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  • Profissionalizar não é para amadores (José Pastore)

    José Pastore*


    Segundo notícias da Folha de 28/3, o ministro da Educação, Fernando Haddad, pretende que o poder público passe a fazer a distribuição de recursos e a avaliar os resultados das escolas do Sistema S – Senai e outras.


    No caso do Senai, o plano prevê priorizar os recursos para atender os alunos das regiões mais pobres, apesar de a indústria estar mais concentrada no Sul e no Sudeste do País, enquanto o mínimo de lógica recomenda que os investimentos em formação profissional sigam a vocação econômica das diferentes regiões.

    José Pastore*


    Segundo notícias da Folha de 28/3, o ministro da Educação, Fernando Haddad, pretende que o poder público passe a fazer a distribuição de recursos e a avaliar os resultados das escolas do Sistema S – Senai e outras.


    No caso do Senai, o plano prevê priorizar os recursos para atender os alunos das regiões mais pobres, apesar de a indústria estar mais concentrada no Sul e no Sudeste do País, enquanto o mínimo de lógica recomenda que os investimentos em formação profissional sigam a vocação econômica das diferentes regiões.


    O ministro quer fazer do poder público o guardião da avaliação dos resultados do ensino profissional oferecido pelos programas do Sistema S. Já vi esse filme em outros países da América Latina, e não gostei do final. A burocracia governamental não dispõe de ferramentas para reconhecer com presteza a evolução tecnológica dos vários setores da economia para, com base nisso, fazer uma avaliação ajustada às características específicas de cada profissão.


    Hoje quem avalia são as escolas e, sobretudo, as próprias empresas que empregam os egressos dos cursos. Como são elas que sustentam o Sistema S, sua insatisfação é rapidamente transmitida às escolas, demandando correções de rumos no conteúdo e nos métodos de ensino. Isso é feito com a participação de representantes do governo e dos trabalhadores que integram os vários conselhos do Sistema S.


    Existe algum mecanismo mais barato e mais eficaz do que esse?


    As pesquisas mostram que no campo da formação profissional a interface entre empresa e escola é um mecanismo estratégico para definir currículos e fazer avaliação. Para que complicar, se podemos simplificar?


    Acompanho o ensino profissional no Brasil há quase 50 anos. Em 1960 realizei minha primeira pesquisa sobre o Senai e de lá para cá nunca parei de estudar o assunto. Descobri que um dos mais preciosos ativos do Senai é o seu capital social.


    O capital social é o conjunto de valores, atitudes, hábitos e comportamentos que dão personalidade às instituições. Entram aí o zelo, a disciplina, a organização, a pontualidade, a cordialidade, o respeito pelos professores, o comprometimento, a responsabilidade, o amor pelo bem-feito, a obsessão por apreender e o vírus da curiosidade – tudo o que falta na maioria das escolas públicas.


    A pedagogia para transmitir valores e condutas é diferente da pedagogia para transmitir informações e conhecimentos. Estes passam bem com boas apresentações. Valores e condutas, porém, exigem exemplos. Daí a necessidade da proximidade entre professor e aluno.


    Os exemplos entram em tudo. Na conservação das escolas e da natureza. Na limpeza. Na ordem. Na pontualidade das aulas, das refeições, do lazer. No respeito e amor ao próximo. Na valorização do trabalho como realização humana.


    Nunca vi um aluno do Senai sair da escola sem antes arrumar a bancada; sem limpar as ferramentas; sem cuidar de seu avental; sem deixar tudo em ordem. Nunca vi um aluno ofender o seu professor.


    Nunca tive notícias de violência nas salas de aula. Nunca vi uma parede pichada. Nunca vi um banheiro depredado e sem manutenção.


    Nunca vi um gramado abandonado. Nunca soube que professores se tenham ausentado semanas a fio ou gastado mais tempo em reuniões do que na sala de aula. Nunca vi promoção sem mérito.


    Penso que tudo isso faz parte da cultura das empresas. Não conheço empresa bem-sucedida que seja suja, desorganizada, relapsa e tocada por profissionais desleixados e sem ética do trabalho. A cultura da ordem empresarial se impregnou na cultura educacional do Senai. Foram fundidas numa coisa só.


    É bom pensar bem antes de interferir nesse ambiente. Ele combina um conjunto de traços culturais e forças econômicas que dão às escolas um grande senso de objetividade. Problemas existem, é claro. Mas uma coisa é buscar formas de corrigir as eventuais distorções, respeitando o ethos da instituição. Outra é fazer uma intervenção estatal disfarçada que, no longo prazo, redundará em cabides de empregos, currículos obsoletos e uso político de equipamentos bem conservados.


    O que parece estar por trás dessa medida é a incontida vontade da burocracia de plantão praticar mais um intervencionismo – ao lado de tantos – e comandar entidades detentoras de recursos estáveis porque são pagos pelas empresas.


    *José Pastore é professor da FEA-USP.


    Estado de São Paulo, 1º de abril de 2008.

  • Lei reconhece as centrais sindicais

    O Presidente da República sancionou o Projeto de Lei nº 1990/07, transformando-o em Norma Jurídica – Lei nº 11.648, de 31/3/2008 (Diário Oficial da mesma data), com envio da Mensagem de Veto nº 139 ao Presidente do Congresso Nacional (*).


    A Lei nº 11.648/08 dispõe sobre o reconhecimento formal das centrais sindicais para os fins que especifica, altera a Consolidação das Leis do Trabalho – CLT, aprovada pelo Decreto-Lei no 5.452, de 1º de maio de 1943, e dá outras providências.


    (*) A Mensagem de Veto especifica que foram ouvidos os Ministérios da Justiça e do Trabalho e Emprego

    O Presidente da República sancionou o Projeto de Lei nº 1990/07, transformando-o em Norma Jurídica – Lei nº 11.648, de 31/3/2008 (Diário Oficial da mesma data), com envio da Mensagem de Veto nº 139 ao Presidente do Congresso Nacional (*).


    A Lei nº 11.648/08 dispõe sobre o reconhecimento formal das centrais sindicais para os fins que especifica, altera a Consolidação das Leis do Trabalho – CLT, aprovada pelo Decreto-Lei no 5.452, de 1º de maio de 1943, e dá outras providências.


    (*) A Mensagem de Veto especifica que foram ouvidos os Ministérios da Justiça e do Trabalho e Emprego que se manifestaram pelo veto ao seguinte dispositivo:


    “Art. 6º Os sindicatos, as federações e as confederações das categorias econômicas ou profissionais ou das profissões liberais e as centrais sindicais deverão prestar contas ao Tribunal de Contas da União sobre a aplicação dos recursos provenientes das contribuições de interesse das categorias profissionais ou econômicas, de que trata o art. 149 da Constituição Federal, e de outros recursos públicos que porventura venham a receber.”


    Razões do veto:


    “O art. 6º viola o inciso I do art. 8º da Constituição da República, porque estabelece a obrigatoriedade dos sindicatos, das federações, das confederações e das centrais sindicais prestarem contas ao Tribunal de Contas da União sobre a aplicação dos recursos provenientes da contribuição sindical. Isto porque a Constituição veda ao Poder Público a interferência e a intervenção na organização sindical, em face o princípio da autonomia sindical, o qual sustenta a garantia de autogestão às organizações associativas e sindicais.”


    CNC, 1º de abril de 2008.

  • Fecomércio-MG pesquisa vantagens do aceite dos cartões de crédito no comércio da capital

    A Federação do Comércio de Minas Gerais acaba de divulgar estudo no qual avalia a percepção do empresariado varejista de Belo Horizonte sobre as vantagens e desvantagens do aceite dos cartões de crédito, modalidade de pagamento que corresponde a 36,2% dos compromissos financeiros dos consumidores, segundo a Pesquisa de Endividamento do Consumidor, da entidade mineira.


    O cartão de crédito parcelado e sem juros é a modalidade de pagamento mais utilizada para 38,3% dos clientes, seguida pelo cheque pré-datado, que tem a preferência de 24,6% dos consumidores, e pelo cartão de crédito rot

    A Federação do Comércio de Minas Gerais acaba de divulgar estudo no qual avalia a percepção do empresariado varejista de Belo Horizonte sobre as vantagens e desvantagens do aceite dos cartões de crédito, modalidade de pagamento que corresponde a 36,2% dos compromissos financeiros dos consumidores, segundo a Pesquisa de Endividamento do Consumidor, da entidade mineira.


    O cartão de crédito parcelado e sem juros é a modalidade de pagamento mais utilizada para 38,3% dos clientes, seguida pelo cheque pré-datado, que tem a preferência de 24,6% dos consumidores, e pelo cartão de crédito rotativo, com 17,5%. O parcelamento no cartão de crédito com juros é a escolha de 12,5% das pessoas. O financiamento através dos bancos ou instituições financeiras corresponde a 4,2% das compras, e o crediário ou carnê, a 2,9%. Segundo 95,9% empresários entrevistados, o aceite do cartão de crédito – que, somadas todas as modalidades, representa cerca de 70% dos tipos de pagamentos – estimula as vendas nos estabelecimentos. Os lojistas prevêem, para 2008, um aumento de 15% no número de cartões emitidos no país.


    Entre os problemas gerados pelo cartão de crédito, 34,9% das empresas citam a porcentagem das participações sobre as vendas realizadas como um entrave aos negócios; 33,7% dos lojistas reclamam do alto valor do aluguel do POS e 18,1%, da cobrança da taxa de serviços. O prazo para o recebimento dos valores das faturas é mencionado por 6% dos empresários que participaram da sondagem, e a dificuldade de negociação com as administradoras, por 4,8%.


    Apesar do menor risco de inadimplência oferecido pelos cartões de crédito, fator citado por 35,9% dos entrevistados, os lojistas da capital mineira estudam alternativas para incrementar as vendas: 59,3% pretendem oferecer descontos nas vendas à vista; 22% alongarão os prazos das parcelas e 8,8% querem estabelecer um valor mínimo para o parcelamento no cartão.

  • Fecomercio do Amapá inicia vendas dos produtos CNC/Equifax

    A partir de abril, a Federação do Comércio do Amapá passa a integrar o time da parceria CNC/Equifax. Mesmo antes do início oficial dos trabalhos, hoje, a comercialização já começou e os empresários que estão utilizando os produtos mostram-se satisfeitos.

    Para incrementar as vendas, a Fecomercio-AP está preparando uma grande ação na mídia, que inclui a veiculação de comerciais em televisão, spots de rádio, anúncios em jornal e a exposição de outdoors em pontos estratégicos da capital do estado.

    A partir de abril, a Federação do Comércio do Amapá passa a integrar o time da parceria CNC/Equifax. Mesmo antes do início oficial dos trabalhos, hoje, a comercialização já começou e os empresários que estão utilizando os produtos mostram-se satisfeitos.

    Para incrementar as vendas, a Fecomercio-AP está preparando uma grande ação na mídia, que inclui a veiculação de comerciais em televisão, spots de rádio, anúncios em jornal e a exposição de outdoors em pontos estratégicos da capital do estado. Com a parceria, a entidade terá a responsabilidade de administrar a carteira de clientes, mas vê essa missão como uma oportunidade de aproximar-se ainda mais dos empresários locais.

    A Fecomercio-AP aderiu ao convênio no final de 2006. Em outubro de 2007, a Equifax começou a receber a base histórica do cadastro negativo de três das maiores lojas de varejo do Amapá para a formação de um banco de dados local.

  • Em São Paulo, o Sindilojas é o mais novo parceiro CNC/Equifax

    O Sindicato dos Lojistas do Comércio de São Paulo também já iniciou a comercialização dos produtos da parceria CNC/Equifax. No dia 20 de fevereiro, o Sindilojas de São Paulo assinou o termo de adesão ao convênio.

    O Sindicato dos Lojistas do Comércio de São Paulo também já iniciou a comercialização dos produtos da parceria CNC/Equifax. No dia 20 de fevereiro, o Sindilojas de São Paulo assinou o termo de adesão ao convênio. Na ocasião, estiveram presentes o presidente do Sindilojas-SP, Ruy Nazarian, o assessor de Projetos da CNC, Miguel Nicoletti, e o gerente de Desenvolvimento de Produtos e Serviços da Federação do Comércio de São Paulo, José Maria Ferrer.

    Para Ruy Nazarian, a parceria representa muito mais do que apenas o serviço de consulta de cheques: “A união da experiência da Confederação Nacional do Comércio, da Fecomércio-SP e do Sindilojas-SP, somados a experiência da Equifax, possibilita ao empreendedor ter como aliados um grupo de especialistas no desenvolvimento de soluções inteligentes”.


     


    Na foto, da esquerda para a direita: José Maria Ferrer, Ruy Nazarian e Miguel Nicoletti

  • Mudança periódica de senha evita fraudes

    O Departamento de Prevenção à Fraude (Depec) da Equifax está sempre orientando as empresas que utilizam o banco de dados sobre a importância da mudança periódica da senha usada para a consulta aos produtos. É que, muitas vezes, a não-troca da senha facilita o uso incorreto e até fraudes praticadas por ex-funcionários que realizavam anteriormente a consulta.

    Recentemente, o Depec detectou o uso incorreto de um subcódigo e da senha de uma das empresas que utilizam o banco de dados através da parceria CNC/Equifax.

    O Departamento de Prevenção à Fraude (Depec) da Equifax está sempre orientando as empresas que utilizam o banco de dados sobre a importância da mudança periódica da senha usada para a consulta aos produtos. É que, muitas vezes, a não-troca da senha facilita o uso incorreto e até fraudes praticadas por ex-funcionários que realizavam anteriormente a consulta.

    Recentemente, o Depec detectou o uso incorreto de um subcódigo e da senha de uma das empresas que utilizam o banco de dados através da parceria CNC/Equifax. A fraude foi descoberta depois que um número de consultas acima do usual foi realizado em diversos estabelecimentos sob investigação. Imediatamente, a gerência da empresa foi avisada e orientada a efetuar a mudança da senha.

  • Volume de cheques devolvidos caiu 8,79% em fevereiro

    Dados nacionais da Equifax indicam que no mês de fevereiro foi registrado um volume de 2.225.737 cheques devolvidos, índice 8,79% inferior em relação a janeiro de 2008. Quando comparado ao mesmo período de 2007, o volume de cheques apresentou uma queda 10,50%.

    Quanto ao volume de títulos protestados, em fevereiro houve um crescimento de 22,43% em relação a janeiro, e de 48,62% quando comparado ao mesmo mês de 2007. Foram registrados 957.237 protestos contra 781.850 em janeiro deste ano e 644.082 em fevereiro do ano passado.

    Dados nacionais da Equifax indicam que no mês de fevereiro foi registrado um volume de 2.225.737 cheques devolvidos, índice 8,79% inferior em relação a janeiro de 2008. Quando comparado ao mesmo período de 2007, o volume de cheques apresentou uma queda 10,50%.

    Quanto ao volume de títulos protestados, em fevereiro houve um crescimento de 22,43% em relação a janeiro, e de 48,62% quando comparado ao mesmo mês de 2007. Foram registrados 957.237 protestos contra 781.850 em janeiro deste ano e 644.082 em fevereiro do ano passado.

  • Superávit fiscal sobe, mas BC já projeta gasto maior com juros

    Valor Econômico   Editoria: Brasil   Página: A-5 


    A perspectiva de alta na taxa básica dos juros já afeta as projeções fiscais do Banco Central para este ano. Agora, a expectativa oficial é de um déficit nominal do setor público de 1,6% do Produto Interno Bruto (PIB), acima do 1,2% do PIB previsto pelo BC em fevereiro.

    Valor Econômico   Editoria: Brasil   Página: A-5 


    A perspectiva de alta na taxa básica dos juros já afeta as projeções fiscais do Banco Central para este ano. Agora, a expectativa oficial é de um déficit nominal do setor público de 1,6% do Produto Interno Bruto (PIB), acima do 1,2% do PIB previsto pelo BC em fevereiro. Os gastos com juros da dívida foram reestimados de um percentual de 5% do PIB para 5,4% do PIB. 


    Estatísticas fiscais divulgadas ontem pelo BC mostram que o superávit primário do setor público acumulado em 12 meses subiu de 4,14% do PIB para 4,18% do PIB entre janeiro e fevereiro.


    O bom resultado primário, contudo, não impediu que a dívida líquida do setor público aumentasse, passando de 41,9% do PIB para 42,2% do PIB entre um mês e outro. 


    O governo federal encerrou o período de 12 meses até fevereiro com um superávit de R$ 2,52% do PIB, resultado superior aos 2,49% acumulados até janeiro. O desempenho fiscal também melhorou nos Estados, com o superávit consolidado dos governos estaduais subindo de 1,0% do PIB até janeiro para 1,03% do PIB na comparação até fevereiro. 


    As projeções do BC pioraram, mas o déficit nominal e o gasto com juros deverão cair ao longo deste ano. Nos 12 meses acumulados até fevereiro, o déficit nominal foi de 2,07% do PIB, e os gastos com juros, 6,25% do PIB. 


    O chefe do Departamento econômico do BC, Altamir Lopes, explicou que as projeções fiscais para 2008 pioraram porque os analistas do mercado financeiro aumentaram de 11,3% ao ano para 11,6% a taxa Selic média esperada para 2008. Além dos juros, outro fator que afetou as projeções fiscais da autoridade monetária foi a queda no câmbio esperado pelos analistas de mercado para o fim do ano, que passou de R$ 1,80 para R$ 1,75. 


    O BC calcula suas projeções fiscais com base nas expectativas de economistas do setor privado para variáveis como juros, taxa de câmbio, crescimento do PIB e inflação. Os analistas aumentaram suas projeções para juros porque a autoridade monetária vem indicando, em seus documentos oficiais, que poderá subir a Selic para conter pressões inflacionárias. O mercado espera uma alta de 0,25 ponto percentual (pp) na taxa básica em junho, e outros três aumentos nos meses seguintes, que elevariam a Selic dos atuais 11,25% ao ano para 12% ao ano até dezembro. 


    Apesar de o déficit nominal esperado para 2008 ter piorado, houve melhora nas projeções do BC para a dívida líquida do setor público, que deverá cair mais em virtude do crescimento mais robusto da economia. Agora, o BC espera que o indicador encerre o ano em 41,3% do PIB, abaixo dos 41,5% do PIB calculados em fevereiro. “A relação entre a dívida líquida e o PIB seguirá em trajetória decrescente em 2008 e nos próximos anos”, disse Lopes. 


    Os cálculos do BC indicam que uma eventual alta de um ponto percentual (pp.) na taxa básica de juros, se mantida por um ano, provoca um aumento de 0,25 pp. na dívida líquida. Uma valorização de 1% na taxa de câmbio provoca, imediatamente, uma alta de 0,1 pp. na dívida líquida. 


    Todas as projeções do BC tomam como pressuposto o cumprimento da meta de superávit primário do setor público de 3,8% do PIB. Ou seja, que o superávit primário nos 12 meses encerrados em fevereiro, de 4,18%, seja reduzido ao longo do ano. 


    Em fevereiro, o superávit primário do setor público foi de R$ 8,966 bilhões, 34% maior do que o observado no mesmo mês de 2007. O governo federal, o BC e o INSS registraram um resultado positivo de R$ 4,088 bilhões (alta de 54% em relação a fevereiro de 2007). “O resultado é puxado sobretudo pelo aumento da arrecadação e, em menor escala, pela demora em aprovar o orçamento deste ano”, afirma Lopes. 


    Os governos estaduais apresentaram um resultado positivo de R$ 3,246 bilhões em fevereiro, alta de alta de 44% em relação ao mesmo mês de 2007. “Os dados sobre a arrecadação do ICMS mostram um forte crescimento no início deste ano”, afirma Lopes. Caiu o superávit das estatais federais, de R$ 888 milhões para R$ 542 milhões, entre fevereiro de 2007 e de 2008. O resultado das estatais, explica Lopes, não apresentam um padrão sazonal, oscilando bastante entre um mês e outro. 


    O aumento do superávit primário de fevereiro não se traduziu, porém, na redução do resultado nominal – ele passou de 2,01% do PIB para 2,07% do PIB, na comparação entre os 12 meses encerrados em janeiro e em fevereiro. O déficit nominal subiu em virtude da expansão do gastos com juros da dívida, que passou de 6,15% para 6,25%, na mesma base de comparação. 


    Em fevereiro, a despesa com juros foi de R$ 15,444 bilhões, alta de 40% em relação ao mesmo mês de 2007. O incremento da despesa com juros se deve, em parte, a uma perda de R$ 2,9 bilhões que o BC sofreu no mês em operações de “swap”. 


    A dívida líquida subiu de 41,9% do PIB para 42,2% do PIB entre janeiro e fevereiro em virtude da apreciação cambial de 4,38% em fevereiro, que reduziu o valor em reais dos créditos do governo em dólar. A expectativa do BC é que, em março, a dívida líquida recue para 41,7% do PIB, em virtude da depreciação de 2,9% no câmbio observada até a manhã de ontem, quando o dólar estava cotado em R$ 1,74. 


     


     


     

  • Despesa com juros atinge R$ 15,4 bi

    O Estado de São Paulo   Editoria: Economia   Página: B-4


    As despesas com juros sobre a dívida pública deram um pulo em fevereiro, alcançando R$ 15,444 bilhões, valor 40,2% maior que em igual mês do ano passado. O valor é recorde para o mês. A alta foi influenciada principalmente pelas perdas do Banco Central (BC) em suas operações com dólar.


    Ao mesmo tempo, a indicação para o comportamento dos juros piorou para o restante do ano.

    O Estado de São Paulo   Editoria: Economia   Página: B-4


    As despesas com juros sobre a dívida pública deram um pulo em fevereiro, alcançando R$ 15,444 bilhões, valor 40,2% maior que em igual mês do ano passado. O valor é recorde para o mês. A alta foi influenciada principalmente pelas perdas do Banco Central (BC) em suas operações com dólar.


    Ao mesmo tempo, a indicação para o comportamento dos juros piorou para o restante do ano. Depois dos alertas dados pelo Relatório de Inflação, o BC elevou a previsão de gastos com juros no ano, de 5% do PIB para 5,4%. O movimento é respaldado pelo resultado da pesquisa Focus, na qual o mercado financeiro também revê o juro para cima.


    A despesa recorde de juros em fevereiro foi parcialmente compensada com um superávit primário elevado, de R$ 8,97 bilhões, o maior para meses de fevereiro. O resultado primário é dado pela diferença entre receitas e despesas, sem considerar os juros, e serve para evitar um crescimento desordenado da dívida pública. No primeiro bimestre, o superávit primário foi de R$ 27,629 bilhões, o equivalente a 6,22% do PIB, também recorde para o período.


    O chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, disse que o superávit primário elevado reflete principalmente as receitas em alta, mas está relacionado com o ritmo mais fraco de crescimento das despesas, por causa da demora para aprovação no Orçamento, que só ocorreu em março.


    Na conta de juros, Altamir explica que em fevereiro o BC teve prejuízo de R$ 2,6 bilhões com operações em dólar, chamadas de swap cambial reverso. Nelas, o BC faz contratos em que fica devedor em juros e credor em dólar, o que o faz ter prejuízos quando o real se valoriza. Em fevereiro, o dólar caiu 4,38% ante o real.


    O especialista em finanças públicas da Unicamp, Francisco Lopreato, avalia que o resultado primário das contas públicas reflete o nível de atividade econômica. “O destaque é como o crescimento faz bem para as contas públicas, apesar de o câmbio afetar os juros. O crescimento substituiu a queda da CPMF. É por isso que ele não pode ser abortado por meio de uma alta nos juros.”


    Para ele, há rigidez no gasto com juros por causa do processo de ampliação da parcela de títulos prefixados – que têm juros definidos no momento da venda do papel – e do alongamento da dívida pública. E acredita que está na hora de se interromper a política de acumulação de reservas e de realização de swaps cambiais. “O Tesouro está vendendo papéis prefixados com prazo mais longo e, por isso, o gasto com juro está travado. Agora que o juro parou de cair, travou de vez. A tendência de redução é muito lenta.”


    “Fora isso, tem o problema do câmbio. Se o real se valoriza, o BC toma prejuízo. Já está na hora de começar a fazer uma coisa no sentido de não aumentar a exposição ao dólar”, acrescentou Lopreato.


    Com a expectativa de maior carga de juros, o BC elevou de 1,2% para 1,6% do PIB a projeção para o déficit nominal das contas públicas – receitas menores que despesas, incluindo os juros. Apesar disso, a autoridade monetária continua prevendo queda na dívida em relação ao PIB, que em fevereiro subiu para 42,2%. Altamir espera que a dívida feche o ano em 41,3% do PIB, por causa do maior crescimento econômico esperado, de 4,8%. A projeção anterior para a dívida era de 41,5%.


     

  • Mercado aposta em Selic a 12% após relatório do BC

    Jornal do Commercio  Editoria: Economia   Página: A-8


    O mercado financeiro mudou de opinião e passou a acreditar que o juro básico da economia vai subir 0,75 ponto percentual até o final do ano. A previsão consta da pesquisa Focus divulgada ontem, a primeira após a apresentação do Relatório Trimestral de Inflação do BC. Para analistas, a Selic deve terminar o ano em 12%. Até a semana passada, prevalecia a expectativa de que a taxa permaneceria estável em 11,25% ao longo de 2008.


    O Relatório de Inflação apresentado na última quinta-feira mudou o tom do mercado.

    Jornal do Commercio  Editoria: Economia   Página: A-8


    O mercado financeiro mudou de opinião e passou a acreditar que o juro básico da economia vai subir 0,75 ponto percentual até o final do ano. A previsão consta da pesquisa Focus divulgada ontem, a primeira após a apresentação do Relatório Trimestral de Inflação do BC. Para analistas, a Selic deve terminar o ano em 12%. Até a semana passada, prevalecia a expectativa de que a taxa permaneceria estável em 11,25% ao longo de 2008.


    O Relatório de Inflação apresentado na última quinta-feira mudou o tom do mercado. O discurso conservador do documento e a preocupação do diretor de Política Econômica do BC, Mário Mesquita, com um eventual descompasso entre a demanda interna e a oferta consolidaram as apostas de que o Comitê de Política Monetária (Copom) vai aumentar o juro. Agora, resta saber quando.


    Na pesquisa Focus, a maior parte das apostas é de três altas de 0,25 ponto percentual até o fim do ano, começando na reunião do Copom de junho. A estimativa das instituições classificadas como Top 5 pelo BC – as que mais acertam na Focus – é ainda mais agressiva e indica que a taxa básica de juros chegue a 13% no final do ano. A anterior era de 12,25%. As Top 5, no entanto, vêem a primeira alta da Selic já na reunião deste mês, para 11,5%.


    Prevenção


    “O BC deixou claro que deve agir de forma preventiva para manter a inflação dentro da meta”, diz o economista-chefe da Sul América Investimentos, Newton Rosa. Para ele, o juro sobe 1 ponto até dezembro e a primeira elevação acontece ainda este mês, na reunião dos dias 15 e 16.


    Marcelo Paixão, gestor da Princípia Capital Management, acredita que uma eventual alta do juro pode acontecer de forma mais agressiva. “Aumenta a chance de uma alta entre 1 e 1,5 ponto. Se o juro subir, acho que será em poucas doses, porém maiores. Isso é mais eficiente para levar a inflação mais perto da meta”, diz, ao citar que as altas poderiam ser, por exemplo, de 0,5 ponto.


    Tanta preocupação com a inflação acontece porque a demanda interna tem apresentado fortes taxas de expansão. Esse ritmo não tem sido acompanhado pelo aumento da capacidade das fábricas, segundo a leitura do Banco Central.


    Marcelo Paixão observa que esse cenário não tem muitas perspectivas de melhorar no curto prazo. “O consumo interno tem evoluído fortemente com ajuda do crédito e da renda, ambos em crescimento. Isso tem aumentado o consumo e reforça a pressão inflacionária. Do outro lado, o governo não dá sinais de que pode fazer o trabalho dentro de casa ao cortar gastos”, diz.


    Esse quadro tem feito o mercado revisar as projeções para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), usado no regime de metas de inflação. Na pesquisa, a projeção para 2008 subiu de 4,44% para 4,47%, próximo do centro da meta de 4,5%. Entre as Top 5, a previsão para este ano já é maior que o centro da meta: 4,7%.