Blog

  • BC prevê inflação acima da meta e sinaliza alta de juros

    Folha de São Paulo   Editoria: Dinheiro    Página: A-8


    Em meio à crise financeira externa, o Banco Central elevou de 4,5% para 4,8% sua projeção para o crescimento da economia neste ano, reforçando ainda mais as indicações de que um aumento nos juros está cada vez mais próximo. Segundo o BC, o forte ritmo de expansão é o principal fator a ameaçar o cumprimento das metas de inflação do governo.


    A avaliação consta do Relatório de Inflação, divulgado pelo BC a cada três meses com análise da conjuntura econômica do país.

    Folha de São Paulo   Editoria: Dinheiro    Página: A-8


    Em meio à crise financeira externa, o Banco Central elevou de 4,5% para 4,8% sua projeção para o crescimento da economia neste ano, reforçando ainda mais as indicações de que um aumento nos juros está cada vez mais próximo. Segundo o BC, o forte ritmo de expansão é o principal fator a ameaçar o cumprimento das metas de inflação do governo.


    A avaliação consta do Relatório de Inflação, divulgado pelo BC a cada três meses com análise da conjuntura econômica do país. Além da nova estimativa para a expansão do PIB (Produto Interno Bruto), o documento também traz uma elevação nas projeções para a inflação.


    A expectativa do BC é que o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) suba 4,7% neste ano e 4,8% em 2009. Antes, previa um aumento de 4,3% e 4,7%, respectivamente. As contas foram feitas considerando que a taxa Selic e a cotação do dólar vão variar, nos próximos meses, de acordo com as expectativas do mercado financeiro colhidas em levantamento feito há duas semanas.


    As novas projeções de inflação não estão muito distantes da meta de 4,5%. Ainda assim, o diretor de Política Econômica do BC, Mário Mesquita, disse que isso não significa que o cumprimento do objetivo não está ameaçado. A meta de inflação está em 4,5% desde 2005.


    Embora tenha ficado acima ou abaixo dela no período, a alta do IPCA ficou sempre dentro da margem de tolerância do BC, hoje de dois pontos percentuais para cima ou para baixo.


    “Não existe um número mágico de inflação projetada que faz com que o Banco Central decida isso ou aquilo. O Banco Central que espera a inflação divergir muito da meta para atuar tende a atuar de forma muito mais intensa e por muito mais tempo”, disse.


    O aperto monetário seria necessário porque, nas palavras do diretor do BC, “o risco mais importante para a inflação é o descompasso entre o ritmo de expansão da demanda e da oferta”. Ou seja, o consumo tem aumentado rapidamente, e há dúvidas sobre a capacidade das empresas em atender à demanda. Esse desequilíbrio pode levar a uma alta da inflação, risco que se reduziria caso o BC elevasse os juros para, justamente, esfriar a economia e reduzir a propensão ao consumo.


    Para o economista Tomás Goulart, da Modal Asset Management, o relatório do BC “deixa bem claro que o movimento é de alta dos juros já na próxima reunião do Comitê de Política Monetária do BC”, em abril. A taxa Selic está hoje em 11,25% ao ano.


    Goulart concorda que o forte ritmo do PIB pode favorecer um aumento da inflação no futuro. “As pessoas estão consumindo cada vez mais por causa do otimismo geral em relação à economia”, disse. Uma alta dos juros poderia, portanto, evitar que esse movimento levasse a um aumento nos preços.


    Já para Elson Teles, economista-chefe da Concórdia Corretora, é difícil dizer se o BC elevará os juros em abril ou se aguardará um pouco mais. Mas acha que a alta ocorrerá. “A intenção do BC é subir os juros mesmo, para arrefecer um pouco o avanço da forte demanda.”


    Teles disse que, pela atual estrutura da economia, não é possível sustentar por muito tempo um crescimento anual superior a 5% sem pressões inflacionárias. Esse problema, diz, só será resolvido com investimentos em setores como o de infra-estrutura, que colabore para o aumento da produtividade das empresas e as torne mais capazes de expandir a produção.


     


     




     


     

  • Lula tem aprovação recorde

    Jornal do Commercio    Editoria: País    Página: A-8


    Na última rodada da pesquisa CNI/Ibope, divulgada nesta quinta-feira, a avaliação positiva do governo bateu o recorde dos dois mandatos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva – 58% dos 2.002 entrevistados consideraram o governo de Lula ótimo ou bom. Na pesquisa anterior, de dezembro de 2007, o índice já havia atingido 51%, nível só alcançado em março de 2003, três meses após a posse.

    Jornal do Commercio    Editoria: País    Página: A-8


    Na última rodada da pesquisa CNI/Ibope, divulgada nesta quinta-feira, a avaliação positiva do governo bateu o recorde dos dois mandatos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva – 58% dos 2.002 entrevistados consideraram o governo de Lula ótimo ou bom. Na pesquisa anterior, de dezembro de 2007, o índice já havia atingido 51%, nível só alcançado em março de 2003, três meses após a posse. O levantamento aponta outros números positivos para o Palácio do Planalto e sugerem a influência da economia na alta popularidade do presidente.


    O índice de avaliação regular recuou um ponto percentual, ficando em 30%, e o de ruim/péssimo caiu de 17% para 11%. Pela série histórica, a avaliação mais baixa do governo Lula, de 29%, coincide com o início de 2004 – quando Lula foi alvejado pelo descumprimento de algumas promessas de campanha, como o aumento maior do salário mínimo – e os meses de setembro e dezembro de 2005, no auge do desgaste pelo escândalo do mensalão, quando veio à tona a suspeita de compra de apoio de parlamentares.


    Agora, o cenário é oposto. Até a nota média atribuída ao governo bateu recorde, ficando em 7,1. Em outro gráfico divulgado pela CNI, a aprovação ao governo subiu de 65% para 73%. A desaprovação caiu de 30% para 22%. De modo similar, 68% – em dezembro eram 60% – declararam confiar no presidente. Só 28% (antes eram 35%) não confiam. O Ibope ouviu eleitores em 141 municípios e a margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais.


    O Ibope revelou também o otimismo com a economia. A aprovação às ações de combate ao desemprego atingiu 55% – índice mais alto de todos os levantamentos desde a chegada de Lula à Presidência. A desaprovação é de 41%. Além disso, pela primeira vez desde dezembro de 2006 a percentagem daqueles que acreditam no aumento da própria renda supera a dos que não acreditam – 42% a 40%. Para 14%, a renda diminuirá.


    Quando indagados sobre notícias veiculadas sobre o governo, 30% apontaram para itens relacionados a temas econômicos, como o aumento do salário mínimo, para R$ 415, que começou a valer no dia 1º. Ainda segundo o levantamento, 81% dos entrevistados avaliam positivamente o ano de 2008. Na pesquisa anterior, de dezembro, eram 79%. Nem tudo, porém, é motivo de comemoração para o PT. Para 51% das pessoas ouvidas, a inflação aumentará nos próximos seis meses. Outros 15% dizem que ela vai ceder e 27% acham que nada mudará.


    No quesito segurança, os resultados também não foram favoráveis – 56% dos entrevistados desaprovam a ação do governo no setor, ante os 40% que aprovam. Voltando à economia, a taxa de juros também não agrada à maioria: 53% dos entrevistados desaprovam a política do governo para o setor, enquanto 39% acham correto o posicionamento.


    Na pesquisa espontânea sobre quais foram os principais fatos noticiados relativamente à gestão petista, 16% apontaram para os gastos irregulares com cartão corporativo e para o novo valor do salário mínimo. Também chamaram a atenção das pessoas que foram ouvidas as viagens do presidente (8%), a reação ao tratamento dado aos brasileiros na Espanha (5%) e a participação do País nas negociações para encerrar a crise diplomática entre o Equador e a Colômbia (5%).


    Ao avaliar o noticiário nas emissoras de TV, nos rádios e nos jornais relativo ao governo do presidente Lula, 32% dos entrevistados disseram que ele não é nem favorável nem desfavorável ao Planalto. Para 27%, a maioria das notícias é favorável ao governo, mas 23% disseram que a cobertura é desfavorável. Outros 18% não souberam responder à questão ou não quiseram opinar.


    Em situação oposta, o Legislativo aparece com popularidade em baixa – 61% disseram não confiar no Congresso. É a pior avaliação das instituições do País, de acordo com o Ibope. O governo conta com a confiança de 59% dos entrevistados e a desconfiança de 39%. No topo do ranking estão as Forças Armadas, com a confiança de 74% dos brasileiros.


     


     




     

  • Arrecadação melhora e déficit deve fechar em R$ 43 bilhões

    Gazeta Mercantil   Editora: Nacional   Página: A-4


    O Ministério da Previdência Social revisou para baixo a previsão para o rombo nas contas da pasta neste ano devido à melhora dos números em fevereiro. A estimativa foi reduzida em R$ 900 milhões, para R$ 43 bilhões, disse ontem o secretário de Políticas de Previdência Social, Helmut Schwarzer. A previsão anterior era de R$ 43,9 bilhões.


    “Posso dizer com grau de segurança que o déficit ficará em R$ 43 bilhões com viés de baixa”, avaliou o secretário.

    Gazeta Mercantil   Editora: Nacional   Página: A-4


    O Ministério da Previdência Social revisou para baixo a previsão para o rombo nas contas da pasta neste ano devido à melhora dos números em fevereiro. A estimativa foi reduzida em R$ 900 milhões, para R$ 43 bilhões, disse ontem o secretário de Políticas de Previdência Social, Helmut Schwarzer. A previsão anterior era de R$ 43,9 bilhões.


    “Posso dizer com grau de segurança que o déficit ficará em R$ 43 bilhões com viés de baixa”, avaliou o secretário. A redução da estimativa para o déficit da Previdência, disse, é estimulada pelo aumento de receita pela melhora da arrecadação e da queda do pagamento de benefícios de auxílio-doença em decorrência do combate a fraudes.


    A expectativa do secretário de Políticas de Previdência Social leva em conta as metas de arrecadação de R$ 158 bilhões e a do pagamento de benefícios, de R$ 201 bilhões. A receita vem crescendo, segundo Schwarzer, em decorrência do crescimento da economia e do combate a fraudes pelo sistema previdenciário.


    Ele já leva em conta o impacto do reajuste do salário-mínimo, que subiu para R$ 415,00 este ano, nas contas da Previdência. Para ele, o reflexo será de R$ 4,762 bilhões apenas em 2008. Se anualizar para os anos seguintes, o impacto é de R$ 6,191 bilhões, acrescentou Schwarzer.


    No mês passado, o rombo da Previdência Social ficou em R$ 2,027 bilhões, já ajustado pela inflação. A cifra caiu 31,2% em relação a fevereiro do ano anterior, conforme foi divulgado ontem pelo órgão.


    Em relação ao mês anterior, a redução foi mais elevada, principalmente no pagamento de benefícios, o que gerou um déficit 60,4% maior. No primeiro mês de 2008, foram arrecadados R$ 11,26 bilhões e foram gastos em benefícios da Previdência R$ 16,37 bilhões. O aumento nos gastos em janeiro foi resultado, de acordo com o secretário, do pagamento de sentenças judiciais acumuladas do ano passado.


    O resultado surpreendeu o secretário de Políticas de Previdência Social, que espera um recuo de apenas R$ 300 milhões a R$ 400 milhões no período. Em sua avaliação, a queda do rombo acima do previsto decorre do incremento das arrecadações e da estabilidade do pagamento dos benefícios, em decorrência do menor número recursos para o pagamento de auxílios-doença.


    Em fevereiro, a arrecadação da Previdência Social registrou crescimento de 8,4% para R$ 11,92 bilhões, contra os R$ 11 bilhões apurados em igual mês do ano passado. Se corrigido pela inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), a receita alcançou R$ 13,95 bilhões. Já as despesas do órgão com benefícios no mês passado somaram R$ 13,954 bilhões, o que representou aumento de 0,5% em comparação com igual mês de 2007. Já o estoque de auxílios-doença caiu 11% para 1,32 milhão entre fevereiro de 2007 e fevereiro de 2008.


    Apesar da redução do déficit no mês passado, no acumulado do primeiro bimestre deste ano a Previdência Social acumulou rombo de R$ 7,14 bilhões. A cifra representou um aumento de 4,1% em relação a igual período do ano passado, quando somava R$ 6,86 bilhões. O rombo cresceu no período porque a receita cresceu 10,2% para R$ 23,188 bilhões no acumulado do ano, enquanto as despesas evoluíram 8,7%, para R$ 30,328 bilhões.


     




     


     

  • Dornelles apresenta proposta de IVA único

    Jornal do Commercio   Editora: País    Página: A-12


    O relator da subcomissão de reforma tributária do Senado, Francisco Dornelles (PP-RJ), apresentou nesta quinta-feira uma proposta de ampla reformulação do sistema tributário brasileiro, com o objetivo de simplificar e melhorar a qualidade da tributação e reduzir o custo das empresas de pagar os impostos. Dornelles propôs a criação de um único Imposto sobre Valor Adicionado (IVA) nacional, que substituirá todos os impostos e contribuições que atualmente incidem sobre os bens e serviços.

    Jornal do Commercio   Editora: País    Página: A-12


    O relator da subcomissão de reforma tributária do Senado, Francisco Dornelles (PP-RJ), apresentou nesta quinta-feira uma proposta de ampla reformulação do sistema tributário brasileiro, com o objetivo de simplificar e melhorar a qualidade da tributação e reduzir o custo das empresas de pagar os impostos. Dornelles propôs a criação de um único Imposto sobre Valor Adicionado (IVA) nacional, que substituirá todos os impostos e contribuições que atualmente incidem sobre os bens e serviços. A única exceção será o Imposto sobre Serviços (ISS), cobrado pelos municípios, que continuará existindo.


    O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), disse que a proposta de Dornelles “é mais avançada” do que aquela encaminhada pelo governo ao Congresso Nacional no fim de fevereiro. A proposta do governo prevê a existência de três IVAs. “Este projeto sepulta o outro”, disparou Virgílio. “Por que não começamos a discutir a partir deste?”, questionou, durante debate na subcomissão do Senado.


    Até senadores do PT, como Delcídio Amaral (MS), defenderam a proposta. “É um tremendo avanço em relação ao projeto do governo”, disse Delcídio. Embora tenha manifestado “simpatia” por um único IVA nacional, o senador Aloizio Mercadante (PT-SP) alertou para uma eventual perda de receita pela União. “Da forma como está desenhado, o projeto não preserva o princípio de neutralidade que a reforma precisa ter, pois a União vai perder receita”, argumentou.


    Pela proposta de Dornelles, o IVA nacional substituirá o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), a Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), a Contribuição para o Financiamento da Previdência Social (Cofins), a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide-combustíveis), a contribuição para a universalização dos serviços de telecomunicações (Fust), a contribuição para o desenvolvimento tecnológico das telecomunicações ( Funttel) e todas as outras contribuições que incidem sobre bens e serviços.


    Mesma Base


    O IVA nacional terá a mesma base do atual ICMS, ou seja, ele incidirá sobre a circulação de mercadorias e a prestação de serviços. O IVA será cobrado pelos estados e recolhido integralmente na origem. O novo tributo terá oito alíquotas, que serão fixadas em lei complementar. Caberá ao Senado o enquadramento por alíquota das mercadorias e dos serviços. Com o IVA nacional haverá uma desoneração completa e imediata dos investimentos e das exportações. “A simplificação feita pelo IVA nacional reduzirá muito o custo que as empresas têm hoje para pagar os tributos”, disse Dornelles.


    A proposta prevê ainda uma ampla reformulação dos impostos sobre o patrimônio. O Imposto Territorial Rural (ITR) e o Imposto sobre Transmissão “Causa Mortis” e Doação de Bens e Direitos (ITCMD) serão incorporados, respectivamente, aos atuais impostos municipais sobre propriedade predial e territorial urbana (IPTU) e ao imposto sobre transmissão “intervivos” de bens imóveis e de direitos reais sobre imóveis (ITBI). A Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) será incorporada ao Imposto de Renda. A proposta prevê ainda a extinção da competência da União para criar o imposto sobre grandes fortunas.




      


     


     

  • Governo quer mudar uso de recursos do Sistema S

    Folha de São Paulo  Editora: Economia   Página: B-6


    O governo lançou ontem uma proposta para disciplinar a aplicação de R$ 4,8 bilhões anuais hoje geridos livremente pelas confederações empresariais da indústria, do comércio e outros setores.


    Trata-se de 40% da receita do Sistema S, o conjunto de entidades privadas de serviço social e formação profissional mantidas com contribuições cobradas sobre a folha de pagamento das empresas, cuja atuação vai de cursos de qualificação profissional até colônias de férias e centros de lazer.

    Folha de São Paulo  Editora: Economia   Página: B-6


    O governo lançou ontem uma proposta para disciplinar a aplicação de R$ 4,8 bilhões anuais hoje geridos livremente pelas confederações empresariais da indústria, do comércio e outros setores.


    Trata-se de 40% da receita do Sistema S, o conjunto de entidades privadas de serviço social e formação profissional mantidas com contribuições cobradas sobre a folha de pagamento das empresas, cuja atuação vai de cursos de qualificação profissional até colônias de férias e centros de lazer. No cenário imaginado, entidades como Senai e Senac passariam a seguir diretrizes fixadas em lei para o uso de suas verbas.


    O projeto é potencialmente polêmico porque, desde os anos 40, quando foi iniciado o sistema, as administrações estaduais das entidades têm autonomia para decidir seus objetivos e prioridades.


    Nos últimos anos, várias tentativas de eliminar ou reformar o sistema esbarraram na resistência de confederações como a CNI (indústria) e a CNC (comércio), responsáveis pela gestão dos recursos. Um dos argumentos sempre lembrados pelos defensores do sistema é que o presidente Lula se formou torneiro mecânico pelo Senai.


    Não por acaso, o ministro da Educação, Fernando Haddad, foi cauteloso ao anunciar a proposta, que, disse, será discutida “sem pressa nenhuma”. “Estamos criando um clima de debate para uma possível reforma.”


    A idéia é induzir as entidades a usar o dinheiro na oferta de cursos profissionalizantes gratuitos de nível médio para estudantes oriundos de escolas públicas ou com bolsa integral em estabelecimentos particulares. Os 2 milhões de vagas estimados beneficiariam ainda quem usa o seguro-desemprego.


    Para isso, haveria um fundo nacional formado por parte da arrecadação do sistema, e 80% dos recursos seriam distribuídos conforme o número de matrículas nos cursos gratuitos -o restante do dinheiro seria repartido conforme a população do Estado.


    Receita de R$ 8 bi


    As empresas de médio e grande portes destinam atualmente 2,5% da folha de pagamentos às entidades do Sistema S do setor em que atuam, gerando receita estimada, neste ano, em R$ 8 bilhões.


    Na proposta do governo, 1,5% da folha de pagamento passaria ao fundo. As entidades manteriam a autonomia no uso do restante da arrecadação tributária e de suas receitas adicionais com, por exemplo, a oferta de cursos pagos.


    No diagnóstico apresentado por Haddad, o sistema hoje é falho devido à falta de transparência, à ausência de critérios para o atendimento, por priorizar cursos profissionalizantes de curta duração e por não ser orientado à gratuidade, o que, afirma, implica em “elitização” do público-alvo. Após a apresentação, ele atribuiu os problemas ao fato de a legislação atual não prever regras que inibam esses problemas.


    Idéias em debate


    O governo não conta com um projeto de lei pronto para ser enviado ao Congresso. As idéias apresentadas ainda serão discutidas “com a sociedade” e terão de passar pelo crivo da Casa Civil. Embora sejam contabilizadas na carga tributária nacional, as contribuições ao sistema não são consideradas dinheiro público e, portanto, não precisam seguir as diretrizes do Orçamento da União.


    Por meio de nota, a CNT (transportes) se manifestou favorável à proposta. Procuradas pela Folha para comentar as propostas, a CNI, a CNC e o conselho nacional do Sesi não haviam se manifestado até o fechamento desta edição.


    Avaliação positiva


    A Força Sindical avalia que a proposta é positiva e pode ajudar a resolver o problema da falta de mão-de-obra especializada no país.


    “O Brasil avançou no setor de tecnologia, as fábricas se modernizaram, mas os trabalhadores nunca tiveram a oportunidade de acompanhar esse investimento. Vários setores sofrem com o problema da falta de mão-de-obra qualificada. Por isso, qualquer mudança no sentido de aumentar os cursos de formação profissional é positiva”, disse Paulo Pereira da Silva, presidente da Força.


    Para Ricardo Patah, presidente da UGT, uma das propostas mais interessantes é a que prevê que parte dos recursos seja repassada para as escolas públicas fundamentais.


    “Os recursos desse sistema são canalizados somente para algumas categorias profissionais. Não havia a participação ampliada da sociedade nesses recursos. A proposta é o início de mudança importante para o país. As escolas fundamentais são as mais carentes.”




     


     

  • Recorde no número de fusões e aquisições

    Jornal do Commercio   Editoria: Economia   Página: A-3


    A crise pela qual passa a economia americana em nada diminuiu o apetite das empresas brasileiras por fusões e aquisições, aponta levantamento da consultoria KPMG. No primeiro trimestre deste ano, foram realizadas 150 transações, alta de 34% sobre o total de 112 operações registado de janeiro a março de 2007. O desempenho foi o melhor já registrado para o período. O consumo interno foi o impulsionador dos negócios.

    Jornal do Commercio   Editoria: Economia   Página: A-3


    A crise pela qual passa a economia americana em nada diminuiu o apetite das empresas brasileiras por fusões e aquisições, aponta levantamento da consultoria KPMG. No primeiro trimestre deste ano, foram realizadas 150 transações, alta de 34% sobre o total de 112 operações registado de janeiro a março de 2007. O desempenho foi o melhor já registrado para o período. O consumo interno foi o impulsionador dos negócios.


    Outro fator que chama a atenção é o fato de que, historicamente, o primeiro trimestre do ano costuma ser o mais fraco em relação aos demais e tem representando – nos últimos levantamentos – menos de 20% do total das transações de todo o ano. As empresas nacionais foram as responsáveis pelo aumento e o conseqüente recorde das fusões e aquisições.


    O número de transações relacionadas a compras feitas por companhias brasileiras dobrou em relação ao primeiro trimestre do ano passado: foram 113 negociações com este perfil, ante 55 em igual período de 2007.


    “O mercado de fusões e aquisições dá sinais de que não foi influenciado pela crise nos Estados Unidos, mas não podemos nos esquecer que houve um agravamento há poucas semanas. O que observamos é que muitas empresas nacionais passaram pelo processo de abertura de capital (IPOs) e, portanto, dispõem de caixa para fazer aquisições. Ao todo, estas empresas realizaram 51 operações das 113 feitas por grupos nacionais. Acredito que ainda há recursos a serem gastos, o que deve manter o ritmo nos próximos meses. Isto deve ocorrer independentemente de novos IPOs ocorrerem ou não”, comenta Luís Motta, chefe de Fusões e Aquisições da KPMG.


    No sentido oposto, o número de empresas estrangeiras adquirindo brasileiras caiu drasticamente, de 57 operações para 37, na comparação entre os três primeiros meses de 2007 e o igual período deste ano. Uma diminuição de 35%. O país que mais reduziu o apetite por investimento no exterior via aquisições foi os Estados Unidos, que lideraram apenas 12 aquisições com este perfil em 2008, contra 24 no primeiro trimestre do ano passado. De acordo com Motta, tudo indica que a crise do subprime está afetando a decisão de investimento dos países desenvolvidos, principalmente nos EUA.


    Prova disso é que das aquisições lideradas por companhias brasileiras comprando empresas de capital estrangeiro – tanto as instaladas no exterior quanto no Brasil -, a maioria visou organizações de países desenvolvidos, principalmente os grupos americanos.


    Serviços


    A exemplo do resultado do Produto Interno Bruto (PIB), o consumo interno foi um dos impulsionadores dos negócios. Uma mostra disto está no fato de o setor de serviços ter registrado o maior de transações: o segmento de Tecnologia da Informação, líder em negócios, apresentou 17 transações, contra dez em igual período de 2007. Em segundo lugar figura o setor imobiliário, com 14 acordos, crescimento de 100% em relação ao primeiro trimestre do ano passado.


    Outro setor que merece destaque é o de educação. As aberturas de capital realizadas pelas instituições de ensino do País fizeram com que as aquisições saltassem de apenas uma no período de janeiro a março de 2007, para 11 agora em 2008, ocupando a quinta posição do ranking. Já o segmento de alimentos, bebidas e fumo se manteve no mesmo nível dos três primeiros meses do ano anterior, com 12 operações.


    “Neste setor houve negócios importantes no exterior realizados, principalmente, por frigoríficos. Mas de uma maneira geral, não podemos dizer que a desvalorização cambial, que torna os ativos no exterior mais atrativos, foi o principal responsável pelo avanço das transações no primeiro trimestre. Como pode se observar, o desempenho foi puxado por negócios feitos dentro do País”, acrescenta Motta.


     


     




     


     

  • Participação nos lucros pode sustentar vagas no comércio

    Gazeta Mercantil    Editoria: Nacional   Página: A-4


    A participação nos lucros e resultados (PLR) paga pelas empresas substituiu a recuperação de perdas com a inflação como gatilho para greves de trabalhadores, segundo Francisco Oliveira, coordenador de pesquisas do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Os pagamentos da participação que se concentram nos meses de março e abril podem manter aquecidas as atividades nos setores do comércio e serviços que puxaram a oferta de emprego nos últimos meses.

    Gazeta Mercantil    Editoria: Nacional   Página: A-4


    A participação nos lucros e resultados (PLR) paga pelas empresas substituiu a recuperação de perdas com a inflação como gatilho para greves de trabalhadores, segundo Francisco Oliveira, coordenador de pesquisas do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Os pagamentos da participação que se concentram nos meses de março e abril podem manter aquecidas as atividades nos setores do comércio e serviços que puxaram a oferta de emprego nos últimos meses.


    De acordo com Alexandre Loloian, da Fundação Seade, o pagamento da PLR, referente a participação nos lucros das empresas, mobiliza mais que o reajuste de salário. Uma categoria importante como a dos bancários, com 424 mil trabalhadores em todo o País, teve um reajuste de 6% no acordo salarial de 2007, o que representou um aumento real de 1,13%. A PLR, somada a outros benefícios próprios dos bancos, no entanto, injetou R$ 3,593 bilhões em rendimentos extras pagos no final de 2007 e em março de 2008, segundo dados do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região. Para Loloian, o efeito da renda extra da PLR deverá ser acompanhada para se apurar os efeitos sobre o comércio e na criação de novos postos de trabalho.


    Desemprego em SP


    Os dados apurados na região metropolitana de São Paulo em fevereiro revelaram um comportamento pouco comum nesta época do ano. A taxa de 13,6% de desemprego de fevereiro e o contingente de desempregados estimado em 1,4 milhão de pessoas — praticamente igual ao do mês anterior — mostrou uma estabilidade que não era esperada nesse mês, período de queda acentuada na oferta de vagas.


    Para Loloian, o consumo elevado, suportado pela oferta de crédito e incremento da massa salarial, provocou uma forte reação na abertura de postos de trabalho no final de 2007. Este comportamento se estendeu no início do ano e teve um efeito de “arrasto” do crescimento, evitando uma retração acentuada na taxa em fevereiro.


    A Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) realizada pelo Dieese em conjunto com a Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) revelou que a taxa de desemprego medida nas seis regiões metropolitanas elevou-se para 14,5% em fevereiro, em comparação com os 14,2% de janeiro.


    O total de desempregados ficou em 2,85 milhões nas regiões metropolitanas do Distrito Federal, Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife, Salvador e São Paulo. Este número traz um acréscimo de 50 mil pessoas ao conjunto de desempregados em relação ao mês anterior. A redução no nível de ocupação em 0,4% no mês, que resultou na eliminação de 65 mil postos de trabalho, é esperado nesta época do ano. A queda, no entanto, foi atenuada pelo comportamento do comércio, que aumentou em 1% o nível de ocupação com a abertura de 29 mil vagas no período em que ocorreram demissões na indústria (7 mil), serviços (11 mil) e construção civil (40 mil).


    Os indicadores de emprego e desemprego que devem ser divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira devem apontar uma melhora no quadro de emprego urbano no País e mostrar resultados alinhados aos da pesquisa do Dieese/Seade, na avaliação do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI).


    O rendimento dos trabalhadores não apresentou crescimento expressivo em fevereiro. O salário médio aumentou 1,8% em Salvador (R$ 894); cresceu 1% no Distrito Federal, onde chegou a R$ 1.617; e ficou estável em São Paulo (R$ 1.033) e Belo Horizonte (R$ 1.143). As principais quedas foram registradas em Porto Alegre, onde o rendimento foi 3,1% menor (R$ 1.052) e em Recife, que fechou o período com rendimento de R$ 666 e redução de 0,6%.


     

  • Crise não reduz “apetite” de estrangeiro por títulos do país

    Folha de São Paulo   Editoria: Dinheiro    Página: B-3


    A crise financeira internacional não reduziu o apetite dos investidores por títulos do governo federal. Tanto que, no mês passado, a dívida pública cresceu 2,6%.


    O estoque da dívida total somou R$ 1,3 trilhão.

    Folha de São Paulo   Editoria: Dinheiro    Página: B-3


    A crise financeira internacional não reduziu o apetite dos investidores por títulos do governo federal. Tanto que, no mês passado, a dívida pública cresceu 2,6%.


    O estoque da dívida total somou R$ 1,3 trilhão. A explicação do Tesouro Nacional para esse aumento foi o volume maior de emissões no mês, contra o valor baixo dos vencimentos dos títulos no período.


    Os juros pagos pela dívida também contribuíram para esse resultado.


    O coordenador-geral de Operações da Dívida Pública do Tesouro, Guilherme Pedras, afirmou que o pacote cambial anunciado pelo governo no último dia 13 não deverá desestimular a procura dos estrangeiros por títulos da dívida interna brasileira.


    Para ele, a maioria desses investidores costuma aplicar a longo prazo e, por isso, o aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) para 1,5% seria diluído nos vários anos de rendimento.


    Quando o pacote foi anunciado, o objetivo do ministro da Fazenda, Guido Mantega, era tentar reduzir a procura dos estrangeiros pelos investimentos em renda fixa no Brasil, principalmente de curto prazo.


    “Do ponto de vista de desestimular a demanda no longo prazo, felizmente [o pacote cambial] não surte efeito”, disse Pedras.


    Ele, porém, não apresentou estatísticas que comprovem a preferência dos estrangeiros por títulos de longo prazo nem a garantia de que os investidores não vendem os títulos antes do seu vencimento.


    Em janeiro, do total da dívida interna, 4,96% estavam nas mãos de estrangeiros. Há um ano, esse percentual era de cerca de 2%.


    Taxa elevada


    Maurício Oreng, economista-sênior da Itaú Corretora, concorda com que o aumento do IOF não é suficiente para reduzir a atratividade dos títulos da dívida brasileira.


    Oreng lembra que a taxa de juros paga no país ainda é uma das mais altas do mundo. Mas essa lógica vale tanto para as aplicações de longo prazo como para as de curto prazo.


    O economista do grupo Itaú avalia que as estatísticas do Tesouro Nacional sobre a dívida pública mostram que o Brasil não sofreu os efeitos da crise internacional.


    O estoque da dívida interna cresceu 3,1% no mês passado, somando R$ 1,2 trilhão. E a externa caiu 3,9%, para R$ 103,2 bilhões. Do total da dívida, a maior parte é prefixada (32,9%).


    Estão indexados à Selic 31,8% dos títulos, e outros 25% são atrelados à inflação.

    A redução da dívida externa foi motivada principalmente pelo pagamento de R$ 1 bilhão em juros, o que amortizou o estoque.


    No mês passado, foram recomprados R$ 629 milhões em títulos que venceriam em 2040. Com isso, o governo economizou R$ 1,6 bilhão em juros que pagaria nesse período.


    Desde o início do programa de recompra da dívida interna, no ano passado, a economia com juros que seriam pagos já é de R$ 18,3 bilhões.


     




     


     

  • Com 86 milhões de pessoas, classe C já é maioria da população brasileira

    O Estado de São Paulo   Editoria: Economia    Página: B-4


    A classe C reúne hoje 86,2 milhões de brasileiros com renda média familiar de R$ 1.062. A maior parte do contingente que engordou a classe C vem da base da pirâmide populacional, as classes D e E, perto de 12 milhões de pessoas. Outros 4,7 milhões vieram das camadas A/B, que perderam poder aquisitivo.

    O Estado de São Paulo   Editoria: Economia    Página: B-4


    A classe C reúne hoje 86,2 milhões de brasileiros com renda média familiar de R$ 1.062. A maior parte do contingente que engordou a classe C vem da base da pirâmide populacional, as classes D e E, perto de 12 milhões de pessoas. Outros 4,7 milhões vieram das camadas A/B, que perderam poder aquisitivo. O restante é proveniente do crescimento vegetativo da população.


    Isso é o que revela a pesquisa O Observador Brasil 2008, feita pela financeira francesa Cetelem com o instituto de pesquisas Ipsos Public Affairs. Na terceira edição da enquete, foram ouvidas 1.500 famílias em 70 cidades e nove regiões metropolitanas do País em dezembro de 2007. Os entrevistados foram classificados não só pela renda, mas também pelo nível educacional e pela posse de bens, este o item de maior peso.


    “O elevador social funcionou”, afirma Franck Vignard Rosez,diretor de Marketing e Novos Negócios da financeira. Ele atribui esse resultado a uma combinação favorável de fatores: crédito farto com prazos longos e juros menores, preços em queda dos bens duráveis, crescimento do emprego e os programas sociais que colocaram mais recursos no bolso das camadas que estão na base da pirâmide populacional.


    “O aumento expressivo da classe C nos surpreendeu”, diz o presidente da Cetelem no Brasil, Marc Campi. Segundo ele, em apenas um ano esse estrato social aumentou o equivalente a duas vezes a população de Portugal.


    Animado com os números, Campi conta que a financeira vai entrar no crédito de veículos neste ano e avalia a estréia no crédito imobiliário mais para frente. Apesar do entusiasmo, ele pondera que, se os prazos dos financiamentos forem reduzidos e os juros subirem, a mobilidade social acelerada das camadas de menor renda poderá perder fôlego.


    De acordo com o estudo, “o bem-estar da sociedade brasileira passa por uma pequena revolução”. Com o grande número de pessoas que migrou da classe D/E para a classe C, quase dobrou a renda média mensal familiar dessa população no último ano, de R$ 580 para R$ 1.062. Apesar disso, a renda média familiar da classe C no último ano teve um ligeiro recuo, de R$ 1.162 para R$ 1.062. Segundo Rosez, isso ocorreu porque normalmente quando as pessoas ingressam numa outra classe a entrada ocorre pelas faixas salariais mais baixas, o que puxa a média de renda do estrato social para baixo.


    Outro dado positivo da pesquisa foi o aumento da renda disponível das classes C e D/E nos dois últimos anos. Em 2005, faltavam R$ 17 para o consumidor da classe D/E pagar as contas no fim do mês. No ano passado, sobraram R$ 22. Na classe C também houve ganho de renda. Em 2007, sobraram R$ 147, ante uma folga de R$ 122 em 2005. Já para a classe A/B a fôlego diminuiu de R$ 632 em 2005 para R$ 506 em 2007. A renda disponível é a que sobra após os gastos obrigatórios. A enquete mostra que o ritmo acelerado de consumo deve continuar este ano. Celular, computador, itens de decoração e a casa própria tiveram os maiores acréscimos na intenção de compra.


     


     


     

  • Bancos estão preparados para a expansão do crédito

    Jornal do Commercio   Editoria: Economia    Página: A-2


    O crédito não vai sofrer qualquer mudança ou redução do ritmo de crescimento. O recado foi dado ontem por representantes dos bancos após reunião de dirigentes das maiores instituições financeiras do Brasil com o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Ao deixar o encontro, o presidente da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), Fábio Barbosa, afirmou que os empréstimos não terão “qualquer ruptura ou ajuste” e que o volume de operações vai continuar crescendo normalmente.

    Jornal do Commercio   Editoria: Economia    Página: A-2


    O crédito não vai sofrer qualquer mudança ou redução do ritmo de crescimento. O recado foi dado ontem por representantes dos bancos após reunião de dirigentes das maiores instituições financeiras do Brasil com o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Ao deixar o encontro, o presidente da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), Fábio Barbosa, afirmou que os empréstimos não terão “qualquer ruptura ou ajuste” e que o volume de operações vai continuar crescendo normalmente.


    Na reunião, os presidentes do Bradesco, Márcio Cypriano; do Itaú, Roberto Setúbal; do Banco do Brasil, Antônio Lima Neto, além de Barbosa, que é dirigente da Febraban e presidente do ABN Amro Real, relataram as condições em que o crédito tem evoluído no Brasil nos últimos anos. Barbosa afirma que a avaliação do mercado de crédito feita no encontro foi positiva. A percepção, segundo ele, foi compartilhada pelo ministro da Fazenda.


    Sem qualquer sinal de preocupação com a evolução do crédito, o presidente da Febraban anunciou que o mercado de crédito vai continuar em expansão e no mesmo ritmo observado recentemente. “Os bancos estão preparados para suportar a continuidade da expansão dos empréstimos, sejam eles destinados ao consumo ou ao investimento”, disse Barbosa.


    Na reunião, foi analisado o relatório de crédito relativo a fevereiro divulgado no dia anterior pelo Banco Central. O documento mostra que o total de empréstimos aumentou 1,1% em fevereiro ante janeiro, para R$ 957,5 bilhões. Na visão dos bancos, os empréstimos “têm crescido de forma tranqüila” e com condições “muito sólidas”. Sobre as operações com prazos mais longos, como o financiamento de veículos em até 100 meses, Barbosa minimizou o impacto dessas operações. Para ele, esse crédito elástico “é residual”.


    Elogios ao BC


    O presidente da Febraban explicou que o crédito tem crescido de forma adequada porque “existe respaldo das instituições” que controlam o mercado. Ele citou como bom exemplo o trabalho do Banco Central de manter rigor na fiscalização das operações de crédito.


    O tom tranqüilizador do discurso é completamente diferente do feito por Mantega no início da semana. Na segunda-feira, o ministro demonstrou preocupação com a capacidade de os bancos de fazerem frente à uma eventual expansão excessiva do crédito. O principal ponto de atenção de Mantega eram as operações com prazos longos. Ele citou como exemplo que 80 ou 90 prestações para a compra de um carro poderiam ser “excessivas”.


    Sem qualquer sinal de preocupação com a evolução do crédito, o presidente da Febraban anunciou que o mercado de crédito vai continuar em expansão e no mesmo ritmo observado recentemente. “Os bancos estão preparados para suportar a continuidade da expansão dos empréstimos, sejam eles destinados ao consumo ou ao investimento”, disse Barbosa.


    A expectativa do Banco Central é que o volume de crédito disponível no país cresça entre 20% e 25% neste ano, o que seria suficiente para elevar o saldo de empréstimos para um valor equivalente a cerca de 40% do Produto Interno Bruto (PIB), o que, se confirmado, será o nível mais alto já registrado pelas estatísticas do BC.


    O encontro de Mantega realizado ontem foi o primeiro de uma série que o Ministério da Fazenda prepara com outros setores importantes da economia. Hoje, o ministro se reunirá em São Paulo com representantes da indústria automobilística. Amanhã, será a vez do setor siderúrgico.