJ), relator da matéria na CCJ, instância que não analisou o mérito do projeto, votou pela constitucionalidade, juridicidade e boa técnica legislativa do texto principal (4622/04), com substitutivo; do substitutivo da Ctasp; do substitutivo apresentado pela Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio; dos projetos apensados; e de 37 das 41 emendas. Qualquer uma dessas propostas pode ter requerimento de prioridade na votação final em plenário.


    Horas extras

    A proposta aprovada modifica a Política Nacional de Cooperativismo, determinando jornada máxima de oito horas diárias e 44 semanais e prevendo a remuneração de horas extras. Atualmente, as cooperativas de trabalho não se enquadram na legislação trabalhista.


    Constituída com número mínimo de sete sócios, a cooperativa de trabalho deve garantir aos seus sócios direitos como retiradas não inferiores ao piso da categoria profissional ou ao salário mínimo, no caso de não haver piso, calculadas na forma proporcional às horas trabalhadas.


    O contratante da Cooperativa de Trabalho responde solidariamente pelo cumprimento das normas de saúde e segurança do trabalho quando os serviços forem prestados no seu estabelecimento ou em local por ele determinado.


    Os recursos para as linhas de crédito do Pronacoop serão provenientes do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT); de recursos orçamentários da União; e de outros recursos que venham a ser alocados pelo Poder Público. Essas duas últimas fontes foram acrescentadas pelo substitutivo da Ctasp, que também incluiu o repouso semanal e anual remunerado e seguro de acidente de trabalho.


    Tramitação

    O projeto tramita em regime de prioridade, mas o deputado Tarcísio Zimmerman (PT-RS), autor do substitutivo da Ctasp, apresentou requerimento para que seja votado com urgência.


    Agência Câmara, 28 de abril de 2008.


     

  • Comissão debate implantação da Agenda do Trabalho Decente

    A Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público promove audiência pública nesta terça-feira (29) sobre a implementação da Agenda do Trabalho Decente no Brasil.

    A Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público promove audiência pública nesta terça-feira (29) sobre a implementação da Agenda do Trabalho Decente no Brasil. Essa agenda é uma iniciativa da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que considera o trabalho decente condição fundamental para superação da pobreza, redução das desigualdades sociais, garantia da governabilidade democrática e desenvolvimento sustentável.


    “O trabalho decente é compreendido como o trabalho adequadamente remunerado, que é exercido em condições de liberdade, eqüidade e segurança, e que seja capaz de garantir uma vida digna para o cidadão”, explica o deputado Daniel Almeida (PCdoB-BA), que pediu a realização desse debate.


    Em junho de 2003, o Brasil e a OIT assinaram Memorando de Entendimento prevendo o estabelecimento de um programa especial de cooperação técnica para a promoção de uma agenda nacional de trabalho. “Algumas ações nesse sentido vem sendo implementadas, sobretudo, no que concerne às políticas públicas de combate ao trabalho escravo e infantil. No entanto, verifica-se que a proposta ainda não se expandiu para o conjunto dos estados e municípios brasileiros”, afirma Almeida.


    O parlamentar informa que a Secretaria do Trabalho da Bahia está desenvolvendo com o suporte técnico da OIT uma agenda estadual do trabalho decente. “É a primeira agenda subnacional que está sendo implementada.”


    Foram convidados para discutir o assunto:

    – o ministro do Trabalho, Carlos Lupi;

    – o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro;

    – a diretora da OIT Lais Wendel Abramo;

    – o procurador-geral do Trabalho, Otávio Brito Lopes;

    – o presidente do Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador (Codefat), Luiz Fernando Emediato;

    – o secretário do Trabalho da Bahia, Nilton Vasconcelos Júnior.


    A audiência pública está marcada para as 14h30, no plenário 12.


    Agência Câmara, 28 de abril de 2008.

  • Fecomércio Tocantins lança o 1º Circuito de Automação Comercial e Conectar

    A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Tocantins apresenta amanhã, dia 29, no  auditório da Entidade, em Palmas, o 1º Circuito de Automação Comercial e Conectar.


    O objetivo do projeto é fornecer aos empresários do setor do comércio ferramentas para agilizar vendas, controlar o fluxo de negócios, conhecer bem os clientes e conseguir sucesso nas vendas, independente do tamanho da empresa.


    Para a Fecomércio-TO, o  empresariado tocantinense tem que estar preparado para as constantes mudanças de mercado .

    A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Tocantins apresenta amanhã, dia 29, no  auditório da Entidade, em Palmas, o 1º Circuito de Automação Comercial e Conectar.


    O objetivo do projeto é fornecer aos empresários do setor do comércio ferramentas para agilizar vendas, controlar o fluxo de negócios, conhecer bem os clientes e conseguir sucesso nas vendas, independente do tamanho da empresa.


    Para a Fecomércio-TO, o  empresariado tocantinense tem que estar preparado para as constantes mudanças de mercado . Para isto, a Entidade vem buscando, ao longo dos seus 15 anos de existência,  realizar projetos que  promovam o fortalecimento, a  promoção e o desenvolvimento do comércio.


    O 1º Circuito de Automação Comercial será realizado entre os dias 29 e 31 de maio,  no Centro de Convenções de Palmas.

  • Sistema S reage contra proposta pública

    Folha de São Paulo     Editoria: Dinheiro     Página: B-12


    A proposta de reforma do Sistema S apresentada pelo governo causou comoção nas últimas semanas, em entidades como Senac (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial) e Sesc (Serviço Social do Comércio).


    “Se havia falhas com relação ao trabalho, que as apontassem”, afirma Danilo Miranda, diretor regional do Sesc.

    Folha de São Paulo     Editoria: Dinheiro     Página: B-12


    A proposta de reforma do Sistema S apresentada pelo governo causou comoção nas últimas semanas, em entidades como Senac (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial) e Sesc (Serviço Social do Comércio).


    “Se havia falhas com relação ao trabalho, que as apontassem”, afirma Danilo Miranda, diretor regional do Sesc. “Eles fizeram uma intervenção grave, sem ouvir nenhum funcionário das instituições.”


    O ministro da Educação, Fernando Haddad, afirma que as discussões vêm sendo feitas com a representação nacional das entidades, que não têm um controle centralizado.


    “Não dá para conversar com 120 pessoas, dos cinco S em 27 Estados diferentes”, diz Haddad. “Estamos em meio ao diálogo. Não quer dizer que vamos chegar a um consenso, mas que está havendo diálogo, está.”


    Segundo ele, entre as propostas atualmente analisadas, está, por exemplo, a possibilidade de criar uma regra de transição para o uso das verbas do Sistema S. Isso porque, segundo as entidades, parte do valor arrecadado para o sistema será destinado à criação do Funtec (Fundo Nacional de Formação Técnica e Profissional).


    Assim, a distribuição dos recursos não acontecerá mais apenas por percentuais fixos, mas será feita, entre outros critérios, de acordo com o número de matrículas gratuitas.


    Algumas entidades como o Sesc, promotora de atividades culturais de qualidade e a bom preço, temem ter de acabar com um terço de sua estrutura, em razão de cortes.


    O ministro diz que não é isso que acontecerá. “Da maneira como é feita a repartição interna de verbas no sistema, o Sesc fica com menos do que a proposta que está sendo feita”, diz Haddad. “Teoricamente, eles teriam 1,5% sobre a folha mas, na prática, o que vai para os departamentos regionais é muito menos do que isso.”


    Acesso público


    Com as mudanças, a intenção do governo é aumentar o acesso, aos cursos profissionalizantes, dos alunos egressos da rede pública de ensino.


    O Senac, no entanto, discorda. Segundo Luiz Francisco de Assis Salgado, diretor regional do Senac (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial), em São Paulo, apesar de haver oportunidades e vagas, elas não são preenchidas por alunos de escolas públicas por falta de interesse dos empresários, dos jovens e por deficiência em sua formação.


    “O egresso do ensino público é tão defasado, mas tão defasado, que ele não consegue acompanhar”, afirma Salgado.


    De acordo com ele, os alunos do Senac vêm de colégios e resolveram seguir carreira técnica. “É para isso que fomos criados”, diz Salgado. “Não para suprir as necessidades governamentais, mas sim para dar o embasamento técnico.”


    Outro motivo que levou o governo a propor as mudanças diz respeito a uma alegada falta de transparência e eficiência nas instituições ligadas ao Sistema S. “O governo está presente nos conselhos das entidades”, diz Miranda. “Eles fazem parte do órgão fiscalizador.”


    As entidades também questionam o fato de que o governo dificilmente conseguiria ser mais eficiente na gestão das verbas ligadas ao Sistema S. “Não pretendemos administrar verbas”, diz Haddad. “A proposta não prevê que nenhum centavo do Sistema S passe ao governo. O valor arrecadado deverá apenas financiar a gratuidade de alunos que não possam pagar pela educação profissional.”




    Sesc diz que atividades terão de ser reduzidas em um terço


    Danilo Miranda, diretor regional do Sesc (Serviço Social do Comércio) em São Paulo, diz que as atividades da entidade serão reduzidas em um terço, caso o orçamento diminua de acordo com a proposta do governo. Segundo ele, as entidades podem ir à Justiça contra as mudanças no Sistema S.


    FOLHA – Qual será o impacto no Sesc-SP se houver essas mudanças?

    DANILO MIRANDA – A ação do governo é uma intervenção, grave, efetiva no chamado sistema S. Esse documento revela, primeiro, manifesta desconfiança do trabalho que está sendo feito pelos órgãos de formação profissional do Brasil, entre eles o Senac e o Senai. Em segundo lugar, é uma falácia, dizendo que, em nome de uma formação profissional nova, retira-se dinheiro de instituições que trabalham no social e no cultura, que são Sesc e Sesi.


    FOLHA – O governo alega que o Sistema S é uma caixa-preta e por isso as mudanças seriam necessárias.

    MIRANDA – Não admito. Não existe sistema S, mas várias instituições vinculadas a um modo de agir. Nós não temos nada a ver com Sesi e Senac, do ponto de vista administrativo e financeiro. Temos um sistema de fiscalização dos mais rigorosos. Temos não apenas auditorias, como também conselhos fiscais com a maioria do governo, inclusive representantes do Ministério do Trabalho que assinam essa proposta com o da Educação. Os organismos de formação profissional, o Senac e o Senai, têm representante do Ministério da Educação em todos seus conselhos. É um tiro no pé porque o ministério poderia ter feito sugestões, se tivesse participação efetiva.


    FOLHA – O governo então não tem participação efetiva no conselho?

    MIRANDA – Eles têm assento, se não falam é porque não querem. E agora fazem uma proposta à revelia de todos os participantes do processo. Somos cerca de 120 mil funcionários do Sistema S no Brasil todo. Quantos participaram dessas discussões? Todos são trabalhadores remunerados, concursados. Estou há 40 anos na instituição. Nunca tiveram a gentileza de nos convidar para uma reunião. Desde o ano passado, estou tentando contato pessoal com o ministro da Educação sobre isso. Fui recebido há duas semanas por funcionário da área de formação profissional, sendo que eu, como Sesc, não tenho nada a ver com formação profissional. O chamado Sistema S lida com formação profissional, e todo o restante do chamado bem-estar social, incluindo saúde, educação, lazer, cultura, esporte, transporte e vestuário é do Sesc e do Sesi. Essas entidades foram criadas privilegiando a formação profissional porque era uma necessidade naquele momento. Criar fundo agora, com recursos dessas entidades, para que o empresariado, com governo e trabalhadores administrem esse recurso, como se fosse um recurso absolutamente público e sem controle dos departamentos regionais e técnicos, é uma intervenção pura.


    FOLHA – Em quanto seria reduzido o orçamento do Sesc?

    MIRANDA – Em 33% da receita, hoje em R$ 30 milhões por mês, no Sesc São Paulo. Perderemos R$ 10 milhões ao mês.


    FOLHA – A parte de São Paulo nas verbas do Sistema S não é maior? Ao todo não são R$ 8 bilhões?

    MIRANDA – Não sei quem fez essa conta. Esse montante seria somando no país as nove entidades ligadas ao chamado Sistema S. Só que a caixa-preta é outra. Não sabemos com exatidão como esse recurso é aplicado em nível nacional e o montante do que é recolhido pela Previdência e, hoje, pela Super-Receita. Temos questões a respeito de arrecadação. Se há caixa-preta, não está aqui, porque a nossa é publicada. Lá dentro, como é distribuído esse recurso, a gente não sabe. Porque tem fundo nacional de telecomunicações, fundo ligado à área de transporte aéreo. Está tudo misturado nesses tais terceiros da Previdência. Nós pagamos ao governo, que tem essa máquina arrecadadora, para usar o sistema. É um serviço prestado. O recurso não é público, no sentido de participar do Tesouro. Esse dinheiro é carimbado, como os recursos do fundo de garantia: é recolhido, mas é do trabalhador. É obrigatório pagar, mas é destinado a um fim específico. É uma intervenção radical, profunda.


    FOLHA – Por quê?

    MIRANDA – Achava que era só sobre aquele montante tirado do Sesc que teria a participação do conselho do fundo, presidido pelo ministro. Mas não. Eles vão administrar também os recursos que são do Senac e do Senai hoje. E não aprofundaram o estudo. Tive uma reunião com o sr. Getúlio Marques, responsável no ministério pela educação profissional, que não sabia que os sistemas financeiro e bancário não contribuem.


    FOLHA – Há o risco de as atividades do Sesc diminuírem?

    MIRANDA – Nosso plano de expansão, quadro de pessoal e atividades do dia-a-dia, tudo terá de ser diminuído em um terço.


    FOLHA – Não seria possível fazer mais atividades com os mesmos recursos que o Sesc conta?

    MIRANDA – Não. O grande relatório diário que fazemos está com as pessoas que vão a nossas unidades. Há grande distância entre isso e dizer que é tudo ruim e não funciona, não tem transparência, é uma caixa-preta. A grande maioria, o que é mostrado efetivamente para a sociedade, é uma realidade absolutamente diferente.


    FOLHA – Algumas pessoas dizem que o ministro Fernando Haddad está sendo usado pelo presidente Lula.

    MIRANDA – Se for verdade, é engano da parte dele. Há quem diga que o Haddad faz isso para se credenciar à sucessão do presidente. O único diploma que Lula tem é do Senai. Isso sempre orgulhou as entidades que fazem parte do sistema.


    FOLHA – Vocês estudam ir à Justiça caso o projeto seja levado à frente?

    MIRANDA – Sem dúvida, provavelmente, sim. O projeto é pouco profundo sobre o artigo 240, que fala com todas as letras que essas entidades são intocáveis.




    Diretor do Senac diz que cursos custam de acordo com qualidade


    Para Luiz Francisco de Assis Salgado, diretor regional do Sesc (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial) em São Paulo, o Senac não tem mais alunos egressos do sistema público porque, com a educação deficiente, eles não conseguem acompanhar os cursos profissionalizantes. Segundo ele, os cursos são caros porque têm alta qualidade.


    FOLHA – O Sistema S é pouco transparente na destinação dos recursos, como alega o governo?

    SALGADO – Se o próprio ministro designa um representante do Ministério da Educação para participar do conselho do Senac, se o Ministério do Trabalho também participa desse conselho, se tem representante do Instituto Nacional de Seguridade Social, além do representante dos próprios empresários, como é possível dizer que não somos transparentes? Que ele não acredite no Senac, no Senai, no Sesi, em quem quer que seja, tudo bem. Só não concordo quando ele denigre a imagem da instituição dizendo que isso aqui é uma caixa-preta, que não se sabe onde vai o dinheiro. Sabe sim. O próprio governo tem representantes.


    FOLHA – O governo diz querer aperfeiçoar o sistema, dizendo que faltam, por exemplo, critérios de seleção dos alunos.

    SALGADO – O ministro [da Educação Fernando Haddad] diz que falta critério para os atendimentos, só que trabalhadores não são só os operários. Também reclama que não há gratuidade. Só no ano passado, o Senac deu mais de 10 mil bolsas, de um total de 521 mil atendimentos. Desse total, 50% são seminários, palestras e campanhas. O governo também diz que nossos cursos são elitizados. Ele acha que tem de dar curso para pobre, aquela falácia dos egressos do ensino público. O ministro também fala sobre oferta concentrada de cursos de curta duração, como se o curso longo fosse sinônimo de alta qualidade. A pessoa faz oito anos de ensino básico e sai da escola pública sem saber nada.


    FOLHA – Os cursos do Senac são criados a pedido do comércio?

    SALGADO – Num documento recente apresentado pelo ministro Haddad, há uma reclamação contra o baixo impacto dos nossos cursos. De onde ele tirou esse dado? Se a pessoa faz um curso de inglês, de espanhol ou de francês, pode modificar sua vida. Depois, o mercado muda, é necessário oferecer cursos de especialização para os profissionais que já atuam. Um ministro não pode falar isso. Ele também reclama que o sistema preserva desigualdades regionais. O que ele quer fazer com isso? Ele acha que no Maranhão, no Piauí, em Xiririca, não sei aonde, é possível ter um curso superior de fotografia? Como é que eu posso dar um curso de engenharia eletrônica numa cidade no interior do Maranhão, da Bahia? Tem cidades em São Paulo onde não se consegue fazer isso. Para resolver esse problema de desigualdades regionais, quem tem de fazer ação é o governo. Criar condições de fábrica, indústria, trabalho, importação e exportação e outras coisas mais. Não é um curso que preserva desigualdades regionais.


    FOLHA – Segundo o ministro, a proposta pretende dar maior controle ao sistema, entre outras medidas, por meio de avaliações.

    SALGADO – Você acredita na avaliação periódica do poder público? Quando o governo controla alguma coisa nesse país? Ele não consegue controlar a obrigação dele, que é a universalização da educação. A proposta de ampliar a oferta de cursos gratuitos e presenciais é uma forma de desconhecer a tecnologia, como se os que não fossem presenciais não valessem. Ledo engano. Essa proposta, partindo de um ministro da Educação, é inconcebível.


    FOLHA – Outro motivo da proposta é tentar aumentar o número de alunos egressos de escolas públicas. Por que isso não acontece hoje?

    SALGADO – Esse é o maior problema da educação do país. Temos, por força da legislação, obrigatoriedade de dar o que chamam de aprendizagem. Hoje são 5.000 meninos que trabalham meio dia e estudam meio dia no Senac. Por que só temos 5.000 se podíamos ter 300 mil? Primeiro porque o patrão, que é um microempresário, não quer pagar o salário do menino para ele vir estudar no horário de expediente. Depois porque não há interesse no estudo. Os meninos de 16, 17 anos são muito mais preocupados com outra coisa do que em fazer um curso de aprendizagem. O terceiro problema é a qualidade do ensino público. O egresso do ensino público é tão defasado, que ele não consegue acompanhar. De cada 20, só um vai. Isso é como a história em que o sujeito pega a mulher com outro homem no sofá e vende o sofá. O governo está fazendo a mesma coisa. Ele não quer resolver o problema, ele quer vender o sofá. Por que, em vez de melhorar o ensino público, [o governo] começa: “se você é preto, tem tanto de vaga”, “se você saiu do ensino público, tem mais 15% superior igual aquele que está lá na USP”. Começa com esses remendos todos e vira esse balaio de gatos que é hoje o sistema educacional do país, uma colcha de retalhos. Quem vem ao Senac hoje, é quem veio de um colégio e resolveu seguir uma carreira técnica. É para isso que fomos criados. Não fomos criados para suprir as necessidades governamentais, mas sim para dar o embasamento técnico.


    FOLHA – Os cursos do Senac são considerados caros mesmo para a classe média.

    SALGADO – Caros em relação a quê? Me perdoe a Uninove, que vende um curso por R$ 239, e o aluno ganha uma geladeira ou outro curso. É isso que se quer? É essa qualidade de educação que se quer? Ou como fazemos, que são caros pela qualidade? O governo tem mania de dizer que educação é sacerdócio. Não é. É um negócio, tem de pagar bons salários e atualizar profissionais e laboratórios. Senão fica essa coisa de governo que monta, inaugura, corta fita, vai embora e não volta.




     


     

  • Receita tributária bate recorde e soma R$ 162,5 bi no ano

    Folha de São Paulo     Editoria: Dinheiro    Página: B-4


    Mesmo sem a CPMF, a arrecadação do governo federal no primeiro trimestre do ano subiu 13%, já descontada a inflação. A Receita Federal atribui o resultado aos crescimentos da economia e da massa salarial, que faz com que as empresas e os trabalhadores paguem mais tributos. O aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) no início do ano também contribuiu.

    Folha de São Paulo     Editoria: Dinheiro    Página: B-4


    Mesmo sem a CPMF, a arrecadação do governo federal no primeiro trimestre do ano subiu 13%, já descontada a inflação. A Receita Federal atribui o resultado aos crescimentos da economia e da massa salarial, que faz com que as empresas e os trabalhadores paguem mais tributos. O aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) no início do ano também contribuiu. Por dia, os brasileiros pagaram R$ 1,8 bilhão em tributos federais nos três primeiros meses deste ano.


    A arrecadação federal no primeiro trimestre do ano somou R$ 162,5 bilhões, dos quais R$ 40,5 bilhões vieram da contribuição previdenciária, que teve alta de 13%. Em março, a receita total foi de R$ 51 bilhões, 7,7% maior do que a de março do ano passado, já descontada a inflação do período.


    Raimundo Eloy de Carvalho, coordenador de Previsão e Análise da Receita, disse que a taxação do IOF para os investidores estrangeiros, de 1,5% a partir de 15 de março, ainda não está refletida nas estatísticas apresentadas ontem. No trimestre, a arrecadação com o imposto subiu 142% se comparada ao mesmo período de 2007, e somou R$ 4,5 bilhões.


    Quando o governo elevou o IOF em 0,38% em janeiro e dobrou a alíquota para as pessoas físicas, a previsão era arrecadar R$ 16 bilhões neste ano. O decreto de programação orçamentária federal prevê arrecadação de R$ 18 bilhões com o imposto em 2008. Se o ritmo de crescimento do IOF se mantiver por todo o ano, o valor previsto no Orçamento será confirmado, superando a expectativa inicial da equipe econômica. Em 2007, o IOF rendeu R$ 8 bilhões aos cofres públicos.


    Lucro ajuda


    O crescimento do lucro das empresas também ajudou no aumento da arrecadação do primeiro trimestre. O Imposto de Renda das empresas e a CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido) subiram 28% e 18,8%, respectivamente.


    Carvalho esquivou-se de comentar se o aumento dos juros poderá frear o crescimento da arrecadação, com a possível redução da atividade econômica. “Não dá para avaliar ainda. Março encerra a arrecadação do ano passado. A partir de abril veremos qual será o desempenho deste ano.”


    A arrecadação deste mês será influenciada também pelo pagamento do IR das pessoas físicas. É que na próxima quarta-feira, dia 30, termina o prazo para o pagamento da primeira parcela (ou cota única) para quem ainda tiver IR a pagar após a entrega da declaração.


    Aumento dos juros


    Especialistas em contas públicas ouvidos pela Folha descartam a possibilidade de o aumento dos juros reduzir o crescimento da arrecadação. O economista Amir Khair aposta em crescimento da carga tributária. “A atividade econômica está muito forte, vinculada ao crédito.


    O lucro das empresas e o crescimento da massa salarial continuarão crescendo, puxando a arrecadação.”


    O especialista calcula que o fim da CPMF poderia gerar redução de 1,4 ponto percentual na carga tributária anual, que já estaria, segundo ele, próxima de 35,9%. Mas o aumento de alíquotas do IOF e da CSLL (para os bancos) e o crescimento do PIB farão com que haja aumento da carga.


    Khair lembra que as importações reduzem o PIB, mas elevam a arrecadação, através do Imposto de Importação e do IPI vinculado à importação. O tributo incrementou os cofres do governo federal em R$ 3,6 bilhões no primeiro trimestre, 25,5% mais do que nos três primeiros meses do ano passado.


    Outro bom desempenho é do IPI, cuja arrecadação somou R$ 9 bilhões neste ano, 19,5% mais do que no mesmo período de 2007. O imposto pago pela indústria automobilística cresceu 33,5%, para R$ 1,3 bilhão.


     


     

  • Fundo vai garantir crédito a pequena empresa

    Valor Econômico    Editoria: Brasil     Página: A-4


    Aproveitando a onda de liquidez de crédito no mercado brasileiro – decorrente da estabilidade econômica – o Serviço Brasileiro de Apoio às Micros e Pequenas Empresas (Sebrae) planeja lançar, neste ano, as Sociedades de Garantia de Crédito. Por meio delas, um grupo de micros e pequenos empresários se une, deposita recursos em uma instituição bancária – normalmente pública – para que o dinheiro sirva de lastro para financiamentos contraídos para projetos econômicos desenvolvidos pelo grupo.

    Valor Econômico    Editoria: Brasil     Página: A-4


    Aproveitando a onda de liquidez de crédito no mercado brasileiro – decorrente da estabilidade econômica – o Serviço Brasileiro de Apoio às Micros e Pequenas Empresas (Sebrae) planeja lançar, neste ano, as Sociedades de Garantia de Crédito. Por meio delas, um grupo de micros e pequenos empresários se une, deposita recursos em uma instituição bancária – normalmente pública – para que o dinheiro sirva de lastro para financiamentos contraídos para projetos econômicos desenvolvidos pelo grupo.


    A expectativa é que, dessa forma, o acesso ao crédito fique mais barato e os bancos se sintam seguros a emprestar os recursos, sem temer prejuízos decorrentes de eventuais inadimplências. 


    Segundo o o Sebrae, Carlos Alberto Santos, a mecânica das sociedades de garantia de crédito assemelha-se ao crédito consignado para a pessoa física. Nesse último caso, o banco se sente seguro, pois em uma parceria entre ele, a empresa e o empregado fica acertado que o desconto será feito diretamente na folha de pagamentos. “No caso da associação, se houver alguma inadimplência, o banco poderá utilizar o fundo depositado pelos empresários. Além disso, toda aquela burocracia de levantar a papelada com o histórico dos interessados é feito pela sociedade, livrando o banco dessa trabalheira.” 


    Além de orientar e prestar assessoria técnica a essa parceria, o Sebrae deverá ter, nos próximos 24 meses, R$ 30 milhões para investir nas Sociedades de Garantia de Crédito. “Se formos pensar em uma alavancagem na ordem de dez vezes, estamos falando de R$ 300 milhões para massificar e baratear esse crédito pelos próximos três ou quatro anos”, afirma Santos. 


    Já existem alguns projetos-piloto funcionando em Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul (a primeira experiência), nos municípios mineiros de Araxá e Governador Valadares, em Pato Branco e Maringá, no Paraná, entre outros. “Na Serra Gaúcha, temos hoje cerca de 400 associados. O ideal é um mínimo de 150 a 200 associados, para diluir o risco”, diz Santos. 


    Para o presidente do Sebrae, Paulo Okamotto, a estabilidade econômica do país permite que a instituição desenvolva projetos de médio e longo prazo – o que significa planejamento para três, quatro anos. “Ao buscar eficiência e agilidade, podemos oferecer aos nossos clientes um ganho de escala em suas atividades, algo fundamental em um mundo cada vez mais competitivo”, afirma. 


    Ele reconhece que ainda é grande o número de pequenos empreendedores que chegam aos balcões do Sebrae, espalhados pelo país, pedindo dinheiro emprestado para abrir os seus negócios. “Nós não emprestamos dinheiro, nós não somos banco”, afirma. O Sebrae mantém parcerias com os bancos e entidades públicas, especialmente Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul, além de agências de fomento estaduais. 


    Os recursos do Sebrae para alavancar o setor são depositados nessas instituições. Além das Sociedades de Garantia de Crédito, o Sebrae, que tem orçamento de R$ 1,5 bilhão, auxilia no financiamento de projetos para a criação das empresas e na compra de equipamentos. Nesse último caso, a entidade tem o Fundo de Aval, com R$ 218 milhões disponíveis. 


    Há ainda, desde 1999, os Fundos Mútuos de Investimento em Empresas Emergentes, denominados Fundos de Capital de Risco (venture capital). São oito ao todo, em conjunto com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o BNDES. Aliados a alguns fundos de pensão, bancos e investidores privados, eles totalizam R$ 149,62 milhões, dos quais R$ 38,359 milhões são da participação do Sistema Sebrae. Esses fundos já investiram mais de R$ 147 milhões em 71 empresas. 


    Segundo Okamotto, o Sebrae manteve, durante sua gestão, a expertise adquirida anteriormente e aproveitou o bom momento do país para promover mudanças importantes, como o cadastro unificado e a Lei Geral da Micro e Pequena Empresa. “O cadastro unificado já recebeu adesão de 22 Estados, é um mecanismo que vai desburocratizar o processo de abertura de uma nova empresa”, aposta Okamotto. 


    Ele lembra que, para o empreendedor abrir um novo negócio, é preciso uma série de documentos da Previdência, Receita Federal, Receita Estadual e Junta Comercial. “Com o cadastro unificado, as informações vão ‘conversar’ entre si. Em São Paulo, por exemplo, onde o sistema já está funcionando, em alguns casos demora apenas 24 horas para um novo empreendimento entrar em operação.” 


    A Lei Geral da Micro e Pequena Empresa entrou em vigor em julho de 2007. A principal medida foi a criação do Simples Nacional, unificando seis tributos federais, ICMS e ISS. Mas o ICMS se tornou o grande vilão, pois alguns Estados – São Paulo, Rio Grande do Sul e Minas Gerais – não incorporaram seus sistemas à nova lei e os micros e pequenos empresários reclamam que passaram a pagar mais impostos. Segundo o Sebrae, esses Estados aumentaram a relação de produtos sujeitos ao pagamento de ICMS com substituição tributária. 


    Em outras unidades da federação, as empresas que aderiram ao Simples Nacional se viram obrigadas, a pagar o ICMS com base na alíquota interna integral, desconsiderando o percentual já recolhido pela empresa do Estado vendedor. “Esperamos equalizar essa situação até o fim do ano, especialmente com a aprovação da reforma tributária”, diz Okamotto. 

     


     


     

  • Tentáculos dos alimentos caros

    O Globo    Editoria: Economia      Página: 36


    Aescalada dos preços dos alimentos, acentuada nas últimas semanas, põe em xeque não apenas a meta de inflação do país. Comerciantes, economistas e bancos alertam que o maior comprometimento da renda das famílias de menor poder aquisitivo — nas quais a alimentação consome até um terço das despesas mensais — pode ter reflexos no nível de inadimplência e no ímpeto de compra dos brasileiros.

    O Globo    Editoria: Economia      Página: 36


    Aescalada dos preços dos alimentos, acentuada nas últimas semanas, põe em xeque não apenas a meta de inflação do país. Comerciantes, economistas e bancos alertam que o maior comprometimento da renda das famílias de menor poder aquisitivo — nas quais a alimentação consome até um terço das despesas mensais — pode ter reflexos no nível de inadimplência e no ímpeto de compra dos brasileiros. Este seria um golpe no atual ciclo de crescimento econômico, inflado há mais de dois anos pelo aquecido consumo doméstico.


    O avanço dos preços de arroz, feijão, pães e massas tende a elevar os gastos nos supermercados, reduzindo a folga orçamentária para comprar bens duráveis (como eletrodomésticos), vestuário e até gêneros alimentícios supérfluos, como iogurte e refrigerantes.


    Também pode abocanhar parte do salário reservada à quitação dos financiamentos contraídos nos últimos tempos de bonança. Estes são marcados por estabilidade, ganhos salariais e queda de juros, beneficiando especialmente quem recebe até seis salários mínimos por mês. Com isso, essas famílias se endividaram mais.


    Cerca de 20 milhões de novos consumidores entraram no mercado de crédito nos últimos dois anos, basicamente de baixa renda. Agora, é preciso ter mais cautela na concessão de crédito — reconhece o economista-chefe da Associação Comercial de São Paulo, Marcel Solimeo.


    A manicure Maria Batista Brito já sente o aperto. Para manter a mesma lista de compras sem gastar muito, ela teve de trocar itens como arroz, feijão e açúcar de marcas conhecidas por outras mais baratas. Maria gasta R$200 por mês em sua casa, onde mora com o marido, e R$80 por quinzena com as compras de alimentos para a casa de sua mãe:


    Se continuasse comprando produtos de marca gastaria, no mínimo, R$50 a mais. O pacote de cinco quilos de arroz de marca conhecida custa R$11, e o de marca própria, R$7. Ainda está caro, mas já é uma economia.


    Recorrer a promoções é a saída para redes supermercadistas, principalmente as voltadas para as classes B, C e D, atraírem clientes e, assim, driblarem a perda de receita. Ronaldo Teixeira, diretor da RedeEconomia, com 50 lojas no Rio, diz que o arroz é um dos itens que entraram na lista de substituições do consumidor:


    Produtos em promoção são os mais vendidos, e a saída para chamar a atenção do cliente. Além do arroz, iogurte, açúcar e leite longa vida são trocados pelos de menor preço.


    Genival de Souza, diretor do Prezunic, diz que os reajustes chegaram a todas as categorias de produtos, e que as tabelas de fornecedores estão com até 10% de alta para o varejista:


    Estamos tentando não repassar ao consumidor. Mas em algum momento isso acontecerá. A maior dificuldade é renovar promoções, pois elas tornam a loja atraente. É preciso negociar muito com fornecedores.


    Calote aumentou no primeiro trimestre


    Segundo o assessor econômico da empresa de análise de crédito Serasa, Carlos Henrique de Almeida, já se vê uma inadimplência maior: alta de 6,5% no primeiro trimestre do ano, contra 1,2% em igual período de 2007:


    Aumento de preços significa mais para as classes de renda baixa e pode gerar mais inadimplência.


    A manicure Maria também se enquadra nesse perfil. Ela já está com duas parcelas do computador comprado recentemente atrasadas. Pretende renegociar a dívida com a loja.


    Os dados da inflação medida pelo IPCA, do IBGE, mostram reajustes de alimentos acima do previsto. Entre janeiro e março, o feijão subiu 46,06%; tomate, 56,72%; óleo de soja, 25,47%; e massas e pães, 6,20%. Na prévia de abril, a pressão continua: a inflação dos alimentos atingiu 1,28%, o triplo da alta em março (0,40%).


    Os preços dos alimentos mudaram de patamar — diz a coordenadora do Núcleo de Preços do IBGE, Eulina Nunes, lembrando que, em 2007, houve alta de 10,79%.


    Pelas contas do economista-chefe da Concórdia, Elson Teles, os preços dos alimentos e bebidas subirão 9% em 2008, quase o dobro do previsto no início do ano. Problemas climáticos no mundo e possibilidade de escassez estão encarecendo as commodities:


    As pessoas vão ter de olhar para o orçamento. Não dá para parar de comer, mas de comprar roupas e eletrodomésticos — diz Teles.


    Outro efeito, para a inadimplência e o consumo, é a retomada da alta dos juros. No dia 16, o BC elevou a Taxa Selic de 11,25% para 11,75% ao ano e, para o mercado, ela pode fechar 2008 acima de 13%.


    Esses efeitos (inflação e juros maiores) afetam a população de renda menor, diminuindo o consumo. Mas pode haver mais inadimplência. Estamos em alerta — diz Maércio Soncini, diretor da Associação Brasileira de Bancos (de pequeno e médio portes).


    O problema maior são os juros elevados — concorda o coordenador do Núcleo Econômico da Fecomércio-Rio, João Carlos Gomes.


    Com os alimentos mais caros, a saída é rever o orçamento e poupar para comprar à vista. Se não der, o vice-presidente da Anefac (associação de executivos de finanças), Miguel Oliveira, aconselha as pessoas a colocarem no papel o custo de empréstimos e ver se cabem no bolso.


     


     


     


     

  • Aviação Civil em debate na Confederação Nacional do Comércio

    O Conselho de Turismo da Confederação Nacional do Comércio está realizando hoje (28), no auditório da Entidade, no Rio de Janeiro, o Seminário Nacional de Aviação Civil, que reuniu alguns dos maiores especialistas no assunto para debater mecanismos de fortalecimento que impulsionem o desenvolvimento do turismo no Brasil.


    Na abertura, o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH), Álvaro Brito Bezerra de Mello, proferiu palestra em que defendeu a abertura do mercado de aviação a empresas estrangeiras, como forma de estimular a vinda de turistas e contri

    O Conselho de Turismo da Confederação Nacional do Comércio está realizando hoje (28), no auditório da Entidade, no Rio de Janeiro, o Seminário Nacional de Aviação Civil, que reuniu alguns dos maiores especialistas no assunto para debater mecanismos de fortalecimento que impulsionem o desenvolvimento do turismo no Brasil.


    Na abertura, o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH), Álvaro Brito Bezerra de Mello, proferiu palestra em que defendeu a abertura do mercado de aviação a empresas estrangeiras, como forma de estimular a vinda de turistas e contribuir para o aumento da ocupação dos resorts brasileiros, sobretudo os localizados no Nordeste do país. A opinião não é compartilhada por todos. Para o especialista em Segurança Turística Luís de Brito Filho, o  momento é propício para investimentos nas empresas nacionais, e não para o chamado “céu aberto”.


    Participam do evento o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis, Álvaro Brito Bezerra de Mello, o presidente da Sociedade Náutica Brasileira e do Movimento Asas da Paz, João Flávio Pedrosa, o presidente do Centro de Capitães da Marinha Mercante, comandante Álvaro José de Almeida Junior, o aeroviário Luíz Brito Filho, especialista em Infra-Estrutura, Transporte e Segurança Turística, e o presidente do Conselho de Turismo da CNC, Oswaldo Trigueiro, além do brigadeiro Mauro Gandra, ministro da Aeronáutica no governo Fernando Henrique Cardoso.

  • Pressionado por alimentos, IPCA-15 sobe 0,59%

    Folha de São Paulo    Editoria: Dinheiro     Página: B-6


    Mais um indicador sinaliza a persistente alta dos preços dos alimentos: o IPCA-15 subiu 0,59% em abril e superou em 0,36 ponto percentual o índice de março (0,23%).


    O indicador mais do que dobrou em razão dos fortes aumentos dos preços dos alimentos, cuja variação média saltou de 0,40% em março para 1,28% em abril.

    Folha de São Paulo    Editoria: Dinheiro     Página: B-6


    Mais um indicador sinaliza a persistente alta dos preços dos alimentos: o IPCA-15 subiu 0,59% em abril e superou em 0,36 ponto percentual o índice de março (0,23%).


    O indicador mais do que dobrou em razão dos fortes aumentos dos preços dos alimentos, cuja variação média saltou de 0,40% em março para 1,28% em abril. Somente os produtos alimentícios responderam por metade do IPCA-15 de abril -0,28 ponto percentual.


    O repique dos alimentos impulsionou o índice acumulado nos últimos 12 meses: a taxa de 4,94% é maior do que a de 4,55% dos 12 meses encerrados em março. Está, portanto, acima do centro da meta do governo, fixada em 4,5% -há um intervalo de tolerância de dois pontos para cima ou para baixo.


    Segundo o IBGE, “vários produtos alimentícios apresentaram alta”. O destaque ficou com o pão francês, cujo preço médio subiu 6,95% em abril. Foi a maior contribuição individual para o IPCA-15.


    Além do pão, todos os demais derivados de trigo também ficaram mais caros. A farinha subiu 3,71%. Os alimentos que aumentaram na esteira da alta das commodities no mercado internacional e de problemas de oferta foram óleo de soja (8,82%), açúcar cristal (4,89%) e leite pasteurizado (3,41%).


    Segundo Marcela Prada, economista da Tendências, o IPCA-15 superou as expectativas e sinalizou um risco cada vez maior de a inflação estourar a meta. No acumulado em 12 meses, os preços dos alimentos já registram uma alta de 11,95%. Prada diz, porém, que alta do custo dos alimentos não é um problema exclusivo do Brasil. “O preços estão subindo em todo o mundo.


    No Brasil, a inflação sobe por causa desse choque externo e não por causa de pressões de demanda.”


    Para a economista, o BC teria de elevar substancialmente os juros para conter o consumo de outros produtos e compensar a pressão dos alimentos, o que não seria a melhor escolha. “Em muitos países, a inflação já supera a meta, e os bancos centrais têm de acomodar esse choque dos alimentos.”


    Em abril, além dos alimentos, outros itens importantes também pressionaram o índice, como álcool (1,36%), gasolina (0,54%), vestuário (1,35%), energia elétrica (1,30%) e taxa de água e esgoto (0,98%).


    Município de São Paulo


    Também divulgado ontem, o IPC (Índice de Preços ao Consumidor) da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas da USP) registrou inflação de 0,49% na terceira quadrissemana do mês (período de 30 dias até 22 de abril).


    O índice foi o mais alto desde o dado final de janeiro, quando houve alta de 0,52%. Segundo a Fipe, o índice da categoria saúde foi o mais alto dentre as sete que são apuradas, mostrando avanço de 0,77% no período, contra 0,39% na quadrissemana imediatamente anterior.


    Em seguida veio o índice da categoria alimentação, com alta de 0,67%. O índice referente à segunda leitura deste mês havia sido 0,56%. A categoria despesas pessoais teve alta de 0,40%, contra alta de 0,29% na semana passada. Na categoria habitação, o índice mostrou alta de 0,51%, contra 0,50% uma semana antes. Já a categoria transporte registrou alta de 0,22% -ligeira desaceleração em relação ao índice anterior, 0,23%. Na categoria vestuário, o índice teve um recuo, passando para alta de 0,59%, contra 0,77% uma semana antes.